The Vampire And The Maid
14 15 dias de Atraso
Notas iniciais
Usui ~
Meu dia foi tão legal que eu nem sei por onde começar. Primeiro, passei grande parte do dia segurando um balde enquanto a Misaki colocava tudo pra fora. Foi o momento mais mágico do dia, mas ainda tiveram outras coisas. Tive que sair pra comprar comprimidos para dor de cabeça, minha sorte é que a previsão de hoje foi de chuva, muita chuva.
Chegando na farmácia, eu não sabia qual remédio comprar, afinal, eu nunca precisei disso. Demorei um tempo até decidir se levava um remédio de dores no corpo ou só de dor de cabeça ou de vomito ou... Enfim, acabei levando todos os remédios possíveis.
Quando eu cheguei em casa que fui ver a Misaki, ela estava sentada na cama com cara de funeral –se bem que ela esta com essa cara desde que acordou- mas ai ela começa a se desculpar. A principio eu não entendi, mas depois ela me explicou que tinha sentido náuseas e que foi correndo vomitar no banheiro, mas não deu tempo. Resultado? O chão do banheiro totalmente sujo. Ela se desculpava e até tentou me convencer de que estava bem o suficiente para limpar o local. Mas eu apenas falei pra ela descer com o balde, e que eu mesmo limparia.
Depois de limpar o presentinho que a Misaki deixou no meu banheiro, desci pra ver se ela precisava de algo. A jovem dormia tão angelicalmente, nem parecia que tinha acabado de deixar um jato de vomito no meu banheiro. Depois de ter ficado um tempo a admirando, cheguei até a tirar uma foto com meu celular, uma não, vinte e cinto. Enfim, depois disso, fui fazer algo pra Misaki comer. Eu não tenho muitos dotes culinários, mas sabia fazer algumas coisas. Decidi fazer uma sopa, bem... É o que os humanos comem quando estão doentes, não é?
Não foi muito difícil de fazer. Na minha opinião, estava horrível, mas Misaki provou, e disse que estava ótima, tanto que comeu tudo. Depois disso ficamos na sala vendo TV, coisa que eu geralmente não faço. Passavam das sete quando Miyazono chegou, com uma cara de santa do pau oco.
Bem agora eu estou sentado no sofá olhando Misaki e Miyazono baterem um papo típico de resaca. Uma reclamava de dor de cabeça, a outra de dor no estomago, então ambas reclamavam da mesma dor e por ai vai. Fui na cozinha e peguei duas garrafas de coca, mesmo não consumindo comida humana, eu não dispenso uma coca bem gelada. Alimentos humanos não nos fazem mal algum, mas não nos satisfaz e alem disso, nem sempre tem o mesmo gosto. Na verdade, de todas as comidas humanas, só costumo comer pizza. É um dos poucos alimentos humanos que me agradam.
Entreguei às garrafas de coca as meninas e me sentei novamente. Misaki agradeceu e deu algumas goladas, já Miyazono colocou a garrafa fechada sobre a testa.
—Eu sempre tive o costume de beber, mas acho que mesmo assim, ainda não me acostumei às dores da ressaca – resmungou Miyazono
—Isso é bem feito, se tivesse me escutado, não estaria nessa situação – disse provocante, com um sorriso nos lábios
—Não seja mal comigo. E eu merecia um pouco de diversão depois de tanto trabalho duro –resmungou mais ainda, fazendo um beicinho, típico da loira – E devo admitir que estou impressionada com você, Misaki-chan – a menor olhou para a loira com um ar de confusa – Pra uma humana, você aguentou bem.
Misaki corou um pouco, não sei se foi pelo elogio ou se foi por ter lembrado que passou dos limites: -É, mas essa foi a primeira e a ultima vez que eu faço isso
—Mesmo assim, ainda merece parabéns. – continuou a loira- Eu não tinha certeza se humanos conseguiriam ingerir tanto da bebida sem perder a consciência
—E você já havia visto humanos beberem do licor de sangue? – indaguei enquanto observava a loira, ainda pressionado a garrafa gelada contra a testa
—Sim, já vi alguns e sei que da alguns efeitos a mais. Por exemplo, além deles – apontou levemente para Misaki que prestava atenção a cada palavra que a loira dizia – ficarem bêbados mais rápido, a alguns “efeitos colaterais” – ela deu uma leve pausa – Parece que a bebida aumenta os níveis de adrenalina e – ela deu uma leve risada – é afrodisíaca
Misaki que estava dando um gole na coca-cola, se engasgou e começou a tossir. Isso explica o que aconteceu ontem. Eu fiquei parado por um tempo, pensando, processando e, de repente, me deu uma vontade imensa de rir, rir como se não houvesse amanhã. Eu tentava segurar minha gargalhada enquanto Misaki estava quase jogando os pulmões em cima da mesinha de centro da sala. Foi ai que eu não aguentei mais e soltei uma sonora gargalhada.
