The Walking Dead: New Order Interativa [EM HIATUS]
2 #2 Correria sem fim
Notas iniciais
Crawling through this world as disease flows through my veins
I look into myself, but my own heart has been changed
I can't go on like this
I loathe all I've become
Aquelas sapatilhas machucavam bastante. Manuella Monroe jogou os sapatos desgastados para longe e remexeu todos os armários que encontrou pela frente. Embora o museu não tivesse muitos. O lugar foi o melhor que ela, seu irmão Henry e mais três amigos encontraram para se refugiarem do caos lá fora. Quando chegaram, as poucas janelas já estavam bloqueadas. Havia apenas uma entrada e uma saída. A não ser que os zumbis começassem a passar por mais uma fase superior e desenvolvessem asas, entrando pela varanda do segundo andar.
Já cansada de procurar, Manuella colocou os cabelos loiro-escuros atrás da orelha e resolveu juntar-se com seu grupo novamente. Descalça, sentou-se ao lado de Henry e tentou acompanhar a conversa mesmo pela metade.
“Bem, hoje completa quatro semanas que estamos a salvo.” Dizia Tom, o mais novo com dezessete anos de idade. Um ano a menos que a garota. “Como se sentem?”
“Tranquilo” respondeu Luppi deitado no chão. Podia-se dizer que ele não era a pessoa com quem Manuella faria dupla para resolver algum problema. O rapaz tinha a mesma idade que ela, mas era muito impulsivo e muito, mas muito, rebelde mesmo. Antes de tudo acontecer ele brigara com os pais e foi morar com a namorada numa cidade vizinha. “Só espero que continue assim.”
“Manu?” sussurrou Jane ao lado da garota. Ela sim se tornou sua amiga após cerca de dois anos de convivência. Desde o primeiro momento, Manuella percebeu que a outra era do tipo que escrevia muito. Notara o calo no dedo médio esquerdo, típico de alguém que usa ele para apoiar os instrumentos de escrita. “Você está bem?”
Manu assentiu. “Por que não estaria?”. Era difícil de ela falar. Preferiria ficar na dela e raramente puxava assunto.
Jane deu de ombros. “Nada. É que se eu não perguntar você não fala né?”
A loira deu um rápido sorriso, mostrando que ouvira oque a amiga disse.
Uma nuvem cobriu a lua que era o único ponto de luz do grupo. Alex, o mais velho de todos, com vinte e um anos, se apressou para pegar a lanterna em sua mochila rasgada e remendada inúmeras vezes. A luz do objeto piscou algumas vezes, falhando, até desligar-se totalmente.
“Oh, bosta!” exclamou. Um alto barulho ecoou pela ampla área onde estavam e num pulo, todos estavam de pé. Henry com sua faca de combate da sorte em punho. Jane e Luppi com objetos improvisados como armas e por fim, Manuella e Alex com suas mãos vazias. A bolsa de Manu estava longe e ela não queria se arriscar a se afastar dos outros.
“Aaaaaah!” gritou alguém. A escuridão impossibilitava todos de enxergar qualquer coisa. Manuella conseguiu ouvir os grunhidos dos errantes e seu coração acelerando. Como conseguiram entrar?
Depois disso, só foi gritaria e desespero. A garota só podia contar com a audição para sobreviver naquela hora. Então algo acertou seu rosto no lado esquerdo, provocando uma dor aguda. Ela caiu no chão de joelhos, gritando com a dor enquanto apertava onde havia sido golpeada. Um líquido morno pingava no chão, manchando seus jeans rasgados.
A Lua voltou para alívio de alguns. Henry cobriu a boca ao ver o rosto ensanguentado da irmã caçula e derrubou a faca de combate no chão. Ele achava que fosse um zumbi! Tinha certeza disso, até se dar conta que seu extinto o traíra. Desarmado e vulnerável; uma criatura no meio de uma dúzia da mesma espécie mordeu seu pescoço. Com apenas o olho direito, Manuella conseguiu ver enquanto a carne se desgrudava do corpo de Henry, deixando a mostra alguns ossos.
“NÃOOOOOOO!” gritou, mas já era tarde. Só deu tempo de a garota correr dali o mais rápido possível, deixando um rastro de sangue por onde passava. Sem parar, agachou rapidamente apenas para pegar a arma da sorte do irmão, que ironicamente, causara o estrago em seu rosto. Manu deixou o museu aos sons da morte e de seu choro, que continuava a ecoar pelo edifício.
