The Way U Are

1 One Shot.


Notas iniciais
Apenas reflitam okay? Eu vou deixar a letra da musica lá em Baixo.. Apenas se lembrem garotas por favor... nunca mudam quem são pelas pessoas... nunca... Inspirada em The Way U Are do Shayne Ward. https://www.youtube.com/watch?v=67GXvx3IZAA isso não é sobre maus tratos ou historinhas romanticas e sobre mudar quem a gente é apenas por alguém... repito: não façam isso... não é legal. Sejam vocês mesmos independentemente de tudo... você é linda do jeito que você é okay?

Eu devia ir ajudar ela.

Minha mãe, com certeza iria me dar bronca por eu não estar ajudando a garota.

Ela pegava as caixas no Wall da entrada, as carregando com dificuldade para dentro do seu prédio.

Eu devia, definitivamente, estar ajudando a garota nova.

As pessoas passavam por ela sem qualquer interesse, enquanto eu apenas me mantinha ali, observando. Os carros atravessavam a rua e o céu cinzento lá de fora parecia querer avisar que iria chover. A garota voltou a aparecer ao fim de uns minutos.

Os cabelos eram loiros e encaracolados chegando até à base das suas costas. Vestia umas jeans justas e uma jaqueta branca que a protegia do frio.

Nós estamos em East Village, o centro de toda a porcaria de Nova York.

Gangues?

Crime?

Droga?

Emigrantes Ilegais?

Isso é East Village, um pequeno bairro de Nova York onde a criminalidade aparece ao virar da esquina. Sabe onde os pais do Batman morreram? Exato, em Gotham City, mas East Village é a Gotham City de Nova York. Se você não tiver cuidado o mais certo é que roubem a sua carteira ou então te assaltam e você fica sem sua roupa que tem no corpo.

Esse é o buraco onde nós, meros americanos sem rendimentos, temos que morar.

Uma lugar a Este de Nova York onde, se você for um cara desligado (que é meu caso) você tem que fazer seguro pro seu celular contra a assaltos.

E eu fiz um seguro, sim.

Annabeth Chase era o nome dela. Ela acabara de se mudar para o prédio do lado hoje de manhã com os seus irmãos e os seus pais – Frederick e Athena Chase. Passaram todo o dia recolhendo as caixas e sacos que haviam sido deixados na entrada, enquanto eu passava meu dia em frente da janela, observando a garota...

— Vi uma carrinha de mudanças hoje no prédio do lado – o meu pai comentou lendo o jornal à mesa de jantar – Será que devíamos ir cumprimentar?

— É o prédio do lado pai, eles não são nossos vizinhos – respondi, brincando com as ervilhas do meu prato.

— É uma questão de cortesia Percy – minha mãe reprimiu, colocando o tacho em cima da mesa – E pare de brincar com a comida.

— O que é cortesia? – Mia perguntou agarrando desajeitadamente no garfo. Ela deu um sorrisinho desdentado. Havia lhe caído o seu terceiro hoje de tarde e claro, ela estava eufórica. Ás vezes achava que essa fedelha não tinha jeito. A coisa mais engraçadinha e presunçosa que passeava cá por casa. Os cabelos negros e os olhos verdes eram a única coisa que tínhamos em comum.

Mia era completamente o oposto de mim.

Era esperta – demais quando queria – era fofinha sem ser chata, mas irritamente curiosa.

“Percy porque o céu é azul? – ela me perguntou uma vez”

— Por causa do sol e da atmosfera – respondi, continuando (ou tentando continuar) resolvendo meu dever de casa de Matemática. Havia dias que professor Xavier era legal, havia outros que parecia que o capeta havia entrado dentro dele o fazendo semear discórdia por todo o lugar

E naquela dia, era um desses dias.

— Mas porquê?

— Mia eu quero terminar o dever de casa sim? Por favor – suspirei observando as equações copiadas no meu caderno.

— Porquê?

— Por que meu professor depois me dá bronca?

— Porquê?

— Por que eu não fiz o dever de casa.

— Porquê?

— Por que sim Mia! — ela insistiu, rindo da minha frustração.

Repito: Irritamente Curiosa.

Havia vezes que ninguém satisfazia aquela curiosidade toda. Meu pai costumar falar que ela irá seguir Filosofia no futuro.

Péssima Escolha Mia… acredite em mim.

— O que é cortesia mamãe? – ela perguntou novamente quebrando minha linha de raciocínio.

