A neve caia fina, em pequenos flocos. O chão e tudo mais em Hogwarts estava branco como papel. James apontou a câmera para a linda imagem a sua frente. Lily Evans sentada em um dos banquinhos de pedra. Os seus cabelos de fogo eram a única coisa que chamavam atenção em uma paisagem nua como aquela.

Depois de bater a fotografia e guardar a câmera, James se aproximou dela, sem que ela a visse, e sacou a varinha. Um fino filete dourado escorreu da varinha como ouro derretido, serpenteando no ar até Lily. Ela colocou o livro de lado quando viu o feitiço, que lentamente, sob seus olhos, se transformava em uma flor, completamente dourada. Lily sorriu e tocou o objeto. Assim que ela o fez, ele se transformou em um pingente, ainda no formato da flor, mas que agora cabia na palma da mão. Junto dele havia um bilhete?

“Notei que seu colar não tem nenhum pingente, e decidi resolver esse problema.

P.S

Quer sair comigo?

– James”

Lily revirou os olhos, ela pegou uma caneta na bolsa e rabiscou o papel, depois pegou o pingente e colocou em seu pescoço, por fim, Lily se levantou, olhando em volta, com um sorriso nos lábios.

James correu até o banco assim que Lily saiu, lendo a resposta atrás de seu convite.

“ Obrigada pelo presente.

P.S

Não

– Lily”

James guardou o bilhete no bolso do casaco, mas não se decepcionou. Ele sorriu ao ver Lily passar por ele, ignorando-o como sempre, mas com um brilhante pingente de ouro balançando em seu pescoço.

– Valeu muito a pena – ele disse pegando o relógio de ouro que ganha de seu tio no aniversário, agora sem a pulseira, que ele tinha usado para fazer o colar de Lily.

*

O Natal chegara em Hogwarts. James, sentado em cima do malão, via Hagrid trazer um pinheiro gigantesco para dentro da escola, com ajuda de algumas criaturas que ele deveria reconhecer de seu livro de “Criaturas Fantasticas e onde Habitam”

Sirius desceu as escadas. Ele usava pijamas e trazia uma carta na mão. O garoto se jogou no sofá ao lado de James. Os olhos vermelhos e a expressão emburrada.

– Onde está seu malão? Vamos embarcar dentro de duas hora. – James perguntou.

– Não vou para casa esse natal – ele disse balançando a carta. – Eles educadamente me disseram que não sou bem vindo.

Sirius tinha problemas com a família. Ele vivia discordando do que eles faziam, e sempre brigavam. Aparentemente, a briga dessa vez tinha sido séria.

– Va arrumar seu malão – disse James.

– Eu não vou para casa James, eles não me querem la, e eu também não preciso deles – Sirius declarou.

– Va arrumar seu malão. Esse natal você vai passar com a família Potter. Ou você acha que eu deixaria meu melhor amigo sozinho no natal?

Sirius sorriu e lançou os braços em volta de James, que retribuiu o gesto, com um sorriso, depois Sirius beijou a bochecha de James e subiu as escadas correndo, dois degraus de cada vez, enquanto James praguejava e limpava a baba da bochecha.

*

James sacudiu a neve de seus cabelos assim que entrou no trem. Ele e Sirius foram até o vagão onde Frank estava sentado com Peter e Remus. Alice entrou logo depois deles, se aconchegando do lado de Frank, Sirius riu do amigo que o viu corar.

– Cale a Boca Black – ele resmungou.

– Eu não disse nada! – Sirius exclamou, enquanto ria.

Marlene entrou logo depois, e se sentou entre James e Sirius, esticando as pernas em Black. Que corou. Lily ficou parada na entrada, encarando, de braços cruzados, o único lugar vago, ao lado de James.

Ele sorriu daquela maneira que ela tanto adorava, e deu dois tapinhas no acento. Ela bufou e sentou-se ao lado dele, completamente ereta, parecendo muito desconfortável e contrariada.

Marlene revirou os olhos para a amiga.

– Alguem quer feijõezinhos? – Peter perguntou, estendendo o pacote. Sirius foi o primeiro a pegar.

– Chocolate – ele disse contente, e passou o pacote Marlene.

– Eca! – ela cuspiu – Acho que era de cera de ouvido. Alice?

