The Torment Of A Sacrifice
35 A Melhor Parte
Notas iniciais
P.O.V: Cristal
–CUMÉ A HISTÓRIA, HOMI?
O Mir balançou as matrículas na minha cara.
–Somos todos adolescentes normais agora.
–E você sabe o que adolescentes normas fazem? -perguntei tentando tirar as matrículas de sua mão, o que não adiantou já que o Mir deu alguns passos par trás e os meus pés não me deixaram segui-lo -Elas matam aula, Adalgamir! Matam aula, compram comida, voltam para casa e assistem TV até dormir no sofá com a mão em um saco de doritos!
–Só que nenhum de nós tem uma casa agora. Então vamos ter que nos virar.
–E o que você sugere? -revirei os olhos -Ah! Talvez a gente possa sairpor aí cortando cabelos! No fim quem sabe não dá pra construir uma cabana debaixo da ponte?
–É o que?
–NADA, MERDA! -cruzei os braços -Não vou para a escola.
Mir me encarou como um pai segurando uma Barbie encararia a filha que queria um Darth Vader.
–Ah, você vai.
–E quem vai me obrigar? Você? -ergui as sobrancelhas -E mesmo que eu fosse por livre e espontânea vontade, o que não vai acontecer, acho que você esqueceu de um pequeno detalhe: EU NÃO FALO ALEMÃO, PORRA!
–Não? Por que um Elfo e o Alemão são conectados como um semideus e a Grécia antiga.
–Sério? -eu o encarei
–Não.- Fast (aquela desgraça piolhenta) se intrometeu — Você fez a reserva naquele hotel em húngaro e o recepcionista entendeu por que é culto.
–Uia, -eu ri -Toma na cara, cês dois! Eu sou poliglota!
–Hum-hum. -Mir revirou os olhos -E eu fui para a Alemanha confiado no Google tradutor essa cria élfica que você arranjou está manipulando as próprias palavras para parecer que sabe falar inglês.
Virei para o Fast impressionada:
–Você sabe fazer isso? Aí tu tenta me ensinar a pular de uma árvore e sumir na terra, catito?!
–Ele está sedo irônico, jovem criança. Tão nova e acha que já sabe de tudo..
–Tão velho e acha que manja das paradas..-retruquei -Cara, como é que você conseguiu viver tanto sem ficar entediado? Você já deve ter feito de tudo umas mil vezes!
–Ah, bem... -Fast deu de ombros -Sempre tinha um lago legal aqui, uma árvore nascendo alí, e eu ia levandoo a vida.
–Me faz um favor? -perguntei. Ele assentiu.
–Nunca mais me deixa te perguntar sobre seus anos de vida...
Mir pigarreou( eu tinha até esquecido que aquela Presença existia...).
–Ah, você anda está aqui... -eu o medi de cima abaixo
–Estou, mas se preferir eu poso ir embora e largar você e seu amigo Elfo no meio de uma viagem nas sombras. Legal, né?
–TA OUVINDO, NÉ TIO HADES? -Gritei -O PRESENTE MARAVILHOSO QUE O SEU FILHO QUER LHE DEIXAR? SUA SOBRINHA QUERIDA! JÁ TÔ AVISANDO QUE VAI TER FESTA NOS CAMPOS DA PUNIÇÃO!
–Merda...-Mir rosnou
–Prima sua? -sorri
P.OV:Thiago
Mandei para o Tártaro o que deveria ser o sexto ou o sétimo monstro do dia. Estávamos atraindo muitos.
–Pra mim já chega! -a Laura declarou. Os cabelos loiros grudavam nas bochechas e sangue escorria de vários cortes nos braços e um na bochecha.- Thiago, cara, eu sei que a barra aí tá pesada. Acredite, aqui também, mas aceita! A Cris morreu!
–Não! -insisti, mas não sabia como convencê-la.
–A Laura tá certa.- o Pedro apoiou -Você viu a casa queimando e a Cris não saiu. Não tem mais o que fazer, Thiago.
–Os Elfos também não saíram. -argumentei
–Deuses! -Laura bateu os pés -A gente nem sabe o que tinha naquela casa, Thiago! E não é como se os Elfos fossem querer a Cris no "bando" de uma hora para a outra. O que eles iam querer com ela?
–A Cris não é uma Winchester, Thiago -disse o Pedro -Ela morre e fica morta.
Balancei a cabeça.
–Eu vou encontra-la.
O Pedro soltou um longo suspiro e me encarou como se eu fosse seu irmão caçula dando trabalho
–Então estamos torcendo por você, cara.
E deu meia volta.
É...Não tenho muita certeza do olhar que ele me lançara agora...Quero dizer, quem largaria assim o irmão mais novo?(N.Cristal: Eu! o/ Se eu tivesse um pra largar...)
