Notas iniciais
Para quem não sabe ou não entendeu o título, Okaeri significa "bem vindo de volta" cof cof muitos ficaram ansiosos para saber quem foi que apareceu marotamente, outros já sabem -ou desconfiam- De qualquer forma ta ai, esse cap. vai matar todas as dúvidas que vcs possam ter em relação a tudo o que aconteceu. outra coisa.... feliz dia das mães pra quem já pariu um ser ♥ =3

“Droga! Agora estou desarmado também e o pior, praticamente encurralado. Já não via mais esperanças para mim quando vi uma silueta interessante. Parada lá, sobre a ultima parte do teto quebrado, sendo iluminada pela lua, estava a me olhar e seu sorriso fora o mais belo de todos.”

/// Mais cedo, naquele mesmo dia.

Eu estava perdida... Caminhava por um campo verde. O vento era brando e os raios de sol acariciavam minha pele. Andava sem rumo, olhando para o horizonte dava-se a impressão de que aquele campo era infinito. Vestia um vestido branco, liso e de alças. Senti alguém puxar a barra do meu vestido. Olhei para trás e percebi que era uma pequena garotinha. Ela tinha suas vestes semelhantes as minhas e parecia estar chorando; uma de suas mãos permanecia em meu vestido e a outra sobre seu rosto, estava tentando secar as incessantes lágrimas que caiam.

Me abaixei, nivelando a altura de nossos rostos e perguntei carinhosamente: — O que houve querida?

A criança retira sua mão sobre seu rosto e me olha. Congelei, um de seus olhos tinha a Iris negra envolta por um vermelho assustador. Ela se parecia muito comigo quando era mais nova. A jovem sorriu e de seus olhos começou a escorrer sangue: — Acabou Misaki-chan!

Abri meus olhos. Encarava um teto nem um pouco familiar. Tudo parecia ainda muito estranho. Ergui uma das minhas mãos, eu me sentia estranha. Levei a mão até minha testa e fechei meus olhos, minhas memórias pareciam tão distantes e turvas, naquele momento eu não consegui lembra exatamente o que aconteceu. Desci minha mão, que antes estava em minha testa, e a pousei a mesma sobre meu peito. Sentei-me subitamente ao perceber que não sentia meus batimentos cardíacos. Eu estava nervosa, mas não sentia meu coração e também não respirava – fato esse que só consegui notar com clareza neste momento de desespero. Levei ambas as mãos até meu pescoço, procurando por alguma marca ou até mesmo um pulso de uma das veias que ali passam, inútil.

Saltei da cama e me desesperei mais ainda ai fitar o quarto e ver que estava em um lugar desconhecido. Passava meu olhar por todos os cantos na esperança de ver algum traço familiar, mas essa fora mais uma atitude infrutífera. Quando fui correr na direção da porta, senti algo se enrolar em meu pé. Era um pano, este cobria um objeto encostado na parede que ficou levemente a amostra quando o tecido se enroscou em mim.

A principio parecia uma moldura de um retrato ou algo assim, me inclinei, tirando o tecido e revelando o objeto. Era um espelho mediano. A superfície espelhada refletia tudo a minha volta, todo o quarto, exceto eu. Me aproximei levemente e inconscientemente encostei a ponta dos dedos na superfície do objeto. Então eu...

—Parece que você já acordou – virei para olhar o dono daquela voz familiar. Era Miyazono com um leve sorriso no rosto.

Me afastei ligeiramente, ficando a uma distante considerável do espelho. Já não tinha coragem de encará-lo. A loira sentou na cama, de frete para o mesmo espelho. Olhei para ela e quando tentei falar, minha voz não saiu. Arregalei meus olhos e encarei a com um olhar suplicante.

A loira deu uma leve risada e logo tratou de me avisar: -Calma, é normal não conseguir falar no começo. Seu corpo precisava de oxigênio para realizar ações, principalmente falar, então seu organismo ainda não se acostumou a fazer certas ações sem o auxílio desse componente. – disse ela simplória enquanto massageava sua própria nuca.

