P.O.V. Dipper

Eu estava em minha cama, dormindo calmamente. Lembro de estar sonhando, mas não lembro exatamente com o que. Então, claro que alguém viria me tirar de minha tranquilidade.
Acordei ao sentir que me cutucavam. Fiquei surpreso ao ver que era Bill. Me perguntei o que ele estaria fazendo em meu quarto. Ele estava na cabana há umas duas semanas e ele dormia em um quarto que Soos descobriu limpando as paredes. Então, precisar de um lugar para dormir não era um problema para ele.
Bill me encarava com um olhar assustado e logo entrei em alerta vermelho. Quer dizer, ele é Bill Cipher, qualquer coisa que assuste ele deve ser aterrorizante.
–Bill? O que faz aqui a essa hora da noite?-perguntei com a voz ainda afetada pelo sono.
Ele hesitou, parecendo inseguro em me falar. Ele mordeu o lábio e vi que as bochechas dele brilhavam em um tom dourado semelhante ao de seus olhos. Espere...Bill Cipher estava corando?
–Eu...tive um pesadelo.
Ele mexia nas mãos, parecendo nervoso. Me ocorreu que Bill provavelmente nunca tivera um pesadelo. Ele invadia os sonhos das pessoas, mas não dormia, então não poderia ter um. Ele parecia um garotinho assustado e eu meio que me senti mal por ele.
Hey, eu tenho coração, ok pessoal? Não me olhem com esse olhar malicioso, eu sou um ser humano, tenho sentimentos! Espere...isso não saiu como eu queria. Eu quis dizer que...ah, esquece! Só parem com esses estúpidos sorrisos maliciosos. Isso serve para você também, Mabel.
Onde parei? Ah, certo. Bill, pesadelo, eu com pena dele. Ok. Coloquei uma mão em seu ombro e ele me encarou.
–Olha Bill, quando você é humano, é normal ter pesadelos. Sei como uma pessoa fica abalada quando acorda. Já passei por isso e Mabel já me acordou inúmeras vezes por causa disso. Mas você precisa lembrar que é só um pesadelo. Não vai te fazer nenhum mal de verdade, é só algo de sua mente. Não é real.
Bill abriu um pequeno sorriso. Seus olhos ainda mostravam que estava assustado, mas também mostravam gratidão, como se me agradecendo pelo que eu disse.
–Valeu, Pine Tree.
–Estou aqui para isso. Hey, posso saber com o que sonhou?
O sorriso dele vacilou e eu segurei seus ombros.
–Se não quiser me contar, não precisa-falei.
Ele suspirou.
–Tudo bem. Eu sonhei que...estava preso em um campo de concentração. Daqueles do Hitler, sabe? E...um homem disse que nos levaria para tomar banho. Eu sabia no que isso daria. Tentei fugir mas não consegui. Então...bem, você sabe o que acontecia. Tenho certeza que já leu sobre isso.
Fiz uma careta. Sim, eu já havia lido. Sabe...normalmente eu me esqueço que Bill já viu, tipo, de tudo. Deveria ser horrível. Saber tudas as coisas boas e ruins que aconteceram na história do universo.
–Bill, agora que está humano, tudo de bom e ruim que você viu acontecer provavelmente voltará para atormentá-lo em seus sonhos. Mas como eu disse, basta lembrar: é apenas um sonho.
Bill desviou o olhar para o chão e começou a mover os lábios, formando silenciosamente as palavras "é apenas um sonho, não é real" repetidas vezes. Finalmente ele parecia mais calmo. Suspirou e sorriu para mim.
–Obrigado, Pine Tree. De verdade. E, sabe...eu...-mais uma vez o sorriso dele vacilou-...queria pedir desculpas. Por todas as vezes que fiz você ter pesadelos. Não sabia como isso é ruim.
Sorri e dei um tapinha no ombro dele.
–Sem problemas, cara.
Ele sorriu e me surpreendeu com um abraço. Fiquei uns segundos sem saber como reagir, mas depois, retribuí o abraço. Ficamos assim pelo que pareceram horas, mas então nos separamos. Ele estava com as bochechas douradas novamente e concluí que esse era realmente o modo dele de corar.
–Hã...então...er...boa noite Pine Tree.
–Boa noite Bill.
Ele saiu do meu quarto andando meio apressadamente. Deitei em minha cama, pensando naquele abraço. Não foi a mesma coisa de quando eu abraçava Mabel. Foi...diferente.
Talvez eu estivesse ficando louco.
Talvez eu realmente tenha sentido algo.
Talvez fosse apenas um sonho.