The Swan Sisters Saga
60 Capítulo 8 - Destino Selado
Ivy tomou um longo suspiro antes de se levantar; então rumou para a porta tentando manter-se calma ao descer as escadas. “Talvez não seja tão ruim assim... Talvez tia Maggie tenha razão...” ela murmurou para si mesma. Mas a imagem de seu noivo, parado aos pés da escadaria lhe assegurou que seus instintos estavam certos dessa vez. Giacomo a devorava com seus olhos sanguíneos e Ivy quase pôde sentir o toque daquelas mãos sobre seu corpo.
_ Boa noite, noiva! – ele saudou e se inclinou para beijá-la. Mas Ivy foi mais rápida, e virou o rosto abruptamente. O lobisomem ignorou a evidente repulsa e postou um leve beijo em sua bochecha rosada de horror.
_ Boa noite. – Ivy murmurou sem vontade, sem sequer olhar em sua direção; e liderou o caminho até a sala de jantar onde Jean os aguardava.
Jean estava sentado à ponta da grande mesa de madeira escura, ele balançava um copo de uísque com uma das mãos enquanto a outra segurava um charuto apagado. Sem dizer nenhuma palavra, ele gesticulou para que Ivy se sentasse a sua direita e Giacomo à esquerda. Eles obedeceram e esperaram que Maggie entrasse com o jantar.
Mesmo não sendo adepto a dieta humana como Ivy, Jean insistia em alguns hábitos herdados de sua antiga vida, como o jantar que era servido todas as noites no mesmo horário, às oito horas em ponto. Acompanhando Ivy, Jean se sentava à mesa e “brincava” com a comida que lhe era religiosamente servida por sua fiel governanta. Depois, eles se acomodavam na sala ao lado e Jean fumava seu charuto enquanto Ivy lhe recitava alguns poemas e às vezes lia um livro.
Ivy notou a mudança na rotina daquela noite em especial, quando Maggie serviu somente o seu prato à mesa. Mas ela se manteve calada e mesmo sem apetite algum, Ivy se esforçou para ao menos provar a refeição que Maggie lhe preparara com tanto carinho.
_ Bem, Giacomo... como vai a lista de convidados? – Jean perguntou casualmente.
_ Bastante avançada, mestre... – Giacomo respondeu ansioso.
_ Giacomo! – Jean sorriu — Você faz parte da minha família agora, e o que vão pensar de mim, se o meu próprio genro me trata com tanta formalidade? – ele, então lançou um olhar perverso em direção a Ivy – Já disse que você precisa começar a se acostumar com isso...
Ivy engasgou com as palavras que ouviu e pigarreou ruidosamente.
_ Tudo bem, meu amor?
“Amor. Como uma palavra tão bela, quase sagrada, poderia soar tão fútil e asquerosa?” Ivy pensou e sentiu um arrepio percorrendo sua espinha, impedindo-a de voltar a sonorizar sua repulsa. Com os olhos fixos em seu prato, ela somente acenou que sim. Então os lobisomens continuaram.
_ Então, o Embaixador já confirmou?
_ Sim. O Embaixador da Rússia e também o vice-governador do Estado.
_ Humm... excelente, excelente! E quanto ao Governador?
_ Bem... – Giacomo respondeu receoso – Ele... não. Ainda não.
_ Entendo... – Jean murmurou, arfando com desgosto – eu não preciso dizer que a presença do Governador é de extrema importância, preciso? E eu ficaria tão feliz se...
_ Não se preocupe, Jean. Eu cuidarei disso.
_ Sim, sim... faça isso!
_ Ahn... e quanto à xamã, Jean? Ela já foi avisada?
_ Hilda já está em Londres providenciando todos os preparativos para o ritual. O local também já foi escolhido.
_ Então está tudo pronto? – Giacomo perguntou, evidenciando sua excitação.
_ Quase tudo... – Jean afirmou, voltando os olhos para Ivy – A noiva... – ele gesticulou com um leve movimento da cabeça — ainda não escolheu o vestido.
_ Eu já terminei! — Ivy disse, tentando inocentemente evitar o assunto – Posso ir para o meu quarto agora?
_ Ainda não. – foi a resposta que ela recebeu, e Jean sequer olhava em sua direção — Você vai nos fazer companhia esta noite. Afinal de contas, o seu casamento é o tema principal, não é?
