The Teacher
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Notas iniciais
— Malcom pela amor de Deus – gritou Atena para o andar de cima – Venha cá abaixo ajudar com o arroz – os olhos cinzentos se viraram para a filha que estava a retirar os pratos do armário – Filha, por favor arrume a mesa.
— O pai vem?
— Eu convidei ele – Atena admitiu num tom frio – Não sei se vai aparecer.
— Entendo – Annabeth murmurou, transportando os pratos para cima da mesa.
— Mãe, Quem vem mais?
— Somos só nós querida – ela disse, enquanto cortava alguns legumes sobre a bancada da cozinha — os seus tios não puderam vir, estão presos em Filadélfia.
— Cheguei! – o rapaz loiro sorriu ao descer as escadas – O que é preciso?
— Mexa o Arroz – pediu a mãe já entrando em desespero. As mãos tremiam e as respirações apresadas já denunciavam a frustração em sua voz – Annabeth olhe os talheres!
— Mãe – a loira chamou pegando na sua mão – Calma sim? É só um almoço.
— É que… é o primeiro sem o seu pai… e eu preciso disso entende? – ela suspirou checando o forno pela sexagésima vez – Preciso de me libertar dessa confusão toda.
— Mãe, Mãe! – Annabeth chamou repetidamente segurando os braços da mãe firmemente – Me escuta, vai dar tudo certo e é só um almoço… se o pai não vier isso não vai impedir nada.
— Eu sei Annabeth – ela suspirou se sentando num dos bancos da cozinha, enquanto as suas mãos passaram pelo rosto – Eu só… Todos os anos nós festejávamos esse feriado todo juntos, agora sem o seu pai, eu- eu não me sinto bem fazendo isso tudo, é como se constantemente eu me lembrasse dele cá em casa.
— Mãe – a loira se ajoelhou segurando o seu rosto – Se você não se sente bem nós não precisamos de festejar nada.
— Verdade mãe – Malcom se aproximou, segurando os ombros de Annabeth – Nós não precisamos de um feriado. E se a senhora não estiver á vontade então não precisamos de fazer isso…
— Meninos – os olhos cinzentos da mulher se fixaram nos filhos – Lá porque o vosso pai não estar connosco não significa que a gente deixe de fazer as coisas que fazíamos antes.
— Claro que não mãe, mas mesmo assim, você não está em condições, esqueça essa droga de feriado… Mãe, nós estamos aqui, um feriado não mudará isso okay?
— Vocês não se importam? – a voz de Atena saiu num tom profundo e orgulhoso. Os olhos cinza olharam para os dois pares de iris quase gémeas, e sorriu.
— Mãe – a voz do garoto a reconfortou – Deixe isso, o feriado não significa nada, e se o pai não está com a gente é ele o idiota, não você.
— Eu só… eu não quero dar ao vosso pai a alegria que a ex. mulher deixou de fazer as coisas que adorava por causa dele… não quero.
— Mãe – Annabeth sorriu – Deixe isso, esqueça o pai, esqueça tudo isso… o que interessa somos nós, entendeu?
— Quando vocês se tornaram tão maturos? – o sorriso inocente rolou nos lábios da mais velha. Atena ergueu os braços recebendo os filhos num abraço apertado – Nenhuma mãe se sente mais orgulhosa de vocês do que eu… eu amo vocês dois.
— Nós sabemos mãe.
A mulher respirou fundo, limpando os rastos de lagrimas com a palma da mão. Um sorriso se reergueu dos seus lábios e voltou a suspirar num tom mais animado – Vocês têm razão, não é um feriado que vai fazer a vossa mãe ir abaixo. Não posso deixar que o George me veja assim.
— George? – Malco arqueou a sobrancelha.
— Quem é o George? – a loira acompanhou. Atena deu um sorriso acanhado, limpou as mãos ao avental e se dirigindo ás escadas – Crianças tomem conta do arroz eu vou me vestir.
— Mãe!
— Você acha que a mãe anda saindo com alguém? – Malcom sussurrou ao ouvir os passos da mãe subindo a escadaria. – Eu nunca tinha ouvindo nada sobre um “George”, você já?
— Mais ou menos… — ela sussurrou no mesmo tom encolhendo os ombros.
— Quê? E não me falou nada?
— Ai Malcom que saco! Tome conta do arroz eu preciso de fazer uma chamada – ela gargalhou ouvindo as reclamações do irmão mais novo do outro lado da divisão – Quem é o George? Que raio de Nome é George? Annabeth!
Ela se afastou dando um pequeno sorriso. Retirou o celular do bolso discou o numero de Percy que logo apareceu nas sugestões da lista telefónica.
