The Usurper — Interativa

2 Não sou sua querida.


Notas iniciais
Oláaaa ♥ tudo bem com vocês? Então, nem demorei muito de postar né? No fim acabei me empolgando e fiz uma coisa enorme aqui, espero que não tenha ficado cansativo e.e Esse cap foi mais focado no príncipe Hans, yay! Eu ameeeeei as fichas que eu recebi até agora! Espero que receba mais umas duas, no mínimo, pra escrever o próximo capítulo. Anyway, é isso. Espero que gostem ♥ Boa leitura!

As águias deixam que os passarinhos cantem, sem nenhuma preocupação com o seu trinado alegre, certas de que com a sombra das suas asas poderão reduzi-los ao silêncio.
— William Shakespeare

Starboy — The Weekend

FLASHBACK ON

*Illéa, 11 de março de 2204, 8:03AM

Os olhos azul-esverdeados de Hans observavam, calmamente, seus irmãos. Kai, que era apenas dois anos mais novo que ele, brincava alegre com a pequena Viktoria. Alguns minutos antes, havia sido repreendido por sua mãe, e ordenado para que fosse ao Salão Nobre para cuidar dos pequenos. Helisa Alméras, a poderosa rainha de Illéa, confrontava seu marido. Seus gritos eram escutados em várias partes do castelo. Hans nunca havia visto seus pais brigarem daquela forma, então imaginava que havia um motivo sério. Há alguns dias, havia percebido a mudança de humor de sua mãe. Ela estava tratando-o de uma forma fria e distante, e pensava o que pudesse ter feito de errado para irritá-la. Será que eles brigavam por sua causa? Sendo uma criança de dez anos de idade, o garoto não conseguia aceitar o fato de que talvez seus pais estivessem num conflito por causa dele.

Hans — seu irmão o chamava — venha brincar comigo e com Kitty.

O garoto virou o olhar para Kai e para Viktoria. A menina tinha apenas três anos, mas já era muito esperta. O mais velho levantou-se da cadeira em que estava sentado e se ajoelhou ao lado dos pequenos.

— Hum, de que estão brincando?

*Illéa, 11 de março de 2204, 8:40AM PoV Helisa Alméras

A mulher andava impaciente, em círculos, pelo escritório de seu marido. Haviam parado de gritar há alguns minutos, mas a raiva crescia cada vez mais dentro de si. Ainda não conseguia acreditar na traição de Dmitri. Dez anos atrás, o homem havia aparecido no castelo com um pequeno embrulho. Dentro, um bebê, que o homem afirmava ter tirado das ruas. Encantada com a bondade de seu marido e com a idéia de criar uma criança, Helisa simplesmente entregou-se àquilo. Não fez muitas perguntas, era uma mulher um tanto submissa na época. Não acreditava que seu marido pudesse, um dia sequer, mentir para ela. Mas bem, estava errada.

Há algumas semanas, havia parado para observar os traços do pequeno Hans. Ele a lembrava alguém, entretanto, a rainha não conseguia assimilar seu rosto ao de ninguém. Até que receberam uma visita da família real francesa. Rainha Nicoletta, rei Thimoté e a pequena princesa Adélie, que era apenas um ano mais velha que Viktoria, haviam chegado à Illea.

Durante um jantar, Helisa havia percebido uma marca de nascença no braço esquerdo de Nicoletta. Coincidentemente, seu filho Hans tinha aquela mesma marca. Intrigada, a rainha começou a comparar o rosto do príncipe illéano com o da visitante. As semelhanças eram notáveis, até que ela juntou as peças. Pouco antes do seu casamento com Dmitri, o mesmo estava visitando seu bom amigo, Thimoté, que logo se casaria com a duquesa Nicoletta. Ele viraria rei da França em apenas dez meses. Seu casamento estava marcado para alguns dias após sua coroação. Helisa sempre estranhara o fato de Dmitri tratar Hans melhor que todos os seus outros filhos. Atribuía isso ao fato de um laço ter se formado por ele tê-lo salvado das ruas. Mas bem, agora o motivo parecia óbvio, o garoto era seu primogênito.

A cada dia que passava com a família real francesa em Illéa, mais raiva de Hans e de seu marido a rainha sentia. Precisava se livrar daquele menino o mais rápido possível. Ele nunca seria herdeiro do reino, não enquanto Helisa estivesse viva. No exato momento, discutia com Dmitri formas de tirar o garoto de Illéa.

