The Taste Of Revenge
1 Prólogo
Notas iniciais
“Sempre sonhei com um futuro promissor, cheio de surpresas, boas é claro. Eu tinha mais ou menos sete anos quando disse a meus pais que eu queria ser cantora, eles aprovaram minha ideia, e alimentavam minhas esperanças com os elogios sobre minha voz e minha energia contagiante. Éramos bastante pobres, haviam dias em que mamãe chorava por não ter com o que me alimentar. Embora, o amor nunca tenha faltado.
Por conta de já ter sido preso, quando mais jovem, meu pai não conseguia arranjar um emprego. As pessoas o julgavam mal. Cansado de tantos nãos, meu pai acabou se envolvendo com alguns traficantes, para conseguir dinheiro para nos alimentar. Ele morreu. Alguns participantes de uma gangue rival a de qual meu pai havia se envolvido o assinaram. Aquilo foi o fim para minha mãe, ela acabou se matando, de tanto desgosto. Eu a vi morrer.
Flash back On*
– Mamãe ? Mamãe ? – Eu estava procurando minha mãe, eu tinha ouvido sussurros baixos, e um som de lágrimas. Fui até o quarto de mamãe.
– Filha, saia daqui. Vá embora. Procure sua tia, ela vai cuidar de você. – Minha mãe estava com algo nas mãos... Era... Era uma arma. Eu sabia, pois meu pai tinha uma, ele usava ela para nos defender. Aqui onde eu moro, é comum termos em casa. Eu mesma, que só tenho sete anos, já peguei em uma.
– Mas mamãe... O que você vai fazer ?
– Anne, vá embora... Por favor. – Mamãe estava chorando, eu comecei também.
– Não... – Corri em direção a ela, com o intuído de abraçá-la, mas antes disso... Um barulho estrondoso aconteceu. Eu parei, abri os olhos e vi-a em minha frente, cheia de sangue. Olhei para minha roupinha rosa, meio podrinha e rasgada... Estava ensanguentada. – Mamãe ? – Fui até ela, gritei, chorei, mas nada. Ela estava morta.
Flash back Off*
Depois daquela cena, mesmo tão novinha, senti o ódio me dominar, senti meus sonhos sendo esmagados, senti como se aquela criança pura e delicada que eu costumava ser, tivesse morrido naquele mesmo instante. Jurei a mim mesma que vingaria a morte de meu pai, e então assim, a de minha mãe também.
Hoje, vivo em uma parte ainda desconhecido de L.A., junto de uma criança de 11 anos... Não, eu não tenho filhos. Eu achei o Jordan quanto ele tinha 6 anos... E eu, tinha apenas 14. Foi difícil cuidar dele, e de mim também. Afinal, eu era uma criança. Mas eu consegui sobreviver, alias, eu e Jordan. Embora, para isso, tivemos que fazer muitas coisas, as quais muitas foram erradas. Na verdade, o MEU maior erro, foi a escolha da minha profissão... Quer dizer, escolha não existiu, foi mais uma das minhas táticas de sobrevivência... Sem julgamentos, mas eu sou uma prostituta.
Nunca consegui ir a escola, e o único trabalho digno que eu tive já, foi de empregada doméstica. Mas não deu muito certo. Tenho que me contentar com minha vida humilde e miserável. Jordan, graças a Deus, nunca se meteu com drogas, tráfico, ou algo do tipo. Ele sabe o que eu faço para ganhar a vida, mas não me apoia muito. Não temos escolha, é isso, ou morrer de fome.
Ao mês, ganho no máximo 500 dólares. Metade disso vai para o aluguel de uma pequena casinha, com apenas duas peças, no subúrbio. Eu sei que não sou exemplo pra ninguém, mas estou lutando pra dar um futuro para Jordan, o futuro que eu não tive. Quero que ele, o qual amo como um filho, tenha todas as oportunidades e que ele as saiba usar.
Em todos os meus 19 anos de vida –sim, essa é minha idade– procurei os grandes filhos da puta que tiraram a vida de meu pai (e de minha mãe). Se eu os visse, não sei o que faria, seria capaz de mata-los. Minha vida não é nada boa, eu luto todos os dias pra manter um pouco de amor em meu coração, luto contra o ódio... que insiste em me dominar. Mas se isso acontecer, o que eu vou poder oferecer ao Jordan ? Não quero que ele acabe como a maioria das crianças desse bairro. Vendendo drogas na esquina, promovendo a violência, travando guerras. Quero provar a todos que eu fazer dele uma pessoa melhor, quero mostra a todos, que EU posso ser uma pessoa melhor.”
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