The Vampire- My Chronicles
2 II- Solitudo Mea
Notas iniciais
O céu azul
O céu azul era a única coisa que eu via.
Eu estava paralisado, não sentia nenhuma parte de meu corpo. Não conseguia me mover, não sabia o que fazer agora. A lembrança de minha amada preencheu minha mente, ela estava morta. Nunca mais a teria junto a mim.
− Levante-se asno! − disse uma voz que eu conhecia a pouco, mas, já havia gravado: Yorran.
− Nã-nã-não... Co-co-co-n-con-si-si-go. − disse eu me esforçando o máximo pra falar.
− Ah! Ah! Ah! Ah! Está parecendo um gago!!! Ó pá, tu precisas de sangue gajo!
Me virei, olhando para ele.
− Sangue...? Gajo...? − perguntei olhando sem entender.
− “Sangue” porque tu eres vampiro agora. “Gajo” porque sou português e ainda não perdi o sotaque e certas manias. − disse ele com uma risadinha.
Então comecei a perceber que ele realmente tinha um leve sotaque português. Depois que assimilei o que ele disse fiquei mais confuso ainda.
− Vampiro...?
− Ah! Ah! Ah! Ah! Ora, é feio e burro ainda!!! Vamos, levanta-te!
Senti ele me puxando, tive que fazer uma força imensa para me manter de pé. Comecei a me movimentar e rapidamente para ver se a dormência passava.
Olhei ao redor, estávamos em um campo de lavandas se não me engano; as flores eram lilases. A junção do lilás e o verde davam um contraste lindo, o vento batia fazendo ondas nos campos... Tudo era lilás e verde, tudo até onde eu não enxergava.
− Onde... Onde estamos? − perguntei.
− Em algum lugar da Itália. − disse ele coçando a cabeça.
− Oh... Bem, quando eu posso começar a te bater? − perguntei me lembrando que foi ele que matou minha querida Giulia.
Ele me olhou assustado − a propósito, assim ele ficava mais feio do que o normal − e eu continue a fitá-lo com raiva.
− Bom, não me mate! Um dia... um dia você vai entender o que eu fiz!!! Fica calmo, se você não entender aí sim você pode me matar.
Olhei pra ele com estranheza.
− Não entendi nada, mas tudo bem. Para onde vamos?
− Ehr... Londres, é uma ótima cidade.
Olhei desconfiadamente, Londres era sombria...
− Ora gajo! Vamos caçar, tu precisas de sangue.
− Não quero sangue. − respondi secamente. − Vou comer o que eu comia antes de você me morder.
− Como quiser, a vida é sua... ehr, quer dizer, a eternidade é sua!
Mas que cara chato!
Quando chegamos a cidade mais próxima eu corri para uma taberna, talvez se eu pagasse um pouco mais eles poderiam me dar uma comida a essa hora, o bom da história é que eu tinha oito moedas de ouro nos bolsos.
Ao chegar à taberna havia uma linda garçonete. Ela tinha os cabelos negros e brilhosos, olhos castanhos e pele clarinha; parecia com a Branca De Neve daqueles escritores alemães... Os irmãos Grimm.
Seus olhos se dirigiram diretamente a mim. Eu estava paralisado na porta; devido ao fato de eu ter parado, Yorran se bateu contra mim me empurrando com tudo para dentro da taberna. Ainda sim fiquei olhando para ela, esta que estava com um lindo sorriso no rosto.
− Olá, o que desejam? − disse ela docemente com um lindo sorriso meigo no rosto. − Posso ajudar?
− Oi, ehr... − fui tentando dizer.
− Pode sim senhora, acabamos de chegar de viajem, precisamos de comida e bebida, não sei se essa é a especialização do local, mas talvez você pudesse ajudar. − disse Yorran entrando e se sentando (se jogando) numa cadeira da taberna.
− Oh sim, vou lá trás fazer algo. − disse ela com seu sorrisinho meigo.
Me sentei numa cadeira ao lado de Yorran e fiquei olhando para a porta pela qual a linda moça passara.
