The Vow
2 Epílogo - Parte 2
Notas iniciais
Lawrence, Kansas – 20 de Abril de 1993
Após mais um dia cansativo de trabalho, Dean andava calmamente por entre as ruas da cidade em direção ao seu velho apartamento — na qual ele pensava em apenas desabar em seu sofá-cama e desmaiar alí mesmo-.
A casa mais uma vez havia ficado lotada, e dessa vez teve que trabalhar o dobro do comum. Estava exausto e precisava urgentemente de um banho gelado para esfriar a cabeça.
Andou por o que julgou uns dez minutos e logo desistiu de ter escolhido ir por este caminho. Já se passavam das uma da manhã e o local em que se encontrava estava totalmente deserto e escuro. Claro, ele não se importava com isso, já fizera esse caminho milhares de vezes. Existiam opções menores – e mais seguras também – Porém, o loiro gostava de caminhar. Era uma maneira de botar a cabeça em ordem e ralaxar um pouco. Porém, deveria ter pensado melhor antes de simplesmente sair andandando distraído.
Dean suspirou, Havia sido mais um dia como todos os outros, e se perguntava quando tudo isso teria um fim para que ele finalmente pudesse descansar em paz. Há um bom tempo que o loiro apenas havia desistido de tudo e esperava tranquilamente o dia que tudo chegaria à seu fim.
Dean era sozinho no mundo e seu único parente que ainda estava vivo, provavelmente o odiava. Claramente não era a melhor vida de todas.
Não fazia faculdade, não tinha o melhor dos empregos e levava uma vida totalmente depressiva e sem ambições.
É, sua mãe com certeza sentiria orgulho.
Se estivesse viva.
Não, não deveria ter esse tipo de pensamento, já o causou problemas o suficiente. Deveria apenas viver sua patética vida de forma pacífica e sem mais problemas.
De preferência, com mais nada além de seu interior quebrado.
Seguia seu caminho normalmente quando percebeu uma movimentação estranha no ponto de ônibus à sua frente. O que quer que esteja ali, se movimentava freneticamente e isso atiçou sua curiosidade.
Já não estava mais em uma rua deserta, porém apenas poucos carros passavam pelo local, o que dava uma certa iluminação, mas não o suficiente para enxergar o que estava além.
Quanto mais se aproximava, a silhueta ficava cada vez aparente e Dean reconheceu como sendo um corpo de um homem que estava de costas à ele. Tentou tocar em seus ombros de forma cautelosa e após uma leve tremida, o homem se virou devagar.
Depois de se virar completamente, Dean quase pulou para trás.
De novo.
Okay, ele precisava parar de ter essa reação todas as vezes que olhava para esses malditos olhos.
— Castiel? – O moreno pareceu em choque – O que um garoto como você está fazendo aqui nesse lugar abandonado por Deus?
Após um pequeno susto, o moreno o olhou de cima a baixo, como se estivesse tomando coragem para falar e logo soltou uma grande baforada exausta, por fim murmurou baixo:
— Eu estava perdido... e aparentemente não tenho dinheiro para uma passagem de ônibus..– Provavelmente se não estivessem tão perto um do outro, Dean não teria escutado. Após essa leve constatação, se afastou um pouco, encabulado.
— E para onde diabos você estava indo a essa hora da noite, para parar neste fim de mundo? – O menor olhou para qualquer lado, evitando os olhos duros do mais velho e permaneceu em silêncio. Dean, percebendo que não teria uma resposta à sua pergunta, suspirou cansado.
Era uma noite extremamente quente de primavera e Dean já havia começado a suar. Quando mais cedo voltasse para seu apartamento fresco, melhor seria. Entretanto, o loiro não queria deixar o garoto sozinho em um lugar como esse.
Estou amolecendo demais
— Olha, eu conheço tudo por aqui. Me diga onde você mora e talvez eu te ajude a voltar – Os olhos de Castiel pareceram brilhar por um instante — o que causou uma risada interna no loiro-.
O mais novo disse o endereço um pouco longe e o loiro movimentou a cabeça em concordância. Era apenas algumas ruas à frente de sua casa, não teria problema em mostrar o caminho.
De alguma forma o loiro se sentiu responsável pelo garoto.
Certo, ele precisava definitivamente parar de assistir os programas da parte da manhã.
— É perto da minha casa – saiu andando – Vem, eu te levo – Seus passos foram interrompidos por Castiel que permanecia parado no lugar, sem mexer um músculo.
— Você não vem? – Já disse impaciente.
— Não vou a lugar algum com você – Disse firme e o loiro levantou uma sobrancelha confuso.
— O que?
—Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida, é nunca sair com estranhos, principalmente se eu estiver em um lugar escuro e deserto assim – O moreno deu um meio sorriso – E bem, o fato de eu não saber seu nome nos torna estranhos, não acha?
Se fosse qualquer outra pessoa, o loiro provavelmente teria o mandado tomar naquele lugar e sairia andando. Porém, uma pontada de divertimento surgiu em seu interior. Alguma coisa gritava dentro dele para que ele respondesse aquele garoto e ele não estava nem um pouco afim de fazer o contrário.
Olhou–o diretamente em seus pequenos olhos azuis.
— Meu nome é Dean. – Disse dando um sorriso de canto de lábio e saiu andando sem dar tempo de ver a reação do mesmo. Ouviu uma movimentação atrás de si e logo o moreno estava ao seu lado em uma caminhada calma. Deu uma baforada forte e não deixou de notar que o garoto era esquisito – De uma forma boa, claro -.
Andaram por um tempo inderteminado, ambos presos em seus próprios pensamentos sem dizer uma palavra sequer.
O caminho era comprido e cansativo, além de que a noite quente não ajudava. Mas o que mais estava irritando Dean, era o fato de que Castiel não parava de assoviar ou fazer algum barulho estranho qualquer com a língua.
Quando já estavam na rua de Castiel, o loiro quebrou o silêncio:
— Já te disseram que você é irritante? – O moreno deu um sorriso de orelha à orelha.
— O tempo todo – Olhou para o loiro a teu lado — Faço uma certa questão de ser insuportável- Ele sorria, um sorriso que dizia: Te desafio a não retribuir.
E tudo o que Dean pôde fazer era dar uma risada anasalada de divertimento enquanto todo seu extresse se esvaia quase que imediatamente.
**
Lawrence, Kansas — 07 de outubro de 1993
Dean se pegou observando o moreno que estava em sua casa – mais especificamente, em sua mesa de jantar – estudando para uma de suas milhares provas da faculdade.
O garoto ultimamente parecia que vivia em sua casa e praticamente passava o dia todo lá – até mesmo quando Dean ia trabalhar -.
Bem, não tinha do que reclamar, a presença de Castiel o fazia bem, de certa forma. E ele se sentia grato por ter o garoto ao seu redor.
Apesar do barulho alto da televisão e de carros na rua, o menor parecia extremamente concentrado no que estava fazendo.
E isso fez o loiro pensar. Como teria sido sua vida se tivesse terminado o colégio? Com certeza muita coisa mudaria.
Teria feito faculdade, provavelmente conhecido alguém e após algum tempo estaria sozinho novamente se perguntando o porque de tudo aquilo.
Não importa o caminho que siga, sua mente sempre arranjava um motivo para que tudo desse errado.
Já estava começando achar que era um maníaco depressivo.
Essa constatação o deixou extremamente irritado e decidido a esfriar a cabeça, deu um leve empurrão em Castiel, tirando sua atenção do livro.
—Hey, Cas – Chamou – Vamos dar uma volta pela cidade?
—Não posso, estou estudando, vá sozinho. – O loiro já estava ficando impaciente.
— E o que você tanto estuda afinal?
— Sobre filósofos antigos, Você não deve conhecer – Após essa resposta, um grande silêncio se instalou pelo abafado cômodo. Essa pequena frase trouxe memórias não muito boas sobre o passado do loiro. Perbendo o silêncio repentino, Castiel, que até então estava tentando se concentrar em seu grande livro, perguntou relutantemente:
— Dean, a quanto tempo voce não vai à escola ? — Tentou perguntar da forma menos acusadora possível
— Não é dá sua conta, pirralho.
Ele não queria ter dito isso. Na verdade ele nunca quis magoar o moreno. Porém, sempre quando alguém tentava se aproximar demais e descobrir mais sobre si, o loiro entrava em uma espécie de modo de segurança. Não era intencional, claro, mas o loiro se sentia mal com tudo isso. Todos pra quem ele havia se aberto demais, foram embora e nunca voltaram. Gostava de Castiel, mas não impediria se o mesmo quisesse ir. Na verdade, estava até se preparando mentalmente para dar adeus a mais alguém em sua vida.
O que não aconteceu.
Em um gesto rápido, Castiel pegou seu sobretudo inseparável – Dean sempre se perguntava se alguma vez ele já havia posto aquilo para lavar – e com passos rápidos caminhou até a porta.
— Você vem, sim ou não ? – Disse encarando –o profundamente enquanto abria a mesma.
E Dean não soube como agir. Na verdade, apenas ficou parado, encarando o menor à sua frente, sem esboçar alguma reação se quer.
