The Truth About Love!
12 XII- O jantar caseiro.
Notas iniciais
Dois dias depois daquele dia triste na vida do professor loiro, Emanuel ainda colhia os frutos da saudade. O loiro estava deitado em seu sofá, seu apartamento estava mais bagunçado que o normal, sujo cheio de coisas espalhadas e lenços em que as lágrimas do professor ficavam colhidas.
Emanuel estava de moletom, a roupa que sempre vestia quando estava junto com Guilherme e em suas mãos uma camisa. Pequena para ser dele, o maior aspirava o cheiro daquela camisa como se fosse o perfume da vida, o ar que precisava para respirar, era uma das poucas camisas que Guilherme usou naquele apartamento. Tinha o cheiro natural do castanho, e ao aspirar aquele perfume, de olhos fechados, Emanuel imaginava o pescoço do seu garoto castanho. Guilherme ali, deitado sobre seu corpo grande, em comparação ao do adolescente. Encostado com o pescoço exposto, o pescoço livre para o deleite da boca e do nariz de Emanuel. Era somente isso que o loiro poderia fazer... Imaginar o seu garoto consigo, já que ele estava a milhares de quilômetros longe dali.
O loiro sabia que precisava fazer algo, que tinha que ser forte e sair daquela fossa, afinal, o que ganharia chorando e cheirando a camisa recém usada de Guilherme? Mas estava sendo tão difícil ser forte, principalmente ao saber que o sentimento que sentia pelo castanho era mesmo o amor, agora parecia tudo tão mais nítido.
Emanuel tinha o endereço da mãe de Guilherme, mas o que faria? Chegaria à casa da mulher e diria que o pai do garoto o mandou para outro país, por ele ser gay e por ter um namorado na escola? E que esse namorado era ele? Seria uma informação difícil de ser dada... Ainda mais para uma mulher que ele não tinha ideia de como reagiria com tudo isso. Emanuel havia pesquisado na internet onde era o bairro que essa mulher morava, era na grande periferia de Belo Horizonte, o que representava que ela não era tão rica e poderosa como Nathan e que não teria nenhuma condição de ajudar Guilherme.
[...]
Já o jovem estudante estava conhecendo a nova escola, ainda. Seu pai acabou dando um tiro no próprio pé, o lugar onde o homem achava que o filho se livraria do homossexualismo era, na verdade, uma escola com um grande contingente de homossexuais. Os garotos se divertiam entre si, já que garotas não eram encontradas naquele lugar. E Guilherme descobriu isso já no primeiro dia que pôs os pés na escola.
—Oi, garoto! –Falou um adolescente ruivo. Era bonito, alto, forte, com porte de jogador de algum esporte de explosão. Guilherme olhou para o jovem de longe. –É você mesmo... Vem aqui! –A voz do ruivo era imponente e logo o castanho obedeceu e foi até o garoto maior.
—Oi...
—Você é novo por aqui?
—Sim, cheguei hoje! –Guilherme estava exausto. O taxista o deixou na porta do grande colégio e na entrada o porteiro disse apenas que ele buscasse um inspetor para levá-lo até a diretoria. Deixou as suas malas na portaria, já que o porteiro disse que as levaria para o quarto. –Você pode me mostrar onde eu acho um inspetor, ou coisa assim?
—De onde você é? Tem um sotaque estranho...
—Eu sou brasileiro... Digamos que o meu inglês britânico não é dos melhores... –Sorriu.
—Garoto brasileiro... Você é novidade! Acho que os garotos vão gostar! –Falou o ruivo olhando para os dois amigos que estavam também ali. Um era ruivo também, menor e menos encorpado, parecia ser da família do ruivo maior e o outro era loirinho de fios longos. Usava uma roupa mais despojada e tinha grandes unhas pintadas de vermelho. –Vamos, eu te levo para a diretoria!
O garoto agarrou o braço de Guilherme, mas o castanho logo se desvinculou dos toques do maior.
—Não, eu prefiro ir sozinho!
—Qual é, cara? Não vai bancar o diferente, eu só quero fazer uma gentileza. –Tentou se aproximar novamente, mas foi impedido novamente pelo brasileiro.
—Se liga, cara! Eu não quero tua companhia.
Um apito foi ouvido ao longe, fazendo o ruivo sair de perto de Guilherme e logo um inspetor se aproximou.
—O que está acontecendo aqui?
—Nada, senhor Thomas! Estava apenas dando as boas vindas ao novato.
—Claro... Você sempre tão cordial não é, George?
—Sempre... –Ironizou.
—Você deve ser o brasileiro, não é? –Perguntou o inspetor ao novato.