— Eu não quero um bastardo vivendo sob meu teto — resmungava —. Já não bastam os dez anos que o criei como se fosse meu próprio filho! Você não tem vergonha disso, Dmitri?

— Eu era jovem, Helisa. Nicoletta também. Hans não tem culpa de nada disso.

— Você tem razão, ele não tem culpa, você tem. Agora ele pagará pelos seus erros.

O homem bufou, pondo uma de suas mãos nos olhos. A situação estava ficando ruim, e precisava parar Helisa antes que tomassem proporções irreversíveis.

— Ele é meu filho, Hans não vai à lugar nenhum.

A rainha arregalou os olhos. Não acreditava no que estava escutando.

— Ou você tira esse garoto do castelo, ou eu irei dizer a todos sobre sua infidelidade.

Era a gota d’água. Se Illéa descobrisse que o rei pretendia colocar um bastardo no trono, o povo se viraria contra eles. Dmitri não poderia deixar que aquilo acontecesse. Levantou o olhar para sua esposa e balançou a cabeça.

— O que você pretende fazer com meu primogênito, Helisa?

— Leve-o de volta para França. Deixe que ele viva com a verdadeira mãe. Eu não sou obrigada a passar mais um dia fingindo que não sei de nada.

— Você está louca? Se Thimoté descobrir que Nicoletta tem um filho comigo, será o fim. Nossa aliança será quebrada, e sabe-se lá o que pode acontecer com ela.

— Você costumava ser um homem mais sábio — Helisa revirou os olhos, voltando a andar em círculos —. Hans será pretendido de Adélie, e assim irão para a França.

— Adélie é irmã dele, Helisa! Pelo amor de Deus, eu não vou deixar uma relação incestuosa acontecer. Além de que ele tem apenas dez anos. Ela tem cinco!

— Não seja tolo. Ele iria passar a vida com ela, aprendendo os costumes franceses e se acostumando com a presença da garota. Quando estivesse perto da menina atingir a maioridade, nós arranjaríamos outro pretendente para Adélie. Simples.

O homem ia rebater, mas hesitou. A idéia não era tão ruim, considerando que, alguns minutos antes, Helisa queria simplesmente jogar Hans de alguma torre.

— Ele não pode saber que Nicoletta é a mãe dele — Dmitri disse —. Ao menos, não ainda. Ele está jovem, isso pode acabar mudando sua vida para sempre.

A rainha deu um sorriso de canto. Vitória, tinha finalmente conseguido se livrar do garoto.

— Hans partirá com eles em dois dias. Mandarei que preparem suas coisas. Ele terá tempo para se despedir de meus filhos. Após ele ir embora, seu nome não será mais pronunciado nesta família. Viktoria crescerá sem saber de sua existência.

— Kai se lembrará dele, assim como todo o reino, Helisa.

— Desta parte, preocupo-me eu. Se despeça do bastardo por um longo tempo.

FLASHBACK OFF

*Illéa, 29 de junho de 2218, 10:30AM

Hans descia do avião, finalmente havia chegado em sua terra natal. Fechou os olhos por um instante e inspirou calmamente o ar de Illéa. Uma voz atrás dele o interrompeu.

— Você vai se retirar da minha frente ou eu vou ter que te empurrar? — Adélie se punha logo atrás de si, de uma forma que ele atrapalhava a passagem. Seu sotaque francês era marcante.

O homem virou, encarando a irmã.

— Não vou mentir, adoraria ver você tentar — lançou um olhar malicioso sobre a menina e sorriu. Suas covinhas ficaram à mostra, o que fez a garota revirar os olhos. Após passar quatorze anos na França, a voz de Hans havia ficado com um sotaque um tanto sedutor.

— Se você não fosse meu irmão, eu poderia te dar um beijo aqui mesmo — a garota deu um leve tapa nas costas dele e saiu andando.

Bem, pensou ele, não é como se isso tivesse lhe impedido antes.

Riu de canto e pôs-se a caminhar. Em alguns metros, viu uma garota (que ele achou muito atraente, por sinal) e um homem parados, um ao lado do outro. Não conhecia nenhum dos dois, mas pôs um sorriso no rosto e parou na frente da menina.

— Bem, vejo que gostarei de Illéa — ele piscou para a loira, que ficou embasbacada.