E se você não sabe, minha linha de raciocínio consiste em “quantas séries Percy Jackson consegue pôr em dia numa tarde”

Resposta: nenhuma. Sempre acabo adiando e passando a tarde fazendo nenhum.

E quando digo "fazer nenhum" é dormindo/comendo e assistindo algum filme enquanto tento resolver todo o dever de casa que deixei acumulado durante a semana.

Percy Jackson, você é um irresponsável.

Sou mesmo, não me julgue sim? Eu posso fazer isso sozinho.

— É ser educado querida – meu pai respondeu, passando a folha do jornal.

— Então o Percy não é educado! – ela riu. Mostrei a língua para ela.

Fedelha idiota/fofa/inútil e amor da minha vida. Era isso que aquela menina era para mim.

— Mamãe o Percy mostrou a língua!

— Percy – minha sorriu – Não mostre a língua para a sua irmã por favor.

— Toma! – ela sorriu vitoriosa com aquele espacinho entre os dentes.

— Resmungona…

— Será que a vizinha nova tem irmãos? – Mia perguntou.

— Tem dois – respondi nada interessado.

E realmente não estava.

— Como sabe?

— Apenas sei, e ela não é nossa vizinha.

— Eles pareceram ser simpáticos – meu pai voltou a comentar – Acho que têm uma filha da sua idade Percy, bem bonitinha.

Ela era… pelo menos foi isso que eu pensei quando chegou a outra manhã. A garota apareceu na minha sala, sentada ao lado da minha mesa corada. Parecia cansada, como se tivesse corrido meia maratona até à sala.

Ela realmente tinha.

Perdeu o ónibus naquela manhã.

— Ah Percy chegou bem na hora – sorriu professor Xavier com um sorriso irónico. Eu havia me atrasado. 15 minutos para ser exato. – Espero que tenha dormido bem, preciso de toda a sua energia na aula de hoje. Quer se sentar e dar a sua excelentíssima presença na aula de hoje?

Ele não gostava de mim, ou se gostava tinha uma maneira bem estranha de o demonstrar. Não respondi, continuando a olhar para a minha carteira bem ao lado da garota nova. — Espero que não distraia a menina nova Perseu Jackson.

A garota conteu o riso. As suas bochechas ganharam um tom vermelho e os seus olhos pareciam ter se fixado em mim. Não respondi, me sentei ao lado dela sem dizer alguma palavra.

A aula se seguiu mais lentamente do que eu gostaria. Pelo menos para mim.

Annabeth não parecia concordar comigo. Anotava cada frase que o professor falava. Sublinhava e Destacava cada informação do livro que parecia achar importante e estava sempre com os olhos fixos no professor.

Olhos…. Impossivelmente belos. Olhos cinzentos como as nuvens do dia de ontem. Aquele cinza não muito claro nem muito escuro. Aquele cinza de um céu nublado que tem seu espaço invadido pelo sol que brilha intensamente iluminando o manto branco.

Havia duas coisas que eu tinha certeza sobre aquela garota.

1. Annabeth Chase era diferente.

2. Eu estava perdidamente vidrado em Annabeth Chase.

Ela ajeitava os seus óculos pretos no rosto perdidas vezes. Ajustava a mina do porta-minas sempre que podia. Arqueava a sobrancelha direita sempre que recebia uma informação nova, e no final da aula apontava sempre alguma coisa na sua agenda que trazia na mochila.

Toda a sala observava Annabeth Chase. As meninas se perguntavam quem era aquela garota que recebia tantos olhares. Os caras do time de Futebol cochichavam entre si com risinhos e olhares perdidos como adolescentes babando por um novo videogame. E entre eles estava Marcus Smith. O falso Punk aprumadinho que sentava na fila de trás. O garoto esnobe e irritante filho do professor Smith de Literatura. Se achava o máximo, e todo o mundo achava Marcus o máximo.

Marcus era o assunto da escola… Nos corredores? As meninas queriam ele. Na sala? Os rapazes queriam ser ele. Marcus era o cara que todo o mundo desejava conviver. Marcus Smith falou com você? Você é um sortudo…

Marcus Smith era um idiota também. Todo o mundo parecia ignorar isso. Enfiava a cabeça dos outros na privada. Roubava dinheiro dos mais novos. Pegava toda a garota se gabando do que ela era capaz de fazer dentro de quatro paredes.

