The Temporary Wife
1 Chapter 1: Procura-se
Notas iniciais
"É uma verdade universalmente conhecida de que um homem solteiro, em posse de uma grande fortuna, deve estar á procura de uma esposa" já dizia, ou eu deveria dizer escrevia, a saudosa Jane Austen. Klaus Mikaelson tinha muito orgulho em dizer que era solteiríssimo — logo após ter chutado a sua última namorada há dois anos atrás — e era também muito independente no que dizia relação à sua exorbitante fortuna criada com o esforço de seu próprio trabalho. Além disso, embora não fosse totalmente necessário, este homem solteiro em posse de grande fortuna, também possuía uma boa aparência: alto, loiro, forte, com adoráveis covinhas e penetrantes olhos verdes. Com toda a certeza um homem tão bonito e tão rico precisaria de uma esposa.
E tal qual dizia esse ditado, por mais sarcástico e espirituoso que posso parecer, Klaus Mikaelson estava em necessidade de uma esposa — o mais rápido possível. Ainda assim, ao invés de fazer um anúncio para encontrar uma esposa, ele decidiu que seria melhor anunciar que estava à procura de uma babá no lugar.
Para o anúncio ele usou o seu primeiro nome completo e o sobrenome de solteira de sua mãe — Niklaus Smith — e não o seu nome público de Klaus Mikaelson. Ele não fez nenhuma menção sobre quem era ou qualquer coisa relacionada ao trabalho, ele simplesmente queria uma babá e iria fazer uma entrevista com todas as candidatas ao emprego na manhã de sexta-feira e isso era tudo.
Seus amigos mais próximos, Stefan e Marcel, riram dele sem parar quando souberam do tal anúncio. Após incessantes brincadeiras sobre adoção de crianças à la Brangelina e processos de paternidade (não que ele tivesse qualquer criança bastarda por aí), foi Stefan Salvatore quem finalmente percebeu que o amigo estava falando sério desta vez e não fazendo graça como de costume.
– Klaus, isso é ridículo! – exclamou Stefan, após notar que seu amigo não estava blefando, em uma vã tentativa de fazê-lo ver a seriedade da situação.
– Eu não vejo o porquê de tanta agitação, o que é ridículo nisso tudo?– questionou Klaus com a maior simplicidade e seriedade que possuía.
– Você está anunciando que está à procura de uma babá e, como nós divertidamente estamos tentando lembrá-lo nas últimas duas horas, você não tem nenhuma criança! Você não tem nem animais de estimação. Você nem ao menos tem plantas.
– E...?
– O que você acha que essa pessoa ficará fazendo o dia todo?– perguntou Marcel.
– Não será o dia todo, todos os dias. Será somente o dia inteiro durante mais ou menos duas semanas.
Stefan o olhou como se ele estivesse bêbado ou maluco, ou os dois. – Eu estou tendo um mau pressentimento sobre isso. – murmurou baixo – O que você precisa tanto que essa pobre mulher fique fazendo pra você o dia inteiro durante duas semanas?
– Ser minha esposa!
Marcel espirrou toda a bebida que estava tomando na mesa. – Ser sua esposa? – Klaus levantou a sobrancelha como se não entendesse o motivo de espanto e Marcel murmurou pedindo uma confirmação. – Você vai se casar?
– Eu irei me casar. – confirmou.
– Com um anel? – perguntou Stefan perplexo.
– Com um anel, um contrato e um registro junto à comunidade de Massachusetts.
– Klaus você não pode se casar com uma mulher que você anunciou no Google. – advertiu Marcel.
– Eu não anunciei no Google. – Marcel apenas lhe deu um olhar e Klaus se inclinou na sua poltrona – Por que não? – perguntou dando de ombros. – Eu não vou procurar por uma esposa em um bar e eu também não vou procurar por uma esposa em festas chiques que todo mundo odeia comparecer — e nem tente protestar, eu sei que você odeia. – cortou antes que Marcel pudesse o interromper. – Eu preciso de alguém pobre, quieto e obediente, mas que também tenha o mínimo de educação, classe e boas maneiras.
– Se você só vai precisar dela por duas semanas então porque ela precisa ser educada? – questionou Stefan.