Eu me aliviei um pouco, passei a mão sobre meu cabelo, tudo incida que eu já não era mais humana. Sentei ao lado da loira, que tinha o olhar perdido sobre aquele espelho que não nos refletia:

—Eu sei que você tem muitas perguntas então... –ela começou vagarosamente, deu uma pausa e me encarou – Por isso irei explicar tudo do começo. – Eu apenas assenti.

A loira deu um sorriso travesso e começou: -Primeiramente, você esta na minha casa, gostou da decoração? – me surpreendi, passei o olhar pelo cômodo mais uma vez. A decoração era bem sóbria, pouco parecida com a personalidade extravagante da loira. Eu sorri, assentindo em seguida. – Bem, depois daquele ataque... Usui se viu forçado a te transformar em uma vampira.

Minha mente foi invadida por lembranças daquele ataque, as ultimas lembranças que tive como humana. E a ultima coisa que lembrei foi de sentir as presas de Usui em meu pescoço. Toquei o local da mordida, não havia marca alguma, mas eu tinha certeza de que aquele fora o lugar que ele cravou suas presas.

—Um vampiro pode ter apenas duas origens. – Miyazono continuou, me acordando de alguns devaneios – Os sangues puros já nascem como vampiros, mas isso só acontece se um casal de sangues puros se relacionarem. Em outras palavras, se um sangue puro “cruzar” com uma humana, ela não correrá o risco de engravidar. Agora, vampiros normais, são aqueles que já foram humanos algum dia. A força desses é incrivelmente menor se comparado a de um legítimo vampiro e acabam sendo submissos a eles. Seguindo suas ordens querendo ou não. – Ela se levantou e passou a mexer na sua bolsa que jazia jogada em um canto do cômodo. – Para transformar um humano em vampiro – ela continuou de costas pra mim – O humano deve morrer pelas presas de um vampiro, tendo todo seu sangue sugado pelo mesmo. Se o humano for forte o suficiente, ele voltara como um ser da noite... Se não, ele morre de vez.

O silencio reinou no cômodo mal iluminado. Ela se virou com um objeto em mãos, em seguida sorriu e me entregou; era uma bolsa de sangue. Arregalei meus olhos e a encarei: — Não faça essa cara, vai precisar.

Meio hesitante, peguei a bolsa e a deixei sobre meu colo. Ela me olhava esperançosa, a muito custo contestei: -Não estou com fome – minha voz saiu rouca e muito forçada. É estranho falar assim.

Ela bufou, sentando-se ao meu lado: -Usui me mandou cuidar de você, então não me dê trabalho! – disse ela, parecia uma criança fazendo mal-criação. Eu encarava a bolsa sem ter coragem de beber, sim eu estava faminta, mas aquilo não parecia nem um pouco delicioso.

Depois de mais alguns minutos mergulhados no silencio, a loira se pronunciou novamente: -Ele sabia dos riscos ao te transformar, então não pense que ele agiu por impulso. – eu a olhei – Pra falar a verdade ele nunca quis te transformar.

—Eu... Nunca pensei isso dele – eu forçava minha voz, que ainda estava rouca – E sei que essa foi à única saída... — passei meu olhar pelo quarto, parando-o no espelho. A loira também o olhava.

Antes que eu pudesse questionar o motivo pelo qual ela o tinha, ele logo tratou de se pronunciar:

—Parece uma grande besteira uma vampira ter em seu quarto um espelho não é? – o olhar de Miyazono era perdido e seu sorriso amargo –Mesmo sendo um objeto inútil eu não consigo jogá-lo fora. Minha mãe deu ele pra mim um ano depois da minha transformação. Ela, até hoje, não sabe minha real natureza.

Um estalo me ocorreu à mente, minha mãe! Eu disse que ligaria pra ela. Eu ainda estava com as roupas que eu usei em minha “morte”, levei a mão até meu bolso da calça, procurando pelo celular. Ele não estava ali; ou eu o perdi ou o Usui o pegou.

É obvio que eu não poderei contar pra ela as ultimas coisas que me aconteceram. Terei que esconder isso dela e da minha irmã. As coisas vão acabar ficando complicadas. A loira levantou, pegou o pano que jazia ao chão e o jogou sobre o espelho.

