P.O.V: Cris

–FAST, MERDA! CORRE! –eu perdera as contas de quantas vezes gritara aquilo para aquele Elfo filho da mãe (N.Fast: E de um pai!)(N.Cris: Ai, meu Loki...)

Os Elfos Negros haviam nos alcançado graças a nossa demora no hotel, e o infeliz do Fast mencionara tudo, menos o fato de que agora, com eles tão perto de nós, poderiam nos rastrear pelo solo mesmo que o fugíssemos usando as macumbas de Elfo. Precisávamos sair do chão.

–O QUE VOCÊ ACHA QUE EU ESTOU FAZENDO? –ele estava mais frenético do que de costume

–MONTANDO UMA TARTARUGA MANCA QUE ESTÁ ESQUIANDO EM LESMAS VINDO DE RÉ! –berrei

Uma flecha passou zunindo ao lado da minha cabeça.

–PORRA, PORRA, PORRA! –gritei

–O QUE É PORRA?-Fast indagou

–PARA DE PERGUNTAR E CORRE!

–SIGNIFICADO LEGAL!

Aquele Elfo...Era pior que eu!

Mais flechas cortaram o ar a nossa volta e eu voltei para agarrar o pulso do Fast que, jumento do jeito que era, corria em linha reta com os braços para cima e o fiz correr em zigue-zangue.

–PORQUE TEMOS QUE CORRER ASSIM?

–PARA DE PERGUNTAR E CORRE!

–MAS ESSE NÃO ERA O SIGNIFICADO DE “PORRA”?

–FAST, MERDA!SÓ CORRE!

–SOCORRER?

–NÃO! CORRER!

–NÃO CORRER?

Soltei um grito frustrado. Eu tinha que dar aquele Elfo de presente de Natal pro Mir, cara... Eles só podiam ser almas-gêmeas de tão idiotas.

Além de flechas, os Elfos Negros passaram a atirar pedras.

Agarrei o braço do Fast com mais força e o puxei. Se aquele imbecil parasse de correr por um único segundo estávamos ferrados.

–DEUSES!

–PRINCÍPIO!

–GOKU!

–LOK...QUEM?

(N.Cris: Você ia dizer Loki? O.o Sabe quem ele é?)

(N.Fast: Não...Vi nas sua nota, lá em cima!)

(N.Cris: Ai, deuses...eu morri, vim pros campos da punição e não sabia?!)

Corremos como dois condenados( o que seriamos se parássemos de correr) e eu o empurrei por todas as esquinas que apareceram em nossa frente, rezando para que nenhuma desse em um beco sem saída. Não deram. Paramos em uma loja de conveniência.

–Sabe dirigir? –perguntei ao Fast, observando os inúmeros carros estacionados

–O que é dirigir?

–Na boa! Você deve ter uns mil anos de vida!

– Nove milhões oitocentos e trinta e quatro mil duzentos e noventa e nove, para ser mais exato!

–É...Você é um pouco velho demais para o Mir...

–O que?

–Deixa pra lá...

Ele agarrou meu braço.

–Vamos! Eles vão nos alcançar de novo.- ele falava aquilo tão rapidamente que parecia até animado.

–Não podemos correr para sempre Fast. Temos que parar de pisar no solo.

Olhei em volta. Meus olhos pararam em um cara, reabastecendo sua moto. Respirei fundo.

–Ai, meu pai...Que isso seja como em Mario Kart 8...

Fast me olhou sem entender e eu o puxei para um canto.

–Está vendo aquele cara?-indiquei com a cabeça –Acha que pode dar um jeito nele?

–Claro que eu posso! O que acha que eu sou? Você?

–O que você é eu não sei, mas vai ser uma pilha de carne moída nas profundezas do reino de Poseidon se não for um aprendiz obediente!

Ele engoliu em seco.

–Me calei...

–Ótimo. Vá lá de seu jeito naquele cara.

Ele assentiu, arregaçando as mangas das roupas pretas, que eram tão folgadas que caíram novamente.

–Droga...-Fast reclamou –Vi um cara fazendo isso dentro de um troço retangular na sua casa enquanto esperávamos você...Pareceu tão legal...

Imaginei um bando de Elfos sentados no meu sofá e esparramados pelo chão da sala, vendo televisão. Cara, aquilo era mais assustador do que o bando que nos perseguia no momento.

–Só...da um jeito nele, Fast.

Ele assentiu e foi. Fiquei observando o Fast cutucar o cara e empurra-lo para baixo pelos ombros. O homem afundou na terra até o nariz. Gente...O Fast era tão bonzinho para ser um Elfo Negro...Eu mesma teria enfiado ele de uma vez sem nem pensar que ele ia sufocar embaixo da terra...O coitado devia sofrer bulling na escolinha élfica dele...

Me aproximei e assanhei o cabelo do Fast.

–Muito bem, aprendiz!

–Ganhei pontos?

