Notas iniciais
Agora sim, estou postando direito. Graças ao bom deus -q
Porque não quero ficar com raiva que nem eu fiquei no último capítulo, é.
Enfim...
Enjoy!

-Finalmente. Achei que não vinham mais. – comentou Pony, que estava sentado na mesa, balançando as pernas. Pelo seu tom, parecia ter um sorriso nos lábios. Não havia como saber, afinal, seu capacete estava fechado. Poison deu de ombros.

-Todos retornamos às nossas raízes um dia, não? Achei que já imaginasse que eu voltaria aqui, mais cedo ou mais tarde.

-Todos retornamos, mas alguns nem se importam em sair, não é? – disse Dr. D., com um toque de censura na voz. Party Poison pôde jurar que viu um pedacinho do rosto de Pony corar com o comentário, mas ignorou o fato.

Pony desceu da mesa e andou para perto de Poison, abraçando-a. Poison revirou os olhos, como se achasse tudo aquilo, de certa forma, inútil, mas retribuiu de má vontade e se afastou rapidamente, indo para perto de Dr. D. e murmurando alguma coisa que os Killjoys não conseguiram identificar. Ele assentiu e Poison virou em direção aos quatro novamente. Dr. D. fez o mesmo e disse:

-Pony, pode levar os quatro até o quarto.

-Claro. – Pony saiu patinando porta afora, sendo seguido por Jet, Fun, Kobra e Party. Enquanto isso, Poison e Dr. D. permaneceram ali mesmo. Poison tratou de fechar a porta e se sentar na beira da mesa onde, minutos antes, Pony estava sentado.

-Então? – disse Dr. D. – o que aconteceu no seu trajeto para você demorar tanto, afinal?

-Encontramos alguns Exterminators... E eles explodiram o nosso carro. Viemos andando o caminho todo até aqui... – ela suspirou – E ainda não achamos a localização da base principal da BL/Ind. e, para completar, eu acabei de virar uma fora da lei. Não tem como piorar. – Poison bufou. Dr. D. lançou um olhar de pena, mas nada disse.

-Já soube do que houve com Sunshine?

-Já. Tem alguma ideia de onde ela esteja?

-A base central, é claro. A questão é saber quem a levou.

-Achei que a Base fosse um dos lugares mais seguros da Califórnia...

-Eu também pensava assim. – respondeu Dr. D., sombriamente – Vejo que estou errado.

-Mas não existe jeito da BL/Ind. ter entrado lá! Só se alguém se infiltrou na Base... Ei, espera aí... – Poison franziu a testa – Um espião! É isso! Alguém da Base pode estar trabalhando pra BL/Ind.!

-Efeito das pílulas?

-Não sei. – ela deu de ombros – O que importa é que ele ou ela está trabalhando para a Better Living Industries!

-Mas quem seria capaz de fazer isso?

-Existem várias pessoas na Base, Dr. D., seria impossível achar um único indivíduo que esteja fazendo isso. Além do mais, ele já deve ter dado no pé.

-Acho que não. Apesar de a Base ser superpopulada, há registros de todas as pessoas que habitam lá. Com certeza teriam notado a falta de alguém. Provavelmente, a pessoa continua lá, servindo apenas como “tapa buraco”.

-Pior ainda. Ela vai estar agindo normalmente e, se conseguiu se esconder até agora, é porque é um excelente atriz ou ator. Nunca vamos conseguir pegar o indivíduo.

-E se olharmos a ficha policial de cada um?

-A pessoa pode nunca ter feito nada de ruim.

Dr. D. suspirou.

-Que caso difícil...

-Eu sei. – Poison suspirou fundo – Mas o que faremos até lá?

-Você vai procurar pela base. Eu vou continuar procurando pelo nosso traidor ou traidora.

-Tem certeza? Vai ser meio difícil fazer isso... – ela fez uma careta de cansaço.

-Tenho. Não podemos mais esperar, Poison Heart. Já esperamos tempo demais. Dezenove anos de espera. Não se lembra de tudo o que aconteceu antes da BL/Ind.?

-É claro que eu lembro... Não tem como não esquecer... – seu tom não era nada feliz – Eu só acho que não adianta nada procurar por uma pessoa no meio de tantas outras, ainda mais considerando que não sabemos absolutamente nada sobre esse indivíduo específico.

-Não se preocupe, nós vamos achá-lo. E... Poison?

-Sim?

-Por acaso você brigou com Danger Bomb?

-Sim, por quê?

-Porque ela me ligou te chamando de um monte de coisas... Digamos... Nada legais.

Ela bufou.

-Tá, o que que eu tenho a ver com isso?!

-O que você tem a ver? Pelo amor de deus, ela é só amiga!

-Eu não tenho amigos. – rosnou ela – Ela só minha colega.

-E eu sou o que seu? – Dr. D. arqueou as sobrancelhas.