— Sério que você está dando em cima de sua irmã? É, você é pior do que eu pensava — Viktoria disse, arrogante. Sua fala arrancou um riso abafado de Edward. O sorriso de Hans sumiu de sua face no mesmo instante.

— Afiada como sempre, Kitty — ao ouvir isso, a garota enrijeceu.

— Como você sabe da existência desse nome?

— Querida, eu criei este apelido.

Vendo que o rosto de Viktoria ficava cada vez mais vermelho, seu primo apressou-se em apresentar-se.

— Edward Alméras — estendeu a sua mão para o homem —, rei regente de Illéa.

— Ah, então você é meu primo — brincou Hans, o cumprimentando.

— Não, ele é meu primo. Você é um bastardo, não tem relação de sangue com a família Alméras. — Viktoria estava na defensiva.

O príncipe arqueou as sobrancelhas e riu.

— Bem, acho bom você manter a voz baixa, ou alguém pode escutar. E isso não seria bom para a imagem de nosso querido pai, certo? — Hans disse, com escárnio. No fundo, queria socar a cara da garota, mas não podia. Contentou-se com sua resposta e voltou a andar, ignorando totalmente a garota.

Mais à frente, Adélie o esperava.

— Faz muito tempo que vim em Illéa. Deveríamos sair para conhecer alguns lugares — a garota o olhou.

— É, tanto faz — Hans estava impaciente. Odiava ser chamado de bastardo. Ele só soube que Helisa não era sua mãe há alguns meses, e isso ainda o deixava com muita raiva. Como alguém pôde manter esse tipo de informação em segredo dele?

Haviam indícios, é claro. Nicoletta, por exemplo, nunca apoiou o romance deles dois. Mas isso não impediu que eles se relacionassem. Hans tem uma habilidade notável de perceber coisas que a maioria das pessoas não perceberia. Quando o comportamento de Thimoté começou a mudar em relação a ele, o homem viu que havia algo errado. Decidiu, então, investigar por conta própria. Achou antigas cartas de seu pai, Dmitri, antes de o mesmo morrer. Ele perguntava a respeito de Hans, e, principalmente, advertia Nicoletta. Pedia para que ela tivesse cuidado na forma que ele tratava Adélie, devido ao parentesco dele. Nesse dia, o mundo de Hans desmoronou.

Ele via uma parte boa naquilo: não teria que se casar. Odiava o fato de ter que se sentir preso a alguém pelo resto da vida. Não gostava de Adélie, não de verdade. Ela sempre havia sido apenas uma diversão para ele, assim como todas as outras garotas que ele se relacionou secretamente. Ele era um mulherengo de marca maior, não conseguiria casar-se com a menina sem traí-la em algum momento.

Decidiu enfrentar Nicoletta, ou melhor, sua mãe. Ela implorou para que se acalmasse até que ela achasse outro pretendente para Adélie, mas a sede de Hans por poder era maior. Ele queria ir para Illéa, queria assumir o trono e ser rei. Incrivelmente, Thimoté não se incomodou tanto com o fato de sua esposa ter tido um filho bastardo. Ainda não haviam se casado quando o fato ocorreu, e por ser um homem muito compreensivo, ele deixou que Hans vivesse na França.

Após um certo escândalo na corte francesa, o homem voltou para Illéa. Trouxe sua irmã, Adélie, por uns dias. Apenas por diversão, claro. Nos últimos três anos, a relação dos dois foi mais do que apenas amigável. Ele não deixava o fato de ela ter seu sangue atrapalhar o que acontecia entre eles, mas é claro que sempre fizeram tudo nas escondidas. Agora que governaria Illéa, pensava que a diversão só aumentaria, mas ele não fazia idéia das coisas que Viktoria tramava.

— O que há de errado com você? — Adélie o olhou, preocupada.

— Não importa.

— Hans, diga-me agora o que está acontecendo — a princesa parou na frente dele e cruzou os braços. O homem olhou ao redor e viu que ninguém prestava atenção neles.

— Eu acho bom você calar a sua boca — ele segurou o braço da garota com força e a jogou para o lado —, não me irrite, Adélie — e voltou a caminhar em direção aos portões do castelo.

Hans era um homem explosivo, a menor das coisas tirava sua paciência. O que ele mais odiava era ser questionado ou quando tentavam dominá-lo de alguma maneira. Adélie tinha consciência disso, mas sabia que ele nunca faria nada além lhe empurrar. Hans nunca levantaria um dedo para ela, e a menina usava isso ao seu favor.

