The True Story Of Nat

23 Esse quebra-cabeça não se encaixa.


Notas iniciais
Esse capítulo é dedicado a Kamilinha.

— Pai! — era Cobra no telefone e me parecia muito afoito.

Estava com a boca cheia de pasta de dente. Havia ido dormir altas horas da noite pensando em Nat e em como minha vida iria ser tocada da ali pra frente.

— O que foi!? — disse cuspindo a espuma na pia. — Filho eu não te ouço direito, fala devagar!

— Pai, me ouve! A Nat sofreu um acidente e eu estou indo com ela agora para o Hospital Municipal.

Nem pensei direito. Apenas corri. Coloquei uma roupa qualquer, calcei os sapatos e sai desesperado com Dandara nos meus calcanhares.

— Gael, pelo amor de Deus! O que esta acontecendo!? — ela corria atrás de mim.

— A Nat sofreu um acidente! Preciso ir...

— Calma! Eu vou com você e me dá a chave que não vou te deixar dirigir assim!

Dandara dirigia cautelosamente. Ela não corria no trânsito e aquilo me agoniava e se eu a perdesse?

Chegamos ao hospital e corri para dentro. As notícias não corriam andavam a jato. Duca, Karina, Pedro e Bianca já estavam no local. Cobra estava no canto e tremia de preocupação.

— Pelo amor de Deus! Me fala como ela se acidentou!? Ela está bem!?

— A gente estava na moto, cada um na sua e íamos comprar uma parada pra comer, aí do nada um cara bêbado fechou ela com o carro e ela vôo da moto. O estado dela... — ele estava com a voz falhando e os olhos cheio de lágrimas. — É grave.

Meu coração doeu. Ela podia morrer. A minha filha. E eu nem pude cuidar dela. Ser o pai dela.

— Aonde ela está? — disse com a voz embargada.

— Lá dentro. Ninguém me deu informação de nada ainda.

— Cadê a Nat!?

Era Lobão. Ele entrou com tudo no hospital se referindo a Cobra.

— Ela está lá dentro. — respondi a contra gosto.

Lobão não me respondeu. Ele saiu pegando o telefone e começou a ligar para alguém. Cléo trouxe água para ele que recusou, então ela enfiou o copo em sua boca e o obrigou a beber.

— Já arrumei tudo. Vou tirar ela daqui.

— O quê!? Vai levar minha filha pra onde? — disse já querendo enfiar a mão na cara dele.

— Para o melhor hospital dessa cidade. — Lobão disse já vindo para cima de mim.

Ficamos frente a frente nos medindo.

— E posso saber quem é que vai deixar você fazer isso?

— Em primeiro lugar, eu não preciso da permissão de ninguém pra fazer nada. Em segundo lugar, eu vou levar ela daqui por que eu sou o namorado dela e mais ainda? vou leva-la porque eu tenho uma coisa que o papai Gael não têm.

— E o que seria? Ah, já sei. Vergonha na minha cara.

— Não meu caro, amigo. Eu tenho muito dinheiro. Sabe o que é isso?

Ia responder mas não deu. O médico veio nos dar mais informações.

— Quem é o responsável pela paciente?

— Sou eu! — Lobão e eu falamos ao mesmo tempo.

— Bom, eu sou o namorado e o imbecil aí é o pai.

Me controlei para não arrebenta-lo.

— A Natália está bem. Ela teve uma pequena hemorragia mas já foi contida. No momento ela está sob efeito de remédios e está dormindo. Foram apenas escoriações pouco profundas e nada mais.

Todos nós respiramos aliviados. Eu ainda tinha chance e iria aproveita-la.

— Falei com o meu médico. Quero que ela seja transferida para ter mais apoio.

— Bom não acho necessário. Ela ficará bem aqui.

— Vou ficar tranquilo se ela for.

Lobão era imponente. Colocaria a todo custo sua vontade. Ele não ia sossegar enquanto não levasse a Nat para um hospital melhor.

— Tudo bem mas só poderemos transferi-la com a presença de outro médico.

— Eu já estou aqui. Já está tudo pronto. Não se preocupe com nada, Lobao.

O outro médico parecia extremamente simpático.
Estava de jaleco mas percebi que ele estava com uma roupa de exercícios por baixo.

— Preciso da assinatura dos responsáveis. — ele disse me estendendo um papel.

Aquela era a minha chance.

— Só assino a transferência com uma condição.

— Que condição seu miserável? Vou transferir a Nat para o melhor...

— Já sei. Mas eu quero que ela se recupere lá em casa.