-V-você é um caso diferente... Mas Danger Bomb é uma criança que cresceu demais! Eu sabia que isso ia acontecer: eu ia brigar com ela e ela ia sair correndo falando mal de mim pra todo mundo, como se eu fosse a culpada!

-Você não é melhor que ela, Poison. Você mesma está aqui, falando mal dela e chamando-a de criança que cresceu demais.

Poison ficou em silêncio. Ele tinha razão.

-Não importa... – murmurou ela – Eu não fiz nada demais com Danger.

-Pelo que ela me disse, você a chamou de idiota e de inútil. – Dr. D. se sentia um professor separando dois alunos briguentos, essa situação era, no mínimo, ridícula.

-Eu não chamei só ela...

-Piorou! Poison Heart, você não pode fazer isso! Essas brigas internas estão acabando com a Base! Daqui a pouco, os Killjoys da Base 8 não vão mais existir, só vão existir pessoas solitárias que se vestem de um jeito engraçado, usam rayguns e andam por aí sem rumo nenhum!

-Dr. D., desculpe, mas eu não fiz absolutamente nada, ok? Foi ela quem ficou toda magoadinha. Eu simplesmente lhe disse a verdade, além do mais, eu não estava falando só dela, e sim de todos da Base.

-Poison Heart, não vou mais discutir. – o tom de Dr. D. já não era mais compreensivo e bonzinho – Você vai pedir desculpas a Danger Bomb e vai ficar de bem com ela. Não precisamos de mais briguinhas internas pra acabar com a Base.

Pela primeira vez em anos, Poison se viu com medo.

E os Killjoys, que estavam atrás da porta, ouvindo toda a conversa juntamente com Show Pony, também viram.

-Espera aí... – sussurrou Party – Ela está com medo?!

-Pelo visto, sim. – comentou Pony, mas isso não era novidade para ele. Conviver com Poison Heart já havia lhe dado o privilégio de vê-la com medo antes.

-Poison Heart com medo? Isso é... – Jet nem conseguiu terminar sua frase.

-... Anormal? – emendou Kobra.

-Sim. Muito anormal.

Kobra suspirou. Ele queria ir lá e protegê-la, mas sabia que não podia fazer isso. Optou simplesmente por continuar ouvindo a conversa entre os dois.

-Mas... Dr. D., eu não...

-Não quero saber, Poison. Você vai fazer o que eu disse pra você fazer e ponto final.

-Eu... Mas... Ok. – Poison se resignou, parecendo um pouco cansada, triste e desapontada ao mesmo tempo.

Dr. D. suspirou fundo, deixando seu tom ameaçador ir embora.

-Por favor... Não se meta mais em encrencas... É a pior hora possível pra fazer algo assim...

Poison assentiu.

-Pode ir agora. – disse Dr. D..

Ela repetiu o gesto e saiu da sala. Os quatro Killjoys atrás da porta trataram de sair correndo e fingir que nada havia acontecido. Pony os guiou até o quarto onde, supostamente, deveriam estar minutos antes, e todos se sentaram ali, fingindo que conversavam, até que Poison entrou, com seu ar superior de sempre.

-Pony, posso falar com você?

-Claro. – ele se levantou, se desequilibrando um pouco por causa do capacete. Os dois foram para fora do quarto, enquanto, mais uma vez, os quatro Killjoys ficaram sentados, um pouco excluídos de tudo o que estava acontecendo.

Show Pony e Poison Heart se encaminharam até a parte de fora da casa de Dr. D., onde poderiam conversar em paz.

-Então, como vão as coisas por aqui?

-Vão bem... – disse ele, vagamente – Nada de novo, como sempre. Dr. D. continua agitado por causa do que tem ocorrido e tudo o mais... Mas isso era de se esperar, imagino eu.

-Com certeza. Mais alguma coisa aconteceu?

-Nada. Quer dizer... Quase nada. – sua voz tremeu um pouco, mas ela não pôde identificar o porquê disso.

Poison odiava falar com Show Pony exatamente por isso: por causa do maldito capacete, ela não podia ver suas expressões faciais.

-Como assim quase nada?

-Uns dias atrás, aconteceu uma coisa anormal... Dr. D. estava captando algumas ondas de rádio vindas da BL/Ind. e, por acaso, ouviu uma conversa entre Korse e outro Exterminator qualquer.

-O que eles diziam? – indagou Poison, um pouco ansiosa.

-A conversa estava entrecortada, mas ouvimos as palavras “Raptar”, “Segredo”, “Meia-irmã” e... E o seu nome.

A menina de cabelos azuis arregalou os olhos e não disse nada.

Ela já sabia o que a BL/Ind. queria.

Eles não queriam Sunshine.

Queriam a ela mesma.

Notas finais
Apanharei por esse capítulo?
(Eu sempre apanho, não importa o que eu faça -qqqqq)
Anyways.
Beijo -q