Marcus Smith era detestável. Sempre foi. Os olhos escuros de Marcus continuavam fixos em Annabeth e aquele sorrisinho de Ken brotava dos seus lábios em direção a Annabeth. Ela pareceu notar o seu sorriso e corou envergonhada.

Algo bom não iria sair dali.

I see the way he tries to break you down
And tries to keep you insecure bout your hair, 'bout your dress
And all that thing

Não demorou para que aquilo acontecesse. Em apenas alguns dias, os rumores que a garota nova e Marcus já circulavam naqueles corredores tão depressa quanto o novo single de Ed Sheeran.

Shape of You é um hino, cara!

As garotas comentavam entre si que Marcus havia sido pego de mãos dadas com a Annabeth. Os rapazes iam mais longe, afirmando que eles se haviam pegado no vestiário na quinta feira.

A garota nova tinha feito amizade com Thália Grace, a punk da turma da sala ao lado e namorada de Nico, meu primo. Elas geralmente estavam juntas durante as aulas e saiam sempre para comer alguma coisa no final da tarde. Na semana passada, enquanto passeava com Mia pelas ruas, notei que as duas conversavam alegres no Starkbucks na rua ao lado do liceu.

Talvez essa sensação estranha que eu sentia fosse apenas isso… uma sensação.

Eu estava no corredor retirando os meus livros para a aula de química.

Maldito dia para deixar meu fone de ouvido em casa. Eu realmente odeio Quarta feira. Serve apenas para lembrar que ainda faltam mais 3 dias inteiros até ao final da semana. Quartas feiras não são legais, acreditem.

— Você deveria deixar esses óculos em casa – ouvi a voz estupidamente harmoniosa de Marcus quebrando o silêncio. Porque aquele cara não vai para o American Got Talent e deixa a escola?

Novo abaixo assinado: recolher assinaturas para retirar Marcus Smith dessa escola.
Primeiro e Única assinatura? Eu, Percy Jackson.

— Eu não vejo nada sem eles Mark – a voz de Annabeth saiu num murmúrio retorquido. – Você sabe.

— É mas porque não usa lentes? Você fica tão mais bonita sem eles – ele elogiou. Coçei a garganta.

Idiota.

I wanna take you away
Cos what I see is so true and girl that defines you

— Você sabe que eu não gosto disso Mark – ela respondeu arrumando o seu cabelo num coque frouxo. Ele agarrou no seu pulso, impedindo-a de terminar o penteado – Não, deixa o cabelo liso, fica melhor.

Ela arqueou a sobrancelha.

— Ah bebé não faça essa cara – ele sorriu dando um pequeno carinho na sua bochecha – Eu só não quero ver as pessoas comentando.

Annabeth o olhou com cara estranha.

— Comentando coisas sobre você e eu. – ele gemeu frustrado – Andam chamando você de nerd e tão me tirando sarro por eu andar com você.

— E você liga para isso? – ela comentou fechando o seu armário com o cadeado dourado.

— Não me agrada nada você andar com aquela garota – ele comentou cruzando os braços.

— Com a Thália? Ai Marcus ela é minha amiga.

— Ela deixou bem claro que não quer que você ande comigo.

— É só que ela não gosta dos seus amigos – ela sussurrou insegura guardando os livros na mochila. Marcus estreitou os olhos e por fim suspirou.

— Eu acho que você deveria deixar de se dar com ela.

— Oquê?

— Ela está se metendo entre a gente Annabeth – ele resmungou – Já estou farto dela.

— Ela é minha amiga Marcus...

— Que seja, estou nem ai – ele virou costas sem paciência e sussurrou – Ou ela ou eu Annabeth.

Babaca

Otário

Filho de uma égua

Pedaço de M*rda!

Era tudo o que me passava pela cabeça.


If you got up and leave me, it don't matter what he says
I think my heart knows you're the babe

— Está tudo bem? – perguntei vendo que o idiota do Smith já havia saído. Ela olhou para mim assustada, como se só naquele segundo havia percebido a minha presença ali. A sua boca formou uma linha dura e por fim assentiu dando um sorriso afetado.

— Certeza? – podia notar o tom preocupado em minha voz.

Ela assentiu, e ficamos num silêncio profundo.

Não ceda, não ceda para ele.

— Nos vemos em química? – perguntei tentando amenizar o ambiente. Pareceu resultar, pois o seu sorriso cresceu abertamente.

— Claro… até.

— Até Annabeth.

But it ain't my place, to say what you should do
And I can't let you stop being you
Cos I know you babe like he doesn't know you babe

***

Ela estava diferente.