—Sim, gostaria de ir até a diretoria, pegar as chaves do meu dormitório e meu horário de aulas.
—Claro, me acompanhe, por favor!
O castanho seguiu o inspetor pelos largos corredores da escola. Era verdadeiramente, um castelo. Era gigante, com uma arquitetura medieval e muitas escadarias, portas e janelas gigantes e tudo extremamente conservado.
—Senhor, essa instituição é de muito prestígio dentro do Reino Unido e do mundo inteiro, nós...
O homem continuou falando de todas as grandes proezas da instituição, enquanto Guilherme seguia perdido pelos corredores incríveis do castelo.
—Aqui é a diretoria, pode entrar! –Disse o inspetor abrindo a grande porta de madeira. Guilherme entrou e se surpreendeu com o ambiente. Era incrivelmente bem conservado e decorado.
Todo cheio de troféus, certificados e renomes que apenas as grandes instituições de ensinos possuíam. No final da sala, próximo a uma janela imensa, estava um senhor idoso. Com fios brancos e expressão cansada, apenas com um sorriso perfeito e com óculos simplórios. Sua mesa era perfeitamente organizada e trajava um terno.
—Bom dia...
—Bom dia... Senhor Edgemond?
—Exatamente... Thomas Edgemond. –O idoso levantou e estendeu a mão. Guilherme apertou fortemente e logo sentou-se. –Você deve ser, Guilherme Mark, correto?
—Isso, ahh... –Guilherme buscava em sua mente as palavras no outro idioma. –Eu gostaria de saber o meu quarto. Acabei de chegar de viagem e estou exausto.
—Claro, senhor Mark. Essas são as chaves do seu quarto, armário, guarda-roupas e banheiro. –O diretor entregou um molho de chaves e um papel cheio de horários e salas. –E este é o seu horário de aulas com suas respectivas salas... O seu colega é da sua turma e tem todas as aulas com você, será fácil achar-se na nossa instituição. Espero que se sinta bem a vontade aqui, senhor Mark.
—Eu também espero...
[...]
Bernardo andava pelado pelos corredores do set de filmagens. Havia acabado de gravar a última cena do seu mais novo filme. Era um filme sobre um cara que conseguia enfeitiçar todos os homens que ele desejava transar. O moreno cumprimentava cada um que estava naquele corredor. Estava entre maquiadores, cabelereiros, produtores e outros profissionais que faziam parte desse meio.
O moreno entrou no seu grande camarim, onde tinha várias fotos sensuais do moreno nas paredes. Eram como seus troféus sexys. Os espelhos grandes típicos de camarins e várias araras com roupas sensuais, cuecas com metais brilhantes, calças de couro que deixavam a bunda à amostra, calças jeans rasgadas e várias outras peças. E perto dos grandes espelhos, estava um porta-retratos, onde um jovem ruivo era possível ser visto. Era Alberto naquele porta-retratos.
—Você deve estar tão chateado, por eu ter vindo gravar, numa das nossas reuniões.
E, mais uma vez, o nosso casal mais complicado tinha brigado pela batalha de egos. Isso era tão recorrente.
[...]
Início da manhã...
—Ahh então quer dizer que você prefere comer um dos seus viadinhos a vir para uma das reuniões importantes do SEU caso? –O advogado estava revoltado, sentado sobre a cadeira, com os pés apoiados na mesa e literalmente gritando com o telefone.
—Deixa de birra, Alberto. Você sabe muito bem que qualquer outra hora, eu vou, mas você me chama justo na hora que eu tenho que gravar? –Já Bernardo estava terminando de se perfumar para mais um filme. –Não pode ser amanhã?
—Não! Não pode ser amanhã... Olha, eu só não desisto do seu caso...
—Porque você me ama... –Interrompeu o moreno. E o ruivo engoliu a saliva com o susto, era verdade, era notável, mas ele jamais assumiria.
—Não. Dá para você deixar de ser convencido, Bernardo... Eu vou te esperar, aparece!
—Eu não vou aparecer, vou trabalhar...
—Grande trabalho! Te dou cinco minutos!
E como todo grande dramático, Alberto Duarte desligou a ligação.
[...]
E o ruivo esperou por horas o moreno que simplesmente não foi. Alberto estava sempre impecável de terno e gravata, seus olhos verdes denunciavam o ódio de ter sido “abandonado” por uma cena de filme pornô. Seu cabelo parecia mais vermelho quando o advogado estava com raiva. Suas mãos ficavam vermelhas e levemente trêmulas, o ruivo pegou o aparelho telefônico e logo começou a discar os números rapidamente.
