The True Lives Of The Fabulous Killjoys
40 Everybody pay attention to me
Notas iniciais
FICOU GIGANTEMENTE ENORME.
E NEM DÁ PRA DIVIDIR EM DOIS o.õ
Só que é tipo, muuuuuuuito importante. Muito MESMO.
Espero que vocês gostem, porque eu passei o dia inteiro de ontem escrevendo. Não deu tempo nem de ler minhas fics, estou atrasada por culpa disso '-'
PORÉM, eu postei antes, pra alegria (ou não) de vocês.
É, sem mais delongas, o passado de Poison Heart *u*
Enjoy!
–Eu... Nasci em Battery City. Quer dizer, na época se chamava Los Angeles, mas hoje se chama Battery City. Enfim. Eu era filha única, e morei com a minha mãe e meu pai durante curtos nove anos. Foram os melhores nove anos da minha vida. Papai trabalhava em uma empresa de negócios e mamãe era professora de inglês em um colégio. Os dois eram pais muito amorosos e sempre cuidaram de mim muito bem, eu amava eles, de verdade. Naquela época, eu era uma criança extremamente carinhosa... Apesar de ser difícil de acreditar, se considerarmos o que eu me tornei. – Poison soltou uma risadinha nervosa e fraca – Cresci durante esses nove anos cercada de amor e atenção, mas nunca me tornei uma criança mimada, diferente de várias outras que conheci nesse tempo. Nessa época, as crianças já começavam a se tornar pequenos robozinhos alienados pela televisão e por tudo o que a mídia colocava na frente delas. Mas eu era diferente... Nunca me importei com o que a mídia dizia e preferia formar minhas próprias opiniões... Mesmo que minhas opiniões fossem influenciadas pelas dos meus pais, claro. Eu tinha só seis, sete anos, não tinha mentalidade formada para formular opiniões totalmente minhas. De qualquer forma, desde cedo, sempre tive certa aversão às empresas multinacionais e essas coisas, e essa minha aversão mostrou ser bem útil mais tarde. Enfim, eu ainda não cheguei nessa parte da história. Como eu ia dizendo antes, meus pais eram super atenciosos comigo, e também eram muito divertidos. Meu pai gostava de música e, sempre que podia, me ensinava algumas musicas no piano. Já minha mãe gostava de cantar, e eu e ela cantávamos algumas musiquinhas infantis enquanto lavávamos a louça juntas.
“Eu parecia ter uma vida perfeita, porém, não era bem assim. Desde cedo, mostrei ser um pouco... Revolucionária, digamos assim. Não era minha culpa, realmente, eu nasci assim. Mas isso não importava para as professoras da escola onde eu estudava. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que expus uma ideia desse tipo... A professora perguntou o que queríamos ser quando crescêssemos... Minha resposta foi algo do tipo ‘um ser humano com mente aberta, capaz de me libertar das ideias que nos passam e com a capacidade de formar minhas próprias opiniões, sem me importar com o que os outros pensam. Quero ser também uma adulta que tem o poder de mudar o mundo para melhor’. A partir desse dia, todos, até mesmo as professoras, começaram a me olhar torto, dizendo que eu tinha ideias malucas, que eu tinha problemas e que, assim que completasse doze anos, iria parar em um sanatório. É óbvio que isso chamou a atenção da BLI, que, na época, não era uma empresa controladora como é hoje, ou, pelo menos, não deixavam isso exposto. Mesmo assim, a BLI era bem manipuladora e já tinha grande influência nos negócios dos Estados Unidos. Minhas ideias malucas acabaram chamando a atenção deles, o que mostrou ser bem ruim para mim e para minha família. Quando fiz sete anos, começamos a ser perseguidos pela polícia de Los Angeles e, mais tarde, pela própria BLI. Tivemos que sair de L.A e fomos parar nos subúrbios de Detroit, na área mais sombria e obscura.”
