The Union Game - Interativa
13 O Banquete II, por Caio Andrade e Rafael A. Moore
– Realmente, você não chegou em uma boa hora. Pode voltar depois? – Caio falou para a Dulce, com seu jeito sarcástico de ser.
– Agora que você já beijou seu amorzinho, Caio, é hora de dizer adeus – ela resmungou, caminhando lentamente em nossa direção.
– Não sei se você notou, mas, estamos em vantagem – disse, na tentativa de espantá-la.
– Você é que pensa – ela respondeu.
Fiquei esperando alguém aparecer para ajudar Dulce, notei que na hora do banquete ela havia se aproximado de Jason e eu nem sabia que eles tinham uma aliança. Esperei que ele aparecesse atrás dela, para ser uma luta justa, mas nada aconteceu. Até mesmo ela ficou esperando por aquilo e acho que se decepcionou um pouco por, de fato, estar sozinha e em desvantagem.
– Jason? – Dulce gritou o nome dele, chamando-o. – Já pode aparecer, sei que está por aqui, parceiro.
Ficamos em silêncio, esperando. Caio ainda me envolvia em seus braços, nós não nos mexemos um milímetro desde a hora em que ela apareceu à porta. Os braços dele me davam segurança e, além disso, esperança que poderíamos sair vivos dessa caverna. Essa é a hora, Ava. Lupus me disse em pensamento, sinalizando que foi Caio quem repassou a mensagem para Chooper, que passou para meu daemon. Caio me empurrou (bruscamente) para o outro lado da caverna, e partiu para cima de Dulce que estava distraída, procurando por Jason. Os dois saíram rolando para fora da caverna, e eu segui com os daemons logo atrás. Quando sai da caverna pude ver onde Jason estava. Ele estava indo em direção a um grupo de pessoas, cerca de quatro ou cinco, estavam distantes, não era possível reconhece-los, mas por lógica eu sabia quem eles eram.
Não entendi o porquê de Jason estar indo atrás deles, uma vez que sua “parceira” estava aqui, correndo perigo, mas confesso que gostei muito da atitude dele em deixá-la na mão.
A pantera de Dulce veio para cima do esquilo de Caio, que foi defendido por meu lobo. Lupus partiu para cima dela, tendo a ajuda de Chooper, que a mordia com seus fortes dentes. Eu sabia que era bem provável que os dois juntos, ainda perdessem para ela. Mas eu e Caio venceríamos daquela garota. Os dois rolavam pelo chão, Dulce era muito forte e eu, em um confronto só com ela, tenho certeza que sairia apanhando. Caio estava deitado no chão e Dulce se encontrava em cima dele, vi o momento em que ela pegou algo que estava amarrado em suas costas, com o intuito de acabar com Caio. Corri como nunca antes. Não sei muito bem como fiz aquilo, mas dei um chute nas costas dela que, com o impacto, foi arremessada para frente, por pouco não caiu por cima da cabeça dele. Caio se levantou, pegou minha mão e chamou Chooper e Lupus para nos seguirem. Começamos a subir novamente o cânion.
Com certa dificuldade, chegamos novamente ao lugar onde antes havia a mesa do banquete, eu estava ofegante e cheia de suor.
– A mesa sumiu – Caio falou, baixinho.
– Eu tinha esperança que algum portal tivesse aparecido aqui – confessei.
– Olhe ali – ele me indicou, se aproximando de uma espécie de tronco de metal, no qual havia alguns botões e uma pequena telinha na parte superior. Caio apertou o botão verde e grande que estava no centro do objeto.
– Olá! – uma voz robótica falou – Meu nome é Hillepp. Sou a máquina de transferência de pontos. Para efetuar uma transação, pressione o botão verde. – Hilepp ficou em silêncio, esperando que um de nós apertasse o botão. Caio apertou. – Diga pausadamente o que você deseja, após três segundos, toque com o dedo indicador esquerdo na faixa amarela para identificação do jogador.
– Portal. – Caio falou rapidamente e eu me surpreendi, como não havia pensado naquilo antes? Talvez até mesmo o meu comentário ao chegar aqui deu a ele a ideria, mas eu nunca pensaria em comprar um portal. Após três segundos ele estendeu seu dedo para que ela o identificasse.
– Caio, para a criação de um portal temporário são necessários 120 pontos – Hillepp indicou. – O portal permitirá a passagem de pessoas durante 10 segundos e levará para um dos Campos do jogo, sem permitir que você escolha para onde está indo. Você possui 135 pontos. Deseja realizar a transação?
Olhei para trás e vi que Dulce estava escalando o cânion com bastante dificuldade, porém, em alguns instantes ela estaria ali do topo conosco. Nossos daemons estavam repousando perto de nós, eles também viram seus adversários chegando. Cutuquei Caio para que ele também observasse aquilo e tomasse uma decisão rapidamente, e assim ele o fez.
– Eu confirmo a transação – ele falou rapidamente, demonstrando estar com pressa.
– Por gentileza, pressione o botão verde para concluir a transação — Hillepp sinalizou. Caio estendeu o dedo imediatamente e após poucos segundos o portal estava ali do nosso lado. Eu estava distraída e nem o vi surgiu, como ele durava pouco tempo, Caio nem se preocupou em me chamar e avisar, me empurrou para dentro dele, me pegando de surpresa. Chooper e Lupus correram atrás de nós e, novamente, estávamos todos sendo tele transportados para algum lugar.