—Bom dia, doutor Duarte.
—Bom dia, senhor Macarto, você poderia vir ao meu escritório? –E o senhor Duarte ligou para o loirinho modelo.
—Claro, o senhor tem algo importante para dizer?
—É... Não é nada de tão imediato...
—Mas, eu vou mesmo assim! Até logo!
—Até!
E depois de alguns minutos de espera o jovem loirinho entrou no escritório excêntrico do advogado.
Alberto ainda estava irritado e chateado, mas como todo bom ruivo, ele queria vingança e não teria melhor possibilidade de que um loirinho e ex-modelo. O ruivo levantou como num salto e foi até o menor. Roberto usava uma calça jeans super surrada e colada e uma camiseta preta um pouco folgada, mas que mesmo assim continuava sexy. O ruivo pegou a nuca gelada e cheia de fios loiros e levou seus lábios aos lábios do loirinho.
No início para um beijo completamente sem emoção. A ira simplesmente tinha subido até os fios alaranjados e deixado o advogado completamente fora de si. O beijo mesmo que sem sentimentos era rápido e atraente, as duas bocas se mexiam numa velocidade estonteante e sem dar chances do ar ser necessário.
—Desculpe... –Falou o ruivo, já arrependido.
—Não foi nada... –E o garoto puxou os fios alaranjados novamente e atacou os lábios vermelhos do ruivinho.
[...]
—Que droga, Carlos. É só um jantar! –Reclamou Fátima, uma das gêmeas loiras, Carlos gerenciava todos os preparativos para o jantar daquela noite. As gêmeas organizavam a mesa de acordo com as ordens do loiro. O pai cuidava de concertar algumas lâmpadas que estavam quebradas e alguns canos que estavam fazendo barulho e a mãe cuidava do jantar.
Carlos andava de um lado para o outro nervoso. Seria o primeiro jantar caseiro com Fernando, seria a primeira vez que ele trazia um namorado em casa, seria a primeira vez que o seu pai veria ele como um homossexual, realmente. E todos aqueles pequenos detalhes estavam enchendo a cabeça do nosso querido secretário.
Já Fernando andava pelo shopping com a filha, estava perdido. Queria comprar alguma coisa para o secretário, mas que não fosse muito feminino e que fosse romântico. E acabou descobrindo que presentear homens era mais difícil de que presentear mulheres.
—Pai, o senhor pode comprar um relógio!
—Nossa, Maria Luiza, que romântico! –Ironizou. –Você acha mesmo que o Carlos vai gostar de um relógio em um jantar?
—Não sei, mas eu estou cansada de andar esse shopping inteiro e você estar tão indeciso. Aposto que se fosse para mamãe, o senhor não pensaria tanto.
—Sua mãe é uma interesseira... Era só comprar algo de mais de três mil reais que ela ficava satisfeita!
—Realmente... –Reconheceu a filha. –E que tal um presente caro?
—Não quero começar com o pé esquerdo, filha! Se eu der um presente caro, ficará cada vez mais difícil surpreender com os próximos.
E quase que de uma maneira mágica, Fernando acabou desencanando da orientação sexual e resolveu aceitar que estava mesmo apaixonado por um secretário, loiro e homem.
—Uma aliança?
—Cedo demais!
—Um terno?
—Cafona demais!
—Flores?
—Feminino demais!
—Desisto! –Revelou a garota sentando em um dos bancos do shopping e olhando para a figura radiante do pai.
Nunca tinha visto os olhos verdes de Fernando tão atentos e apaixonados. O moreno olhava para todas as lojas procurando algo interessante e nada realmente chamava atenção. Até que uma loja de perfumes foi avistada.
—Perfeito!
O moreno de terno seguiu para a loja e logo a garota punk foi atrás.
—Perfume, papai?
—É perfeito, filha!
—Sério isso?
—Sim, um perfume é ideal. Não é caro, nem barato. Nem cafona e nem feminino, além do que um cara sempre gosta de um bom perfume.
—Eu nunca vou entender a lógica masculina! –Desistiu a garota.
[...]
Depois de uma incrível sessão de beijos e mesmo com o arrependimento do ruivo, ele seguiu com aquela vingança digna de um ruivo advogado maléfico. Alberto se arrependeu logo de cara. E depois de alguns beijos aqui e outros ali, o ruivo pediu para o garoto ir embora e assim, ficando sozinho em seu escritório sozinho e amargurado.
—Aí Deus! O que diabos aconteceu com a minha cabeça? –Comentou arrependido.
E logo que saiu do escritório, Roberto, o loirinho ex-modelo e espião ligava com rapidez para o seu contratante.