Poison parou para observar os ouvintes. Todos estavam com expressões muito interessadas no que ela tinha a dizer, portanto, continuou.
–Era simplesmente horrível viver lá, em meio à sujeira e escuridão, mas era isso ou nada. Portanto, aceitei morar naquela coisa que fui obrigada a chamar de casa. Tinha só um andar, estava constantemente desarrumada e suja. Foi lá que morei em meu último ano com minha família... Mas eu não me importava. Contanto que eu e eles estivéssemos bem, eu moraria até mesmo debaixo da ponte. Enfim. Certo dia, era de manhã e nós estávamos conversando calmamente sobre como sairíamos dali, alguém bateu na porta. Meu pai foi atender e... – a voz de Poison foi morrendo e ela começou a chorar abertamente. Kobra suspirou e abraçou-a como pôde, ainda sentado e sem se mover. Passaram-se três minutos até que Poison pudesse voltar a falar. A menina suspirou fundo e agradeceu roucamente a Kobra.
–Por nada. – respondeu ele, sorrindo levemente. Ela suspirou e continuou falando.
–Bom, meu pai abriu a porta e... Os policiais atiraram nele. – ela mordeu o lábio inferior com força, segurando-se para não chorar novamente – Não eram policiais quaisquer, era o esquadrão de força da BLI, que, na época, não se chamavam Draculoids e nem usavam máscaras. Eram simples policiais armados. Minha mãe mandou eu me esconder e eu a obedeci. Escondi-me debaixo da cama e fiquei quieta, assistindo. Lembro-me de ouvir os passos dos policiais indo até o quarto e levando minha mãe à força. Mas eu não iria aguentar isso... Não iria aguentar ver minha mãe sendo levada por absolutamente nada... Por isso, saí de meu esconderijo e mandei os policiais me levarem no lugar e irem embora, deixarem minha mãe em paz. Eles discutiram um pouco, mas acabaram concordando com o meu trato. Ignorei os apelos de minha mãe, simplesmente dando-lhe um abraço de adeus e lançando-lhe um olhar triste. O pessoal da BLI me encaminhou até a porta da sala e... Bom... Não me lembro de nada. A última coisa que vi foi o corpo de meu pai, os olhos sempre tão brilhantes, agora opacos. Um esboço de seu último sorriso ainda estava estampado em seu rosto... Mas foi a última coisa que vi. Depois disso, acredito que eles tenham injetado algum tipo de calmante em mim, pois eu estava me debatendo um pouco.
“Acordei um tempo depois quando já estava na BLI. Olhei em volta e descobri que estava em uma Sala de Teste. Aquelas salas que vimos quando invadimos a base central, lembram? Então, eu estava presa em uma daquelas salas. Não havia ninguém, não havia nenhuma luz senão a que vinha do espaço entre a porta de metal e o chão lustroso. Chorei por um longo tempo, me sentindo sozinha, com fome e frio. Até que alguém veio. Era um homem estranho... Não me lembro muito dele... Enfim, ele entrou e perguntou como eu estava. Fui sincera e respondi que estava com medo. Ele sorriu amigavelmente, foi o único que sorriu para mim naquele lugar horrível. Só que... Entrou uma outra mulher. Parecia ser japonesa. Ela começou a tagarelar em japonês com o homem, que respondeu na mesma língua. Ela o fez ir embora da sala e se virou para mim. Ainda lembro de sua voz gélida e de seu inglês cheio de falhas. Ela disse que tudo ficaria bem... Mas não ficou. É óbvio, o que eu esperava da BLI? Enfim, a mulher me mandou levantar e eu a obedeci. Ela começou a falar alguma coisa sobre “pílulas de prazer” e “robôs exterminadores”. Claro que eu fiquei sem entender nada, mas fingi que tinha escutado. Ela então me estendeu um copo d’água e uma pílula preta e branca. Acho que vocês já sabem que pílula é essa. Enfim, eu tomei o tal remédio à força e não só fiquei levemente alienada como dopada. Pelo que me contaram depois, eles me levaram da sala, me colocaram em uma câmara onde retiraram, ou pensaram retirar, todo e qualquer sentimento ou pensamento de mim. Depois disso, minhas lembranças se tornaram estranhas até um certo ponto. Era como se eu estivesse vendo tudo através de... De um jogo. Como se eu fosse controlada por um controle ou algo parecido. E eu não me lembro de muita coisa dessa época... Mas, às vezes, tenho alguns flashes de algumas coisas...”
