The Third Winchester

36 despertar de uma sombra


Notas iniciais
Oi gente assustada,como vão?A fic não acabou e nem vai acabar tão cedo viu?Ainda tem muito pano pra manga e muito chão até que a profecia e tudo o mais se desenrolem.

Aquilo então era a paz?O silêncio de meus pensamentos inúteis, o torpor e a imobilidade de meu ser. Eu já não era mais nada, não representava nada além de uma vaga lembrança que alguém teria por pouco tempo.

Meu corpo parecia separado de mim, eu já não ouvia pessoas ao longe. A única coisa que podia fazer era me permitir chorar, era tentar aceitar que eu já não era mais nada. Mais uma sombra na escuridão.

Fechei os olhos esperando que algo acontecesse, mais nada além de meus pensamentos ecoava no espaço nulo. E derrepente isso mudou.

Era como se eu estivesse sendo puxada,encaixada em algum lugar, presa. E depois a queimação.

A dor, a violência da dor e dos espasmos que corriam por mim e me despertavam. Ao longe eu ouvia coisas e sons, sentia o cheiro, a presença de pessoas cada vez mais próximas de mim.

–Afasta; aplique mais trezentos. Carga!- alguém gritava.

E derrepente eu tinha voltado. Sabia que tinha voltado. A dor e os sons de alívio me garantiam isso.

Meu corpo todo doía demais, minha mente estava entorpecida demais pra que eu pensasse em alguma coisa. Eu estava presa dentro de mim mesma por um fio tão fino e delicado que eu já não sabia se resistiria.

Durante o que pensei serem dias, o silêncio reinava, sendo apenas quebrado por enfermeiras que cuidavam de meu corpo ferido. Enquanto eu voltava a adormecer sem nem ter despertado e algo quente como a luz me envolveu e me jogou de volta no mundo dos sonhos.

Hoje eu me sentia diferente; menos dolorida; mais desperta e mais forte. Senti que meu corpo estava sendo levado pra algum lugar, um espaço mais quieto, porém sem aquele peso que eu tanto sentia.

Senti em minha pele um toque quente, carinhoso, e, no que penso serem roupas eu senti algo úmido cair. Alguém chorava ao meu lado enquanto segurava minha mão.

Por mais dias sem fim eu sentia várias presenças sem som ali. Queria dizer pra que falassem alguma coisa comigo, queria saber quem estava ali.

Numa manhã silenciosa como todas as outras eu senti que alguém dormia ao meu lado. Finalmente fui capaz de abrir meus olhos.

Eu estava num quarto de hospital pálido coberta de fios e entorpecida pela morfina que corria por minhas veias. Lembrei-me de tudo o que tinha passado e me permiti chorar enquanto as lágrimas caíam de meu rosto. Sentia-me uma idiota patética pelo que tinha feito, eu era uma idiota patética.

Um gemido e eu virei à cabeça depois de tanto custo sem estar preparada pro que estava vendo. Ele estava ali.

Olhei o semblante tranquilo de Dean deitado numa poltrona de acompanhantes. Sorri amargamente enquanto tomava coragem.

–D... Dean?

O chamei e ele crispou a testa se forçando a despertar. Quando seus olhos se abriram e encontraram os meus meu peito apertou e eu voltei a chorar fracamente.

–Oh Deus!Oi meu amor!

Ele sorria e chorava como um menino enquanto afagava meu rosto dolorido.

–Oi- eu sussurrei fracamente.

Queria levantar dali e abraçá-lo longamente como fiz da última vez em que o vi. Lembrar-me do que tinha acontecido fez meu peito disparar dolorosamente.

–Por que está chorando assim?Está com dor?- ele perguntou preocupado.

Dean olhou pra cabeceira da cama e apertou alguns botões repetidamente.

–Não fique nervosa, está tudo bem agora, tudo bem- ele sussurrava me afagando.

Instantes depois uma enfermeira junto com um grupo de médicos incluindo John entrou no quarto. O velho mestre me olhou com alívio enquanto chegava perto de mim.

–Que susto você nos deu não é?Como se sente?- John perguntou.

–Viva- eu respondi em meio a um gemido.

–Ela está com dor, algum de vocês faça alguma coisa!

Olhei pro lado e Dean estava quase jogando os médicos que apinhavam o quarto pra chegar perto de mim de novo.

–N... Não, eu estou b... Bem- eu disse fracamente controlando a dor.

Aquela dor não era comum. Não era setorial como as outras, era como se meu corpo doesse por inteiro e ao mesmo tempo minha cabeça estivesse a ponto de estourar.

