The Synister Side
3 Capítulo III - Kill Me
Notas iniciais
- Nossa como vocês demoraram! – Hizaki disse sentado na cama de Aoi assim que nós entramos no quarto.
- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? – Aoi perguntou mudando o tom de voz, a cor do olho e outros sinais vampirescos.
- Meu assunto com você começa as vinte e três Aoi, no momento eu vi falar com meu novo projeto. – Hizaki disse olhando para mim, eu meio que já esperava que fosse esse o motivo, mas não me deixou mais tranqüila.
- Comigo, mas eu pensei que tínhamos terminado. –
- Nosso trabalho nunca termina Chérrie. Vamos temos que fazer muitas coisas ainda. – Ele disse pegando minha mão e me levando para seu aposento.
- Hizaki, por que você quis o sangue do Aoi como pagamento? – Perguntei ainda curiosa.
- Yuzuki Chérrie esse assunto, não é um assunto para ser tratado em um dia como esse. Um dia você saberá exatamente o motivo, mas hoje não dá. Reconforte seu coração. – Hizaki disse completamente envolto numa aura de mistério.
- Eu queria estar em casa agora... – Pensei alto.
- Estar em casa... Acho que você nunca mais vai ver sua casa Chérrie. Mas você não acha muito melhor ficar aqui comigo? –
- Não quero ser, mal agradecida Hizaki, mas... –
- Eu sei não é a mesma coisa, principalmente por que para você andar por esses corredores acompanhada ou não é um risco a sua integridade física. — Hizaki respondeu a afirmação que eu ainda não tinha afirmado. – Mesmo assim estou feliz por estar aqui. -
- Está completamente certo. E eu fico muito lisonjeada por isso. Mas não acho que eu vá viver muito. –
- Você vai se acostumar... Não acho que o Uruha vá matar você. –
- Por que não acha? –
- Se ele o quisesse já o teria feito entregando você ao Kirito, mas ele não fez, ele podia ter pedido para o Aoi fazer, mas ele pediu que o Aoi cuidasse de você e pediu a mim que disfarçasse você. Ele te quer viva, mas eu não sei por que... – Hizaki expôs seu ponto de vista.
Até aquele momento eu não tinha mesmo pensado sobre isso, afinal todos ficavam falando da minha provável morte, mas eles não me matavam.
Depois de mais um banho que quase arrancou inteiramente a minha pele, uma sessão de maquiagem até nas pernas e meia hora dentro de uma banheira cheia de gelo, eu estava ainda mais convincente, Hizaki me deixou novamente no quarto onde Aoi conversava com Ruki.
- Aoi tem uma pessoa aqui. – Ruki disse antes que eu conseguisse abrir a porta.
- Entre Yuzuki. – Aoi disse e eu obedeci, eu ainda tinha certo receio de estar no mesmo ambiente que o tal Ruki ele era sombrio demais, era como se as trevas o acompanhassem.
- Então você concordou mesmo ajudar o Uruha com essa maluquice. – Ele disse me rodeando como um Urubu.
-Eu prometi... – Aoi disse olhando as unhas.
- Ficou bem convincente, é a outra única coisa que Hizaki sabe fazer. – Ruki disse ao outro que meneou a cabeça positivamente. – Acho que ficou uma vampiresa quase autêntica exceto pela temperatura do corpo. –
- Uma vampiresa viva você não achou que fosse viver para ver isso achou Ruki? – Aoi gargalhou divertido.
- Você é um palhaço. Não sei bem como tratar uma comida que evoluiu... – Eles continuaram conversando sobre mim como se eu não estivesse ali, mas eu resolvi dar um basta.
- Talvez seja por que eu não sou comida, eu sou um ser humano, que por um acaso foi seqüestrado por um maluco beleza que me deixou com um vampiro doido que vai dar o sangue pra uma mulher que é homem que por um acaso é a minha melhor amiga agora. – Eu disse chamando a atenção de Ruki para um detalhe.
- O que ela falou é verdade você vai trocar de sangue com ele? Troca de sangue é uma coisa importante não deve ser usado para negociações. –
- Foi o preço dele... – Aoi respondeu me mirando com raiva.
- Eu vou para meu aposento antes que venham atrás de mim. – Ruki disse tomando a direção da porta.
- É nisso que dá querer se tornar um dos grandes. – Aoi riu zombeteiro.
Ruki mostrou o dedo do meio e saiu.
- Você fala demais! – Aoi me disse indo para a janela fumar.