–Que tipo de coisas? – indagou Party.
–Coisas horríveis que... Que eu fiz. – admitiu ela – Mas não por minha própria vontade, não mesmo. E é nessa hora que Show Pony entra. – disse ela, fazendo um gesto em direção ao Killjoy citado. Show Pony abaixou a cabeça, que pesava um pouco por causa do capacete.
–Devo dizer antes que eu não presenciei nada disso. Tudo o que lhes contarei é fruto das minhas pesquisas e especulações na Better Living Industries... Apesar de que... Eu até presenciei algumas. – ele suspirou fundo – Mas isso será explicado depois. – Pony fez um gesto vago com a mão – O que Poison virou foi uma Exterminator.
–Exterminator?! – indagou Jet, franzindo a testa – Como assim? Exterminators não são só...
–... Robôs? Na verdade, são. Mas não antigamente. No início, enquanto seus propósitos ainda estavam escondidos, a BLI possuía seu exército particular de Exterminators humanos. Eles pegavam uma pessoa qualquer, de preferência um rebelde, e praticavam uma espécie de lobotomia... Sabem o que é isso?
Sunshine fez que não com a cabeça, assim como Fun e Kobra.
–Lobotomia é uma cirurgia praticada no cérebro. São cortadas as vias que ligam os lobos frontais ao tálamo, que é a parte de trás do cérebro. Após essa cirurgia, você praticamente não sente mais emoções nem sentimentos. Foi exatamente assim que Poison Heart ficou: como um robô. E é por isso que eu insisto tanto que a senhorita demonstre seus sentimentos. – disse ele, com um tom de um adulto que educa uma criança. Poison revirou os olhos – Continuando...
“Ela fez tudo o que a BLI queria, mas nada do que ela mesma queria. Na verdade, ela nem chegava a querer alguma coisa, não com aquelas doses diárias de pílulas. Mas Poison foi obrigada a torturar famílias inteiras, a matar pessoas e destruir prédios, tudo pelo bem da própria mãe, que conseguiu escapar daquilo tudo. E Poison foi seguindo a vida assim, matando e torturando pessoas dia após dia, por oito anos seguidos. Porém, no seu aniversário de 17 anos, algo curioso aconteceu... Ela foi mandada para acabar com uma família de rebeldes que morava na cidade de Nova York. Era um homem, uma mulher e um bebezinho de poucos meses. Só que, ao invés de ir lá e matar a família... Ela sentiu pena. A mulher acabou sendo pega de raspão por um tiro que veio de um dos Exterminators que acompanharam Poison, e a criança foi pega por outro. O único que sobrou foi o homem e... Poison deixou que ele fosse. Só que o problema é que esse “homem”... Acabou se tornando o Exterminator mais perigoso da América.”
–Korse. – sussurrou Party.
Show Pony assentiu.
–Não tinha como saber que ele se tornaria o que se tornou. – assegurou Kobra, vendo os olhos de Poison se encherem d’água.
–Eu criei um monstro! Vocês não entendem...
–Poison, se ele aceitou ser da BLI, é porque ele já tinha essas ideias entranhadas na cabeça antes de você chegar, ok? – disse Pony.
–É, sei. – Poison voltou a limpar o rosto. Kobra puxou-a para seu colo e apertou-a contra o próprio corpo. A menina fez menção de que ia rejeitar o abraço, mas Kobra não deixou.
