The Swan Sisters Saga
68 Capítulo 16 - Segredos
Notas iniciais
Ainda faltavam algumas horas para o amanhecer quando senti o já familiar calafrio percorrendo minha espinha. Todas as noites, um pouco antes dos primeiros raios de sol invadirem o quarto, eu sentia a presença de alguém, como se houvesse alguém me observando. Era uma sensação estranha, uma mistura de medo e curiosidade.
Foi na minha terceira noite na casa de Paul quando tudo começou; eu acordei exatamente às três horas e trinta e três minutos e vi em frente à porta do quarto, um homem. Cabelos negros cortados rentes, usando grossas vestes igualmente escuras. Estava em pé apoiado no batente da porta, fumando um cigarro negro, enchendo o quarto de fumaça e medo. A escuridão era total, mas o homem estava ali, na minha frente, como se iluminado por uma luz fraca. Fechei os olhos apavorada e escondi a cabeça debaixo do cobertor.
“É um sonho, um resto de sonho,” eu disse a mim mesma. “Impossível” eu pensei. Mas era tão real que eu poderia tocá-lo se tivesse coragem para me levantar. Mesmo debaixo do cobertor que me sufocava cada vez mais, eu podia sentir o cheiro da fumaça asfixiante entrando pelas frestas da cama.
“Coragem. Coragem. Coragem. É hora de mostrar coragem! Só uma espiadinha”. Mas apesar de minhas súplicas, a coragem não vinha. Eu estava sozinha naquele quarto escuro. “Coragem!” Abaixei devagar o cobertor, tentei acostumar os olhos à densa escuridão da madrugada sem lua, olhando primeiro para o teto. Deixei o cobertor na altura do queixo, levantei a cabeça na direção da porta agora de olhos fechados. Respirei fundo e abri os olhos relutante e tremendo. A brancura cega, a fumaça asfixiante, o silêncio ensurdecer e, o homem imóvel e... lindo. Mesmo macabro ele era mesmo lindo, como um verdadeiro deus grego. Não pude evitar o vislumbre que a figura daquele homem me causou, ele realmente era lindo! E ele continuava parado na porta do quarto, exatamente na mesma posição. Imóvel, olhos fixos em mim como se nada mais pudesse fazer. Porem, mesmo a beleza daquela visão não afastou o medo. Um medo cada vez maior. Vontade de gritar, chamar por Paul, Josh e até mesmo por Ian dormindo no quarto ao lado, mas só consegui me enrolar debaixo do cobertor.
Não sei quanto tempo fiquei assim, quanto tempo suportei a falta de ar debaixo daquelas cobertas grossas, pesadas, cheirando a guarda-roupa. Não sei se dormi e acordei ou se dormi e sonhei; perdi aos poucos a noção do tempo, das coisas, dos pensamentos, só desejava o amanhecer.
_ Garota estúpida! – o homem murmurou sarcástico e ácido, soltando um riso apático no final.
Então, ouvi o barulho das pesadas janelas de madeira se abrindo. Josh puxou meu cobertor, estranhando aquele exagero todo.
_ Fez frio essa noite, hein?! — Sim. Frio, medo. Depois o calor debaixo do cobertor, fumaça, o cheiro do cigarro.
_ Quem fuma aqui nessa casa, Josh? – eu perguntei ríspida, tentando esconder meu terror.
_ Oh, bom dia pra você também! – Josh disse, dobrando cuidadosamente o cobertor e abrindo as janelas – Como assim? Ninguém, oras! Vovô mataria o primeiro que ousasse tocar num cigarro!
_ Mas... mas... tinha alguém fumando aqui! Você não está sentindo?
_ Sentindo o que? Cê tá ficando louca?
_ O cheiro! O cheiro de cigarro!
Josh parou por um segundo, se esforçando para captar algum odor.
_ Não. Nada! É... – hesitou, revirando os olhos em seguida – Cê tá ficando louca! – ele afirmou dessa vez e seguiu para a cozinha.
Nunca mais vi o estranho homem, mas a sua voz me acompanha desde então, sempre sarcástica, sempre rude e indiferente. Ás vezes, vejo coisas mais tenebrosas em meus sonhos e quando a consciência volta, a primeira coisa que ouço é “Garota estúpida”, então, eu fecho os olhos e espero que a imagem desapareça lentamente até ficar apenas o medo do que foi, do que pode vir dessas noites incompreensíveis.
