Notas iniciais
Mais um capítulo

O apartamento de Jake era diferente do que eu imaginava. Talvez não muito. O lugar ficava afastado das massas de Londres, perto de um parque. O prédio tinha somente cinco andares e dez apartamentos. Sua estrutura era totalmente de tijolo aparente marrom, o que dava um toque moderno a um prédio clássico. Enquanto subíamos as escadas, Jake se atrapalhou para achar seu chaveiro no bolso e eu ri enquanto ele tentava encaixar as chaves de sua sala no estúdio na porta branca de seu apartamento.

Quando entramos, pude sentir que Jake se sentia mais em casa ali do que em qualquer outro lugar. Seu eu não soubesse que aquele lugar era seu, eu nunca teria falado que ele morava ali. Por mais que soasse tão diferente dele mesmo, eu podia senti – lo em cada pedacinho daquele lar.

O apartamento era relativamente grande, com uma sala ampla e uma lareira de frente para um sofá marrom. Uma mesa de jantar descansava sozinha no outro lado da sala e alguns quadros de filmes decoravam seu redor. Na parede a minha frente, quatro janelas amplas me mostravam a sua visão da cidade, que com frequência tiravam meu fôlego. Um violão estava apoiado em uma poltrona velha e alguns papéis estavam jogados no tapete a seu redor.

Me virei para olhar para Jake e me assustei quando vi que ele estava mais perto do que eu imaginava. Ele pegou meus braços e os envolveu envolta do seu pescoço. Quando percebi, estávamos no meio de uma dança lenta e estranha, bem no meio da sua sala de estar. Jake segurou minha mão e me girou. Eu ri e ele me deu seu famoso sorriso com o canto da boca. Enquanto ele olhava para mim, pude ver seus olhos mudando de uma tempestade para um dia ensolarado. Quando ele me beijou, pude sentir o gosto da bebida genérica, do cigarro que ele tinha fumado antes de virmos e uma essência que era só dele. Seu toque era familiar e estranho, tudo ao mesmo tempo. Como se suas mãos tivessem segurado meu rosto por sua vida inteira, mas cada toque fosse diferente e inovador.

Pude sentir sua impaciência quando me pegou no colo e entrelaçou minhas pernas na sua cintura. Jake me apoiou na parede perto da porta do seu quarto e o senti espalhando um rastro de beijos quentes pelo meu pescoço frio. Foi como se cada fio do meu corpo estivesse descampado e cada vez que ele me tocava, era responsável por uma reação elétrica.

Ele abriu a porta de madeira clara e me colocou na sua cama baixa. Naquela noite, pude sentir tudo. Senti a brisa fria no meu corpo quando ele tirou o meu vestido, sua pele morna quando ele jogou sua camiseta preta no outro lado do quarto. Seus beijos e cada reação diferente que eles provocavam no meu corpo. A maciez de seu cabelo nas minhas mãos enquanto eu o apertava.

Eu queria contar cada sarda de suas costas e sentir cada pedaço do seu rosto enquanto ele me tocava.

Quando acabou, eu me senti em pedaços, como aquelas estrelas que tínhamos visto mais cedo no céu. Jake me abraçou e me segurou em seus braços, me reintegrando e construindo uma pessoa totalmente nova e diferente, ao mesmo tempo que eu continuava a mesma. Será que ele sabia que eu já era dele antes mesmo dessa noite?

– Eu estou me apaixonando por você, Maya Willians. – pude sentir a sua voz sonolenta enquanto ele me segurava mais forte e beijava a minha testa.

Fechei os olhos e me aconcheguei, me preparando para a primeira vez que dormiria bem desde que cheguei ali.

Acordei com o som de um caminhão dando ré na rua. Demorei alguns segundos para lembrar onde estava e como parei aqui, mas quando lembrei, não pude deixar de sorrir. Passei a mão no outro lado do lençol e vi que o outro lado da cama estava frio, como se alguém não estivesse ali há algum tempo. Abri os olhos e o brilho do sol quase me cegou por um momento. Olhei ao redor e nenhum sinal de Jake.

Ontem à noite, eu não consegui prestar atenção na decoração do seu quarto. Sua cama era baixa e com cabeceira marrom escura. Uma janela grande deixava com que a luz do sol entrasse no quarto iluminando o cômodo. No outro lado da cama, tinha uma porta que eu suspeitava que fosse para o banheiro. Minhas roupas estavam jogadas em uma cadeira de vime perto da janela e as de Jake estavam jogadas perto de um armário escuro.

Coloquei os pés no chão frio e procurei alguma coisa para vestir. Abri seu armário e me deparei com dezenas de camisetas pretas iguais, então peguei uma para usar enquanto o procurava. Abri a porta do quarto e gritei seu nome. Vasculhei em todos os cômodos que pude ver, mas não o encontrei.

Voltei para seu quarto e entrei no banheiro. Em cima da pia de mármore branco estavam alguns produtos de cabelo e uma escova. Olhei para o espelho e suspirei. Os cachos de ontem agora de embaralhavam em nós em cima da minha cabeça e minha pele estava inchada em alguns pontos do meu rosto. Peguei a escova e comecei a pentear devagar, para não arrancar a minha cabeça. Arregalei os olhos quando terminei. O que era aquilo roxo no meu pescoço? Eu teria que esconder isso.

Vasculhei o armário de baixo da pia a procura de uma escova de dentes. Ao contrário do resto da casa, o armário era perfeitamente organizado e não tinha muita coisa. Sai do banheiro assim que lavei o rosto e terminei de escovar os dentes.

