The Throne
2 A Vingança
Notas iniciais
... De longe, Lilá conseguia ver o quarto da pequena Allyson, faltava poucos minutos para colocar tudo em prática, com Aaron longe, guerreando, seria a coisa mais fácil que havia feito em toda sua vida.
Mataria Melanie e Allyson e penduraria suas cabeças na praça central do reino, já os corpos tinham um destino diferente: tiraria o sangue e beberia na melhor taça de cristal que tivesse e quanto os órgãos, daria aos empregados, eles comiam qualquer coisa
Não estava sozinha, óbvio. Ela tinha contratado mercenários e alguns ladrões meia boca apenas para distração dos guardas.
Melanie havia sentido sua presença, não só esta noite, mas como nas anteriores. Tinha certeza de que a mãe estava à espreita, pronta para atacar, sendo assim, Aaron mandou reforçar a segurança das duas e do castelo, mas as semanas se passaram e Lilá não aparecera, então não se importou e diminuiu a guarda.
Meia hora depois, começou a invasão, a maioria dos ladrões e mercenários já estavam mortos e Lilá tinha que admitir que os guardas eram de qualidade, mas se não houvessem traidores no reino, jamais estaria lá.
Pelas sombras, foi em direção ao seu primeiro alvo: Allyson. Embora ela fosse uma presa fácil, não era a garota que ela queria – em sua nobre opinião, a existência dela foi um mero defeito do destino – era a mulher que a gerou.
No entanto, ao entrar no quarto da garota, viu que não havia ninguém e logo se enfureceu, agora sim, acabaria com as duas de uma vez.
Melanie corria com sua filha nos braços, para fora do castelo a procura de um milagre. Naquele instante, ela teve a completa certeza de que iria morrer, mas não antes de salvar sua filha, deixa-la segura. Como ela desejava que Aaron estivesse com ela.
Há semanas, ela vinha sentindo a presença de sua mãe, e isso estava deixando-a paranoica e seu marido preocupado com sua sanidade.
Corria pela floresta desesperada e sentia sua mãe cada vez mais próxima. Em um ato de desespero e sem a quem recorrer, conjurou um dos feitiços mais perigosos que existia na época, trancafiar uma pessoa de corpo e alma dentro de um objeto.
Sendo assim, pegou seu anel de casamento, todo feito de ouro com uma safira azul em cima, e conjurou o feitiço, guardando Allyson dentro da joia. Ela sabia que algum dia, sua filha conseguiria sair, se libertar, mas por hora isso bastava, então jogou o anel no rio e a joia se perdeu no meio da escuridão.
Sua última lembrança: Ela, Allyson e Aaron, há duas semanas, brincando no jardim do castelo e então tudo escureceu...
Após saber da invasão, Aaron se apressou mais para chegar ao castelo, havia ganhado a guerra, por isso estava chegando mais cedo, morria de saudades de sua filha e de sua mulher: brincaria um pouco com Allyson e depois se trancaria em seu quarto com Melanie, e mataria toda sua saudade.
Com o coração batendo a mil e com medo, muito medo de ter acontecido algo com Melanie e Allyson.
Entrou no castelo, que estava todo escuro e foi direto ao quarto que dividia com Melanie – já que em todas ás vezes que ia em uma guerra, Allyson dormia com a mãe, pois tinha medo do escuro – porém, ao passar na sala do trono, sentiu um perfume forte e peculiar, mas já conhecido.
Chegou mais perto, e reconheceu a figura sentada na cadeira que no qual lhe pertencia: Lilá. Ela sorria diabolicamente para ele e passava a mão no cabelo de alguém ao seu lado sentado na cadeira de Melanie... mas era a sua mulher que estava sentada lá.
E ela estava morta.
– Oi, meu amor! – disse Lilá sorridente
– Lilá...- e essa foi sua diplomática resposta
– Oh meu amor, senti tanto a sua falta, agora nós podemos ser felizes... – ela disse
– O que você fez...? – ele perguntou olhando diretamente ao corpo de sua mulher não acreditando no que via.
– Ora, apenas retirei uma imensa pedra do nosso caminho, meu amor – ela disse com orgulho de si mesma – alias... – passou a mão no rosto de Melanie, que estava todo cortado e praticamente fora do corpo – sou mais bonita que ela, mas devo admitir que ela era bem atraente, poderia ter tido um futuro magnifico se não tivesse sido intrometida, e ter atrapalhado o meu, mas nada mais importa, meu amor, ela está morta e nós dois podemos ter o nosso felizes para sempre. – ela disse com convicção
Aaron estava completamente sem reação, ver seu único amor sem vida, o deixava vazio por dentro...
– Allyson... – ele disse completamente desolado
– O que tem ela?
– Onde ela está?
– Essa é uma ótima pergunta, meu amor, parece que Melanie deu um jeito de esconde-la, mas não se preocupe quando acha-la farei o possível, para ela não interferir em nosso futuro.
Em seu vazio coração, uma chama de esperança nasceu: Allyson não está morta, disso tinha certeza, mas... por que que Lilá estava segurando uma taça perto do pescoço de Melanie?
– Ora, meu amor... quando matamos alguém que odiamos, aquela que destruiu todas as nossas esperanças, devemos beber seu sangue, devo admitir que este foi o melhor que eu já tomei – ela explicou – você quer? Vamos brindar, meu amor – pegou outra taça, esperou encher de sangue e lhe ofereceu – A nossa vitória!
– Ela estava certa...
– Sim estava, ela sabia que eu estava aqui, ela ficou completamente paranoica com isso, não foi? – ela gargalhou. – Alias redecorei sua sala – ela levantou sua mão e todas as tochas acenderam. Corpos de seus soldados, empregados e a babá de Allyson, estavam pendurados de cabeça para baixo – Gostou? Ah! minha nossa, esqueci de um detalhe importantíssimo...
Ela puxou uma corda, que estava preso no corpo que um dia foi de sua filha, e a levantou, deixando-a do mesmo modo que os outros corpos, e agora dava para ver que sua cabeça só era sustentada por um pequeno pedaço de pele.
– Lindo, não? – pergunta Lilá admirada com o que fez...
Isso só podia ser um pesadelo...
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