_ E eu adoraria trocar umas palavras com você, Ivy! – Giacomo disse maliciosamente — Parece que faz séculos que não nos falamos.
Novamente a repulsa tomava conta de Ivy, suas mãos tremiam e o suor ameaçava transbordar por sua testa. Todas as células de seu corpo suplicavam pela fuga, mas Ivy estava atada e seu destino estava selado.
_ Por que os noivos não vão até a sala? Assim, terão mais... tempo para se atualizarem. – Jean sugeriu — Tenho que fazer algumas ligações e logo lhes farei companhia.
_ Ivy? – Giacomo puxava a cadeira, gesticulando para que Ivy se levantasse.
Sentindo-se encurralada, ela se levantou e seguiu até a sala principal; escolheu o menor dos dois sofás e se sentou, agradecida por não ter sobrado espaço algum ao seu lado. Giacomo estava em seu encalço.
_ Como tem passado, futura esposa? – ele perguntou, exibindo pompa e orgulho.
_ Bem.
_ Esplêndido! Eu também estou ótimo. Um pouco ansioso, na verdade. Bem, agora falta pouco... somente mais algumas semanas e você será minha. Para sempre! – sem nenhum aviso e mesmo sendo quase fisicamente impossível, Giacomo se materializou ao lado de Ivy, suas mãos pressionando-a contra seu corpo, visivelmente trêmulo de excitação – Minha Ivy... – ele sussurrou.
_ O que?? – ela tentou protestar — Pare com...
_ Você é tão linda! – Giacomo interrompeu – Eu... eu... você me deixa louco. – e depois forçou um beijo invasivo e violento.
Sabendo que resistir era inútil, Ivy parou de se debater e simplesmente aguardou que o lobisomem saciasse sua fúria. Quando ele finalmente terminou, Ivy se levantou e lhe golpeou o rosto com força. Giacomo sequer esboçou alguma reação, apenas sorriu satisfeito. Ivy correu pelas escadas, e ciente de que trancar a porta seria inútil, ela se jogou sobre a cama e se pôs a chorar. Maggie apareceu em seguida.
_ Não fique assim, Ivy!
_ Ele é nojento! – Ivy soluçava – Eu... eu não vou... não quero me casar com ele, tia Maggie! – ela gritou, enquanto a gargalhada de Giacomo ecoava no andar de baixo – Eu prefiro morrer! Eu não vou me casar com esse nojento! Não vou...
_ Oh! Não, não... você não deve falar assim.
_ Já me decidi, tia Maggie! – Ivy gritou, secando as lágrimas com as mãos – Será em Londres, – ela suspirou — os vampiros...
_ Ivy! O que você está dizendo?
_ Eu sei do covil, tia Maggie. Jonas me mostrou onde eles vivem... eles nos odeiam, não é? Vai ser fácil, só vou aparecer diante deles e...
_ Você não sabe o que está falando!
_ Eu sei! Eu sei sim! Não vou sentir nada, vai ser rápido e indolor, eu acho... – Ivy vacilou – Mas também não importa! Não me importo com a dor, desde que eu não tenha que... eu prefiro morrer a ter que casar com aquele idiota!
Sem que sua presença tivesse sido notada, Jean estava encostado casualmente no batente da porta e se manteve em silêncio enquanto observava o desespero de Ivy.
_ Ah, morte? – ele finalmente se pronunciou, sorrindo maliciosamente – Depois de tudo que eu fiz por você, tudo que eu lhe dei... – Jean meneou com a cabeça — A melhor educação, todos esses anos de luxo e conforto, o sustento e sua própria vida. Você ainda prefere a morte? É assim que você me agradece?
O Garou se aproximou e se sentou sobre a cama, e com um carinho fúnebre, ele acariciou o rosto de Ivy.
_ Mas, sabe? Você não precisa mais se preocupar... – Jean afirmou – Se é isso que você quer... — Maggie estava paralisada, antecipando a reação de Jean. Ivy não disse nada, somente seus soluços eram audíveis – Oh, Ivy! – ele arfou – Por que tudo tem que ser tão difícil com você?
Então, a violência que lhe era tão típica, finalmente irrompeu em Jean. Ivy começou a gritar e se debater, mas ele estava decidido. E mesmo com os protestos de Maggie, Jean agarrou Ivy pelos cabelos e a arrastou pelas escadas abaixo, levando-a até a sala principal.