- Eu não! –
- Você fala demais mesmo. Muito demais da conta! – Ele disse e riu depois.
- Que noite longa... – Eu disse sentando o mais confortável possível na cadeira.
- Está cansada? –
- É eu não durmo desde que cheguei aqui. –
- Dormir... – Pensou alto – Se eu colocasse você sozinha no quarto do Uruha... Não muito arriscado. É você vai ter que dormir comigo. – Ele disse agora não retoricamente.
Eu arregalei os olhos eu não tava acreditando naquilo.
- Não precisa se incomodar eu estou bem aqui se você puder me arrumar com cobertor... – Aoi não deu a mínima atenção para o que eu disse. Pegou-me no colo e colocou sobre a cama.
- Oyasumi nasai! – Ele disse indo para a porta.
- Aonde você vai? –
- Tenho um compromisso com o Hizaki. Não demoro! – Ele disse e saiu.
Eu senti um calafrio quando ele me deixou só. Eu costumava ficar sozinha durante muito tempo, mas não nessas condições e caramba o vampiro ia ter que dormir comigo. Novidade dois: vampiros dormem. Sobre isso eu ia ter que me informar melhor, mas ao que tudo indica...
Meu cansaço era impressionante, mas não o suficiente para me privar de senti o cheiro do moreno no travesseiro, nos lençóis em tudo. Eu já estava ressonando quando Aoi voltou, ele parecia aliviado por ter cumprido a sua parte do acordo.Comecei a me levantar quando ele chegou, mas ele deitou ao meu lado e me fez deitar também.
- Aoi eu na... — Ele colou o indicador nos meus lábios me impedindo de falar.
- Não fale nada. – Ele se acomodou melhor na cama.
- Aoi, onegai, se eu virar para você durante a noite, onegai, fique de olhos fechados. – Eu pedi receosa.
- Honto? Naze?–
- Watashi wa... Eu não me sinto a vontade quando viro e vejo um par de olhos de alguém me secando no meio da madrugada é apavorante principalmente quando os olhos podem ser pretos e no outro instante brancos!–
- Você sabe que isso não é normal não é. – Ele disse rindo.
- Eu sei, mas onegai. – Eu pedi cansada demais para discutir.
- Claro que sim. – Ele afastou os cabelos do meu rosto e por fim o vi sorrir.
-xx-
Não importa quão tarde você acorde quando está dormindo fora de casa, você sempre acorda antes do anfitrião, e hoje não foi diferente. Abri os olhos e não vi nenhuma claridade, lembrei que não estava na minha casa, então fui avaliar o que estava acontecendo. Senti o movimento leve da respiração de Aoi contra minhas costas, e também um braço forte me envolvendo a cintura, Aoi estava colado a mim, tão coladinho que se eu respirasse ele saberia. Eu não sabia o que fazer eu queria parar de atrapalhá-lo, mas se eu saísse isso não o atrapalharia mais?
- Está cedo para acordar Yuzuki. – Ele tateou algo e vi que era o celular. — Está longe da hora que eu e agora você podemos andar livremente pelas ruas. Ainda são três da tarde. –
- Eu não sei se estou tão cansada assim, pra voltar a dormir. – Eu virei para vê-lo, seus olhos já abertos guardavam o brilho sinistro, mas pareciam mais fofinhos para mim hoje.
- Acho que você vai ter que mudar de hábitos. – Ele disse e se levantou.
- VOCÊ ESTÁ SEM CAMISA! Você não dormiu assim dormiu? – Perguntei sentando chocada tapando os olhos com as mãos e me encostando a parede atrás de mim.
- Claro que dormi que espanto é esse? – Ele riu como se aquilo fosse comum.
- Você não... KAMI-SAMA! Onegai ponha uma camisa. –
- Você é ingênua demais Yuzuki. – Ele disse destapando meus olhos. – Vai me dizer que você nunca viu um homem sem camisa. –
- Claro que vi baka yarou! – Eu afirmei irritada, mas Aoi começou a rir sem motivo.
- Mas nunca viu um homem nu... – Aoi disse tentando se livrar dos resquícios da risada anterior.
- Eu... Er... Eu... Será que dá pra mudar de assunto? – Eu disse corada.
- Yuzuki você nunca esteve com um homem! – Ele gargalhou até chorar.
- Domo Aoi.Era disso que eu precisava hoje. –
- Gomen nee é que... Caramba você é virgem. – Ele riu mais.