Aquela não era Annabeth Chase. Não era.

Ela não usava aqueles shorts. Não usava aquelas blusas. Ela não ousava sair sem seu óculos.

Estávamos na primeira semana de provas. Isto é, dois meses depois da entrada de Annabeth nessa escola. E é incrível o quanto aquela garota mudou. Ela estava menos… menos Annabeth e mais outra pessoa.

Repito: Aquela não era Annabeth Chase.

Marcus mantinha o braço em volta de Annabeth como um cão protegendo sua propriedade. Ele sorria convencido e orgulhosa de algo enquanto cumprimentava os amigos. Mas ela… não sorria, apenas estava ali usando aquelas roupas que não eram dela.

E eu sei que não eram. Eu sabia como era Annabeth Chase.

Era sábado de manhã. E eu sou um dos poucos idiotas que se levanta cedo a um final de semana. Mas essa é a desvantagem de morar com uma fedelha como irmã.

Ela levanta cedo para ver desenhos animados.

Ela faz barulho.

Ela me acorda cedo fazendo barulho enquanto vê desenho animados.

Essa é Mia Jackson, a coisa mais fofa e irritante do mundo e arredores.

— Percy vamos ao parque — ela gritou entrando no meu quarto pulando divertida.

— Não quero ir ao parque agora Mia – resmunguei tapando minha cara com as cobertas. — Me deixei dormir.

— Ah por favorzinho! Vamos! Por favor – ela pediu juntando as mãozinhas pequenas.

Muito chatinha para uma menininha de 5 anos.

— Ah por favor Percy!

— Aff – bufei me destapando – Tudo bem menina chata.

— Vou contar para a mamãe que você me chamou de chata – ela disse batendo o pé. Repito quantas vezes vocês quiserem: menina chata, menina chata, menina chata!

— Conta, e eu conto quem realmente quebrou aquela jarra amarela que ela gostava – desafiei despenteado o cabelo.

— E eu vou contar para as meninas da sua escola que você usa calção com golfinhos enquanto dorme! – ela repostou cruzando os brazinhos magrinhos. Olhei para a o boxers que tinha vestido. Puta merda preciso de roupa nova mesmo.

— E eu vou contar para o Stuart que tu gosta dele!

A menina cobriu as bochechas com as mãos arregalando os olhos – Você não era capaz!!

— Me teste piolha – sorri. Tão fofa e ao mesmo tempo tão irritante... incrível não é? Me levantei a pegando no colo, enquanto ela sorria para mim – Já foi comer?

— Ah ham.

— Comeu o que?

— A torta de laranja da mamãe que ela deixou no forno.

— Espertinha, nem guardou para mim – resmunguei a levantando. Ela gargalhou e sorriu – Percy Percy faz avião!

— Não posso pequena, a mãe não gosta.

— Faz faz faz!

Minha mãe ia me dar uma broca daquelas. Ela estendeu os bracinhos e esperou que eu a levantasse e corresse pela casa.

— Vruuuuuummmm – ela sorria enquanto eu corria com ela a segurando no ar.

— Percy Jackson largue já sua irmã!

Éh… realmente levei uma bronca das grandes.

Me vesti rapidamente comendo um croissant pelo caminho. Mia me dava a mão enquanto atravessávamos o ar frio da manhã caminhando até ao pequeno parque ao lado da cidade. Era o sitio preferido de Mia.

— Percy! – ela me chamou puxando minha camiseta – Aquela não é a vizinha nova?

Automaticamente olhei para onde ela apontava. Annabeth estava sentada no banco do jardim com as pernas cruzadas. Vestia uma camisa vermelha xadrez e umas jeans escuras que se ajustava as suas pernas. Tinha um livro nas mãos, lendo-o atentamente com os óculos postos no seu rosto. O seu cabelo estava preso num rabo de cavalo que deixava a sua franja lateral caíndo perfeitamente sobre a face.

Ela era linda.

Linda com óculos ou sem eles. Linda quando lia ou quando vestia aquela roupa simples que lhe ajeitava com perfeição. Linda com suas manias e tiques.

Como? Como Marcus não via aquilo?

Como ele tinha coragem de mudar tudo o que Annabeth era?

See I'll never try to change you into something you're not
Just like the man in your life who don't know what he go

— Pois é.

— Vamos dizer oi?

— Mia deixe a garota em paz – ressaltei – Vá, vamos até ao parque.