Ouvi um barulho de porta abrindo, assim que voltei para a sala. Jake estava vestindo uma das calças de moletom preta que eu tinha visto em seu armário e uma camiseta cinza. Ele estava segurando dois copos de cafés e um saco de papelão, e falava com alguém ao telefone. Jake sorriu quando me viu e eu fui ao seu encontro.

Peguei a comida de sua mão e sentei no balcão da cozinha. Ele falou alguma coisa com a pessoa que estava do outro lado da linha e desligou.

– Eu fui buscar café, não queria te acordar – ele me beijou e pegou seu café.

– Não me acordou. Tudo bem.

– Era meu empresário no telefone. Aparentemente vai ter um evento no sábado que ele quer que eu vá – a cara ruim voltou a ativa.

– Ah, é? – bebi um gole do meu café quente.

– Sim, e eu quero que você vá comigo – quase engasguei quando ele terminou.

– Jake...

– É só um coquetel, ou algo do tipo. Se você estiver lá, não vai ficar tão chato.

– Tudo bem

– Sério? – ele não parecia convencido.

– Com certeza – ele sorriu para mim e me passou uma torrada.

– Aliás, eu quero que vocês dois se conheçam.

– Conhecer seu empresário? – agora eu não estava convencida.

– Sim. Quero que ele conheça você. Vou marcar alguma coisa – Jake começou esquentar alguma coisa no micro-ondas.

– Tudo bem.

Jake terminou de tomar seu café e se aproximou da bancada onde eu estava sentada. Envolvi os braços em seu pescoço e me aproximei. Ele segurou minha cintura e quando estava prestes a me beijar, o micro-ondas apitou. Nós pulamos e rimos, enquanto Jake se virava para pegar seu prato. Quando olhei para o aparelho, eu vi que horas eram. Nove horas! Eu tinha perdido a primeira aula e perderia a próxima se não me apressasse.

– Jake! – pulei da bancada e corri para seu quarto.

– O que foi? – ele correu atrás de mim.

– Vou perder a aula! – gritei enquanto pegava as minhas roupas.

– Não vá hoje – ele falou da porta.

– Eu não posso faltar. É importante.

– Tomar café da manhã também é importante.

– Você sabe que eu prefiro ficar aqui.

– Talvez eu não saiba – ele estava brincando, mas ouvi um tom de incerteza na sua voz.

– Com certeza prefiro ficar aqui – me aproximei e o beijei. Por um momento, eu quase me esqueci porque estava correndo, e eu acho que ele também. Me afastei e passei meu vestido por cima da cabeça. Jake pegou uma jaqueta de moletom no armário e a passou para mim.

– Está frio lá fora – ele respondeu quando eu olhei para ele.

Passei a jaqueta pelos braços e a fechei. Ela ficou um pouco grande, mas não cobriu a saia do vestido. Sorri para ele e ele deu risada do meu estado. Eu não podia fazer nada sobre isso agora, então ri junto. Jake me passou a minha bolsa e me celular. Algumas chamadas perdidas de Liv piscavam na tela inicial e uma mensagem de Harry perguntava onde eu estava.

– Vamos jantar hoje – Jake anunciou enquanto esperávamos um taxi. Eu me encolhi em sua blusa e pude sentir o cheiro de amaciante, cigarro e Jake.

– Me passa o endereço quando decidir.

– Ok – ele me beijou mais algumas vezes e eu entrei no táxi vazio pela primeira vez em dois dias.

Quando eu cheguei na sala de aula, um homem moreno e extremamente alto me encarou. Aparentemente, ele tinha pedido a sala que lesse algum texto do livro, porque todos estavam concentrados em suas anotações e ninguém percebeu minha entrada súbita. O professor me deu uma folha, com o conteúdo que estudaríamos durante o mês e me dirigi ao meu lugar. Harry estava dormindo em cima da sua mesa, então tive que empurra – lo para poder passar. Ele acordou assustado com o meu toque e me olhou, como se não soubesse onde estava. Peguei seu livro emprestado e abri na página que estava escrita no quadro.

– Como foi a noite? – ele me perguntou com uma voz maliciosa.

– Pelo visto, melhor do que a sua. Como foi com Liv?

– Como foi com Jake?

– Perguntei primeiro – sussurrei ao mesmo tempo que o professor pedia silêncio.

– Mas não sou eu que está com a mesma roupa de ontem e chegou atrasado a aula – ele me olhou de soslaio.

– Touché.

– Então, agora vocês estão namorando?

– Acho que sim – respondi depois de um tempo.

– Fico feliz por vocês – ele me abraçou de lado e deu um soquinho no meu braço.

– Obrigada.

– Eu gostei da sua amiga, mas não acho que ela faça meu tipo.

– Por que não? – fingi que lia enquanto o professor me encarou novamente.

– Eu não sei, talvez porque ela é alegre demais, ou bonita demais. Acho que eu gosto das esquisitas. – rimos um pouco e eu passei o número de Liv. Para que ele ligasse para ela. Comecei a ler o texto e Harry voltou a dormir.

Quando Jake me enviou uma mensagem a tarde, avisando que passaria na minha casa à noite para sairmos, fiquei pensando o que mudaria na minha vida, agora que eu fazia parte da sua. As minhas preocupações passaram, assim que uma foto que ele tirara na noite anterior apareceu na tela do meu celular quando ele me ligou para avisar que tinha chegado.

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.