The Union Game - Interativa
15 Jaulas e Pedras. Final
Ao ver Kim se jogar do penhasco e arrascar seu daemon para a morte certa, tive certeza de como deveria ser o último campo e as regras que iriam reger o fim dessa edição. Para isso, precisei de alguns minutos, poucos, para deixar tudo pronto. Resgatei os seis últimos participantes — Adrian, Ava, Caio, Dulce, Jason e Samara — e os deixei saudáveis para a última batalha.
As luzes se acenderam e a claridade tomou os olhos dos competidores. Pude vê-los forçando a vista para se acostumar com os raios de sol que iluminavam o local, após alguns minutos de escuridão total.
Os seis estavam num vasto campo, plano e gramado. Disposto pelo campo existem diversas rochas, algumas de grande tamanho, outras que cabem na palma da mão. O campo tem formato retangular, com uma linha branca cortando-o de uma lateral a outra.
Cada um dos competidores está dentro de uma espécie de gaiola, que até o momento encontra-se trancafiada, para garantir que eles permanecerão em seus devidos lugares até o instante em que eu terminar de passar as instruções. Seus daemons Em cima de cada uma dessas gaiolas há um tipo de arma: quatro delas com um arco-e-flecha e as últimas duas com um machado em cada. As gaiolas formam um círculo, e possuem cerca de meio quilômetro de distância da gaiola mais próxima. A gaiola número 01 pertence a Jason, à sua direita está Adrian, logo depois Dulce. A próxima é Ava e ao seu lado Caio. Entre Caio e Jason está Samara.
– Olá competidores. Sou Yanuk, o organizador dessa edição do The Union Game. Entro em contato com vocês nesse momento para lhes informar sobre a regra desse último confronto — observo as imagens dos seis em minha frente, cada parte da grande tela focando em um participante. Alguns me parecem bem assustados.
"Dividimos vocês em dois grupos, sendo o primeiro deles composto por Caio, Dulce e Jason e consequentemente, o segundo por Ava, Samara e Adrian. O grupo tem como objetivo eliminar a equipe oposta primeiro, ou seja, vocês só podem matar alguém do grupo após todos os membros da equipe oposta estarem mortos. Caso alguém tire a vida de alguém do seu grupo enquanto houver vivos na outra equipe, este morrerá instantaneamente. O mesmo vale para seus daemons, estão, controle-os. Ao soar da 3ª campainha, as portas se abrirão e vocês poderão sair. Seus daemons acordarão na mesma hora. Boa sorte a todos, e vença aquele que tiver mais coragem e sabedoria".
Fiquei de olho nas reações de cada um deles, enquanto um dos assessores apertou a primeira campainha. Era visível a tensão e o medo. O som da primeira campainha fez alguns deles já se mexerem dentro do espaço onde estavam, deixando-os apreensivos e ansiosos. O som da segunda campainha trouxe a chuva em alguns pontos do campo, mais concentrada no centro do ambiente. Ao tocar o terceiro som, as portas se abriram e os daemons se levantaram, estavam todos em ótimo estado, uma vez que também tratamos de todos.
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Ao sair da mini prisão, peguei rapidamente o arco-e-flecha que estava ali, de bandeja pra mim, e observei Effy se erguer agilmente. Olhei para o lado direito e me senti tentada a avançar em direção à Ava, e acabar com ela de uma vez por todas. Vi Jason estendendo suas mãos e logo entendi o que ele queria: acurralar Adrian. Achei ótima a ideia, seria um a menos. Corri em direção ao rapaz e ao me ver em disparada, Jason lançou-se em direção a ele também. Effy e Bumba também avançaram a toda velocidade para cima de Seere. Eu corria o mais rápido que conseguia, visualizando a cena em um todo. Vi Samara iniciar sua corrida para ajudar Adrian, que o avistá-la indicou um esconderijo próximo dos dois. Ainda correndo peguei uma das minha flechas e lancei em direção a Adrian, porém, devido à movimentação, consegui – apenas – atingi-lo na perna. Ao sentir a flecha atravessar sua coxa, Adrian parou por alguns segundos e a arrancou sem titubear. Os dois – Adrian e Samara – se esconderam atrás de um conjunto de pedras, mas Jason, que a essa altura já estava ao meu lado, me fez um sinal com a cabeça, indicando que havia visto os dois.
– Vi o vulto do Adrian passando ali por trás,
– Tem certeza Jason? – falei, um pouco insegura.
– Sim!
– Não entendi porque eles ainda não nos atacaram!
– Bumba acabou de atacar Seere – Jason disse, enquanto saia correndo. – Por aqui!
Encontramos os dois no topo de uma pedra, Effy e Bumba estavam atacando Seere pelo pescoço, procurei o daemon de Samara, mas não encontrei. Jason pegou seu arco e começou a lançar flechas na direção dos daemons, tentando livrar o seu dos nossos. Uma de suas flechas pega de raspão em Bumba, que cai no chão por um tempo, mas logo se recupera. Effy morde o pescoço de Seere e o chacoalha de um lado para outro, mas logo nossa atenção é atraída para outro lado: Ava, Lupus, Caio e Chooper estão próximos de nós, cerca de 15 metros de distância. Saio correndo em disparada fazendo com que Effy venha junto de mim.
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Ao ver Dulce sair, vejo que estamos em vantagem mas tenho medo e não sei bem o que fazer. Bumba está tentando enforcar Seere, e eu não sei exatamente onde meu daemon está, mas sei que Paimon está escondido. Vejo Seere perder a consciência devido à falta de ar. Adrian também esta franco e eu não faço ideia de onde Jason está. Tiro o arco das mãos de Jason – já que em cima da minha jaula havia um machado – e vou até a beirada da pedra e lanço algumas flechas na direção de Bumba, mas sem sucesso.