Vendo que não teria uma resposta tão cedo, decidiu ir na frente, dizendo para o mesmo se apressar porque estaria o esperando na portaria.
Após alguns segundos, levantou-se desengolçadamente e rapidamente tentou alcançar Castiel.
E Dean nunca havia sentido um sentimento tão estranho quanto o que sentiu naquele dia.
**
Lawrence, Kansas – 20 de Abril de 1993
Castiel estava mais uma vez estudando para uma de suas difíces provas da faculdade. Medicina era algo realmente difícil, pricipalmente se você não tenha interesse nenhum em se tornar médico.
Desde que seu pai se foi, sua mãe o obrigava a fazer as mais variadas coisas para fazer com que ele parecesse cada vez mais com ele.
O hospital que sua família tinha era enorme e desde que nasceu, Castiel estava predestinado a ser o dono daquele lugar.
Não entendia o porque de ter que estudar filósofos antigos para ser dono de um hospital, mas se sua mãe o obrigasse, não teria o que fazer.
Não o leve a mal, Castiel não era um filhinho de mamãe que sempre faz o que ela manda. Ele apenas cresceu com o pensamento de que deveria sempre corresponder as expectativas de todos. Desde pequeno ele sempre foi um alvo de desestresse e frustações alheias por parte de seus pais. Mesmo depois da morte de seu pai, nada mudou.
Apenas o fato de que toda a descarga emocional que já era descarregada sobre si, aumentou o dobro do tamanho.
Não teve nem tempo de lamentar o falecimento de seu pai.
Tinha que se tornar o melhor médico de todos os tempos e garantir ainda mais a fortuna de sua família, sem nunca pensar no bem-estar de si próprio.
Era uma pessoa totalmente sem sonhos e objetivos próprios.
Até conhecer ele.
O Homem estranho que mesmo sem conhecer, confiou nele a sua primeira desobediência que havia cometido em sua odiavel vida.
Sua primeira bebida.
O homem havia cativado Castiel de uma forma que o mesmo não conseguia explicar e talvez nunca conseguisse.
Foi para casa com a conversa que teve em mente. O Homem sem nome ainda em seus pensamentos.
Mesmo com os dias se passando, e com seus problemas acumulando, não parava de pensar no loiro que havia trocado apenas algumas palavras.
Precisava encontrar com ele novamente e descobrir como se chamava.
Com isso em mente, em uma noite quente de primavera decidiu fugir de casa no horário em que lembrava terminar o turno do outro em seu local de trabalho.
Havia levado pouco dinheiro. O que achou que bastaria para algumas passagens de ônibus e sem medo do que poderia acontecer caso sua mãe percebesse que o mesmo não estava em casa estudando, correu sem pensarem nada.
Correu de uma forma que nunca havia feito antes.
Correu de uma forma como se sua sanidade dependesse daquilo.
Apenas correu.
E se perdeu.
O dinheiro que havia pensado que seria suficiente havia acabado e não se lembrava muito bem do caminho de volta.
Já se passavam das uma da manhã e tentava freneticamente procurar algum trocado em sua mochila que no momento se encontrava jogada no banco de um ponto de ônibus vazio
Nesse momento começou a repensar o quão idiota havia sido sair de casa assim do nada para ir atrás de uma pessoa que nem ao menos sabe o nome .
Enquanto se repreendia mentalmente, nem notou quem se aproximava lentamente e após um leve toque em seu ombro, quase morreu do coração. Mesmo com o susto, tentou se recompor e olhar quem o estava chamando.
Era ele
O moreno não conseguia acreditar na incrível sorte que teve
— Castiel? – O moreno pareceu em choque – O que um garoto como você está fazendo aqui nesse lugar abandonado por Deus?
Depois de se recuperar, o moreno o olhou de cima a baixo, estava pensando se dizia ou não a verdade para ele. Depois de um tempo por fim cedeu
— Eu estava perdido... e aparentemente não tenho dinheiro para uma passagem de ônibus..– Disse baixo e viu Dean se afastar um pouco envergonhado
— E para onde diabos você estava indo a essa hora da noite, para parar neste fim de mundo? – O menor olhou para qualquer lado, evitando os olhos duros do mais velho e permaneceu em silêncio. Não poderia simplesmente dizer que estava procurando por ele.
Era uma noite extremamente quente de primavera e Castiel deveria estar estudando. Quando mais cedo voltasse para sua casa, melhor seria. Entretanto, o moreno não poderia ir sem antes saber o nome do homem à sua frente.