—Miyazono – eu a chamei, fazendo-a se virar – Aonde o Usui esta? – minha voz já estava começando a voltar ao normal.

Ela suspirou pesadamente e disse: -Longe daqui, na batalha contra os lobisomens.

Ah claro! Levantei-me e exclamei: -Então vamos ajudá-lo.

—Ei pode parar – ela me lançou um olhar de reprovação –Mal virou vampira e já que se jogar em uma guerra?

Sai andando, ignorando tais palavras. Só parei quando a loira gritou meu nome, eu já estava fora do quarto quando isso aconteceu:

—Miyazono, eu não posso ficar aqui e deixar o Usui sozinho. – vire-me, encarando a loira – Ele me ajudou e agora esta na minha vez de ajudá-lo!

A loira sorriu e se deu por vencida: — Esta bem, mas pelo menos troque a roupa.

Olhei para o estado em que minha roupa se encontrava; suja, rasgada e manchada de sangue. Assenti, ao menos trocarei minhas roupas.

///////////

Agora aqui estou eu, parada, olhando para Usui; esse que não demorou muito para percebeu minha presença. O loiro logo me olhou, seus olhos tinham um brilho tão lindo; ele sorriu radiante.

Eu estava vestida com uma roupa da Miyazono, um vestido vermelho, sua saia era meio curta e solta – o que não iria impedir minha movimentação – meu cabelo estava meio preso, apenas a franja e algumas mexas estavam livres. Em minhas mãos, uma metralhadora, Miyazono praticamente me implorou para ficar com essa arma. Por fim acabei aceitando, mesmo não sabendo atirar.

Dei um sorriso triunfante, mirei meio sem jeito e apertei o gatilho. Uma rajada de tiros saiu, eu não fazia idéia de como controlar a direção dos tiros. Metade das balas acertou o chão. A muito custo, consegui acertá-lo. O bicho se virou e eu aceitei seu rosto, eu mal conseguia segurar a arma e quando enfim consegui firmá-la, a munição acabou.

Usui ~

Sem jeito ou técnica nenhuma, Misaki empunhou a metralhadora e saiu atirando. Ela não conseguia controlar a direção, e saiu atirando aleatoriamente. Depois de quase ter descarregado a arma, ela enfim acertou o lobisomem. O mesmo se virou e alguns tiros acertaram sua cara – um grande golpe de sorte; mais sorte ainda foi que um desses tiros acertou o olho dele. Quando ela parou de atirar haviam buracos por todos os lados, alguns até perto de mim. A morena estava toda descabelada. Por fim não contive minha gargalhada sonora.

Misaki ~

Ele simplesmente começou a rir. Que ódio! Eu falei pra Miyazono que essa arma era uma péssima idéia. Joguei ela no chão com força. Maldita arma dos infernos! Mas ai que eu percebi que o lobisomem havia recuado um pouco. Um dos meus tiros acertou o olho dele, só pode ter sido um milagre.

Quando olhei na direção de Usui novamente notei que o idiota ainda estava rindo. Peguei uma das pedras que tinha pelo chão e taquei nele; a mesma acertou seu braço:

—Dá pra você se concentrar! – rugi. Ele secou as lágrimas – essas que caíram por conta do ataque de risadas – e assumiu uma postura mais séria.

Com um sorriso malicioso nos lábios ele disse: -Vamos acabar com isso.

O lobisomem rugiu, voltando a assumir sua postura de ataque. Usui olhava para o animal, ele parecia estar pensando em algo. Subitamente ele correu, subindo em uma pilha de escombros no canto e gritou:

—Ayuzawa! A katana!

Perto de mim havia uma katana cravada. Rapidamente tratei de pegá-la e a arremessei para Usui, que conseguiu pegar a arma branca. O loiro pulou, fincando sua katana na nuca do animal. O bicho passou a se debater. O loiro subiu na cabeça do animal, retirando a katana. Depois ele tirou um revolver da cintura e o descarregou em um único lugar; um ponto na parte superior do crânio. Feito isso, ele pegou a katana e o enterrou no crânio do lobisomem. O animal deu seu ultimo rugido e cambaleou. Antes que ele caísse, Usui se jogou, caído perto de mim.