Ela me ignorou correndo até á moça que se mantinha sentada entretida com a leitura.

— Mia! Mia!

— Olá moça – ela sorriu ao chegar perto de Annabeth. A loira levantou os olhos para ela dando um sorriso surpreso e carinhoso.

— Oi… conheço você?

— Sou sua vizinha.

— Mia o que eu te falei? Desculpa Annabeth ela é... curiosa de mais.

— Não tem mal – ela sorriu para mim – Oi princesa tudo bom contigo?

— Sim – ela sorriu com aquele espacinho entre os dentes – O que está lendo?

Annabeth arqueou as sobrancelhas descendo o olhar para a capa do livro a preto e branco – Er… “Nada de Novo no Front” – ela pronunciou rápida e decidida.

Me pergunto se aquela garota sempre fora assim… rápida e decidida.

— Que titulo engraçado – Mia sorriu – Fala sobre oque?

Curiosa, 100% curiosa.

— Mia, deixa a Annabeth ler em paz.

— Desculpe moça – ela disse dando um paço para trás.

— Não tem mal. – ela sorriu. Os seus olhos se desviaram para mim – É sua irmã?

— É… Annabeth essa é a Mia, Mia essa é a-

— A vizinha! – sorriu ela.

— Nós não somos vizinhos — pronunciei.

Mas gostava… oh como gostava.

— Vá Mia, você não queria ir ao Parque?

— Sim… tchau moça.

— Tchau Mia.. e Tchau Percy.

— Tchau Annabeth.

— Nos vemos na aula de química?

Química? Quimica é o que a gente tem menina.

— Claro.. até segunda – disse me afastando. Mia agarrou na minha mão me puxando pela rua, porém os meus olhos só viam uma coisa. A garota bonita e simples que era Annabeth Chase.

— Vou contar a mamãe que você gosta da vizinha.

— Cala a boca Mia!

I like the way you are, the way you are
If I ever saw you change then my whole world would stop

Aquela não era Annabeth daquele sábado de manhã. Aquela não era a garota nova que se mudou para cá… e eu odiava aquele cara por ter feito aquilo com ela.

***

Caminhei pela rua até chegar onde eu queria.

Starbucks, se você não conhece, você ainda não viveu o suficiente meu caro. Abri a porta dando passagem para duas senhoras que estavam prestes a sair.

— O que deseja? – a moça do balcão perguntou educada.

— Um capuchino para levar por favor.

— Com certeza.

Olhei pelo espaço. Haviam mesas e sofás milimetricamente dispostos pelo espaço. As paredes eram de madeira e no teto vários candeeiros estavam acessos dando um ar acolhedor. Os meus olhos a encontraram.

Thália Grace sozinha numa das mesas.

— Thália? – chamei. Ela levantou o rosto me encarando.

— Jackson. – ela sorriu – Que faz por aqui?

— Apenas caminhando – respondi – Posso?

— Claro -ela autorizou. Me sentei do seu lado esperando que a moça trouxesse minha bebida. — Faz tempo que não falamos – ela comentou com um sorriso estranho.

— É verdade… você não costumava vir aqui com… bem…

— A Annabeth? Pois é.

— O que aconteceu? Vocês eram amigas.

— O idiota do Marcus aconteceu… ela está estranha… já não falamos mais. – ela bufou com raiva – Filho da puta do moleque.

E aconteceu a coisa que eu mais temia: Annabeth estava cedendo.

He don't seem to give you the love that you need
And I know what you need is to love you the way you are

***

— Annabeth vamos indo – ele resmungou a puxando.

Estávamos na biblioteca. Era quase 9h e só teríamos aulas daqui a uma hora. Eu vinha sempre aqui procurar sossego. Me esquivava para a mesa do fundo, fingia ler um livro, enquanto dormia ou então assistia videoclips usando o 3G (internet da escola é ruim cara).

Mas naquele dia, eu estava fazendo tudo menos ouvir musica ou assistindo vídeos. Eu lembro que estava realmente – e eu disse realmente mesmo – interessado em um livro. Havia encontrado ele por baixo das prateleiras e estranhamente aquele negócio me cativou.

Como diria a minha mãe: Milagre não é mesmo?

— Eu preciso estudar Marcus – ela disse o ignorando.

— Ignora isso vamos, está todo o mundo á nossa espera.

— Estão á espera de você. – ela retrucou não desviando a sua atenção do livro. O garoto estava irritado, dava para ver.

