The Throne

4 Reino Ferido


Notas iniciais
Bom, nenhum comentário, eu já esperava. Para quem estiver lendo isso, saiba que eu não vou excluir a história... continuarei escrevendo ela porque eu gosto, eu quero. e mesmo que nem haja leitores fantasmas (e se tiver) continuarei sendo gentil. *** Sem mais delongas birdies, mais um cap...

Após o enterro do rei, Lilá desapareceu.

Nunca mais se ouviu falar em seu nome ou em seus feitos, o que de fato, alegrou o reino e principalmente Phillip, que temia a grande bruxa e com seu desaparecimento repentino, logo tomou o trono para si, tornando-se o rei logo nomeando o grande reino como Rannych Brytania*, em homenagem aos terríveis acontecimentos que ocorreram e mesmo que, em seu governo, o reino prospere, eles nunca iriam esquecer quem era a Bruxa das Bruxas e o que ela era capaz de fazer e como os últimos governantes foram leais e corajosos até o seu ultimo suspiro.

***

Quarenta anos depois

O copo de madeira cheio de cerveja foi colocado na frente do homem grisalho.

Já era o quinto em dez minutos e alguns devaneios.

— Harry, meu caro, não faça isso novamente – disse o dono da taberna.

— Me deixe em paz! – murmurou o homem, com uma aparência terrível, como se houvesse dormido por dias.

— Pela nossa amizade, largue esse copo, não precisara pagar, e volte para o teu filho, sabes muito bem que sua mãe não tem mais idade para cuidar de crianças.

— Ora, cale essa boca. Você, meu caro amigo, diz isso por que Nora ainda esta viva... Ela engravidou e pariu o teu menino e ainda esta viva...

Porem, antes que terminasse o dono o interrompeu.

— Esta viva, graças aos céus, no entanto se não estivesse, eu ainda teria o meu Samuel, o melhor presente que qualquer o homem poderia receber... Já devia ter superado já se passaram sei anos...

— Seis longos anos de pura agonia, você não sabe como é olhar para aquele menino que se parece tanto com Emília e saber que foi por causa dele que ela morreu...

— A culpa não foi dele, homem imaturo, a tua esposa deu a vida por ele porque ela mesmo não o conhecendo já o amava. – disse o dono que já começava a perder a paciência.

— Olha Henry, sei que esta tentando me ajudar, mas, por favor, me deixe sozinho com a minha dor – Harry, após dizer isso pegou uma garrafa inteira de cerveja, colocou algumas moedas no balcão e saiu da taberna.

Ele simplesmente não aceitava. Olhava para o menino, sempre sorrindo e prestativo e pensava “Por que você ainda esta vivo? Você, criatura, tirou-me a felicidade, tirou minha esposa”, mas então lhe ocorria que o mesmo não conhecia a mãe, o que o deixava feliz era saber que não era o único a sofrer.

E acima de tudo, a sua nova descoberta lhe atormentava, sugava cada pensamento que tinha sobre algo qualquer. Sua mãe, Millah, disse-lhe que seu pai era o rei Aaron e não aquele simples camponês que havia lhe criado com tanto amor e falecido alguns anos antes de seu casamento.

No inicio, ele achara que sua mãe trairá seu pai, contudo ela logo lhe explicou que isso aconteceu meses antes de conhecer seu pai, que era empregada e que fora confundida com a falecida rainha Melanie e que depois fugiu, com ajuda do rei, de Lilá.

Então, de fato, ele era herdeiro a tudo aquilo e o rei Phillip nunca devia ter tomado o trono. E por falar no mesmo, alguns fatos devem ser ditos e um deles é que ele é gordo e barbudo; casou-se com seu primeiro amor tornando-a sua rainha e teve gêmeos, Rômulo e Stephen. Agradável uma vida como essa, devo admitir, mas com o reino na miséria, custeando os bailes privados desnecessários de Phillip, com as meretrizes mais caras que havia, é difícil viver um conto de fadas. Agnes, a rainha, vive depressiva e com todos os guardas do castelo como seus amantes. Os gêmeos, do grande capitão, sabendo desde tão cedo, como guerrear.

Então, isso também não era justo. Os gêmeos e ele tinham praticamente a mesma idade e ele consegui ver o quão diferentes eram a suas realidades. Sua visão estava turva e ele cambaleava, e com certeza não sabia onde estava. Logo caiu no chão, bêbado e com a garrafa vazia, gritou o nome de sua esposa e chorou até dormir ali mesmo.

Não muito longe dali, Millah já se preocupava com a demora de seu filho. Havia dado o pouco que tinha para comprar carne, mas ela tinha a plena certeza que ele não daria a mínima para isso e iria gastar em bebidas e mais bebidas. As nuvens já se formavam, e ela sentiu o cheiro de chuva.

Aquela noite iria esfriar.