–Fica calma, ok? Eu não vou te fazer mal. – sussurrou ele. Poison lutou por dois segundos, mas acabou desistindo – A culpa não foi sua.
–Talvez... – ela fez uma careta – Enfim, continue, Pony.
–Ela foi chamada na base da BLI. A tal mulher que a havia prendido, e que monitorava os Exterminators, estava extremamente chateada com Poison. Não me lembro do diálogo... – ele franziu a testa.
–“Exterminator 1907-3, você, por acaso, sabe por que está aqui?”. – disse Poison, com uma voz triste – “Sim, senhora.” “E por que está aqui?” “Não cumpri meu dever, senhora.” E que parte você não cumpriu? “ Deixei o rebelde ir embora...” “Pior do que isso, você o AJUDOU a escapar!” “Peço perdão, senhora.” “Já é tarde demais para pedir perdão. Quero que traga o rebelde. Agora.” “... Não.”
Poison suspirou.
–É um dos poucos diálogos dos quais eu lembro.
–Foi exatamente isso. Enfim, as duas discutiram, Poison foi obrigada a trabalhar dobrado durante duas semanas, mas nada de muito grave ocorreu. Ela continuou trabalhando como sempre, apesar de começar a hesitar antes de matar alguém. Isso era a sua consciência retornando. Isso era uma falha na pílula que deram a ela. Ainda não sabemos por que isso só ocorreu somente com Poison, se a dose de pílulas era diária. Talvez tenha algo a ver com seu cérebro... Enfim, não sabemos.
–Eu comecei a planejar fugir. – admitiu Poison – E já tinha esquematizado tudo... Se não fosse pela chegada de um novo Exterminator.
–Quem?
Ela suspirou profundamente.
–O homem que eu tinha salvado. Korse.
Todos ficaram em silêncio.
–Quando a mulher me contou que era ele que seria meu novo colega... Eu senti vontade de desmaiar. Tudo pelo que eu havia lutado, subitamente, pareceu tão bobo... Mais uma vez, esse é só um pequeno flash que eu vejo às vezes.
–É óbvio que ele a reconheceu... E eles se evitaram por muito tempo, até que Poison se acostumou com a presença dele e, mais uma vez, começou a planejar sua fuga. Daí ela fugiu e... Bom... Após algumas tentativas, conseguiu fugir. Grande parte de sua mente a dizia para voltar para lá, que aquilo era errado e tudo o mais, mas, de algum jeito, ela reuniu forças para continuar. Saiu da BLI e permaneceu trancada em uma casa abandonada que achou nas ruas da Califórnia. Trancou-se lá por muito tempo, o suficiente para que se curasse do efeito viciante da droga. Era como estar em uma reabilitação forçada, entendem? Ela conseguiu se livrar do vício e a primeira coisa que fez foi tentar alertar a população sobre o que a BLI andava fazendo. Porém, a alienação já havia começado, e não havia como deter. Ninguém acreditou nela, é claro. Chamaram-a de louca e tudo o mais. Foi aí que as lembranças passadas de Poison voltaram definitivamente.
–Eu acabei esbarrando em um homem que se parecia horrivelmente com meu pai. – Poison sorriu tristemente – E acabei me lembrando de tudo... Menos do que aconteceu na BLI, claro. Somente partes. Comecei a chorar no meio-fio, mas não porque ninguém acreditava em mim, e sim porque eu não conseguia lidar com a dor de perder meus pais. Foi aí que Dr. D. veio até mim... – ela sorriu fracamente – Ele foi como um anjo para mim... Lembro-me que ele me disse que eu ia ficar bem... E que tudo ia dar certo... E foi a primeira vez em que eu realmente acreditei naquelas palavras. Não pareciam promessas vazias. Ele me levou até a casa dele, que, na época, era na cidade... E ele cuidou de mim até eu melhorar o suficiente para que eu pudesse usar uma raygun. Foi aí que Dr. D. me contou sobre os Killjoys. Procurei saber mais sobre eles e parti para a Base mais próxima, que era a Base 8. Foi a melhor coisa que eu já fiz... Acabei conhecendo muitas pessoas que sofreram a mesma perda que eu... E foi por causa da Base que eu acabei conhecendo o Pony. – Poison fez um gesto em direção ao mencionado.