— Annabeth eu estou pedindo por favor – ele disse num tom violento – Larga a merda do livro e vamos embora.

— Marcus eu não vo-

Ele agarrou no seu braço com força a puxando da cadeira.

— Vamos indo sim, estou farto de estar aqui Annabeth – ele disse.

— Marcus você está me machucando.

— Vamos embora – ele disse pegando na sua mochila.

Não se meta

Não se meta

Não se atreva a se-

— Está tudo bem Annabeth?

… meter… droga... você já está metido nisso não é Perseu?

— Tem algo problema anormal? – Marcus se dirigiu a mim.

Muitos, muitos problemas, você é um deles colega.

— Annabeth? – o ignorei, fixando o meu olhar no dela – Está tudo bem?

Just break it girl, just walk away
You need to realize that I could be your guy

— (…) Sim…er… Está tudo okay Percy, não se preocupe.

— Certeza?

— Você não ouviu aberração? Ela está ótima agora desanda.

Me aproximei mais ainda dela. Ela não merecia isso, ela não merecia ser tratada desse jeito.

Porque você não me olha diferente?
Porquê Annabeth?

And he don't seem to know what he's got in his hands
Don't appreciate you not the way that I know I can

Então eu fiz o que achei mais certo

Eu recuei, vendo aquele babaca a puxando para fora da biblioteca.

— Você não vai voltar aqui ouviu? Esse não é o seu lugar agora.

E eu só conseguia pensar numa coisa: Ela merecia mais… merecia mais do que idiota do Marcus Smith.

***

Era fim de tarde. O céu lá de fora estava de um azul escuro denunciando o anoitecer. As nuvens haviam desaparecido naquela semana. Annabeth? Deixou de ser Annabeth.

Não aparecia mais na biblioteca, nem no Starbucks com Thália. Já não sorria, pelo menos não na escola.

Annabeth Chase já não era Annabeth Chase.

Essa frase não prava de martelar na minha mente. Resmunguei, escondendo o rosto nas almofadas.

Não está certo, não está.

Ele não merecia ela. Não merecia.

Não merecia o sorriso dela.

Não merecia o som da gargalhada dela.

Não merecia as suas expressões dela ao ler.

Não merecia observar o seu rosto enquanto estudava

Marcus Smith não merecia Annabeth Chase.

Resmunguei mais alto.

Aquela menina havia virado minha cabeça de pernas para o ar. O que estava acontecendo comigo? O que raio aquela menina estava fazendo comigo hm?

Me levantei, calçando os meus ténis. Saí do quarto observando a cara da minha mãe me encarando.

— Onde você vai Percy? – ela perguntou.

— Eu já volto mãe. – falei saindo pela porta. Desci as escadas o mais rápido que pude. Corri até ao prédio do lado observando os nomes nas caixas de correio.

Sr. Jones.

Srª. White

Srª. Whinderberg.

Sr. Collins.

Sr. Chase… Frederick Chase. 4 andar, 1º porta à esquerda. Corri até ao interior subindo as escadas o mais depressa possível.

E lá estava a porta. Toquei na campainha, esperando alguém abrir. Logo, a maçaneta rodou e de lá saiu uma mulher de cabelos castanhos e olhos cinzentos. Iguais ao dela.

— Sim?

— Srª. Chase? – comecei – Eu posso falar com a sua filha?

— E quem é você? — ela me olhava duvidosa.

— Perseu Jackson senhora, eu sou colega da Annabeth.

Ela me olhou desconfiada. Me mandou esperar um segundo, e logo ela apareceu. A Antiga Annabeth. Os cabelos presos no seu rabo de cavalo, os seus óculos pretos, e a sua roupa simples e o sorriso sincero. Aquela sim era Annabeth Chase.

— Percy? – ela me encarou com a sobrancelha arqueada. – Está tudo bem?

— Eu preciso de falar com você.

— É sobre alguma coisa da escola ou assim?

— Não é sobre você – atirei, um pouco surpreso com a rapidez das minhas palavras. Ela me olhou com as sobracelhas franzidas e por fim suspirou.

Você sabe por estou aqui não é verdade?

— Percy obrigado por sua preocupação, mas não se meta por favor, já basta a Thália.

— Annabeth ele não é boa rés. Marcus não é esse cara perfeito.

— Eu sei Percy – ela bufou baixinho – Eu sei tomar conta de mim.

— Não sabe – resmunguei, no mesmo tom sussurrante – Desculpa mas… você não sabe okay? Se afasta dele Annabeth, por favor.

