The Violet Hour
4 Capítulo 4
Notas iniciais
– Você ainda não está pronta?
Olívia tinha entrado no meu apartamento duas horas depois depois que chegamos do estúdio. Nós tínhamos combinado de que sairíamos para comer e depois ríamos encontrar Jake na festa . Seu vestido era azul escuro, justo e totalmente coberto por lantejoulas. Ela estava usando o eu era provavelmente o maior salto que eu já tinha visto na vida. Liv me olhava nervosa, enquanto eu apenas dava de ombros.
– Maya, por que você ainda não se arrumou? Nós não temos muito tempo agora.
– Eu não estou com muita vontade de ir. – confessei.
– Você vai sim. – ela parecia realmente nervosa. – Vamos. Eu vou ajudar você a se vestir e nós vamos sair para comer.
Eu tinha começado a protestar de novo, mas ela entrou no meu quarto e foi em direção do meu guarda roupa.
– Liv, eu estou cansada, de verdade. E daqui a dois dias começam as minhas aulas preparatórias.
– Maya, escuta aqui. Nós vamos a essa festa. Eu trabalhei como uma louca na semana passada e eu mereço isso e você também. Se você não for, você vai ficar aqui sozinha nesse apartamento enorme e vazio. Vamos fazer assim, nós ficamos um pouco e se você não gostar, nós vamos embora.
Ela me olhou por um tempo até eu concordar. Pude ouvir ela dando um pequeno suspiro de alívio e começou a cavar o meu armário. Olívia mexeu no meu armário por cerca de cinco minutos até tirar de lá um vestido que eu tinha comprado há muito tempo e nunca tinha tido coragem de usar. Ele era preto, com uma pequena gola que ia envolta do pescoço. Não tinha mangas, então os braços ficavam a mostra. O corpete era justo e tinha um decote apertado, que ficava coberto por uma renda que começava no pescoço. A saia se abria rodada até o meio da minha coxa. Ele era lindo, mas mostrava demais.
– Esse é lindo! – Liv gritou de entusiasmo e jogou o vestido em cima da minha cama.
– De jeito nenhum que eu vou usar esse!
– E por que não?
– Não sei. Deve ter a ver com o fato de que o decote mostra demais ou que a saia é muito curta.
– Claro que não. Ele é lindo. Quero ver em você. Vá coloca – lo.- Liv jogou o vestido para mim e apontou para o banheiro.
Eu o experimentei bufando. Demorei um pouco para ajustar a gola e colocar a saia no lugar, mas cinco minutos depois, sai do banheiro e encontrei Olívia sentada no meio dos meus travesseiros.
No minuto que ela me viu, seus olhos quase saltaram de seu rosto. Eu não sabia se tinha ficado bom ou não, então me virei para o espelho que eu tinha colocado atrás da porta do quarto.
O vestido realçava a minha magreza e as minhas poucas curvas nos lugares certos. Eu não tinha um busto grande, mas como o decote era apertado e coberto por renda, ficava parecendo que ele era maior. O saia chegava até quase o meu joelho e não fazia com que minhas pernas ficassem finas, pelo contrário, fazia com que ficassem maiores.
– Você tem que usar esse!
– Você não acha que ficou um pouco demais? – perguntei insegura.
– Claro que não. Jake vai amar.
– O que ele tem a ver com isso? – virei para ela de repente e rezei para que ela não percebesse que corei só com a menção do nome dele.
– Vai me dizer que você não percebeu? Ah Maya, por favor. Ele está tão afim de você. – Liv ria como se fosse uma coisa obvia.
– Acho que não.
– Estou falando sério. Hoje no estúdio, ele não tirava os olhos de você. Ele nos convidou para a festa e ele raramente me convida para esse tipo de festa. Ele pode ter esse jeito reservado e tímido, mas ele está afim de você.
– E você e ele? Nunca aconteceu nada?
– Ah, você sabe. Ele foi meu primeiro namorado. – ela falou e eu tentei não passar a minha surpresa.