- Pare com isso está me deixando constrangida. Eu vou embora daqui. – Ele tentou parar de rir e cruzou os braços.
- E pretende ir pra onde? –
- Eu não sei. – Respondi abrindo a porta.
- Você pode até sair daqui não vou te impedir, mas você acha que vai longe? –
- Obrigada por me lembrar também que eu não posso sair daqui sozinha se quiser viver. – eu ajoelhei no chão ainda mais derrotada. – Onegai sugue meu sangue até que eu morra! –
- Assim não tem graça você tinha que tentar se livrar de mim. – Ele disse me levantando. – Vamos voltar a dormir senão você não agüenta a noite. – Deitou na cama, mas eu não deitei junto.
- Não estou cansada estou com fome. –
- Kuso! Eu esqueci que humanos comem várias vezes ao dia, não são como nós... Acho que vamos ter que visitar um supermercado hoje à noite. –
- Vá dormir Aoi eu vou ficar bem. – Eu disse vasculhando minha bolsa.
- Não dá para dormir com você futucando sei lá o que parecendo um rato. – Ele disse deitado de barriga na cama focalizando o teto e depois a mim.
- Estou procurando meu lanche de ontem, eu não comi tudo e... BINGO! – Retirei da bolsa meio pacote de biscoitos um suco e uma maça. – Acho que vai dar. – Sentei aos pés da cama e comecei a comer.
Aoi não foi dormir ficou me analisando.
- O que é? por que está me analisando? – Eu perguntei olhando dentro de seus olhos.
- É a primeira vez que posso observar tão de perto os hábitos dos humanos. Aposto uma grana que vai me ajudar a caçar melhor. –
- Que bom ser útil e te ajudar nos seus assassinatos. –
- Posso te chamar de cúmplice? – Ele riu pegando uns fios desalinhados do meu cabelo e brincando com os mesmos.
- Iie! – Eu disse guardando a maça para depois. – Então vampiro, me responda umas coisas. –
- Lá vem entrevista com o vampiro. – Ele rolou os olhos e voltou a olhar o teto. – Manda! –
- Todos os vampiros dormem? E todos são imortais? Por que vocês não andam no sol? Por que vivem em pé de guerra com os licantropos? Existem mais seres imortais? ... –
- Tá já chega, por favor... Vamos ver... Sim todos os vampiros dormem um pouco por dia, os guardiões costumam hibernar também.E a hibernação pode ser usada como punição. Sim e não. Eu sei que isso não é muito conclusivo, mas mesmo sabendo que vampiros são imortais eu vi vampiros morrerem. Sobre os licantropos eu não sei por que, mas eu luto com eles se for preciso. Existem vários seres imortais tantos que eu não dei dizer, e vampiros não andam no sol pelo simples fato que somos alérgicos ao sol. A luz dele, ela faz com que o nosso sangue ferva e coagule dentro dos nossos corpos nos matando por esse motivo e depois e nos queima por que fazer o que somos mais sensíveis que os albinos. –
- Bom saber... – Eu disse fascinada. –
- Não fique tão encantada. – Ele se levantou e foi fumar. –
Aoi não falou mais comigo até que Hizaki me arrastasse para fora do quarto. Eu fiquei bem curiosa por que ele tinha dito aquilo, mas preferi não perguntar eu já estava sendo um estorvo não queria piorar. Quando voltei para o quarto Aoi estava vestido totalmente de preto e parecia mais sinistro e mais sombrio.
- Você não pode ir ao super mercado assim! – Ele disse para mim, mas olhando para Hizaki.
- E você quer que ela vista o que? –
- Que tal roupa de um humano normal? E não esse vestido do século XVI. – Ele disse como se não fosse lógico.
- Vamos Chérrie eu vou te arrumar como um ser humano normal! – Hizaki fechou a cara e saiu pisando forte.
- Quem ele pensa que é? O rei da cocada preta? Como eu sinto falta do meu mestre. – Hizaki foi dizendo isso e chamando mais a minha atenção. Eu não tive tempo e nem vontade de prestar atenção no Hizaki até agora.
- Hizaki quem é seu mestre? –
- Agora é o Kirito, mas antes era o Kamijo. –
- Por que você trocou de mestre? –
Hizaki ficou em silencio e seu corpo ficou ereto se ele fosse um gato teria pregado no teto.
- Esse é um assunto que eu não gosto de falar Yuzuki. – Ele disse me ajudando a trocar.