— Você deveria parar de ser tão ridículo e infantil e começar a agir como um homem — ela sussurrou. Hans parou, e virou-se para ela.

— Quer um homem? — Ele a puxou para detrás de uma parede e pressionou o corpo dela contra o seu, com voracidade, passando a mão pela sua cintura. Seus lábios desceram para seu pescoço, depositando leves beijos. A garota suspirava, passando a mão pelos cabelos louro-acobreados de Hans. Ele a provocava das piores maneiras, e sabia muito bem como deixar Adélie beirando à loucura. Mas, subitamente, parou. — Terá um quando se comportar e parar de me desafiar — ele consertou a gola de sua camisa e pôs-se a andar como se nada tivesse acontecido.

*Illéa, 29 de junho de 2218, 11:50PM

O almoço seria servido em alguns minutos, e Hans havia acabado de sair do banho. Olhava atentamente para a janela de seu quarto, a vista era incrível. Dava para se ver o mar dali, o que o fez ter uma vontade de ir à praia. Riu consigo mesmo e pôs-se a se vestir. Pensava na coroa. Não achava que Viktoria entregaria Illéa facilmente, mas ele também não desistiria. Para o povo, ele ainda era o herdeiro legítimo e o próximo na linha de sucessão. Não achava, também, que ela fosse dizer para todos que ele era um bastardo. Pela lógica, ela arruinaria a imagem de bom e confiável rei que o pai dela construiu. Além de que poderiam ter revoltas relacionadas à desconfiança do povo illéano a respeito da realeza.

Não se preocupou tanto com isso, poderia resolver facilmente. Era uma pessoa que sempre conseguiu o que queria, e desta vez, não seria diferente. Bem, é o que ele imaginava. Infelizmente, Hans não conhecia Viktoria Burkhardt.

*Illéa, 29 de junho de 2218, 12:20PM

O banquete estava servido. Na mesa, apenas Viktoria, Edward, Adélie e Hans. Ninguém falava nada, escutava-se apenas o barulho de talheres indo ao encontro dos pratos.

— Então, Hans — o rei regente quebrou o silêncio —, como foi na França?

O homem riu.

— Por mais que tenham me obrigado a sair da minha casa quando eu tinha apenas dez anos, eu até que me virei bem sozinho.

— Devia ter continuado por lá — Viktoria rosnou.

— Você pode achar a idéia ruim, Kitty...

— Não me chame assim.

— ... mas o rei era tão meu pai quanto seu. O bom filho a casa torna.

— Interessante que você sequer se deu o trabalho de vir aqui para o enterro do “seu pai”.

— Você age como se fosse culpa dele — Adélie disse, entre garfadas. — A culpa da infidelidade do seu pai é apenas dele, Hans não tem nada a ver com isso. Não é como se ele tivesse escolhido partir para a França. Sua mãe que era uma mulher com tanta cobiça e ganância que simplesmente expulsou uma criança de casa. Uma criança que ela cuidou como filho por anos — ela levantou o olhar para Viktoria — não é à toa que ela tenha causado a morte de toda a família real.

A princesa sequer piscou. Sua face permanecia dura e séria. Como Adélie ousa falar de sua mãe desta maneira? Como ousa pisar em seu castelo, em sua casa, e proferir tais palavras?

— Basta — Edward interviu — vocês não são mais crianças, deveriam parar de agir como tais.

— Achei que a rainha Nicoletta tivesse lhe dado um pouco mais de educação. A minha me deu, e muita, portanto, com licença — Viktoria se levantou e saiu da sala de jantar, furiosa.

Adélie levantou uma sobrancelha. É óbvio que ela ia defender o homem que ela amava.

— Eu só falei verdades, Majestade.

— Existe uma diferença entre falar a verdade e insultar. Viktoria é a futura rainha de Illéa — disse isso olhando para Hans — e merece respeito. Destarte, mude sua forma de falar com a mesma. Caso contrário será convidada a retirar-se deste castelo.

— Adélie não irá a lugar algum, Edward — o bastardo pareceu incomodado.

— Que ela aprenda a se comportar, então — disse, limpando a boca. — Agora, com licença. Tenho questões a tratar — olhou de soslaio para a princesa e levantou-se —. Hans, por obséquio, passe em meu escritório quando terminar. Caso não se lembre onde se localiza, um guarda o acompanhará até lá — e assim se retirou.