Alice enfiou a mão no pacotinho, e tirou um feijãozinho vermelho, depois de analisa-lo bem, colocou na boca. Ela cuspiu o doce um segundo depois, passando a língua nos dentes. – Pimenta! – ela exclamou.

Frank colocou a mão no saquinho e colocou um feijãozinho branco na boca, depois sorriu. – Menta! – ele anunciou, sorrindo.

– Parece que descobri como tirar o gosto de pimenta da minha boca – Alice disse, puxando Frank para si pelo colarinho. Sirius, Peter e James explodiram em palmas e assobios enquanto eles se beijaram. Quando Alice finalmente soltou Frank, ela mostrou a língua para os garotos, com o feijãozinho de menta na ponta.

As horas se passaram, e todos, menos James dormiam no trem. Lily, ao seu lado, cochilava desconfortavelmente. Sempre ajeitando a cabeça, e cruzando os braços. Ela bufou e esfregou o rosto. Colocando os cabelos ruivos para trás.

– Você pode deitar no meu colo, se quiser – James ofereceu, sério.

– Não, obrigada Potter, mas estou bem assim – ela disse relutante.

– Você quem sabe, mas eu acho que seria bem mais confortável, afinal, você é a única que insiste em dormi sentada. – ele indicou o resto do vagão com a cabeça.

– Não – ela disse firmemente.

– Sua escolha – James deu de ombros – Boa noite Lily. – Ele apoiou a cabeça no vidro, cruzando os braços e fechando os olhos.

Ele ouviu Lily bufar – Tudo bem, mas se você fizer alguma gracinha...

– E o que eu faria? Não seja boba Lily, não sou o monstro que você faz de mim.

Lily deitou o corpo de lado e apoiou a cabeça na cocha de James, sem falar mais nada. Ele ficou de olhos fechados, mas escutando a respiração de Lily até ela se tornar calma e ritmada. Foi só ai que ele se permitiu cair no sono.

*

James abriu a porta de sua casa, tremendo de frio até os ossos. Sirius veio logo atrás. Os Potters não puderam busca-los na estação, então eles teriam que aparatar de volta para casa, exceto que erraram o lugar e tiveram que caminhar por dez quadras até a casa de James.

– James! – veio uma voz de dentro da casa. Uma mulher mais velha apareceu, limpando as mãos no avental. Ela era baixa e um pouco gordinha, com olhos brilhando e cheia de rugas de expressão que só a deixava mais adorável. – Eu e seu pai estávamos te esperando, por onde andou?

– Aparatamos no lugar errado – ele respondeu.

– Sirius querido! – a senhora Potter exclamou, indo até o garoto – James mandou uma carta para nós, saiba que é muito bem vindo em nossa casa para ficar o tempo que quiser. Você está molhado até os ossos! Vou pegar uma toalha para você. James, você também, já para o banho, não quero bruxinhos resfriados no natal.

Sirius sorriu para James, um sorriso genuíno, que ia de uma orelha para outra. Seus olhos falavam por ele “Obrigado por me dar uma família” era o que podia-se ler no rosto dele.

*

Lily suspirou. Suas férias estavam sendo tão ruins como tinha suposto. Des de que seu pai morrera, no ano anterior, o lugar não era o mesmo. Lily ainda podia ouvi-lo xingando a televisão, ou rindo até perder o ar quando fechava os olhos. Podia imaginá-lo sentado em sua poltrona, contando historias de sua infância, e segurando a mão de Lily, pedindo para ela que contasse tudo sobre um mundo que ele nunca soube que existia.

Mas quando abria os olhos novamente, a poltrona voltava a ficar vazia, os sons de riso iam embora, e eram substituídos por um silêncio constrangedor, junto com a tosse de sua mãe. Petunia também não ajudava em nada, a garotinha que tinha sido sua amiga na infância tinha sumido, substituída por uma mulher invejosa e amarga, que não suportava ouvir Lily falando sobre Hogwarts, e ficava na sala sentada, reclamando, com seu namorado nojento.

Quando Lily conheceu o garoto, Petúnia já tinha envenenado Lily contra ele. Ambos tinham o temperamento ranzinza, e ele apenas torceu a boca quando Lily o cumprimentou, animada.