– Se eu escolher alguém muito maltrapilho meu pai vai pensar que eu estou tentando irritá-lo.
– Você está tentando irritá-lo! – disse Marcel dando ênfase no “está”.
– Ele tem que comprar que eu realmente quero me casar com essa mulher. Ele sabe que eu ficarei entediado com uma mulher vulgar e sem classe e então vai presumir que eu vou chutá-la, isso não vai dar certo. – Klaus deu um suspiro profundo antes de continuar – Ele tem que odiá-la, mas acreditar que eu estou falando completamente sério sobre mantê-la ao meu lado. – explicou Klaus.
Stefan suspirou, correndo o dedo pela borda do copo de uísque – E então quem você vai escolher?
– Eu tenho a intenção de escolher alguém pobre, comum, formal, obediente e com alguma sorte recatada e moralista. Se ela for recatada e moralista o meu pai vai enlouquecer. – respondeu rindo.
Marcel estava olhando pra ele com uma meia torção nos lábios, com uma expressão de horror e incredulidade em seus olhos. – Você só pode estar brincando.
– Por que eu estaria?
– Por favor, me diga que você tem uma razão para estar fazendo tudo isso. – implorou Stefan.
Klaus suspirou. – Meu pai me mandou ir pra casa. Disse que agora que eu já tenho quase trinta anos é hora de começar a tomar conta dos negócios da família. Para ser franco, ele está péssimo de saúde e me quer instalado na cabeça de seu império e aquietado com mulher e filhos. E pra me dar um “empurrãozinho” nessa direção, ele convidou um velho amigo para vir até a propriedade Mikaelson, trazendo junto sua filha.
– Ele não pode te forçar a casar com ela – Marcel deu de ombros – E não é como se você precise do dinheiro dele. Nos nove anos que você saiu de casa, você sobreviveu. E nos primeiros sete anos você se tornou um multimilionário. Você não precisa seguir as ordens do seu pai. Você simplesmente poderia ignorar ele ao invés de armar todo esse circo. – continuou na esperança de colocar algum juízo na cabeça de Klaus.
– Sim, eu poderia. Ou eu poderia simplesmente ir para casa e me recusar a casar. Mas a minha vida toda foi sobre o que um bom e legítimo Mikaelson pode ou não pode fazer. E legítimos Mikaelsons se casam com mulheres que irão trazer status social, político e financeiro para a família. Casar com uma babá irá mostrar, se já não mostrou, que ele não pode me controlar. – disse simplesmente.
– Mas ele já controla você – apontou Marcel – O simples fato que você vai casar com alguém só para irritá-lo já prova que ele está mexendo com a sua cabeça. Fazer o oposto de uma ordem não te deixa livre, Niklaus.
Klaus franziu os lábios e em seguida encarou o rosto dos amigos com uma expressão brava. – E depois Nik, – continuou Stefan – casamento é um compromisso. Físico, espiritual, individual, social. Não é apenas um contrato legal. Se você se casar com a mulher mais maçante que encontrar, você vai ser infeliz. Pra sempre.
– Ela não vai atrapalhar a minha vida de forma alguma. – respondeu Klaus – Após estas duas semanas com o meu pai, eu irei pagá-la uma pensão para ir embora e viver sozinha; eu nunca mais irei vê-la. Ela é uma babá, e nunca mais terá que trabalhar na vida se quiser. Será muito confortável. – terminou sorrindo.
Stefan apenas balançou a cabeça em desaprovação – Você não pode exilar a sua esposa, Klaus!
Klaus olhou sorrindo para seus velhos amigos. – Stef, como você bem sabe, poucas pessoas levam os votos de casamento a sério. Especialmente a parte do “até que a morte nos separe”.
– Isso não significa que você não deveria tentar um dia. – resmungou Stefan – E depois, o seu pai irá saber que você fez tudo isso para irritá-lo no momento que você se divorciar dela.
– Eu não pretendo me divorciar dela.
Marcel piscou – E então o que foi tudo aquilo sobre mandar ela embora para morar sozinha? – perguntou sem entender direito.