— Nem pensar, pai! Aquela cretina lá em casa não.O namorado bandido que cuide dela.

— Não! O Gael vai levar a Nat para casa e você Bianquinhavai engolir a sua irmã para o resto da vida.

Ficamos todos surpresos com o fato de Lobão ter aceito com tanta facilidade que Nat fosse para a minha casa.

— Mas eu também tenho minhas condições,Gael.

Estava demorando para ele mostrar as garras.

— O que você quer? — disse já perdendo a paciência.

— Quero visitar a Nat enquanto ela estiver sob seus cuidados.

Me parecia justo já que ele cedera em deixa- lá em minha casa e pensando bem, ele poderia convencê-la a ir quando acordasse.

— Tudo bem. Eu concordo.

Todos me olharam perplexos pelo simples fato de que eu e Lobão estávamos entrando em um consenso pela primeira vez em anos.

Transferimos Nat para o Hospital que Lobão mencionara. Não havia dúvidas de que realmente ele era o melhor. Tinha uma estrutura muito boa e cara também.

— Meu amor, esse hospital deve custar uma fortuna. — Dandara me disse nervosa. — Como vamos fazer pra pagar depois?

— Não vamos. Porque nem que eu venda um fígado para o mercado negro eu pagaria metade da conta desse hospital.

— Se o senhor quiser pode ver a sua filha e a propósito meu nome é Mauro.

Ele sorria pra mim e de forma simpática apertou minha mão. De repente ele olhou para Lobão e para mim de novo e por algum motivo percebi um semblante de tristeza em seus olhos.

Entrei no quarto afoito acompanhado de Dandara e Cobra. Só podia no máximo três pessoas no quarto.

Nat dormia tranquilamente. A sua testa estava machucada e seus braços também e meu coração doía em vê-la assim mas ao mesmo tempo se acalmava. A minha filha estava viva e bem.

— Ainda bem que deu tudo certo. a Nat é durona, pai.

— É verdade Mas eu tive muito medo. Deus me livre se acontece o pior.

— Mas ela está bem, meu amor. Agora ela vai pra nossa casa.

— Mal posso esperar. Vou poder cuidar da minha filha e eu só vou sossegar quando ela estiver totalmente curada.

Acariciei os cabelos dela. Nat se mexeu um pouco. Ficaria tão feliz em ver seus olhos mas não tive essa sorte. O efeito dos remédios ainda prevalecia.

Só saímos do quarto após a enfermeira nos obrigar a sair.

— Quem vai passar a noite com a Nat? — Karina perguntou me abraçando.

— Eu vou ficar!

— Não vai não, Lobão. Você sabe que não pode ficar exposto em hospitais.

Mauro olhou fixo para Lobão como se estivesse lhe dando um parecer médico.

— Temos toda a estrutura para a Nat. Podem ir para casa todos vocês. Uma equipe médica completa irá acompanhar a paciente o dia inteiro e a noite também.

Eu e Lobão tentamos permanecer mas acabamos indo embora. Porém eu não havia esquecido o que o médico disse. Lobão não podia ficar exposto em hospitais mas porque?

— Cleonice? — perguntei tentando parecer apenas curioso.

— É Cléo, lembra? — ela me disse roubando um sorriso meu.

— Porque o Lobão não pode ficar com a Nat?

Ela olhou nos meus olhos. Talvez procurando uma forma de me contar.

— Porque ele está doente.

Percebi que ela ficara triste.

— Lobão!? Doente? Ele é um touro. O que ele têm?

— Ele tem...

— Nada que te diz respeito. — Lobão chegara e eu tive um sobressalto.

— Só perguntei por perguntar.

— Você só perguntou porque é curioso. Some daqui!

— Você está doente. Só quero saber se o que você tem é contagioso por causa da Nat.

— Eu tenho herpes genital.

— Eu estou falando sério, Lobão. O que você têm?

— Uma gastrite dos infernos e o meu médico vê cabelo em ovo. Agora acabou a consulta doutor?

— Por hora, sim.

Não sei porque ele não e convencera. Enquanto eu dirigia escutando os gritos histéricos de Bianca os meus pensamentos iam longe. Tinha algo que não estava se encaixando. O namoro da Nat e o Lobão sem poder ficar com ela no hospital.

Têm caroço nesse angú era como mamãe dizia. Com a Nat lá em casa ficaria mais fácil. Eu iria descobrir o que estava acontecendo ou eu não me chamaria Gael Duarte.

Notas finais
Será que o Gael vai descobrir tudo?