— Hugo – chamou a mulher – venha com a vovó buscar um pouco de lenha, sim?

O menino somente assentiu, com os grandes olhos de cores diferentes, um cinza e o outro tão azul quanto o céu. Todos da vila diziam que aquilo era uma aberração e por esta razão, o pequeno não tinha amigos, o que restava era ajudar sua avó com o que precisasse.

Ele pegou a mão da velha mulher e começou a guia-la pela floresta e ajuntando os galhos secos que encontrava. Era a tarefa de Harry lidar com as lenhas, mas o estoque havia acabado e o homem não tinha a mínima vontade de ajudar.

Quando achara o suficiente para aquela noite voltaram para o casebre. Millah lhe deu banho, ele se vestiu e foi deitar-se, mesmo com fome.

— Perdoe a vovó, não temos mais mantimentos, mas eu lhe prometo que amanha eu farei um ensopado maravilhoso. Alias amanha é o aniversario do papai, você quer esperar ele chegar para dar o que você ou você quer dar a amanha quando ele acordar?

— Mas ele vai ta aqui em casa? – perguntou o menino em sua inocência que a fez querer chorar e dar uma surra em Harry.

— Sim, ele estará e vai adora o que você fez para ele – e ela sorriu, sabendo que o mesmo não sentia nada pelo menino alem de ódio e insatisfação.

A chuva la fora caia forte e pesada. No meio da madrugada, Harry abriu a porta, todo molhado, logo vendo sua mãe sentada perto da lareira, lhe esperando... Como sempre.

— O que ainda faz acordada? – perguntou ainda com a voz arrastada.

— Eu não sei quem sabe você não possa me dizer? – ela o olhou com raiva faiscando de seus olhos. – cadê a carne que eu lhe pedi para comprar?

— Eu não comprei.

— Então quero minhas moedas de volta – pediu ela em ordem já sabendo qual foi o destino delas.

Ele a ignorou. Passando por ela, tirou o casaco ensopado e o colocou em cima da cadeira.

— Você é um covarde. Seu filho dormiu com fome e onde você estava? Bebendo igual a um porco...

— Não quero ouvir sermão hoje mãe. – disse ríspido.

— Como é? Você não quer ouvir sermão? Harry eu não aguento mais gastar as minhas forças costurando belos vestidos e ganhando tão pouco para você gastar tudo em bebida...

— E o que você quer que eu faça, hum? Que eu esqueça tudo, que eu esqueça que Emilia morreu...

— Não quero que esqueça, quero que dê um jeito na sua vida, que crie o seu filho, pois eu não sou imortal, um dia irei morrer e não podemos deixa-lo sozinho...

Harry a olhou rindo amargamente.

— Você não pode, mas eu posso.

Millah o encarou em silencio não acreditando no que ele dissera.

— Como você ousa dizer isso? Como ousa fazer isso com o seu filho – ela gritou lembrando-se do presente que Hugo havia feito com tanto carinho para aquele porco.

— Como eu ouso? Ora mãe assim como você ousou se deitar com o rei como uma meretriz, fugir, e ainda por cima enganar o meu pai e a mim sobre quem eu realmente era.

Ela se calou. Não tinha lhe dito que fora abusada sexualmente, preferiu omitir essa parte. Aquelas palavras cortaram o seu coração, nunca doera tanto.

— Hugo, lhe fez um presente – falou depois de um tempo – ele fez com tanto carinho, ele andou treinando com o artesão daqui da vila...

— Eu não quero saber...

— E eu quero que você aceite de bom grado, agradeça, ira dizer que o ama e que ficou lindo... Depois se quiser pode sair e beber igual a um porco.

Um minuto inteiro se passou ate que ele tornasse a falar e dessa vez com ódio.

— Eu nunca irei fazer isso. Eu nunca o amei e nunca irei amar. Pode dizer a ele para jogar qualquer porcaria que ele tenha feito para mim fora.

Com isso ele pegou um casaco seco, já que a chuva tinha parado e saiu batendo a porta.

Mal sabia os dois, que o pequeno havia escutado tudo e chorava baixinho. Se fosse um adulto, se acharia um tolo por ter colocado o presente no casaco do pai antes do mesmo dizer aquilo e sair. No entanto, ele ainda era uma criança, terrivelmente machucada pelas palavras. Ele se sentou na cama e olhou para sua vovó, que se encostara na lareira e logo se sentou, chorando.

Levantou-se e foi até ela e durante o percurso, secando suas lágrimas com as costas das mãozinhas pequenas e rechonchudas, para que a mesma não as visse. Ele ficou parado na frente dela e abraçou-a, a fazendo chorar ainda mais.

Eles iriam ajudar um ao outro, ele prometeu a si mesmo, com o sem Harry.

Notas finais
N/A: Rannych Brytania quer dizer reino ferido, assim como o nome do capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.