-xx-
Estávamos no carro Aoi olhava para a estrada, silencioso como se o momento bom que tivemos anteriormente não tivesse acontecido. Aoi dirigia rápido acima do limite da via o que chamou a atenção dos policias que nos mandaram encostar.
- Posso ver seus documentos senhor? – O policial de óculos disse debruçado na janela olhando mais para mim do que para Aoi.
- Aqui estão senhor policial. – Aoi disse entregando os papéis ao homem que olhou rapidamente e devolveu.
- Posso ver seu porta-malas? – O policial disse se afastando.
- Claro que pode. – Aoi disse e eu vi seus olhos mudarem de cor e voltarem ao seu normal, algo me dizia que ele ia...
Eu olhei para janela o policial deu um último soco na janela e foi descendo em câmera lenta com Aoi sugando seu pescoço.
Aquela cena perturbadora ficou na minha mente eu achei que nunca ia ver algo tão grotesco. Foi então que Aoi com uma cara de bonzinho parou um carro ele disse que precisava de ajuda, mas quando o cara desceu do carro viu o policial no chão ele ia correr, e mais uma vez Aoi foi mais rápido e sugou o sangue dele também. Depois Aoi armou tudo para que parecesse que o cara matou o policial e depois se matou eu estava horrorizada eu queria me desmaterializar e sumir como vapor, mas isso não acontece com seres humanos eu pelo menos nunca vi e se acontecesse, eu não ia dar sorte néh...
Depois de tudo isso ele entrou no carro com o rosto ainda sujo de sangue. Eu não quis falar nada, e nem precisei. Ele olhou no retrovisor e limpou com as costas da mão.
- Algum problema Bentou? – Ele disse e riu psicótico.
Eu respirei fundo, mas não consegui conter as lágrimas eu estava com medo estava sem minha família e agora começava a duvidar das palavras do Hizaki.
- Você está chorando? – Ele perguntou e parou o carro.
Num segundo Aoi estava sentado no meu colo lambendo minhas lágrimas.
- O que você está fazendo? – Sussurrei apavorada.
- Vampiros sentem fascinação por vários fluidos humanos. Lágrimas são um deles. Se você não precisar muito delas pode dar algumas para mim? –
- Não sei como eu poderia fazer isso. – Outra lágrima começou a escorrer, mas antes de tomar seu curso foi interrompida pela língua gelada do vampiro que permanecia sentado no meu colo. – Aoi-sama onegai me deixe ir... – Eu implorei e minhas lágrimas voltaram a cair sem parar. Aoi sempre as parava antes de chegarem perto do meu nariz.
- Você está com medo... –
- Eu não parei de ter medo um minuto sequer. Eu estou vivendo escondida num castelo no meio do nada onde descobri que só moram vampiros eu não vejo minha família não vou ao meu trabalho não como quando tenho vontade eu queria ser feliz só isso, mas agora eu sou um ratinho de laboratório! Sabe qual é a minha diferença dos outros humanos? NENHUMA! Eu não vou te recriminar por fazer o que faz, mas eu tinha sonhos... Eu queria ser arquiteta eu queria me casar queria ter filhos eu queria ver meus netos eu queria envelhecer ao lado do homem que eu escolhi para amar. Você não entende isso néh. Nenhum de vocês entende. Eu quero que você me mate! Faça esse favor a mim e termine o que seu amigo começou! – Eu disse farta de tudo revoltada com tudo eu não podia mais agüentar. Aoi parecia chocado, mas ao ver outra lágrima descer ficou hipnotizado. Ele ia lambê-la, mas eu a limpei com a mão.
- Saia de cima de mim e termine o que o Uruha começou! – Eu gritei Aoi saiu de cima de mim, mas foi à única coisa que ele fez.
- Eu não posso fazer isso. – Ele disse ligando o carro e voltando a dirigir.
Como prometido antes de sairmos da mansão, fomos ao supermercado, não falávamos nada um para o outro, eu nem ao menos queria olhá-lo, mas eu não tinha essa escolha.
Compramos tudo que eu julguei viável para me alimentar por uma semana. Tudo que não precisava ser refrigerado, ou preparado o que limitou a minha dieta a porcarias industrializadas e algumas frutas. Depois que ele pagou fomos para ‘casa’ ainda mais mudos, eu estava olhando para fora acho que na esperança de que acontecesse um milagre e esses tais guardiões me pegassem e acabassem logo com meu sofrimento.
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