— Sim? — (Que foi? Que saco você é muito embirrenta sabia? Não tem ninguém para chatear?)
— Percy, sou eu, desculpa estar ligando. – disse ela num tom ligeiramente baixo.
— Não tem problema – respondeu Percy dando uma pequena risada — Eu estou em Boston, os meus avós chegaram agora.
— Isso explica os barulhos – ela gargalhou — Eu prometo que vou chegar quando for possível, é só que as coisas se complicaram um pouco. — Annabeth olhou para os lados, certificando que ninguém a ouvia
— Está tudo bem com você? — o tom animado logo se transformou em preocupação. Sempre era assim com Percy.
— Não é isso, a minha mãe só teve uma recaída, está tudo bem agora.
— Seu pai? — testou ele.
— É, mas não se preocupe, assim que acabar de almoçar vou a voar ter com você.
— Eu espero que sim – ouviu uma segunda voz, e depois uma terceira. – Ah minha avó está mandando um beijo para você.
— Mande outro para ela.
— Ela está ansiosa por conhecer você. Ah e vamos ter uma visita surpresa
— Quem?
— Logo você vê (Que foi? Sim agora cala a boca sua peste! Sim ela vem ter com a gente mais tarde! Tá não atrofia comigo! Chata!) Desculpe… estão me fazendo um montão de perguntas sobre você.
Annabeth gargalhou – Tudo bem Mr. Jackson, eu vou desligar sim? Nos vemos logo?
— Estou ansioso, vai tudo correr bem prometo.
— Eu espero que sim… beijo.
— Sabe que amo você não sabe?
— Eu também….
Ouviu mais uns gritinhos do outro lado e por fim a ligação terminou.
Ela estava nervosa? Estava. Não podia deixar de sentir receio se lembrando da ultima vez que Percy contara para alguém. Grover não ficara muito feliz com certeza, e mesmo apesar de tudo ter acabado bem, ela tinha medo da reação dos avós de Percy… e da tal visita surpresa.
Quem seria?
A campainha tocou, quebrando a sua linha de raciocínio. Annabeth guardou o smartphone no bolso das suas jeans avançando até á porta.
— Eu vou! – anunciou num tom alto. Ao abrir a porta se deparou com um homem loiro de sorriso amistoso e olhos claros tão profundos quanto o céu num domingo á tarde. Na sua mão carregava um chapéu que condizia perfeitamente com o terno formal e uma rosa branca na qual segurava com firmeza.
Parecia que Simon Baker havia saltado da série The Mentalist e vindo bater á sua porta.
— Desculpe menina – ele disse com um perfeito sotaque inglês – A senhora Athena mora aqui?
— É a minha mãe – Annabeth respondeu – o senhor é?
— George, George William. – ele completou – A sua mãe me convidou.
— Ah, você é o George desculpe, faça favor de entrar.
— Annabeth quem é? – questionou Malcom. Os olhos cinza se estreitaram para o homem á sua frete – Quem é você
— Malcom!
— Sou o George – ele sorriu cordial – Amigo da sua mãe. Deve ser o Malcom, a sua mãe me fala muito de você.
— Que engraçado – ele disse com um sorriso irónico, cruzando os braços á altura do peito – Ela nunca me falou de você.
— Malcom! – Annabeth repreendeu.
— Meninos quem é? – a voz de Athena se aproximou descendo as escadas, indo ao encontro deles – George!
— Graças a Deus Athena – ele sorriu dando um suspiro de alivio.
— Que faz aí fora entra – ela disse. O homem caminhou tentando ignorar o olhar mortal que o garoto mais novo lhe direcionava – Eu já tinha comentando que você ia aparecer.
— AI tinha? – atirou o Chase.
— Malcom você não tem que ir cuidar do arroz? – protestou Annabeth empurrando o garoto até á cozinha enquanto este tentava se debater contra os braços da irmã – Fique a vontade Senhor William, mãe nós estamos lá dentro.
— Tudo bem, querida.
— Você não foi vai deixar aquele esnobe sozinho com a mãe. – ele reclamou alto quando já estavam a sós na cozinha.
— Fala baixo idiota! Deixa a mãe em pás, e principalmente deixe o cara á vontade.
— Á vontade você viu o sorrisinho dele? Na minha mãe ele não vai encostar um dedo!
— Ai Malcom! Para de encher o saco, deixa ela estar com ela quiser.
— Com ele não!
— Ouve bem Malcom, se você arruinar esse almoço eu juro por Deus que queimo seus videogames!
— Ah! Pela amor de Deus você vai permitir aquilo?