–...Não! –me ajoelhei de frente pera o cara enfiado na terra –Só para avisar, um bando de Elfos vai aparecer aqui. Eu não sei o que você vai ver, nem como você está vendo essa criatura que sou obrigada a aturar, aqui –apontei para o Fast –mas, provavelmente, você vai vê-los como pessoas normais, ou não tão normais assim, com roupas esquisitas. Você vai dizer que roubamos a sua moto e seguimos em frente, ou nós voltamos e afundamos você por inteiro.

Levantei e subi na moto. Chamei o Fast e ele subiu atrás de mim.

–Não é isso que vamos fazer? Roubar a moto dele e seguir em frente?

Me estiquei para pegar o capacete na moto ao lado.

–Não. Nós vamos roubar a moto dele e voltar por onde vinhemos. Tranquilamente e com os capacetes. Eles são burros, isso vai nos dar algum tempo. Agora segura.

Fast se agarrou a mim e eu acabei descobrindo que não. Não era como Mario Kart 8.

Levei um tempo para conseguir pilotar aquilo direito, mas divamente foda como eu era, não demorou muito. Passamos pelos Elfos numa boa, enquanto eles berravam e corriam como um bando de doidos erguendo seus arcos.

Mas é claro que a nossa sorte não durou muito tempo.

Uma policial nos parou.

–Sua documentação e a documentação do veículo.

Santo Poseidon...Eu tinha quatorze anos!

–Hum.Certo...-tateei os bolsos, fingindo procurar os documentos que eu não tinha. Para a minha alegria, meus poderes élficos resolveram ser prestativos e eu puxei a documentação, esperando não ter parecido extremamente feliz com aquilo.

–A placa é de bem longe...-ela comentou

–Isso não quer dizer nada! –protestei. Devo ter parecido desesperada(o que era bem normal com um bando de Elfos se cagando de raiva atrás de mim) por que ela franziu a testa.Fast tremia atrás de mim. Eu tinha que fazer alguma coisa. –A senhoraabe o quanto está trabalhando errado, certo?

Ela arregalou os olho, me encarando como se eu fosse uma louca.

–E a senhorita sabe que eu posso lhe prender por questionar a minha autoridade?

–Eu não questionei a sua autidade, só disse que estava trabalhando errado.

–Muito bem.-ela cruzou os braços, me encarando com ar de desafio –O que eu estou fazendo de errado?

Ai meus deuses...O que ela estava fazendo de errado?

–Bom, a senhora pediu a documentação, mas não me mandou desligar a moto, nem tirar o capacete. Como vai saber se os documentos são mesmo meus?

Ela ficou boquiaberta, não sei se pela minha audácia, pela minha falta de juízo, porque eu estava muito errada, ou porque eu estava muito certa.

–Desligue a moto e retire o capacete.

Errada eu não estava, mas ainda não estávamos liberados.Só tinha uma coisa na minha cabeça além de sair dalí naquele momento: Que eu não pareça uma garota de quatorze anos, que eu não pareça uma garota de quatorze anos...

Tirei o capacete e a lancei um sorriso. Ela não pareceu desconfiar da minha cara...

–Porque você está tão suja? –perguntou –Olhando agora, as roupas de vocês estão esfoladas e cheias de lama...

–Estavamos...Fazendo trilha! Caimos algumas vezes e...A senhora ainda está trabalhando errado, sabia?

Ela me olhou irritada:

–O que é dessa vez?

–A senhora me parou, mas enquanto eu estou aqui, no acostamento, a senhora está ao meu lado, bem no meio da pista. Se eu tivesse um caminhão e não gostasse da sua pessoa, passaria por cima.

Pelo olhar dela, soube que tinha decidido que eu era uma desmiolada.

A policial entrou no carro e estacionou na frente da moto.

–Mais algum problema?-perguntou tentando soar irritada, sem muito sucesso. Ela me achava engraçada ou alguma coisa do tipo. E o melhor é que eu nem tentava. Minha falta de juízo era tão boa as vezes...Talvez sempre...

Sorri ainda mais.

–Na verdade, sim. Eu estou super alvoroçada e a senhora não quer me deixar ir. Eu sei que o ar de minha graça é uma benção, mas se eu tiver que ultrapassar o limite de velocidade a culpa vai ser sua.

Fast agarrou minha cintura com mais força. Ele não a soltara mesmo com a moto parada. Eu sabia que ele estava com medo.

–Tudo bem. Vá. –a policial me disse –Mas nem pense em ultrapassar o limite de velocidade.

Liguei a moto e agarrei os documentos. Fast agarrou o capacete e colocou na minha cabeça de uma vez. Dei um chute em sua perna( que também estava tremendo).

–Lá! –ouvi a voz da Fýsi Mávro.

Nos encontraram rápido demais...O desgraçado do carinha devia ter nos estregado.E nós não íamos voltar para mata-lo, então...SON OF A BITCH!

Sorri nervosa e virei-me novamente para a policial:

–Não prometo nada.

E dei partida, ultrapassando de imediato o limite de velocidade.