Bati com os calcanhares exatamente sob a grade do andar de baixo, que era de onde vinham os gritos, em primeira olhada para dentro não vi nada, depois percebi que a garota estava sentada atras da porta apoiando o pé em um móvel, e o garoto estava sentado no meio da sala, com a testa nos joelhos chorando. Senti uma raiva, o garoto não era novo, devia ter por volta dos 14 — 15 anos, devia saber que numa situação de risco, sentar e chorar não ajuda.

Entrei, ele olhou para mim soltou um grito, com a raiva que ainda me consumia peguei ele pelos cabelos e joguei-o em sima da garota.

- Ajude-a covarde! — rosnei. -

- Thiago! — a garota gritou chorando. -

Rapidamente pensei em um modo de tirá-los de lá, olhei em volta e rapidamente tracei um plano, entrei na cozinha e aqueles dois mantinham os olhos fixos em mim, arrastei a geladeira com muito esforço, troço pesado aquele, e coloquei ela em frente aos garotos.

- Quando eu falar, vocês saiam dai o mais rápido possível. — falei. -

Eles assentiram com a cabeça, comecei a derrubar a geladeira, e quando ela já estava inclinada a só mais um empurrão para a queda.

- SAIAM! — derrubei-a quando a porta já se abria, felizmente só oque conseguiu entrar foi um braço, que agora já não pertencia ao corpo do qual um dia já fora.-

Eles saíram a tempo, e do jeito que eu medi, a geladeira deu o espaço certeiro entre a porta e o móvel no qual a garota se apoiava.

- Q-quem é você? — perguntou a garota, que agora olhando melhor, era bonita, tinha olhos verdes e cabelos castanhos claros, quase um loiro. -

- Prazer, sou Lúcio, moro no apartamento de cima. — falei. -

O resto foi bem fácil, eles se negaram a sair do apartamento, já que seus pais, provavelmente cadáveres ambulantes neste instante, prometeram busca-los, então eu fiquei com eles lá, e ajudei a reforçar a porta, deixando-a praticamente impenetrável. A garota se chamava Aline, tinha 17 anos, e o garoto era Thiago, 14 anos, ficamos jogando conversa fora por um tempo, eu gostei, botar o papo em dia, depois de tanto tempo, eles pareciam também não saber de nada sobre oque era aquilo tudo, depois de algumas horas voltei a subir pela corda. Percebi que eles ficaram com medo de eu ir embora.

Tendo subido, primeiramente vi o largo sorriso no rosto de Augusto, que parece que ficou preocupado, comi alguns enlatados frios mesmo, e me aninhei de volta, estava muito cansado.

Notas finais
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