–Os sinais dela estão estáveis, é normal que seu corpo esteja dolorido já que ela acabou de despertar depois de um coma semi-induzido de quatro semanas- John disse.

–Acho que seria melhor se ela descansasse um pouco agora, amanhã realizaremos os primeiros exames- outro médico falou.

Todos saíram exceto por Dean e a enfermeira. Ela tinha uma seringa em mãos.

–Isso vai te ajudar a dormir querida. Agora relaxe- ela disse se aproximando.

–Não!Ele disse que eu tinha que descansar, e não dormir!

Quando disse aquilo Dean sorriu de lado. Corei por me sentir tão infantil ali.

A enfermeira me deu um olhar de desagrado e saiu. Dean voltou e se sentou ao meu lado na cama enquanto afagava meus cabelos.

–Eu concordo com a enfermeira. Você deveria dormir agora- ele sussurrou.

–Já d... Dormi demais- eu disse.

–Durma pequena, quando acordar eu vou estar aqui- ele sussurrou.

Sorri pra ele, e, como uma criança que se sente segura eu deixei meu cansaço vencer dessa vez. Em minutos eu já estava adormecida.

No outro dia tudo parecia mais... Normal. Despertei e virei meu rosto pro lado pra poder ver Dean. Olhei pra poltrona e ele não estava lá.

Minha garganta secou e meus olhos se encheram de lágrimas. Eu estava sozinha depois dele prometer que estaria ali.

A enfermeira deve ter ouvido meu choro e entrou rapidamente ali. Em sua mão havia uma dose de morfina numa seringa.

–Saia daqui!- eu disse fracamente.

–Você está com dor, isso vai ajudar- ela disse se aproximando.

–Não vai não!Já mandei sair daqui- eu disse fazendo força pra levantar.

Ela bateu num botão ao lado da cama e logo mais três enfermeiros apareceram pra me segurar.

–Não preciso de morfina, que droga!Sou maior de idade e médica, então se digo que não preciso de morfina eu realmente não preciso!- eu bradei irritada.

–Mais eu preciso aplicar essa dose seu...

–Vai aplicar isso na puta que o pariu!Já disse que em mim não!

Eles finalmente me soltaram e eu fiquei ali sozinha. Chorei de raiva e me forcei a fechar a porta.

O trinco virou e agora eu estava trancada. Movi cada músculo agradecendo mentalmente por não ter perdido meus movimentos corporais, mais eu não negava que aquela morfina seria útil depois de toda essa agitação.

Depois de um tempo eu destranquei a porta agradecendo por meus poderes não falharem. Eu me sentia mais calma, mais nem por isso eu estava menos magoada por Dean não estar ali.

“Claro, depois do que você fez esperava o que?”-eu pensei.

John entrou sorrindo compreensivo e afagou minha mão.

–Feche os olhos e durma um pouco querida- ele sussurrou.

Senti os efeitos do Thorazine que ele aplicava junto com a morfina e me senti adormecendo. Os olhos de Dean no dia do acidente me acompanharam em sonhos distorcidos.

Nos dois dias seguintes eu fui submetida a exames e testes de todo o tipo pra que fosse verificado que eu estava viva. Fora algumas escoriações e uma pequena torção no fêmur esquerdo eu estava bem fisicamente.

Depois do terceiro dia de testes eu fui levada de volta ao quarto e dei de cara com um pequeno homem sentado na poltrona de acompanhantes.

–Boa tarde senhorita Connors, sou Richard, seu terapeuta. — ele se apresentou.

–Eu por acaso pedi por um terapeuta?- eu rebati enquanto me deitava.

–Acho importante que fale sobre seu trauma...

–Não há trauma algum senhor, aquilo foi um acidente por um descuido meu. Se for só isso eu sugiro que saia daqui e não volte- eu anunciei taciturna.

Ele saiu e eu chamei a enfermeira e pedi que não deixasse ninguém entrar. Não queria visitas, não queria mais promessas e ilusões.

A noite já ia caindo quando eu estava começando a ficar sonolenta. Escutei uma agitação vinda de fora.

–Como assim ela não quer visitas?Eu sou o acompanhante dela, e noivo, aliás!

–Sinto muito senhor, ela ainda não se recuperou completamente, está frágil demais pra que eu deixe o senhor entrar tão irritado- a enfermeira argumentou.

Engoli em seco e me levantei indo até a porta tentando não fazer nenhum barulho. Eu podia ver claramente a silhueta de Dean, e, pela sua posição eu podia jurar que ele esganaria a pobre enfermeira.

Voltei à cama e me deitei colocando o travesseiro por cima do rosto. Eu me permiti chorar enquanto ouvia Dean ir embora batendo pesadamente suas botas.