O tempo passava rápido na aldeia dos Quileuttes e a cada dia eu descobria algo novo sobre a misteriosa tribo que me acolhera. Paul tinha uma borracharia na beira da estrada e só voltava ao anoitecer, Ian passava o tempo todo fora de casa ou se retirava assim que eu chegava e, as férias escolares de Josh já haviam terminado e desde então o tédio preenchia meu dia. Para compensar o mal estar que eu causava na família eu cuidava da casa e cozinhava para eles. Assim, eu alternava as horas entre os afazeres domésticos e pequenas caminhas pela praia de La Push, já que a floresta que rodeava a aldeia me fora proibida por Paul depois que Josh e eu “acidentalmente” ultrapassamos o limite permitido para cortar o caminho até o cemitério.
_ Aqui! Aqui... são eles! — Josh queria me mostrar o túmulo de seus pais falecidos há alguns anos atrás num acidente de carro, além de outros ancestrais mais antigos e algumas pessoas que aparentemente deixaram um marco na história dos Quileuttes – Este é Billy Black, meu bisavô e estes são meus pais – ele disse, esboçando um sorriso fraco – e... bem, este é meu irmãozinho...
_ Oh... Josh... eu sinto muito.
_ Não... tudo bem. Pra falar a verdade, eu nem me lembro muito deles...
_ Josh...
_ Tá tudo bem, Amy! – Amy era como Josh resolveu me chamar, Amy de Amnésia. E por mais que fosse bobo e infantil, era bom ter um nome, visto que todos os outros só me chamavam de menina, garota ou no caso de Paul e os anciões, criança. — O que foi? Você conhecia ele?
_ Quem? – perguntei, enxugando as lágrimas que escorriam sem razão aparente.
_ O xerife!
_ Humm... não. Me desculpe, eu não sei o que aconteceu comigo, é só que... que... essa... essa mensagem é tão bonita.
Durante a nossa vida conhecemos pessoas que vem e que ficam, Outras que, vem e passam. Existem aquelas que vêm, ficam e depois de algum tempo se vão. Mas existem aquelas que vêm e se vão com uma enorme vontade de ficar...
Não importe quanto o tempo passe, nossa memória vai se lembrar de você assim, como na foto! Até o dia em que nos encotremos de novo, pai!
Bella e Angel Swan.
_ Charlie Swan...
_ Humm... ele era... ele fazia parte da tribo também? – eu quis saber por não reconhecer os peculiares traços Quilleutes no rosto daquele homem.
_ Não. O xerife Swan não era daqui. Ele era um “cara pálida” como você... mas o vô Paul disse que ele foi um grande amigo da tribo e ajudou muito a gente, sabe? Hey, peraí! Você meio que se parece com ele, né?
_ Aí, você pirou, moleque?
_ Ah, tá... é... – Josh riu – só lembra um pouco, talvez... Hey olhe aqui! Este é o meu bisavô Billy Black, vem ver! – ele disse, agora apontando para a lápide ao lado, cuidadosamente esculpida e adornada por vários lobos.
_ Uau! Isso é muito legal, Josh! – eu disse enquanto pensava na obsessão dos Quilleutes por lobos; todas as casas da aldeia possuíam o mesmo brasão incrustado na porta de entrada: dezesseis enormes lobos alinhados uniformemente como uma guarda pronta para o ataque. Foi quando passei os olhos pela data esculpida na lápide de Billy Black; minha mente processou os números rapidamente, revisei uma e duas vezes e, ainda assim os cálculos não batiam – Josh? – ele não respondeu, apenas levantou as sobrancelhas concentrado na tarefa de tirar as folhas secas que cobriam o túmulo de seu bisavô – Josh, como Billy Black pode ser seu tataravô?
_ Ah, sei lá! Como essas coisas normalmente acontecem? – ele respondeu casualmente – Ele é o pai do pai, ou melhor, da mãe do pai do meu pai, entende Amy?
_ Humm... não exatamente. Quer dizer, não! Eu não entendi. Mas não é isso que eu quis dizer, Josh. O que eu quero saber é: como Billy Black pode ser seu tataravô se ele morreu há menos de cinqüenta anos? Vocês, Quilleutes se casam tipo... com cinco anos de idade? – eu ri — Ou crescem mais rápido do que as pessoas normais? – continuei num tom de zombaria, tentando provocar.
_ Nem um, nem outro... – ele respondeu repentinamente resignado.
_ O que foi?
_ Ahn... eu não posso falar sobre essas coisas com você, Amy... não tenho permissão. Desculpa.
_ Não tem permissão? Como assim? É algum tipo de segredo da tribo? Ah! Me conta, me conta, Josh! – pedi, cutucando suas costelas magras procurando faze-lo rir novamente.
_ Não posso, Amy. É sério, não posso.
_ Ian? Foi Ian que disse isso?
_ Não.
_ Então quem foi?
_ Ninguém, Amy. É só... eu não posso falar! – ele disse antes de sair correndo e me deixar sozinha com essa recente nova curiosidade.
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