— Adélie, o que diabos você está fazendo? — Hans olhou para a francesa, que pareceu desentendida —. Não confronte minha irmã desta maneira. Ao menos, não por enquanto. Preciso de você aqui comigo até o dia de minha coroação. Estou num lugar onde não sou bem-vindo, a situação não irá melhorar se você for expulsa daqui.

— Não se preocupe, não tornarei a repetir — a menina olhou para os lados e começou a sussurrar —. Sobre hoje, porque você...

— Não toque neste assunto. Não quando não estivermos sozinhos — Adélie suspirou e assentiu com a cabeça, então os dois apenas voltaram a comer.

*Illéa, 29 de junho de 2218, 1:10PM

A pesada porta de mogno polido foi aberta por dois guardas, e Hans adentrou o escritório. Lhe trazia boas lembranças de seu pai, da época que o mesmo virava noites e mais noites perdido em documentos. A sala não havia mudado muito, até o cheiro de Dmitri ainda estava lá. Edward estava sentado, com a cadeira virada para a grande janela que havia atrás da mesa. O mar, dali, estava ainda mais perto.

— Precisamos discutir a respeito da coroação — Hans disse —, quero saber o dia que virarei rei — a cadeira virou-se, e quem estava sentada nela não era Edward.

— Não virará rei, se é isso que acha — Viktoria o olhou, com indiferença.

— Oh, minha querida irmã...

— Não sou sua querida. Gostaria que cortasse a intimidade que você acha que tem comigo.

Hans olhou para baixo e riu.

— Você é ácida como a rainha Helisa. Ela costumava ser dessa exata maneira. Mas deixe-me dizer-lhe uma coisa: no fundo, você tem medo —. Hans observou o olhar preocupado de Viktoria desde que ele havia chegado — Você provavelmente está insegura. Sabe, eu sou um bom observador. Você tenta esconder a menina frágil que você é atrás dessa casca grossa, de frieza e ironia — vendo que a menina não se pronunciaria, continuou —. Outra característica que herdou de Helisa. Infelizmente, as duas são péssimas em disfarçar.

— Em primeiro lugar, você não me conhece. Não deveria subestimar minhas habilidades. Eu poderia me livrar de você, aqui e agora — a menina se inclinou na cadeira e apoiou os cotovelos na mesa —, todavia, Adélie tinha razão. A culpa de você ter saído de Illéa não foi sua. Minha mãe.... — Ela parou por um instante. — Bem, era uma mulher difícil.

Hans olhava intrigado para Viktoria. Ela levantou o olhar para ele e o encarou por alguns instantes.

— Você sabia que há alguns anos, a rainha de Illéa era escolhida através de uma coisa chamada “Seleção”?

— Estudei história, irmãzinha — disse, sarcástico.

— Pois bem. Meu avô aboliu isso ao se casar com uma mulher que ele amava. Nosso avô. Isso ajudava o povo a acalmar os ânimos. Panem et circensis, uma distração. Dava a chance de uma plebeia se tornar realeza.

— Novamente, eu estudei história.

Viktoria bufou.

— Fui preparada nos últimos quatro anos para ser rainha. Mas a verdade é que eu não estou pronta para isso. Não consigo parar de pensar que estou roubando o lugar de Kai.

— Então isso significa que você irá me entregar a coroa? — Hans sabia, sempre conseguia o que queria.

A princesa riu.

— É claro que não. Pensa que sou estúpida? Como acha que eu iria entregar meu reino à um forasteiro? Consigo relevar o fato de você ser um bastardo, mas você agora é francês. Não pode governar um país que nem ao menos conhece.

— Onde você quer chegar, Viktoria? Chega de rodeios.

O rosto de satisfação da menina era aparente, e, para ser sincero, aquilo assustava Hans.

— Você, meu querido irmão, irá fazer uma Seleção.

Notas finais
Me perdoem se tiver algum erro, eu não revisei o capítulo. Mas é só vocês me avisarem que eu corrijo se houver. Hans é uma peste né? Auheuahe sou apaixonada por ele. Enfim, espero que tenham gostado ♥ Ah, dêem uma olhadinha no tumblr da fic! Eu coloquei as selecionadas, me falem o que acharam ♥ também tem a família real (os personagens novos que apareceram hoje) e a realeza francesa (incluindo a Adélie). >> http://fic-theusurper.tumblr.com/ Kissus ♥