– Sério?
– É. Nós dois somos de Nottingham. Ele começou a fazer sucesso e largou a escola e eu continuei lá. Quando me formei, fui fazer um curso de dois anos na França e ele foi conquistar o mundo. Quando me mudei para Londres no ano passado, nós retomamos o contato, mas só como amigos. Foi há muito tempo e nós éramos jovens.
– Mas vocês não tentaram retomar nada?
– Não. – ela deu uma risadinha. – Nem tinha o porquê. Nós somos melhores como amigos do que juntos, portanto não se preocupe, eu não estou interessada nele desse jeito.
– Está certo.
– Coloque estes sapatos e depois vamos dar um jeito nesse seu cabelo.
Quarenta minutos depois, eu estava de banho tomado, cabelo limpo e arrumado e com os saltos agulha que Liv tinha pegado na prateleira mais alta do meu armário. Ela tinha dito que eu estava bonita e eu queria confiar nela. Vesti um casaco preto e grosso e saímos para a rua fria de abril.
Para jantar, Olívia quis ir em um restaurante chique. O taxi nos levou até um prédio no coração da cidade e subimos até o 18º andar. A vista era deslumbrante. Eu podia ver praticamente todo cartão postal da cidade. Liv sorriu quando eu olhei deslumbrada para o local. O restaurante era todo iluminado por lâmpadas penduradas em cima das mesas e as pessoas conversavam harmoniosamente, como se estivessem contanto um segredo. O maitrê nos informou que a fila de espera era de pelo menos duas horas, mas Liv pediu para que ele chamasse alguém com o nome de Jacques.
Acontece que Jacques era um dos chefes de cozinha e tinha um restaurante em Paris, onde Liv tinha feito estágio quando estava na faculdade. Eles conversaram por cerca de cinco minutos e depois o chefe disse algo ao maitrê, o que fez com que ele nos levasse a uma das pequenas mesas espalhadas pelo salão pequeno. Ri para Liv e ela apenas deu de ombros.
Eu pedi ravióli de camarão e Olíva pediu estrogonofe de cogumelos. Estava tudo tão bom, que eu tinha mês esquecido que tínhamos uma festa depois. Quando acabamos, fomos até o banheiro, escovamos os dentes e retocamos a maquiagem. Liv passou um batom vermelho sangue, o que vez com que seu cabelo loiro ficasse pálido e seus olhos azuis ficassem mais brilhantes.
Tivemos que esperar um pouco por um táxi que nos levaria até o lugar, o que deu tempo para Liv fumar um cigarro. Ela me disse que ela não fumava sempre, só quando estava com frio ou nervosa e que tinha pegado esse hábito de Jake.
O táxi pegou um pouco de trânsito, o que era normal para uma noite de sábado. Enquanto íamos, fui observando as ruas durante a noite. A cidade estava cheia de jovens que saiam para beber ou fumar e turistas. Os bairros do centro estavam lotados de turistas. Pessoas que não estavam acostumadas com o frio intenso, lotavam cafés e disparavam o flash de suas câmeras a cada esquina. Quando fazia mais de vinte minutos que tínhamos entrado no carro, Liv anunciou que chegamos.
O Club 89 era totalmente diferente do que eu tinha imaginado. O lugar era um prédio de tijolos, muito parecido com o estúdio do Jake. As únicas coisas que denunciavam que ali era uma balada eram as letras prateadas com o nome do Club na parte de cima de uma janela e a fila quilométrica que estava na porta.
Olívia falou com o segurança e avisou que nossos nomes estavam na lista. Eu estava congelando, enquanto o cara alto e extremamente forte procurava nossos nomes em um Ipad. Quando ele finalmente achou, deu uma batidinha na porta de metal pesada e nos deixou entrar.
Imediatamente senti o calor. A vibração de tantos corpos dançando no mesmo lugar me invadiu e senti a necessidade de tirar o casaco. Uma mulher alta e magérrima guardou nossos casacos, nos deu uma comanda e nos disse que as mesas estavam no segundo andar.