– Tudo vai ficar bem, Adrian. Eu prometo! – lanço mais um flecha, que passa longe do daemon.
– Eu acho que não! – ouço a voz de Jason e me viro de imediato, ele está com o meu machado em mãos. Ergue a arma e a deixa cair, exatamente no pescoço de Adrian, que se separa da cabeça, tão fácil como uma tesoura cortando papel. Grito incansavelmente ao ver a imagem de Adrian e Seere no céu.
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Seguro a mão de Ava, puxando-a para longe de onde os outros concorrentes estão. Estávamos procurando um lugar seguro, mas acabamos nos aproximando dos nossos adversários.
– Façam silêncio! – digo para os três e vejo Ava piscando em minha direção. Nesse momento meu pensamento voa, penso no lado positivo de ter vindo para esse jogo, na garota linda que encontrei e no quão forte é o que sinto por ela, e como isso me faz querer protegê-la.
Uma flecha passa zunindo por minha cabeça, olho para trás rapidamente e vejo que estamos sendo seguidos por Dulce. Merda! Foi tudo culpa minha, eu trouxe todos nós para cá.
– Mais rápido Ava, por favor!
– Eu estou cansada.
– Mas precisamos continuar, venha logo! – Chooper está agarrado em minhas costas e Lupus nos acompanha, com toda energia.
Outra flecha passa por nós. Ava Carrega um arco nas costas e eu carrego na outra mão meu machado. Encontro uma caverna feita de pedras e puxo Ava para dentro dela. A caverna é escura e não muito grande. Me dou conta que novamente nos levo ao lugar errado!
– Ava, eu vou para a porta da caverna, se ela entrar eu a ataco por trás – sussurro em seu ouvido –, de qualquer modo, quero que você se prepare para atirar quantas flechas forem necessárias na direção dessa piranha!
– Tá bom! – ela me diz baixinho – Eu amo você.
– Eu também te amo! – Meus lábios tocam os dela rapidamente e disparo em direção à porta. Vejo a sombra de Dulce ser projetada na entrada na caverna, mas ela não entra, fica parada por algum tempo um pouco antes da porta. Vejo Effy entrar na caverna correndo rapidamente. Mas que droga, por essa eu não contava! Effy localizou rapidamente onde Ava estava, com sua visão noturna. Lupus corre em direção a Effy, e os dois começam a lutar bravamente. Dulce só precisa de uma flecha, uma flecha que ruge e acerta em cheio Ava, que grita por segundos antes de partir.
– Até que enfim acabou pra você, garota! – ouço Dulce gritar, ainda do lado de fora. – Saiba que é maravilhoso ver você e esse seu bichano no céu desse campo.
Corro para fora da caverna, e paro de frente à Dulce.
– Você não vai me matar, garotinho, sabe por quê? Somos do mesmo grupo e, você sabe que minha morte também é a sua.
– Sei. Só que eu não tenho mais razão para ficar aqui! – com toda a força que tenho, lanço meu machado do peito de Dulce, que rapidamente começa a sangrar. O machado fica cravado em seu corpo, e ela logo cai de joelhos. Só tenho tempo de ver Effy e Dulce no céu, para logo sentir meu coração apertar de dor e tudo ficar escuro.
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Uma sequência de imagens no céu indicam que só existem mais dois competidores: Samara e eu.
– Acho que esse jogo está prestes a acabar – digo, sorrindo para Samara.
– PAIMOOOOOOOOOOOOON? – ela grita a procura de seu daemon.
– O que foi? Seu bichinho se escondeu?
– Porque você não cuida do seu que está doentinho?
– Ué? Excesso de coragem? Acho que o seu daemon não sente o mesmo.
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Ergo meu arco rapidamente e disparo em direção ao Jason, que surpreso, ficou parado tempo suficiente para recebê-la no ombro. Vejo ele vir em minha direção correndo, ignorando a dor da flechada, com o machado erguido para me acertar. Paimon surge atrás de Jason, correndo, se lança em direção ao nosso concorrente e o derrubando no chão. O machado para perto do meu pé, sei que este é o momento. Bumba não aparece para me atrapalhar, pode até ser que ele já sabe o que está por vir e não pretende assistir.
Jason continua no chão, pois Paimon fica sobre ele. Ele se debate um pouco, mas o peso de Paimon quase o esmaga. Quero que ele sofra um pouco antes de morrer. Quero vingar a morte de Adrian. Ergo o machado e acerto seu pé em cheio. Ele grita de dor, mas isso não me impede de acertar o outro logo em seguida. Ele implora sua morte e eu decido atender. Faço exatamente a mesma coisa que ele fez com Adrian, apenas inovo um pouco.
Lentamente, coloco o machado no pescoço dele, forço um pouco para cortá-lo de leve. Em seguida, coloco meu pé sobre a parte não cortante do meu do machado e forço. O vejo entrando e cortando o pescoço dele, mas sem tirar a vida. Retiro o machado, ergo um pouco e corto o pescoço dele de uma vez. Rapidamente sua imagem surge no céu, acompanhado de Bumba. Meu olhar se volta para o imenso céu e então percebo que sou a única e última sobrevivente dos jogos. Logo tudo fica escuro, sinto meu corpo amolecer e vou ao chão.
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Quando acordo estou em um quarto branco, pela janela vejo que estou na Central: o lugar que todos os vencedores passam a morar. Me sinto bem.
Paimon, vencemos! Você está bem? Penso, procurando meu daemon. Mas não há respostas.
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