A Laura o seguiu e me deixou com Baka e um Renato de olhos marejados.
–Ela morreu? -ele perguntou
Baka esfregou o rosto.
–Não sabemos. -confessou e com um sorriso forçado acrescentou -Mas esperamos que sim, não é? Garotas são um saco...
Renato fez um bico gigante.
–Ah, qual é?! -Baka reclamou -Vamos, concorde comigo! Animes! Música alta! Um chalé inteiro pros garotos...-ele viu a expressão no rosto do irmão e parou de tentar convencê-lo -Não? Tá.
Ele agarrou meu braço e me puxou para longe.
–Vou levar o Renato de volta. Com ou sem aquele projetil tosco de irmã que Poseidon inventou de me dar, eu ainda sou o mais velho. Não vou deixar le ter esperanças. Avise se encontrar alguma coisa, se não, acho bom se preparar por que vamos ter que encenar A Bela Adormecida para o Renato ficar feliz, e você sabe quem vai ser a princesa?
–Eu?- arrisquei
–Claro que não, seu idiota! Eu vou ser a princesa! Você vai fazer uma das fadinhas! E a Laura e o Pedro também.
Revirei os olhos.
–O seu irmão vai ficar ainda pior se me vir de fada, acredite.
–Já se viu de fada, por acaso? -neguei -Então talvez você fique uma graça. Está precisando.
Baka voltou para Renato e o jogou sobre um ombro, levando-o de volta. Suspirei. Era só eu contra um bando de Elfos Negros e uma maneira de chegar a Alemanha. Uma ideia doida me ocorreu. Mas tentar valia a pena.
P.O.V: Cristal
O Mir tinha concluído conosco a viagem nas sombras e agora, o Fast, a Srta.Troll e eu estávamos enfurnados em uma combe colorida porque, segundo a criatura primitiva que era o Mir, era o melhor que podíamos arrumar se não quiséssemos morar debaixo da ponte.E então eu o despachei na importante missão de arrumar algo para encher minha barriga.
–Tudo bem. -disse, tentando quebrar o tédio -Me dê uma sequencia de 10 palavras. Vamos fazer o desafio do celular.
–Hum...Certo...
Peguei o celular do bolso e o liguei. Vasculhei números e números na minha agenda telefônica( que só tinha seis pessoas pra cês verem como eu tô bem). E eu não podia ligar para cinco.
–Vai ter de ser pro Mir mesmo.
Eu fiz a chamada e coloquei no viva voz.
–O que você quer?–Mir atendeu, irritado
Fast desenhou a palavra "hospital" com os lábios.
–Mir, -falei, colocando drama na voz -acode que eu tô no hospital!
–Eu te deixei sozinha por alguns minutos com aquele Elfo e você já está no hospital?O que aconteceu
"Golfinho"
–É o meu golfinho...
–Seu o que?
"Wi-Fi"
–O meu golfinho...Ele ficou preso em uma rede, Mir! Uma rede de Wi-Fi!
–Como é a história? Vem cá, você sabe que celulares atraem monstros, não é? O que você quer?-ele repetiu
"Carteira"
–É que eu perdi a minha carteira...
"Spock"
–Da onde você conhece o Spock? -perguntei ao Fast
–O que? -Mir questionou
–Nada...É que eu perdi a minha carteira e...Eu tô com muito medo que o Spock encontre ela.
–Mas isso ia ser bom e...Como assim o Spock? Você está bêbada?
"Ópio"
–Não...É que tinha um cara na escada e ele me deu ópio...
–Então você está drogada? Francamente!
–Ah, não! Eu droguei o Fast!
"Quente"
–Cara, -eu disse -Eu vi uma coisa muito quente agora!
–Me diga que o Elfo não está...
–Ah, deuses! Não seu podre!
"Azul"
–Eu vi o Okumura Rin, de Ao No Exorcist.
–O daquele anime loucão? Onde é que você está afinal de contas?
–Esse mesmo! O dos bagulho azul!
–Cristal de La Luna, já chega!
Eu e o Fast prendemos as risadas.
"Bebê"
–Cara, você não vai acreditar! Acabaram de deixar um bebê aqui na porta!
–Um bebê! Não mexa nele, você vai acabar matando a criança! Eu estou indo e...
–Antes eu do que essa sua cara feia! -rebati
"Lixo"
–Mir, esse bebê ta podre! Um lixo que nem você! Tchau, não me liga! Se perde no caminho e não volta pra casa! Quero dizer...Pra combe...Ah, esquece!
–Mas...
Desliguei.
Eu e o Fast rimos como dois otários até algo chacoalhar a combe.
Peguei o celular e o desliguei.
–Celulares realmente atraem monstros? -Fast me perguntou
Sorri para ele, puxando a mexa que agora era mais longa que o meu cabelo cortado na linha dos ombros.
–Essa é a melhor parte.
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