Eram poucos os momentos que Lily se dava bem com a irmã, e estes eram cada vez mais escassos. O ultimo que ela se lembrava fora na morte do pais delas. Petúnia entrara no quarto de Lily, era tarde da noite, mas ela ainda usava o vestido preto do funeral. Ela foi até a cama de Lily, como uma garotinha, e Lily a recebeu de braços abertos. Ambas choraram a noite toda.

Agora, Petunia estava fria e mal humorada. Ambas estavam sentadas na mesa de café da manha. Petúnia cortava o bacon, a cara em uma carranca, evitando olhar para Lily. Assim que ela terminou, saiu da mesa sem dizer uma palavra. Lily se levantou com um suspiro de desapontamento, e retirou os pratos para lavá-los. Todo ano ela esperava uma melhora em sua relação com a irmã. Todo ano está só piorava.

– Não ligue para Túnia – disse sua mãe, como se lesse seus pensamentos. – Ela é uma boa garota, cuida de mim. Mas você sabe como ela se sente em relação a você.

Lily enxugou as mãos no pano de prato, os olhos se enchendo de lágrimas.

– Eu sei, mas ela não podia ao menos ser gentil? Eu só queria que ela fosse minha amiga, o fato de eu ser uma bruxa não muda quem eu sou. – ela disse com a voz chorosa.

– Eu sei meu bem, eu sei – a mãe de Lily abriu os braços, e ela abraçou a mãe. – Eu tenho muito orgulho de quem você é, e quem sabe, em suas férias de verão, você já terá seus 17 anos, e pode me mostrar alguma mágica bonita?

– Com toda certeza mãe – ela disse limpando as lágrimas.

– Vamos aproveitar que Túnia saiu,e me conte sobre seu ano na escola, e tudo sobre esse tal desse James Potter. E quero também saber porque o garoto Snape não apareceu até agora.

Lily riu entre lágrimas e pegou a mão da mãe, a conduzindo até a sala. Ela podia jurar que seu pai estava la também, se deleitando nas historias sobre um mundo que ele nunca teve a chance de conhecer.

*

Feliz natal Almofadinhas! – James exclamou, escancarando a porta do quarto de visitas. Sirius resmungou no sono, mas James não desistiu de acordá-lo. Ligou o radio, que tocava aquelas insistentes musicas natalinas, quando um papai noel de brinquedo enfeitiçado entrou voando e exclamando “ Feliz Natal, Feliz Natal!”

– Tá bom, já acordei, desliga essa coisa! – Sirius exclamou, se colocando de pé, mas James já tinha deixado o quarto.

O garoto se trocou e desceu as escadas, para encontrar James e seus pais sentados em volta de uma arvore de natal.

– Estávamos esperando por você – disse James, jogando um pacote em direção a Sirius.

– Para mim? – ele perguntou surpreso – Eu não posso aceitar, me desculpem, mas estou completamente quebrado, meus pais não me dão mais dinheiro e eu...

– Nós não ligamos pra isso filho! – disse o senhor Potter.

– E James nos falou sobre seu problema com a família, sentimos muito – disse a mãe de James – Saiba que vamos te ajudar, e pode ficar aqui o tempo que quiser. Você será o irmão que nunca demos a James.

Sirius sorriu, os olhos marejados, quando James se levantou e o abraçou.

– Obrigada, irmão – ele disse.

– Agora, os presentes! – declarou a senhora Potter, animada.

A Senhora Potter ganhou de Natal um vestido e um colar de ouro de seu marido, e um frasco de perfume de James. O senhor Potter ganhou um relógio de sua esposa, e de seu filho, ganhou duas gigantescas caixas de doces da HoneyDukes, que ele tanto adorava. James ganhou três novas camisetas e uma calça jeans de sua mãe, e um violão novo de seu pai.

– Percebi que seu antigo estava gasto e velho, agora você pode pendurar o antigo na parede – ele dissera.

Sirius ganhou dois suéter da Sra Potter, e um envelope com quinhentos galeões do senhor Potter.

– Eu não posso aceitar isso, de verdade – ele disse afastando o dinheiro de si.

– Não seja bobo menino. Não temos problemas com dinheiro e você está passando por uma fase difícil.