− Sem duvida é uma linda rapariga, mas fico assustado de você estar sendo atraído por ela logo após de ter perdido “sua amada” − disse ele em tom irônico.
− Cala-te infeliz.
− Como quiser.
Fiquei olhando para a taberna, como era de se esperar era um lugar sujo e molhado, as paredes eram de pedra e estavam cheias de limo; varias mesas de madeira enchiam o espaço, a madeira estava podre e a ponto de quebrar; os balcões eram imundos e atrás deles varias estantes estavam cheias com copos de vidro.
“Lugarzinho imundo para uma linda moça morar...” Pensei incomodado me mexendo em minha cadeira.
Então a porta começou a se abrir e eu esperei que a bela moça aparecesse... Pensamento enganoso pois quem apareceu foi um homem gordo e velho com cara de rabugento. Ele era careca, com uma barriga de bebida imensa e tinha um avental sujo de... algo marrom.
− Annabelle minha filha vem cá agora!!! − disse o homem com uma cara mais feia que o normal. Então para minha surpresa a linda moça apareceu.
− Sim papai. − PAPAAI?!!! NÃOOOOOOOO!!!!!
− Já atendeu aqueles estrangeiros? − perguntou ele apontando para nós.
− Sim, estava arrumando um lanche para eles... Eles vieram de longe e achei que fosse bom fazer algo... − disse ela envergonhada sob o olhar do pai.
Ele olhou desaprovador.
− Annabelle, a partir desta noite não te deixarei sair de casa.
Ela olhou para ele sem entender.
− O que está esperando?! Vai terminar o pedido deles!!! − disse o homem autoritário.
Então ela se foi novamente, o velho rabugento olhou para nós com desdém e então voltou a limpar o balcão com um pano que a propósito também estava sujo.
Ficamos esperando só mais um pouco até que a linda Annabelle aparecesse. Ela veio com seu lindo sorriso meigo e nos entregou o lanche e um copo com uma cerveja que parecia ser de péssima qualidade.
− Obrigada. − disse eu.
− Nossa, faz muito tempo que não ouço esta palavra. O senhor parece ser um nobre, o que faz num lugar sujo como esse?
−Ehr... Bom, com as viagens não temos tempo de ir a lugares chiques... E só tua presença já vale a vinda. − eu disse.
Yorran me olhou com um olhar desaprovador/não entendendo e abaixou a cabeça novamente. Annabelle abriu ainda mais seu lindo sorriso.
− Bom, já sabes meu nome, seria insolência minha saber o teu?
− Não. Chamo-me Edward.
− Nome inglês.
− Sou inglês.
− Interessante. − disse ela com seu sorriso meigo.
− ANNABELLE!!! − gritou a fera pai da bela.
− Tenho que ir. − disse ela desesperada para mim. − Até mais ver, e boa refeição.
− Até, obrigada... Foi um prazer!
− Igualmente− disse ela.
Então ela se foi, será que eu veria Belle outra vez? Esperava que sim.
− É, bem que me disseram que ingleses são frio, já está cortejando outra. − disse Yorran
− Não, só conversando. − respondi convencido.
− Sei.
Então nos calamos e eu fui comer o sanduíche que ela havia feito. Quando o mordi senti um desgosto imenso...
Aquilo não tinha sabor! Era ruim...
− Eu disse. − falou Yorran bebendo a cerveja. − Vai estranhar até o gosto da cerveja de inicio.
Então beberiquei a cerveja. Também sem gosto, engoli a força e fui ao balcão. Deixei uma moeda e saí. Yorran correu atrás de mim.
− Onde vai inglês insolente?
− Vou me livrar desde pensamento sujo de que sou vampiro.
− Mas tu eres!!!
− Mas não quero ser.
− Não há volta Ed!
− Te dei a autorização para chamar-me de “Ed”? − disse parando e olhando Yorran nos olhos.
− Agora somos companheiros homem... Tu não tens a ninguém, nem eu tenho a ninguém...
− E se eu quiser ser um vampiro solitário?
− Como quiser. − disse Yorran com olhar triste.
Então ele se virou e se foi.
Agora sim eu estava sozinho.
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