_ Meu amor! – Giacomo saudou com um sorriso enorme no rosto, como se estivesse alheio a toda aquela violência – Que bom que você decidiu voltar! Veja! – ele gesticulou e apontou para o grande sofá do outro lado do cômodo – Veja o presente que eu trouxe para você!
Ivy fechou os olhos e se recusou a olhar. Mas Jean sacudiu seu corpo com tanta força que ela não teve escolha. O odor salutre, ferroso e úmido foi a primeira coisa que Ivy sentiu, depois seus olhos lacrimejados avistaram uma pequena poça vermelha que manchava o tapete. Mesmo em choque, ela seguiu o rastro de sangue e levou alguns minutos para processar a imagem que lhe saltava aos olhos. Havia uma jovem mulher deitada sobre o sofá, os cabelos dourados manchados de vermelho, seus batimentos cardíacos estavam fracos, mas ela ainda estava viva; e sangue jorrava da ferida em seu pescoço.
_ Prove! – Jean ordenou – Ande! Prove seu presente de casamento! – ele gritou, depois forçou o rosto de Ivy sobre a ferida ensangüentada da vítima.
O pavor já havia tomado conta de Ivy; suas pernas tremiam, suas mãos suavam, sua respiração pesava nos pulmões. Ela sentiu seu estômago revirar, e mesmo tentando, Ivy não foi capaz de conter o jato violento que explodiu por sua boca. A massa viscosa atingiu Jean em cheio, e escorreu por seus braços.
_ Sua... Vagabunda! – ele gritou, e em seguida desferiu um golpe com tanta força que o corpo de Ivy atravessou toda a sala, se chocou na parede e pousou ruidosamente no chão. Ainda não satisfeito, Jean seguiu em direção ao corpo inerte e lhe golpeou o abdômen.
_ NÃO! – Maggie gritou — Pare!
_ Saia da minha frente, mulher!
_ Já basta, Jean! – Maggie insistiu se pôs entre eles.
Maggie nunca teve muita importância na sociedade Garou, mas a estima que Jean sentia por ela era bastante óbvia para todos. Ele fez questão de sua companhia durante toda sua existência, sempre como sua governanta. Quando humana, Maggie havia sido a ama de Jean, e foi ela quem o criou e cuidou durante toda sua vida. Ela era a figura mais maternal que Jean já conhecera, uma vez que sua própria mãe era uma pessoa fria e distante.
Alguns anos após sua transformação, Jean procurou Maggie, que ainda trabalhava na casa de seus pais em Provença, e lhe pediu que o acompanhasse nessa nova vida. Maggie se recusou, e tentou alertar os pais de Jean. Mas ele já era um poderoso empresário naquela época e possuía certa influência política, e não hesitou em praticá-los sobre a autoridade local. Jean assassinou os próprios pais, e Maggie foi transformada em 1811. Desde então, ela o serve devotamente.
_ Jean! Pense na festa. Pense no que os convidados vão pensar. O que o Governador vai pensar quando vir sua filha se casando cheia de hematomas? – Por sorte, as palavras de Maggie foram suficientes para deter a fúria de Jean.
_ Tire-a daqui! Suma com esse verme, antes que eu acabe com sua vida miserável!
Ivy ainda estava inconsciente, mas Maggie a levantou e a levou para o quarto. Giacomo tentou segui-las.
_ Pode deixar, eu cuido dela. – Maggie anunciou, barrando-o.
Maggie cantarolava antigas canções de ninar, enquanto limpava o rosto ensangüentado de Ivy, só então, ela percebeu as lesões que a violência de Jean havia causado. Ivy sangrava muito pelo nariz, e também pela boca. Maggie tentou estancar a hemorragia, mas o sangue continuava jorrando abundantemente. Ivy estava com o nariz quebrado, nada muito grave ou irremediável, não fosse pelo inchaço no local. Mas certamente, era um tipo de fratura que causaria alguma dor. Ivy, no entanto, parecia não sentir nada; permanecia calada e apática. Como se estivesse anestesiada, em choque, talvez. Seus olhos estavam vazios e mesmo as lágrimas pareciam tê-la abandonado.
_ Já passou, filha... já passou – Maggie dizia com carinho, mas Ivy não esboçava qualquer reação.
Notas finais
CAPÍTULO CAPÍTULO BETADO PELA MARAVILHOSA BELLS MASEN!!
THANKS BELLS!!!
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