— Percy-

— Ele não conhece você como… você… você não merece um cara assim Annabeth. Você não deve ser tratada desse jeito.

— Percy – ela disse num tom ligeiramente bravo – Não se meta okay?

— Ele não merece você – falei quase num suspiro. A minha mão alcançou a sua face. A pele… macia e delicada, tal como eu imaginei que seria. O meu dedo passou pelos seus lábios, finos e delicados… tal como ela era – Não merece.

— Percy você não-

A minha boca alcançou a sua num gesto rápido e silencioso. Os seus lábios sabiam a mel e cereja como a minha mente sempre imaginava nos sonhos mais distantes. A minha mão prendeu a sua face a impedindo que se afastasse.

Ele não te conhece como eu...

I like the way you are, the way you are
I like the way you are, the way you are

— Percy – ela sussurrou me empurrando – Vai embora por favor.

— Annabeth-

— Por favor Percy – ela pediu baixinho fechando a porta.

Naquele momento eu tinha certeza de uma coisa: eu estava perdidamente apaixonado por Annabeth Chase.

***

Annabeth Chase não veio á escola nos dois dias seguintes. E Isso me preocupava. Eu estava quase surtando esperando que ela aparecesse.

Eu queria, e precisava, de falar com ela.

O resto do dia se passou, e não se sabia nada da loira. Perguntei para Thália, ela me contou que ela estava doente. Marcus? Andava feliz pela escola como se nada fosse… Marcus Smith era um idiota… e todos os que o rodeavam eram idiotas também.

A minha esperança estava na merda…

Eu consigo enumerar uma lista de todas as confusões que iam na minha cabeça

Annabeth Chase;
Beijo com Annabeth Chase;
O sorriso de Annabeth Chase;
Tudo sobre Annabeth Chase;

A menina tinha virado minha cabeça de pernas para o ar, parecia que aquela garota havia se mudado para a minha cabeça sem nunca sair uma única vez. Eu estava no vestiário masculino. A aula de natação havia terminado fazia uns minutos e todo o mundo já havia saído. Exceto eu, Percy Jackson, que demorava mais de meia hora para sair do banho.

Acredite em mim, acho que a escola um dia ainda vai mandar a conta da água para a minha mãe pagar.

Estava acabando de arrumar a minha mochila quando ouço vozes se aproximando.

— Me solta Marcus.

— Acabou Annabeth, cansei – ele gritou num tom elevado – Cansei de estar sempre me dando para trás.

— Marcus eu tenho de ir para a aula! – ela gritou – Me largue Marcus, você endoideceu?

As minhas mãos se fecharam num punho cerrado. Caminhei lentamente até ao encontro das vozes. Marcus Smith se mantinha atrás das bancadas da piscina, segurando a garota pelo braço. As minhas mãos se apertaram com força.

— Você vai ficar quietinha e fazer o que eu mandar – ele sussurou num tom ameaçador – Não se preocupe bebé aqui ninguém nos incomoda.

— Me solte Marcus.

— Shhh – ele sussurou, abraçando a garota com força.

— Marcus me solta! – ela lutava contra os seus braços. O garoto sorria de forma divertida enquanto agarrava os seus pulsos

— Você vai gostar princesa, vai acabar pedindo por mais no final – ele sorriu beijando o seu pescoço enquanto apalpava o seu corpo, Annabeth o olhou fixamente lhe dando uma tapa na cara.

Marcus a olhou por um instante lhe respondendo com toda a força que tinha.

Eu ia ser expulso.

Eu ia ser preso

Não interessa o que aconteceria comigo… Marcus não sobreviveria nem mais um dia nesse mundo.

Larguei a minha mochila no chão, avançando até ao garoto o agarrando pelo colarinho da camisa lhe acertando com o um soco bem dado no rosto. Gotas de sangue molharam o chão escorrendo pelo seu nariz.

— Quem você pensa que é Jackson? – ele rosnou, tocando no nariz enquanto se assustava com o sangue em seus dedos. Eu não respondi, ele riu da minha cara e sem hesitar tombou para cima de mim. Eu podia ouvir os gritos de Annabeth correndo pelo ginásio. Podia ouvir cada soco que o meu punho lhe acertava. Podia ouvir os meus gemidos perante os socos dele embatendo contra o meu rosto.