Olíva transpirava empolgação. Eu podia ver que ela adorava estar ali e que hoje a noite ia ser maravilhosa para ela.
Subimos uma escada larga e procuramos uma mesa vazia na multidão. O segundo andar era uma varanda enorme que era aberta no meio, dando visão para o primeiro andar. Várias mesinhas ocupavam o salão e praticamente todas estavam lotadas. Nós andamos pelo labirinto de pessoas, procurando por Jake ou alguém que Liv conhecesse.
Nós estávamos procurando há dez minutos, quando me perdi de Liv. Um cara tinha entrado na minha frente e quando olhei de volta, ela não estava mais lá. Peguei meu celular da bolsinha que havia trazido e estava pronta para mandar uma mensagem para ela, quando uma mão fria tocou o meu cotovelo. Me virei na hora e perdi o ar com aqueles olhos prateados me encarando.
Jake estava vestindo uma camisa preta, uma jaqueta de couro parecida com a que ele tinha usado hoje no clipe e botas. Seus olhos estavam cansados, como se ele não tivesse dormido há séculos, mas algo me dizia que ele estava mais atento que ele jamais esteve.
Ele me olhou de cima a baixo e eu fiquei constrangida com a intimidade de seu olhar. Eu gritei um oi por cima da música ensurdecedora e ele acenou de volta. A mão de Jake encostou na minha cintura, quando eu vi um vislumbre de cabelo loiro vindo na nossa direção. Liv parecia que tinha corrido uma maratona. Ela estava puxando o ar cor força e me olhou como se não me visse a meses.
– Onde que você estava? – ela gritou sob a música.
– Eu fiquei bem aqui. Você tinha sumido. – gritei de volta.
– Eu estava te procurando. Ainda bem que você achou o Jake. – seus olhos caíram para a mão dele na minha cintura.
– Você tem uma mesa? – ela perguntou para ele.
– Sim. Ali no fundo. Eu te mandei uma mensagem perguntando se vocês vinham, você não respondeu, mas então eu vi a Maya.
– Vamos para lá então.
Jake foi na frente para nos mostrar onde era e Maya apontou para o meu vestido e para o Jake e falou silenciosamente um “eu te avisei”.
A mesa que Jake nos mostrou estava cheia. O cara que estava no estúdio hoje a tarde, o Will, estava sentado na ponta da mesa, conversando com um cara ruivo. Ao lado deles, duas garotas riam e uma delas olhava ocasionalmente na direção do Jake, que não parecia ter notado. Ele falou que aquele pessoal trabalhava na gravadora e que seu empresário tinha convidado todos eles. Ele se sentou e me sentei a sua direita, com Liv a sua esquerda.
Alguns copos de uma bebida verde estavam intocados em cima da mesa e algumas doses de tequila também. Jake bebericava sua vodka com limão, enquanto eu peguei um dos copos de cima da mesa.
Will começou a conversar com Liv e a chamou para dançar. Ela concordou entusiasmada e apontou para mim e para Jake. Ele não parecia ter notado, mas eu com certeza fiquei vermelha.
– Você está bonita. – Jake disse quando eu pensei que ele tinha desligado do mundo.
– Obrigada. Você também.
– Você quer ir para outro lugar?
– Eu acabei de chegar.
– Eu sei. Tudo bem.
– Para onde você quer ir?
Nós mandamos mensagens para Liv, avisando que estávamos indo embora e que não era para ela se preocupar. Jake me guiou até a saída, onde peguei meu casaco e saímos para a rua fria. Ele parou para acender um cigarro antes de começarmos a andar e algumas garotas que estavam na fila de entrada o reconheceram. Ele terminou de fumar e tirou foto com elas, que voltaram para a fila dando risadinhas e lançando olhares para o Jake.
– Vamos? – ele colocou a mão na minha cintura e começou a me levar para o desconhecido.
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