–A pior coisa que já aconteceu. – murmurou ele.
–Não fala assim, você sabe que eu gostei de te conhecer.
–Aham.
–Ah pelo amor de deus, Pony, vai começar?!
–Parem com isso, porra! – gritou Fun – Expliquem de uma vez!
Show Pony suspirou.
–Acho que, pra isso, vou ter que falar o que estava acontecendo comigo naquele momento. Lembram-se do homem que apareceu para falar com Poison pela primeira vez, logo depois que ela foi levada da própria casa?
Fizemos que sim com a cabeça.
–Ele era... Hmm... Ele era meu pai. – disse Pony.
–S-seu pai? – gaguejou Kobra, arregalando os olhos.
–É, meu pai. A ideia da BLI foi toda dele. Mas não é isso que vocês estão pensando. A ideia dele, inicialmente, era criar pílulas capazes de animar pessoas que sofriam de depressão. Quer dizer, não animar totalmente, nem nada disso, mas simplesmente dar uma melhorada no seu ânimo para, quem sabe, o indivíduo buscar ajuda. Era como um “impulso”. Só que o projeto saiu errado, a pílula se tornou uma droga viciante que te deixava sem emoção alguma. Era justamente o contrário do que meu pai queria. Ele até tentou destruir as pílulas erradas para recomeçar do zero, tentar de novo e tudo o mais, mas... Sua esposa da época não concordou com isso.
–Esposa? Não quer dizer sua mãe? – indagou Fun.
–Não, minha mãe morreu em um dos experimentos. Acabou inalando uma quantidade grande de um gás tóxico e... Faleceu. – ele deu de ombros, em um gesto de que estava conformado com a situação – Ele se casou com essa outra mulher que a Poison falou no início. O nome dela era Naomi, e era minha madrasta. A Naomi era uma vadia puta. – comentou ele, como se fosse algo casual – Enfim, ela era bem... Digamos... Estressadinha e convincente ao mesmo tempo, portanto, meu pai logo fez o que ela pediu, ou seja, não destruiu as pílulas. Mas ele não esperava que ela fosse usá-las para esse propósito horrível... Só que ele não pôde fazer nada, porque a própria Naomi lhe deu algumas pílulas. O problema é que ele sabia de segredos sobre as pílulas que mais ninguém poderia saber... Hoje em dia, apenas duas pessoas sabem esses segredos.
–Quem? – perguntou Sunshine, curiosa.
–Eu e Poison.
Todos viraram os olhares para Poison. Ela bufou impacientemente e disse:
–É uma longa história. Nós vamos chegar lá.
–Continuando, meu pai foi obedecendo a cada ordem que Naomi lhe dava, enquanto eu só assistia a tudo, com uma preocupação evidente. Não era isso que eu queria. Não era isso que minha mãe ia querer. Mas eu era praticamente uma criança... Quem escutaria as palavras de uma criança rebelde? Ninguém! Por isso, guardei minhas opiniões para mim mesmo e continuei vivendo naquele inferno. Até que os dois tiveram uma filha. O nome dela era Akira. É a mulher oriental que vocês conhecem hoje, a que comanda a base da BLI.
–Ela é sua meia irmã?!
–Aham. Infelizmente, sim. – ele fez uma careta – Era tão mimada quanto a mãe. E ela só foi concebida com um objetivo: ajudar Naomi a fazer a BLI crescer, já que, obviamente, eu não estava cumprindo esse papel. Acho que o fato de que eu gosto de me vestir estranhamente não ajudou muito. – era a primeira vez que alguém ria durante a conversa que estavam tendo – Enfim, Akira cresceu aprendendo a produzir essas pílulas e a controlar uma empresa monocromática. E ela cumpriu esse papel muito bem! Tão bem que minha madrasta obrigou meu pai a me prender na prisão da base, sob o pretexto de que eu estava atrapalhando a concentração de Akira com minha “aura perturbadora”.