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Katheryne Halley já teve um dia família e amigos, até perder tudo há mais ou menos cinco meses. Agora se mantinha viva sozinha. Isso tinha lá suas vantagens e desvantagens. Trabalhar sozinha era fácil, pois ela fazia tudo de seu jeito sem ter ninguém para contraria-la. E era difícil, pois Katheryne embora os seus vinte e quatro anos, não se dava muito bem em sobreviver no meio do apocalipse.
A vida tranquila que tivera em Nova Iorque era exatamente o contrário do que vivia atualmente. O que ainda a deixava de pé em meio às dificuldades era a esperança de um dia ainda voltar a morar na confortável cobertura de Manhattan. Acreditava que tinha uma cura para tudo que estava acontecendo ou que os países fora da América ainda tivessem áreas que não foram infectadas.
Katheryne começava a achar que estava enlouquecendo. Ficar sem conversar com ninguém durante meses afetava no psicológico da pessoa, sem contar que ela era extremamente emotiva.
Seus cabelos longos e castanhos grudavam na testa suada. A caminhada na floresta começara antes mesmo do sol nascer. Por sorte, tinha em mãos uma Beretta com quinze balas sobrando, que encontrara em um errante já morto há algumas semanas atrás.
Parou para descaçar um pouco, se apoiando nos joelhos. Nesse instante, surgiu alguém por trás imobilizando-a no chão. Foi tudo tão rápido que Katheryne não teve tempo sequer de processar oque havia acontecido.
“Quem é você? Qual é o seu nome?!” As palavras pronunciadas por uma voz feminina saiam apressadas e quase incompreensíveis.
“K- Katheryne!” respondeu desesperada.
“Jogue sua arma longe” ela obedeceu. Seu braço doía muito, torcido nas costas “Bom... Não está mordida? Infectada de alguma forma, sei lá?”.
“Não. Ai, ai, ai!”
A outra saiu de cima dela, mas ainda apontando um fuzil. Katheryne analisou a mulher em sua frente. Era de estatura mais baixa, porém parecia ser mais durona que ela. Os cabelos loiros levemente bagunçados caíam um pouco abaixo dos ombros e os olhos verdes observavam-na atentos e desconfiados. Logo abaixou sua arma, esticando a mão.
“Sam Bennet”. Katheryne apertou sua mão, mesmo achando tudo um pouco louco. Pelo menos tinha alguém com quem conversar agora. “Está sozinha, ou em grupo?”
“S- sozinha... Por cinco meses...”.
“Que isso. Até parece que nesse tempo se esqueceu como falar.” A mais alta riu nervosamente. “Vem comigo. Estou acampando aqui perto junto com mais uma pessoa. Se quiser, pode entrar no nosso grupinho, Katheryna. Com tanto que por enquanto siga nossas regras.”.
“O- obrigada”. Limpou a garganta para ganhar tempo enquanto tentava parar de gaguejar “Mas é Katheryne”.
Sam deu um soco de leve no ombro da outra, enquanto respondia. “Tanto faz.”
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Carl tinha acabado de enterrar seu pai. Fez questão de trabalhar sozinho durante a madrugada. Cavou, jogou a cadáver no buraco e o tampou. Suas mãos estavam sujas de terra e as pontas dos dedos doíam, pois teve de fazer tudo sem nenhuma pá. Estava exausto e grandes olheiras cercavam seus olhos.
Pegou o chapéu que Rick o dera e colocou em sua cabeça, sobre os cabelos úmidos. Não estava certo do que estava fazendo, mas não conseguia... Não podia ficar mais nenhum instante ali. Fugir era a melhor opção. Queria um tempo a só, tempo para refletir e se recuperar da perda.
Correr por entre as árvores o fez se lembrar do parque que sua família costumava ir aos finais de semana. Brincava de pega-pega ou esconde-esconde com Shane, Lori e Rick. Todos agora mortos. À medida que Carl se afastava de seu grupo, o peso em seu peito o jogava cada vez mais ao chão. Ele tropeçou uma, duas, três vezes em raiz de árvores, mas isso só o fazia correr mais rápido.
Até que desabou no chão, desacordado.
O sol nascia, e seus raios atravessavam as pequenas frestas entre as copas dos pinheiros e mais de dezenas de espécies de árvores diferentes. E Carl parecia não se mover mais. Agora a Morte o acompanhava de perto, esperando mais algum erro fatal o levar até ela...
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