—Alô? Doutor Mendonça?
—Fala garoto. Qual a informação impertinente você vai dizer agora?
—O senhor não vai acreditar...
—Não enrola! O que é?
—O ruivinho acabou de me chamar para seu escritório e quando eu cheguei, ele me atacou com um beijo... Foi completamente sem sentido, mas ele parecia chateado com ago.
—Deve ter brigado com o ator, mas me diz, você não tá brincando, né?
—Não. Aconteceu mesmo!
—Bem... Belo trabalho, garoto!—O jornalista transparecia contentamento. –Não vou precisar mais dos seus serviços, amanha você passa aqui e pega sua grana! A partir de agora, eu vou entrar em cena e resolveu meus problemas do passado com o ruivo.
[...]
Já estava no entardecer londrino. O clima sempre agradável e as nuvens radiantes no céu faziam o castanho suspirar. Era incrível como a saudade estava gritando no coração do nosso aluno. O garoto tirou a pequena fotografia de dentro do bolso do jeans. Era o loiro. Emanuel numa pequena foto, o loiro estava com uma camisa vermelha e um sorriso belo. Cheio de dentes. Guilherme havia pegado aquela fotografia escondido, estava dentro de um livro de matemática que o professor tinha em casa.
Guilherme resolveu ir conhecer seu quarto. Havia ficado na floresta desde que saiu da sala do senhor Thomas. A escola era gigantesca e como os alunos estavam durante as aulas, Guilherme aproveitou para curtir um pouco o clima incrível da capital inglesa. A floresta era densa, mas como o castanho estava apenas na parte próxima do castelo, ele não se perdeu.
O aluno olhou o número do seu bloco e do seu quarto. Como o internato tinha prestígio, estava cheio de alunos de várias nacionalidades, mas brasileiros eram raros. O garoto caminhou pelos grandes blocos de quartos buscando achar o seu. Era o bloco dez e o quarto oitenta e três. O garoto continuou caminhando até achar o seu bloco. Vários alunos estavam no térreo. Era como se fosse um lugar de lazer dos alunos. Guilherme caminhava sendo observado por todos os alunos. A maioria eram magrelos e cheios de espinhas, alguns tímidos e outros pareciam nerds. Alguns, mais poucos, eram fortes e pareciam atletas. No entanto, ambos os tipos, observavam o novato sem nenhum pudor.
O castanho subiu as escadas ainda seguido pelos olhares e foi até o quarto andar, onde ficava seu quarto. O garoto abriu a porta do quarto, encontrando um loirinho magrelo escrevendo algo no caderno.
—Oi.
Os olhos extremamente cinzas olharam para a figura do brasileiro e as bochechas coraram no mesmo instante.
—Olá! Você deve ser o... Guilherme. É assim que se fala?
—É... E você?
—Meu nome é Max. O diretor me chamou apenas para conversar sobre você. Disse que você era rebelde e que seu pai disse que você precisava de disciplina, mas você não parece ser rebelde.
—Meu pai é doido. Essa é minha cama? –O castanho se aproximou da cama que estava próxima vazia, onde suas malas estavam em cima. O quarto era amplo, tinha dois armários médios, duas camas de solteiro, uma TV de tela plana e duas estantes que ficavam livros.
—É sim... Suas coisas chegaram bem cedo, você estava com senhor Edgemond?
—Sim. Aquela porta é do banheiro?
—Você deve estar exausto. Pode ir, está limpinho.
—Ok, depois agente conversa mais, certo?
—Ok, tem toalha limpa e... Bom banho.
O loiro era até simpático, mas era bem tímido e falava baixinho. E Guilherme reparou em como os olhos cinzas corriam sobre seu corpo. Com certeza, deveria ser virgem. O banheiro era bem limpo e grande. Tinha um vaso e uma pia de um lado e do outro, um Box com um chuveiro. Depois de um banho quente, o corpo do castanho relaxou. Ele enrolou a toalha na cintura e logo saiu do banheiro.
Max o olhou com os olhos arregalados, como se nunca tivesse visto um corpo assim, tão brasileiro. Mesmo sendo branco, Guilherme conservava uma pele levemente bronzeada e como o sol londrino era fraco e tímido. Guilherme denunciava que era de outra nacionalidade. O abdômen levemente moldado fazia os olhos cinzas ficarem presos naquela região e o pequeno volume que se sobressaia na toalha deixava o loirinho embasbacado.
“Imagina se ele visse meu tio!” –Pensou o castanho sorrindo para si.
—Perdeu alguma coisa? –Brincou o castanho.
—Ah... Não... Desculpa... Não, não perdi nada... Desculpa!