“Fiquei preso lá por meses, até que Naomi mandou me tirar de lá. A mulher tentou me convencer a trabalhar para ela. Eu recusei, é óbvio, mas não ajudou muito. Naomi me pôs para fazer pequenos trabalhos aqui e ali, sem nunca matar ninguém. Segundo ela, ‘eu ainda estava muito molenga para isso’ e que ‘um dia eu ia virar homem e fazer o trabalho sujo’. A contragosto, fiz todas essas coisas. Não podia arriscar fazer Naomi perder ainda mais a paciência. Eu provavelmente seria morto. Portanto, permaneci fazendo esses trabalhinhos bobos, mas que salvariam a minha vida. Até que, sem querer, eu entrei em uma sala errada. Era escura, cheia de livros, papéis, e tudo o mais. Comecei a fuçar entre eles e acabei descobrindo os protótipos de Exterminators e umas outras coisas que eu acabei descobrindo que confirmavam a teoria exposta no livro de Static Cola. No fundo da sala, encontrei meu pai, curvado sobre a mesa, um pote de pílulas ao seu lado. Foi aí que descobri que ele não estava agindo somente por influência das pílulas, mas por um pouco de vontade própria. Então eu... Matei ele. Após muito relutar, é claro. Travei uma batalha enorme comigo mesmo e acabei decidindo que isso era o melhor a fazer. Mas até hoje, me pergunto se eu me arrependo disso. Enfim, logo depois que eu vi o que havia feito, me desesperei e comecei a me punir. Abri um corte feio em meu rosto, que é a razão pela qual eu uso esse capacete. Depois de alguns dias, Naomi descobriu que era eu quem tinha matado meu pai, é claro. Recebi torturas e tudo o mais... E Naomi me prendeu de novo. Fiquei lá por um tempo mais longo ainda. Foi horrível viver com somente uma cama dura e duas refeições por dia... Mas era melhor do que nada.Todos os dias, eu repetia a mim mesmo que isso ia mudar, que eles se libertariam do efeito das pílulas... Mas é claro que isso nunca aconteceu. Simplesmente repeti isso a mim mesmo para fazer com que eu ficasse mais animado. Só que, um dia, comecei a ouvir um certo estardalhaço vindo de fora das paredes da prisão onde eu me encontrava. Lembro-me de ver a porta se abrindo e, de lá, surgindo essa coisa aqui do meu lado.”
Ele fez um gesto com a cabeça em direção a Poison, que revirou os olhos.
–Eu estava em uma missão com outros Impairers... Eu era bobinha naquela época. Tinha orgulho de chamar a mim mesma de Killjoy, mesmo que eu fosse uma Impairer inexperiente e boba. Mas enfim. Eu acabei me separando do grupo, por pura irresponsabilidade. A adrenalina era demais. Só que... Conforme eu fui me adentrando... Foi horrível. Eu comecei a ver flashes daquilo que, por oito anos, eu chamei de “vida”. Foi a pior coisa que eu já senti... Era como se eu tivesse matado um coelhinho e, certo dia, esse mesmo coelhinho viesse até mim, me olhando inocentemente, mas com um sorriso nada agradável.