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Os três fizeram questão de vir atrás de nós novamente, para eles, matar Ally não foi o suficiente, eles queriam terminar comigo e Kim também. De qualquer modo, era uma luta injusta, a começar que eles estavam em maior quantidade. Chegamos a uma parte do cânion onde não havia saída: estávamos encurralados. A parede atrás de nós não era muito alta, e talvez, aquela era nossa única chance de sobreviver. Eles caminhavam em nossa direção lentamente, uma vez que sabiam que estávamos perdidos.
– Kim, vamos tentar escalar – falei rapidamente, afinal, não tínhamos muito tempo. – Eu te ajudo a subir, depois você dá um jeito de me ajudar também.
– Ta certo! – Kim colocou um de seus pés em minhas mãos, que estavam entrelaçadas. A ergui com toda a minha força, levantando-a para alcançar o topo da parede que nos trancava. Ela estava tendo dificuldades. – Tente me erguer mais, Rafa, não estou conseguindo.
Fiz mais força, estava dando o meu máximo, mas realmente estava complicado, Lumina tentou ajudar, tentando pegar Kim pela roupa e ergue-la, porém e obviamente, Kim pesava mais do que minha águia podia carregar. Semp ficou cuidando da nossa retaguarda, sempre nos avisando que eles estavam cada vez mais próximos.
– Me desce Rafa, nós não iremos conseguir – Kim me pediu, como eu não tinha mais forças, atendi ao pedido dela. Aquela era a hora de enfrentar Adrian, Sammany e Samara novamente. Eu e Kim estávamos frente a frente com eles, que estavam há poucos metros de nós. Vem vindo mais gente, me disse Lumina em pensamento, enquanto sobrevoava o Campo.
Foi então que a esperança surgiu, avistei Jason aparecer silenciosamente atrás do trio, fazendo um sinal de silêncio com as mãos. Ele estava do nosso lado. Kim também percebeu e se manteve normal, como se ele não estivesse lá, para que nossos concorrentes não desconfiassem. Jason segurava um objeto afiado em suas mãos.
– Está na hora de acabar com vocês dois – Adrian disse num tom ameaçador.
– Pode ter certeza que não seremos prezas fáceis – Kim respondeu.
– Assim veremos! – Samara falou.
Samara veio correndo em nossa direção e seu urso polar a seguia. Ele foi em direção a Semp, que prontamente pulou para ataca-lo.
– Cuide-se! – disse baixinho para Kim na hora que sai correndo para cuidar dos outros dois. Adrian veio correndo em minha direção, nossa colisão fez com que os dois caíssem ao chão. Samanny veio prontamente para cima de mim, com uma pedra grande na mão, a lançou sobre mim. Girei meu corpo rapidamente para desviar dela. Lumina fazia rasantes na tentativa de desviar a atenção de Seere e Kishan. Vem por outra arranhava e bicava os outros daemons. Me levantei rapidamente, desviando de outra pedra lançada por ela. Onde está Jason? Pensei. Havia visto ele aquela hora e agora, na hora de ajudar, ele desaparece.
Por sorte eu estava enganado. Nesse exato momento ele apareceu, lançando-se sobre Samanny e a derrubando no chão. Eu procurei Adrian e corri em sua direção, ele ainda estava caído, aproveitei minha chance e comecei a chutá-lo no estômago. Ele gemia de dor, era difícil para mim fazer aquilo, mas eu precisava lutar por mim, por nós.
Com o canto do olho conseguia ver Jason perfurando Samanny com sua espécie de lança, o sangue jorrava no chão, e aos gritos ela foi deixando de viver. Aquela cena me distraiu e eu não percebi o que estava acontecendo ao meu redor. Kim estava caída ao chão, não cheguei a ver o que Samara fez com ela. Procurei Samara, olhando de relance para todos os lados, mas não consegui localizá-la.
– Kim? – gritei o mais alto possível. – Como você está?
– Cuidado! – Kim respondeu.
A foto de Samanny e Kishan apareceu no céu do Campo, sinalizando mais uma morte dos jogos. Menos um com que se preocupar. Adrian estava desmaiado aos meus pés, e meu erro foi achar que por ter um elemento do trio morto, outro inconsciente e outro desaparecido, estávamos salvos.
Adrian estava inconsciente, mas seu daemon não. Senti uma dor muito forte me envolver, como nada havia me atingido, na mesma hora comecei a procurar por Lumina. E em poucos segundos, a encontrei. Seere estava somente há alguns metros de mim, me olhando furiosamente, com Lumina em sua boca. Minha águia se debatia, tentando se livrar do tigre. Quando ele percebeu que eu havia o encontrado, começou a triturá-la imediatamente.
– O tigre! O tigre! – gritei para que Jason ou Kim pudessem me ajudar. Eu já estava me sentindo fraco e impotente. Jason se levantou e foi correndo em direção ao tigre, seu macaco, Bumba, fez o mesmo. Mas eles não foram ágeis o suficiente. Lumina estava desacordada, Seere a colocou no chão, com uma das patas dianteiras segurou-a pela barriga e com uma única mordida, arrancou a cabeça do meu daemon. Eu a vi falecer, e naquele momento, minhas forças se foram e eu também.
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