– Nós vamos viver separados, mas iremos continuar casados. É a desculpa perfeita pra mim. Eu estou cansado dessa roda interminável de relacionamentos sem sentido. Se eu me casar, eu não teria que deixar as pessoas ficarem me apresentando e tentando me arrumar encontros.
– Klaus! – Stefan exclamou exasperado. – E se você tiver filhos? Você não pode separar seus filhos da mãe!
– Não vai ter criança nenhuma! – disse horrorizado – Eu tenho um controle de natalidade cem por cento eficaz! – Marcel e Stefan apenas o olharam céticos sem acreditar no que o amigo dizia – Ela não pode engravidar se eu não transar com ela. Vocês se esquecem que eu não quero uma esposa-esposa. Eu só quero uma “deixe-meu-pai-louco” esposa. Se eu não tiver que falar com essa esposa, eu estarei satisfeito.
– E se ela quiser casar com outra pessoa? – perguntou Marcel.
– Serão apenas dez anos de casada comigo. Depois disso o meu pai já deve de ter morrido, e depois, ela estará sendo bem paga por esse tempo.
Marcel e Stefan apenas balançaram a cabeça em desaprovação, mas não disseram nada e Klaus soube que os argumentos haviam acabado.
Essa súbita ordem disfarçada de convite apenas mostrou que o grande Mikael Mikaelson jamais aceitou a independência do filho. Ele pensou que o filho simplesmente voltaria para casa. E por mais que Klaus odiasse ter que admitir, a sua rápida ascensão no mundo financeiro de Nova York não apagou a influência de seu pai completamente: o patriarca Mikaelson, sem dúvida, gostava do fato de que seu filho mais velho estava aprimorando suas habilidades financeiras.
O casamento iria enviar a mensagem que Klaus passou a vida inteira tentando enviar ao pai pela última década, a de que ninguém além de si próprio iria decidir sua vida.
Klaus esperou por respostas ao seu anúncio, que vieram rapidamente por e-mail, telefonemas e pelo correio. Alguns currículos ele rejeitou rapidamente como em "muito jovem" ou "muito velho" e logo chegou o tão esperado dia da entrevista de emprego, o dia em que ele iria conhecer sua esposa.
Ele entrevistou alguns candidatos até descobrir a sua candidata perfeita na quarta a entrar em sua sala. Caroline Forbes tinha como tom de cabelo um loiro comum que pairava categoricamente em torno a sua cabeça e parecia apagado sob as luzes da sala – não que houvesse muita luz, uma vez que ela escolheu ficar na parte sombreada da sala. Ele quase não a viu quando a mesma entrou e pareceu que essa foi uma escolha que ela mesma havia feito ao se mostrar a babá escondida no fundo, aquela que nunca iria tentar seduzir o pai ou causar problemas na família. Aquele havia sido um movimento calculado para provar um ponto.
– Caroline Forbes?
– Sim, senhor. – sua voz era tão suave que ele quase não ouviu, ela não levantou os olhos do chão em nenhum momento. Ela era pequena, provavelmente calçava 45 e sua altura, ou falta dela, foi acentuada pelas gastas sapatilhas pretas que a mesma usava. Klaus notou que na verdade havia um buraco em uma delas, onde ela havia cuidadosamente disfarçado ao aparar cuidadosamente os fios soltos e em seguida colocando um pedaço de pano preto no interior do sapato para tapar o buraco que havia. Sua camisa preta estava desbotada e gasta pela quantidade de vezes que fora lavada e o azul escuro de seus jeans já estava desgastado e de cor mais clara na altura dos joelhos.
Ela era perfeita. Seu pai ficaria horrorizado.
– Por favor. – ele acenou para a cadeira que estava a sua frente tentando ao máximo esconder o sorriso dos seus lábios por ter encontrado alguém que certamente faria não apenas o seu pai, mas a família inteira querer sair correndo ao conhecer.
Ela sentou-se em silêncio, e ele ficou surpreso e encantado ao vê-la sentar-se ereta na cadeira, com uma facilidade de alguém que estava acostumado a sentar-se desta forma. Ela cruzou as mãos em seu colo e olhou para frente, mas não diretamente para ele. Ele não tinha dúvidas, ela era exatamente a pessoa que ele estava procurando.
E foi assim que Niklaus Mikaelson encontrou sua esposa.
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