Não importava

Marcus Smith não saíra daqui pelo próprio pé. Me coloquei por cima dele agarrando firmemente a sua jaqueta do time de futebol. O empurrava contra o chão de madeira enquanto a minha mão apenas surrava a cara do garoto. As suas pernas tentavam afastar-me mas eu apenas queria uma coisa: Eu queria matar Marcus Smith.

— Percy vamos embora! – ela pedia assustada me tentando puxar. — Percy para! Por favor!

Observei o sangue que lhe escorria do nariz e pela boca… Os seus braços me puxavam para dentro dos dele me deferindo vários golpes profundos e desconexos. Os gritos de Annabeth logo fizeram efeito. Um monte de alunos se juntava para ver o que se passava. O professor Fernandez de Natação havia me agarrado me afastando do seu corpo deitado no chão.

E naquele dia Marcus Smith se arrependeu de ser Marcus Smith.

***

— O diretor suspendeu você? – ela perguntou sentada na minha cama. Depois do incidente na piscina, o Diretor elogiou a minha atitude, porém me deu 1 semana de suspensão. Minha mãe me deu a maior bronca do mundo, porém quando Thália lhe havia contado o porquê de eu ter quebrado o nariz (e não só) de Marcus Smith, a minha mãe me deu um sorriso simpático, e claro um castigo de 1 mês sem internet… e é essa a paga de praticar o bem Sally Jackson?

— Uma semana – respondi. Annabeth havia me visitado todos os dias, trazendo consigo a matéria que eu estava perdendo. Não importava, ela estava bem… e isso era o mais importante no momento.

— Eu lamento Percy – ela disse encarando as mãos fechadas no seu colo – Eu lamento muito.

— Não importa… está tudo bem… — eu sussurrei bem ao seu lado – Tem visto o Marcus?

— Ele pediu transferência de escola – admitiu ela – e todo o mundo tem perguntado sobre você… acho que eles meio que viram quem é você realmente.

Assenti… eu sou novo nisso okay cara? Annabeth era novidade para mim.

A observei de novo. Ela voltou aos velhos hábitos. Desde os óculos escuros aos cabelos presos… Annabeth era de novo Annabeth

Minha Annabeth.

— O que foi? – ela perguntou notando que o meu olhar se fixava nela. Acariciei a sua bochecha, quente e macia, tal e qual naquela tarde.

— Eu gosto do jeito que você é… — murmurei sentindo as minhas bochechas queimarem. Era sempre assim quando ela estava por perto. Ela deu um sorriso tímido. A sua mão agarrou a minha, entrelaçando os seus dedos nos meus.

— Eu também gosto do jeito que você é – ela sussurrou encostando os lábios nos meus.

Sim… eu realmente gostava.

I like the way you are, the way you are
I like the way you are, the way you are

Notas finais
Eu vejo o jeito que ele tenta te derrubar E tenta manter você insegura sobre seu cabelo, sobre o seu vestido, e tudo o mais Eu quero te levar embora Por que o que eu vejo é tão verdadeiro, uma menina que define você Você tem que acreditar em mim, não importa o que ele diz: Eu acho que meu coração sabe que você é a tal Mas não é da minha conta dizer o que você deve fazer E eu não posso deixar você parar de ser você Porque eu te conheço querida, como ele não te conhece baby Desejo que nós estivéssemos mais perto querida. Porque eu nunca Veja, eu nunca vou tentar transformá-la em algo que você não é Apenas como o homem em sua vida que não sabe o que tem Eu gosto do jeito que você é, do jeito que você é Se eu alguma vez vi você mudar, então todo o meu mundo iria parar Eu quero voltar no tempo, para que eu possa mudar cada relógio Eu gosto do jeito que você é, do jeito que você é A atração física atende a minha satisfação Cada pedaço que eu vejo em você me agrada Eu quero dizer que não há necessidade de ficar Não me entenda mal, eu sei que não é fácil Deixar ir o que você sempre sentiu que realmente deveria ser Mas, garota, me escute Ele não parece dar o amor que você precisa E eu sei do que você precisa é amar você do jeito que você é Apenas acaba com isso menina, apenas se afaste. Você precisa perceber que eu poderia ser o seu cara E ele não parece saber o que ele tem em suas mãos Não aprecia você, não do jeito que eu sei que posso, eu posso Então me leve e você vai entender Se eu alguma vi você mudar, então todo o meu mundo iria parar Eu quero voltar no tempo, para que eu possa mudar a cada relógio Eu gosto do jeito que você é, do jeito que você é
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!