“Tentei sair daquela situação desagradável, mas só acabei me perdendo mais ainda. Como já estava lá, não custava nada olhar por aí, não é? Acabei indo fuçar a prisão, um lugar onde eu não tinha ido. Isso diminuiu um pouco a minha dor, mas não totalmente, é claro. Mesmo assim, entrei e fui olhando pelas celas vazias, até que vi uma que tinha uma figura estranha e solitária. Aproximei-me e percebi que era um simples adolescente. Da minha idade, como fui descobrir mais tarde. Cheguei mais perto e ele me mandou ir embora. Insisti em ficar e ele me perguntou meu nome. Respondi que meu nome era Poison Heart. E que eu estava ali para ajudá-lo. Essa criatura era meio teimosa e replicou que não precisava de ajuda. Mas estava mais que óbvio do que precisava. Por isso, eu mesma resolvi ajudá-lo. Tirei-o de lá e levei-o comigo até a casa de Dr. D.”
–Então... Vocês se encontraram na base da BLI? – perguntou Jet, franzindo a testa.
–Pois é. Depois da minha viagem até a base, eu fiquei aqui, cuidando de Show Pony um pouco. Dr. D. conversou com ele e a criatura aqui decidiu ficar com ele ao invés de ir comigo para a Base 8. Entendi perfeitamente seu desejo e não me intrometi nisso. Porém, insisti em ficar ali cuidando dele um pouquinho antes de ir embora. Enquanto eu ficava, resolvi procurar informações sobre meus pais... E acabei viajando até a minha antiga casa. Rever minha antiga casa foi a gota d’água para mim... Acabei entrando em choque novamente e bloqueando meus sentimentos, assim como ocorreu quando eu ingeri a pílula. A diferença é que, dessa vez, eu havia feito isso por vontade própria. Bloqueei tudo, só para não me lembrar do que eu passei, era dor demais. Mas não adianta! Essas coisas continuam me perseguindo, não importa o que eu faça. – Poison Heart suspirou profundamente – Mas eu acabei me acostumando a bloquear meus sentimentos... Isso é, até vocês aparecerem.
Os Killjoys coraram e fitaram os próprios pés.
–Não é uma coisa ruim. É só um fato que aconteceu . – ela deu de ombros – Enfim, eu fiquei assim e é óbvio que Show Pony notou.
–Perguntei a ela o que havia ocorrido...
–... E eu me recusei a falar, como sempre. Mas uma hora eu acabei falando...
–... E eu tentei ajudá-la da forma que podia, dizendo-a que bloquear os sentimentos não é a melhor forma de lidar com o passado.
–Eu acabei ouvindo ele...
–... E aqui estamos! – disseram os dois, um completando as frases do outro. Poison olhou para Pony e ambos riram divertidamente, como se aquilo fosse uma espécie de piada interna entre os dois. Poison sacudiu a cabeça – Com isso, nós acabamos ficando mais próximos. Ele me contou o que sabia sobre a BLI e, atualmente, só nós temos o segredo para destruir a empresa.
–E por que não tentaram fazer isso?
–Oras, duas pessoas para destruir uma empresa inteira? Pelo amor de deus! – Pony riu – Somos experientes, mas nem tanto! Além do mais, nunca tivemos a oportunidade certa... E ainda precisamos de certas informações que vão ser extremamente necessárias para o nosso plano.
–Plano? – indagou Party.
–É, nós estamos planejando um ataque à BLI já faz anos. – respondeu Poison – Ainda falta bastante coisa, mas já estamos bem avançados. – ela deu de ombros – Acho que é isso...
Todos ainda estavam particularmente chocados, principalmente Sunshine.
–Qual... Qual era o nome da sua mãe? – indagou ela, curiosa.
–Amy Solskinn. Por quê?
Sunshine arregalou os olhos.
–A minha mãe t-também se chama assim... !
Ao invés de se surpreender, Poison sorriu levemente.
–Eu sei. Olá, irmãzinha.
Notas finais
Espero que não estejam me xingando até a alma.
Só pra deixar claro: ela falou que era filha única. ERA. Afinal, é óbvio que Sunshine nasceu depois dela (dã).
Enfim, não sei se ficou bem explicado a história dos dois e tudo o mais...
Ainda falta falar do Party e do Kobra. Mas no próximo eu falo -qq Meus dedos doem de tanto digitar.
Beijo *-*
Fale com o autor