—Calma... Já recebi coisas piores que um olhar. -O loiro automaticamente corou e Guilherme quis brincar mais. –Você se incomoda se eu me trocar aqui? Na sua frente?
—O quê? Ahh, sim... Não... Quer dizer, o quarto também é seu, sinta-se a vontade. –O loiro estava realmente perturbado. Guilherme como seu tio se sentia fazendo brincadeiras de intuitos sexuais.
—Não vou fazer isso, é invadir sua privacidade.
—Ah... Ok.
Guilherme pegou seus trajes e voltou para o banheiro. Pelo visto iria atrair bastante atenção naquele lugar. O castanho se vestiu e logo se penteou. O castanho se olhou no espelho. Os hematomas estavam mais leves e quase imperceptíveis e mesmo assim, era possível ver como era lindo o jovem Guilherme.
—Acho que eu já sei o que devo fazer nessa escola! –Falou para si mesmo.
[...]
Já era noite em Belo Horizonte. Fernando tinha comprado o presente e já estava se encaminhando para a casa do loiro. Maria Luiza tinha que ir também. Fernando usava um terno novo de corte italiano e realmente belo, os fios bem penteados e os olhos expressivos. No banco de traz, Maria Luiza usava o que ela sempre adorava. Um vestido preto, um salto alto preto e uma maquiagem bem carregada. A garota segurava um buque de flores e o perfume caro que o pai comprou.
Carlos estava em casa, sentado no sofá e nervoso. Pensava que o moreno não viria e que estragaria tudo. A casa estava impecável, todos os membros da família na sala, bem arrumados e esperando o tal chefe do loiro. A campainha tocou e como por um impulso de felicidade, o loiro foi até a porta. Fernando estava ali, com Maria Luiza ao lado, de terno e com um buque e um pacotinho na outra mãe.
—Flores? Pra mim?
—Não! São para sua mãe... Esse é para você! –Entregou o perfume para o namorado que segurou com paixão. Em seguida, Dona Maria veio até a porta e Fernando entregou o buque à mulher.
—Muito obrigado, querido. Vamos entrar... O Frango à Parmegiana já está nos esperando.
—Então vamos...
O jantar transcorreu calmo. O pai de Carlos se deu bem com o patrão do mesmo e achou o moreno muito educado e simpático. As duas garotas conversaram com a filha do moreno, embora a diferença nas idades, as meninas e deram bem. Depois do jantar, foi servido o sorvete caseiro feito por Carlos, que conquistou todos e deixou principalmente Fernando abobado, por não saber das habilidades culinárias do loirinho.
Depois do jantar, todas foram sentar na sala e conversaram por mais alguns minutos, mas logo a conversa cessou, Fernando tinha que ir para casa e no outro dia trabalhar pesado, afinal, tinha tirado um dia no meio da semana apenas para si, e empresários não fazem esse tipo de coisa.
[...]
Embora fosse tarde, Emanuel não conseguia mais ficar sem fazer nada. Estava parado em frente a uma casa muito simples. Era uma das favelas mais perigosas da cidade. Ele estava em sua moto, mas apenas admirava a porta, ainda não tinha conseguido coragem para bater.
Se Nathan descobrisse que ele havia ido atrás da mãe de Guilherme? Aquele monstro era capaz de fazer qualquer coisa, afinal, mandou o próprio filho para o exterior.
Emanuel desceu da moto e ameaçou bater à porta. Bernardo havia lhe dado o endereço da mulher, talvez ela pudesse ajudar de alguma forma ou, se ela não pudesse, ela pelo menos merecia saber como estava seu filho e o que aquele monstro fazia com o garoto, mas antes de bater ele pensou melhor. E se a mulher fosse tão ruim quanto o pai do garoto? Se ela fosse apenas uma oportunista?
Mas Guilherme deve ter puxado todo o bom caráter de alguém e só poderia ser daquela mulher. Afinal, não tinha como ele ser bom caráter, tendo um pai egocêntrico e um tio pornô.
O loiro resolveu bater a porta. Nada. Bateu mais forte. Nada ainda. Seria a última tentativa e bateu mais uma vez.
—Já vou... –Uma voz doce, porém entristecida foi possível ser ouvida. Emanuel esperou mais um pouco e logo uma mulher abriu a porta. –Boa noite, belo rapaz...
Era uma mulher de cabelo castanho, idêntico ao de Guilherme. Tinha os olhos escuros e o corte era moderno, não era magra, mas não estava muito acima do peso. Só tinha um “problema”...
—A senhora se chama Amélia?
—Sim.
A mulher estava em uma cadeira de rodas.
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