— Cala a Boca! Vai mas é ver o arroz enquanto eu ponho mais um prato na mesa!
— Mas-
— Olha o Arroz Malcom Chase!
***
A garota subiu as escadas receosa. O coração parecia querer pela boca e os pulmões pareciam querer secar a cada respiração profunda que ela dava. Ajeitou a saia preta que havia vestido e o cabelo num coque frouxo que havia feito á ultima da hora. Graças a Deus Malcom havia se comportado dignamente – apesar de algumas indiretas e olhares desconfortantes. George era um cara simpático, carismático demais para simpático… sua mãe merecia depois de tudo.
Ajeitou pela milésima vez a saia na sua cintura…
Calma Annabeth, vai correr bem, ele vai estar lá com você.
O que podia ter correr mal?
Tropeçar e cair em cima da avó dele lhe causando um desvio da coluna e mandar ela para o hospital e Percy nunca mais falar com ela?
Com a sorte de Annabeth? Isso poderia acontecer.
As probabilidades, segundo ela, eram de 99%, com certeza.
Respirou fundo, encarando a porta com o 3B marcado a letras douradas.
Suspirou e bateu na porta.
Não tardou até que ela abrisse. Uma garota de cabelos negros, olhos verdes profundos e um sorriso frenético lhe sorriu do outro lado da porta.
Havia duas hipóteses.
A avó do Percy era extremadamente nova.
Ela tinha se enganado na porta.
E dada as frequências que ela vinha nesse apartamento, tinha de ser sem sombra de duvida a hipótese a).
— Você é a Annabeth? – ela sorriu quebrando o silêncio.
— Er… Sim? – não conseguiu controlar o tom nervoso na sua voz
— Hey Percy! A sua namorada está aqui, vem depressa porque acho que ela está tendo um ataque.
— Annabeth – Percy apareceu num segundo – Você veio.
— Eu disse que vinha. – ela sorriu. A mão dele agarrou na sua a puxando para dentro lhe cumprimentando com um beijo rápido. – Desculpe a Nikki ela é uma chata mesmo.
— Eu estou aqui cabeça de algas – ela reclamou bem ao seu lado. Os seus olhos – mais escuros que os de Percy – se fixaram nela abrindo um sorriso matreiro.
Claro… as semelhanças eram notórias.
O cabelo rebelde, os olhos amendoados, o sorriso preguiçoso. Copia magnifica.
— E aÍ? E você que tem amolecido o coraçãozinho desse cabeça dura aqui – ela disse apontando para Percy A garota deu um sorriso brilhante, cumprimentando a loira com dois beijos no rosto – Eu sou a Nikki muito prazer.
— Annabeth – sorriu a Chase.
— Nossa maninho, sim senhora é um belo partido, sempre pensei que você iria acabar morrendo sozinho mesmo.
— Você não tem que ir fazer uma chamada não?
— Ah deixa ser resmungão. – ela sorriu bagunçando o seu cabelo.
— Avó, Avô – Percy Chamou para o outro lado da divisão – a Annabeth está aqui.
Uma senhora apareceu sorrindo. O corpo largo e o sorriso amigável davam a Annabeth uma estranha sensação alivio. Ela parecia simpática.
— Anda cá querida – ela disse abraçando a garota com os seus braços rechonchudos e fortes. O seu sorriso era aberto e o cabelo chegava até á altura dos seus ombros. Vestia uma blusa vermelha e um par de jeans que se ajustavam á sua estatura larga e baixa – Percy você não me falou que ela era tão bonita assim.
— Avó – censurou Percy.
— Sou a Kaytlin, mas me chame de Kate.
— Prazer.
—Terry! – ela gritou – Larga a tarde de cereja e vem cumprimentar a garota!
Um homem estatura média e cabelo grisalho se aproximou. – Há então essa é a menina que o meu neto sempre tanto falou.
— Avô!
— Deixa de ser tímido garoto – ele disse caminhando até á loira – Muito Prazer, Terry Jackson avô do Percy.
— Prazer – Annabeth cumprimentou – sou a Annabeth.
— Annabeth, nome bonito – ele sorriu.
— Então Annabeth – Nikki sorriu – me conte aqui como conseguiu aqui pegar o meu irmãozinho?
— Ai pronto Nikki, deixa a Annabeth respirar sim? – resmungou Percy continuando a apertar a sua mão firmemente.
— Não tem mal Percy – sorriu a Chase.
— Vem querida – disse Kate a puxando até ao sofá – Quero que me conte tudo!
Uma coisa Annabeth tinha a certeza: Seria uma longa tarde…
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