O enorme bicho foi ao chão. Nesse momento o lugar deu uma leve estremecida. Usui estava abaixado, corri na direção dele, me abaixando na frente dele:

—Você esta bem? – quase gritei. Eu estava realmente preocupada.

O loiro sentou e olhou para mim. Um sorriso se formou em seus lábios e sem dizer nada ele se inclinou em minha direção e me abraçou. Um abraço forte e terno. Eu corei violentamente:

—Eu pensei que havia te perdido – o loiro sussurrou. Eu não sabia o que fazer, tão pouco o que dizer. Meio hesitante, devolvi o abraço.

Eu também estava feliz em vê-lo, mas tinha vergonha de admitir isso. Ele afundou o rosto em meu pescoço, me arrepiei instantaneamente. Se antes meu rosto já estava corado, a essa altura ele deveria estar tão vermelho quanto uma pimenta. Ficamos assim por um tempo até ele me soltar. Não tinha coragem de olhá-lo, então eu desviei o olhar. Com muito carinho, ele colocou a mão sobre meu queixo, guiando meu rosto, me fazendo olhá-lo. Ele sorriu travesso, ele adora me ver assim, envergonhada.

—Eu não sei o que eu faria se eu te perdesse – aquelas palavras saíram com tanta ternura e seriedade.

Mesmo estando envergonhada, não conseguia mais desviar meu olhar. Os olhos do loiro brilhavam muito, algumas mechas de seu cabelo estavam manchadas de sangue, mas isso só o deixou mais lindo. Lentamente ele aproximou seu rosto do meu, eu poderia resistir, mas não queria. Nossos lábios se tocaram em um beijo terno e demorado.

Quando separamos nossos lábios, ele acariciou meu rosto e depositou um beijo em minha testa: -Você fica linda quando esta envergonhada, Ayuzawa.

—Usui idiota. – disse sem encará-lo.

Nós levantamos. Apesar de tudo, a guerra ainda não havia acabado. De onde nós estávamos tínhamos uma visão privilegiada. Ainda se via uma grande movimentação na floresta. Usui me olhou, ele estava preocupado, mas sabia que eu não iria recuar.

Quando estávamos prestes a descer, meu estomago roncou. Corei violentamente, eu estava morrendo de fome, mas era obvio que eu não admitiria isso; muito menos para o Usui!

—Você não se alimentou? – perguntou ele

—Eu n-não preciso disso, v-vamos! – eu tentava mostrar firmeza, mas eu realmente queria comer algo.

Eu ia descer, mas ele me puxou pelo braço:

—Pode morder – disse simplório, mostrando seu pescoço.

Eu neguei com a cabeça e contestei: -Eu não vou fazer isso.

Ele suspirou. Usui sabia que não iria conseguir me convencer a mordê-lo. O loiro levou seu próprio pulso até seus lábios e o mordeu. Em seguida levou seu pulso sangrando até meus lábios. Eu iria recusar, mas a fome era tanta e o cheiro de seu sangue tão tentador que acabei aceitando. Passei a chupar o sangue que dali saia. Bem, eu não sei ainda o gosto de um sangue ruim ou bom, mas eu realmente achei o sangue do loiro delicioso. Era doce e de certa forma irresistível. Acabei bebendo bastante.

Quando terminei, limpei a boca e disse firme: -Agora vamos!

O maior me olhou de cima a baixo e disse com um sorriso malicioso: -Ayuzawa, esse seu vestido é bem curto, en?

Corei e respondi ríspida: -Não é meu, é da Miyazono. – ele me olhava com luxúria. Correi mais ainda e retruquei aos berros – Seu alien pervertido!

Notas finais
Mui obrigado aqueles que acompanham e mandam reviews, agradeço também aqueles leitores fantasmas que deram as caras *u* fiquei muito feliz de vê-los e espero que outros fantasminhas apareçam também kkkk enfim, até o próximo cap. ~Bou