Não sabia explicar, mas saber daquilo me deu um misto de alivio e alegria, mas no fundo estava meio preocupado. Isso explica o fato de eu ter sido atacado pela Misaki no banheiro, se ela lembrava disso eu já não sabia. Misaki, que já havia controlado sua crise de tosse, me olhava como se pudesse me matar mentalmente. Miyazono nos encarava, ela não entendia nada.
Misaki desviou o olhar e passava a encarar o chão. Apesar da áurea assassina que a rodeava, a menor estava com o rosto totalmente corado.
Miyazono continuava com um olhar confuso, mas assumiu uma postura mais seria quando se dirigi a mim: — Takumi, precisamos conversar – Misaki olhou a loira e entendeu o recado. A menor se levantou. Quando passou por mim eu pisquei para ela, mas como retribuição, ela deu um belo de uma pisada no meu pé. Cheguei a ver estrelas.
—Bem, o que o Igarasi queria? – indagou a loira. É tão estranho ver a Miyazono com ar de seria, estou acostumado a vê-la sempre rindo e fazendo palhaçadas que eu até estranho quando a vejo assim.
—Meu irmão estava lá... Estão tendo problemas com lobisomens e pediram minha ajuda – respondi simples. Apesar de tudo, Miyazono é de grande ajuda e eu quase não minto pra ela.
—Entendo... Então é por isso que tem um espião rondando sua casa – ela segurou a garrafa com ambas as mãos e ficou fitando a mesma. Eu já havia notado a presença de alguém rodeando a casa e agora tinha a confirmação. Provavelmente, é um espião a mando do meu querido irmãozinho – E o que vai fazer a respeito dele?
—Ignora-lo – deitei no sofá fitando o teto –apenas isso
—Eu acho que seria melhor ir falar com ele – a loira enfim bebei um pouco da coca, que a essa altura, já deveria estar quente.
—E por que você acha isso?
—O mundo vampiresco esta um caos e você esta tentado fingir que nada esta acontecendo. – sua voz se tornou mais alta – Takumi, você é um dos vampiros puro sangue, não pode simplesmente virar as costas, por que esse problema vai te perseguir e mais cedo ou mais tarde vai te acertar e se você não vai enfrenta-lo agora, ele vai te acertar quando estiver desprevenido e aonde mais dói! – Mais dói... Meu ponto fraco... Eu já tive algum?
Fechei meus olhos e apenas uma pessoa me veio a cabeça, Misaki. Ela é a única pessoa que eu não quero envolver ou machucar. Infelizmente, tudo o que Miyazono disse é verdade. Bufei, me levantando logo em seguida. Não posso mais fugir, não é?
Fui andando na direção da porta, iria seguir o conselho da loira e falaria com o capanga do meu irmão. Quando estava prestes a sair de casa, virei e sussurrei um obrigado para a loira que sorriu triunfante.
Do lado de fora, parecia que estava acontecendo um dilúvio. Chovia tanto, eu gosto desse tempo. Sem mais delongas fui direto ao espião. O homem estava a algumas ruas da minha, numa pracinha. Ele não parecia surpreso em me ver lá, frente a frente com ele.
—Takumi-sama – vez uma reverencia
—Sei que esta aqui ao comando do meu irmão – fiz uma leve pausa – Agora, conte-me tudo o que sabe
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Misaki
Sai da sala depois que Miyazono disse que queria falar com Usui a sós, aquele tom que ela usou, eu realmente não gostei daquilo. Estava curiosa pra saber o que era, poderia ficar escondida e... Não, balancei a cabeça. Não é certo, tenho que confiar neles. Sentei na cama, estava meio apreensiva. As dores já haviam diminuído e agora não eram mais minha preocupação central. Apenas sentia cansaço, como se eu tivesse trabalhado um mês sem folga. Naquele momento, queria apenas descansar.
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