Preciso agir rápido
— Olha, eu conheço tudo por aqui. Me diga onde você mora e talvez eu te ajude a voltar – Os olhos de Castiel pareceram brilhar por um instante –Uma ideia havia atravessado sua mente- O mais novo disse o endereço um pouco longe e o loiro movimentou a cabeça em concordância.
Era hora de colocar seu recém plano em prática.
Certo, ele precisava definitivamente de uma terapeuta
— É perto da minha casa – saiu andando – Vem, eu te levo – Seus passos foram interrompidos por Castiel que permanecia parado no lugar, sem mexer um músculo.
— Você não vem? – Já disse impaciente.
— Não vou a lugar algum com você – Disse firme e o loiro levantou uma sobrancelha confuso.
— O que?
—Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida, é nunca sair com estranhos, principalmente se eu estiver em um lugar escuro e deserto assim – O moreno deu um meio sorriso – E bem, o fato de eu não saber seu nome nos torna estranhos, não acha?
Touché
Olhou–o diretamente em seus grandes olhos verdes.
— Meu nome é Dean. – Disse dando um sorriso de canto de lábio e saiu andando. Deu graças aos céus por Dean ter virado, assim não teria visto a mini comemoração que Castiel havia feito. Andaram por um tempo inderteminado, ambos presos em seus próprios pensamentos sem dizer uma palavra sequer.
O caminho era comprido e cansativo, além de que a noite quente não ajudava. Castiel não para de assoviar enquanto tentava parar o tédio. Passaram pela rua de Dean e o mesmo apontou para seu apartamento indicando onde morava, apenas para preencher o silêncio que havia se instalado ali. Quando já estavam na rua do moreno, o loiro quebrou o silêncio:
— Já te disseram que você é irritante? – O moreno deu um sorriso de orelha à orelha.
— O tempo todo – Olhou para o loiro a teu lado — Faço uma certa questão de ser insuportável — Deu um de seus poucos sorrisos sinceros.
E tudo o que Cas pôde fazer, era entrar em sua casa com uma sensação de dever comprido.
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Lawrence, Kansas – 13 de setembro de 1995
Sam,
Hey Sammy, já faz um tempo que eu não escrevo, não é mesmo? Bem, me desculpe. Muitas coisas aconteceram neste meio tempo em que não lhe escrevia outra carta. Sei que ainda não me perdoou pelo que eu fiz, porém eu ainda sou seu irritante irmão mais velho. Nunca desistiria de você.
Desculpe por esta carta tão repentina...eu apenas.. Eu apenas precisava escrever. Eu preciso escrever, não sobre você, mas sobre tudo o que ocorre quando achamos que conhecemos alguém. No final das contas quem realmente conhecemos se nós mesmos mudamos constantemente? E no momento eu não sei se algum dia eu realmente te conheci, mas eu juro, juro que você me pareceu tão real e eu precisava pensar que podia conhecer além do que se pode ver.
E eu conheci uma pessoa.
Um garoto, para ser mais exato.
Não Samantha, não imagine coisas. Não estou apaixonado por ele ou vice-versa. Somos apenas bons amigos.
Há dois anos ele misteriosamente apareceu na minha vida e após descobrir onde eu morava, nunca mais foi embora. Digo, não moramos juntos, claro, porém depois de uma conversa num ponto de ônibus qualquer, ele simplesmente não desgrudou mais de mim.
Isso me irritou bastante no começo – Até cheguei a xingá-lo e expulsá-lo várias vezes — mas após alguns meses, sua presença se tornou extremamente importante na minha vida.
Ele presenciou uma das minhas milhares crises de pânico e quando achei que finalmente ele se assustaria o bastante para desistir de mim como todos os outros...
Ele ficou.
Ele ficou, Sammy. Ele ficou e me ajudou a me recuperar.
Você entende o quanto isso significou para mim, Sammy?
Nunca ninguém havia ficado antes.
A partir desse dia, nós nunca mais nos separamos. Eu era seu único amigo e ele também era o meu.
Ele havia me tirado da escuridão antes mesmo que eu pudesse impedir.
Porém – e como sempre, tem um porém — Eu precisava fugir.
Ainda preciso.
Alguém vai terminar chorando. Provavelmente eu.
Sei que o garoto de alguma forma se importa comigo e não quero que ele sofra por minha causa. E você melhor do que niguém sabe o porque, não é mesmo, Sammy?
Bem, não quero me prolongar mais do que isso, tenho a impressão que essa carta está ficando grande demais e mesmo precisando, eu não gosto muito de escrever.
Sabe Sammy, apesar de não lhe ver, sinto sua presença em minha vida, sinto sua falta todos os dias.
A saudade é uma senhora amarga, não é mesmo?
Espero que o dia em que nos veremos novamente esteja perto.
Dean
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