– Eu pagarei cada centavo – ele disse firmemente.

– Não tenho duvida – Senhor Potter sorriu.

Depois James tocou algumas canções natalinas no violão, para estreitar o novo instrumento.

*

As férias estavam quase no fim, e Lily estava aliviada. Em uma semana, ela estaria dentro do trem, voltando para Hogwarts. Mas até a data chegar, ela não tinha absolutamente nada para fazer. com sua irmã fingindo que ela não existia, e brigada com Snape, Lily não tinha companhia. Ela se afastara de todas suas amigas do colégio, e agora passava as horas sentada no quarto, lendo.

A campainha tocou, e a mãe de Lily gritou – Lily? Pode atender? Petunia saiu com o namorado a algumas horas.

Lily desceu as escadas, tentando arrumar o cabelo da melhor maneira possível. Ela usava calça de moleton e um casaco largo, que fora de seu pai. Quando abriu a porta, quase caiu para trás com o susto.

Parado, na sua frente, estava James Potter. Os cabelos estavam bagunçados, como sempre, e ele a observava por trás de seus óculos circulares. Atrás dele estava Sirius, que parecia ao mesmo tempo surpreso e com vontade de rir.

– Lily – ele disse com aquele meio sorriso.

– O que você está fazendo aqui Potter? – ela perguntou.

– Ora, quanta falta de educação, não vai nos convidar para entrar? Está frio aqui fora.

– Lily! – gritou uma voz do andar de cima – Chame as visitas para dentro!

– Você ouviu minha sogra – disse James.

Ugh – ela bufou, e James e Sirius entraram. – O que vocês estão fazendo aqui? Está tudo bem?

– Ótimo, na verdade, só estávamos entediados, e James surgiu com a ideia de te visitar – disse Sirius.

Lily afundou no sofá – Não posso negar que também estava entediada – ela disse.

– Perfeito! – James sorriu – Vamos dar uma volta, você pode mostrar a cidade para nós!

– James, não tenho certeza...

– Ah Lily, vamos! Eu prometo, nenhuma gracinha.

– Tudo bem – ela disse revirando os olhos. – Mãe! – ela gritou – Vou sair com uns amigos!

– Divirta-se minha filha! – respondeu a mãe de Lily.

Lily levou James e Sirius para um pub bem frequentado, onde eles tomaram algumas doses, e James se viu livre para fumar um cigarro, não sem antes receber um sermão de Lily sobre como aquilo destruiria seus pulmões.

– Precisamos voltar para casa, já está muito tarde – disse James, seus olhos quase se fechando na mesa do pub.

– Estamos muito bêbados para aparatar James – disse Sirius – Já não somos bons nisso quando sóbrios, então a não ser que você queira que aparatemos para o meio do nada vamos ter que arrumar um hotel para passar a noite.

– Vocês podem passar a noite em casa – disse Lily – temos um quarto de hospedes.

– Quarto de hospedes para Sirius, porque eu vou dormir com você, Lily – James disse sorrindo.

– O que você disse sobre, sem brincadeiras? – ela retrucou.

– Promessas de sóbrios não se aplicam a bêbados – ele disse levantando o copo.

– Vamos – Lily disse se levantando. James foi até o balcão e acertou a conta, pagando tanto a parte de Sirius como de Lily. Os três caminharam de volta para a casa de Lily. Ela fez ambos os meninos tomarem banho antes de dormir, para espantar um pouco a embriaguez, e os livrar do cheiro de álcool. Enquanto eles se limpavam, ela arrumou as duas camas.

Ela passou no quarto de sua mãe e avisou que os meninos passariam a noite por la. Depois fechou a porta do quarto de Petunia, e finalmente foi para o seu.

Logo depois que ela se deitou, viu uma fresta de sua porta se abrindo, a silhueta de um garoto entrou em seu quarto. Lily fechou os olhos, fingindo dormir. James tirou o cabelo do rosto dela e delicadamente beijou a testa da garota.

– Obrigada – ele murmurou, e depois saiu do quarto.

Lily sorriu, sem saber ao certo o porque, e os sonhos que ela teve naquela noite foram tão doces quanto o beijo de James, que ainda formigava em sua pele.

Notas finais
espero que tenham gostado! por favor deixem seus reviews!