Mais um dia tinha se passado e John estava ali segurando meu prontuário em mãos.

–Bom dia querida, tenho boas notícias pra você- ele disse sentando-se na beira da cama.

–O que é?- eu perguntei fingindo animação.

–Tenho em minhas mãos sua liberação hospitalar, pode se trocar e ir embora daqui como paciente- ele anunciou alegremente.

Assenti e ele saiu e me deixou sozinha. Tomei um banho e peguei uma sacola do hospital com o meu nome.

Ali dentro havia uma sapatilha branca, um vestido azul anil e um laço branco. Troquei-me e saí do quarto com o peito apertado. Dean não estava ali pra me buscar.

Saí pela porta da frente do hospital devagar por que ainda me sentia dolorida. Olhei pros lados e vi um táxi. Andei até ele, e, quando ia entrar eu senti uma mão se fechar em meu pulso.

Virei assustada e dei de cara com Dean. Ele parecia feliz enquanto abria os braços pra me abraçar.

–Não me toque- eu sussurrei com a voz embargada.

–Como é?- ele perguntou irritado.

–Eu vou pra casa, e você vai não me importa pra onde, é só isso- eu disse.

–Cara, ela não vai de táxi, ela vem comigo.

Não tive tempo de reagir. Quando percebi Dean estava me erguendo e já me tinha em seu colo.

Ele me colocou no Impala e prendeu o cinto sobre mim depois deu a volta e acelerou o carro.

Ao invés de entrarmos pelo caminho conhecido até minha casa Dean pegou a estrada.

–Dean, o que você está fazendo?Para o carro!Dean, para a porra do carro!- eu gritava histérica.

O Impala virou bruscamente e paramos em frente ao penhasco da rodovia.

Dean saiu do carro e me pegou de volta no colo e me levou até a frente do penhasco. Meu espírito se enregelou quando olhei pra baixo e vi o que restava de meu carro na parte mais baixa de lá.

–Tá vendo isso?Você quase se matou ali!Eu quase e perdi por que você foi impulsiva, infantil e teimosa!Esse seu “lado racional” é pura besteira!Não vou deixar você aqui depois de ter te visto quase morta ali!- ele berrava me chacoalhando.

Eu chorava culpada e Dean chorava possesso. Abracei-o pela cintura e me senti fraca. Em segundos tudo escureceu.

Acordei sentindo um cheiro terrível de álcool queimando meu nariz. Virei o rosto e alguém suspirou aliviado.

Dean me olhava num misto de culpa e satisfação. Eu estava deitada dentro do Impala.

–Não faça isso de novo mocinha. Quase me matou de susto!- ele disse sorrindo de lado.

–Sou impulsiva, sou teimosa e muito, muito infantil mesmo Dean. —eu sussurrei me lembrando do que ele tinha gritado.

Dean sorriu e me aninhou em seu peito. Encaixei-me ali enquanto deixava as lágrimas umedecerem sua camisa.

–E é justamente por isso que te amo tanto- ele sussurrou.

–Então por que você sumiu daquele jeito?- eu perguntei chateada.

–John me pediu pra não ir lá por uns dias até você fazer os exames. Ele disse que se você não estivesse bem e me visse você ia se forçar, e os exames não funcionariam. Aquilo quase me matou, e eu queria invadir aquele lugar no dia seguinte, por que eu tinha te prometido que não te deixaria ali sozinha, mais eu não podia. Praticamente fiz Sam me amarrar na cama pra eu não sair dali e te seqüestrar daquele lugar- ele murmurou nos meus cabelos.

Sorri largamente e beijei seu queixo delicadamente. Eu me soltei e olhei travessa pra ele.

–E então, quando vai ser?- eu perguntei brincando com seu cabelo.

–Quando vai ser o que?- ele perguntou franzindo o cenho.

–Quando nos casamos?

Quando eu disse isso Dean abriu seu sorriso mais lindo e me pegou no colo e se pôs a rodopiar.

Eu agora voltara a ser Annice Winchester. Não era mais uma sombra num mundo de escuridão, eu era a caneta que escreveria um futuro de felicidade do meu jeito, e com Dean ao meu lado até o fim.


Notas finais
Eu disse que tinha mais um capítulo pronto não disse?Então,era esse,e,pra tranquilizar meus leitores queridos ele está aqui.E aí,o que acharam?
ps:gente,eu ficaria muito feliz se a fic recebesse uma recomendação.
Então meus queridos,esse é o capítulo da semana,vejo vocês na sexta feira,que agora é o dia que eu vou postar essa fic.
O/