The Sunset
1 O Inicio do Fim
Notas iniciais
A dor se espalhou pelo meu corpo mais rápido do que eu imaginei que fosse possível, então eu fiz a única coisa que me ocorreu. Rezei para minha mãe.
É difícil acreditar que dividimos o mundo com Deuses, até porque eles viveram á muito, muito tempo mesmo, mas não são as únicas coisas com quem dividimos o mundo. Assim como Deuses existem, existem também monstros, que na verdade são criações de alguns dos Deuses, principalmente Hades. Desde que os Titãs tentaram se levantar, as coisas mudaram no meu mundo. O nosso número de semideuses diminuiu, e na primavera passa, foi decidido pelos grandes chefões que somente um filho de cada Deus seria escolhido para enfrentar missões, deixando os outros em eterno estado de espera. Ou de deserdação, como no meu caso. Antigamente as coisas eram diferentes, todos viviam em um acampamento para serem treinados, todos eram reconhecidos e qualquer um podia receber missões dos seus pais. Mas as coisas mudaram á um tempo. Eles se tornaram frios e ausentes e esse foi um dos motivos que me fez fugir do acampamento.
Após alguns segundos no chão, eu entendi que minha mãe estava ocupada, ou provavelmente me assistindo sofrer, para ver até onde eu aguentaria, então decidi arriscar minha última jogada. Tirei a minha última faca de prata e atirei sem ao menos enxergar. A mira tinha sido perfeita. Aos poucos levantei os olhos e notei a lâmina enterrada exatamente no coração do vampiro. Suspirei derrotada. Minha mãe não havia me perdoado pelo que aconteceu no último outono. Apolo poderia ser um dos meus tios favoritos, mas quando se tratava de seus dotes, ele era exigente e, considerando que o banquete humano a minha frente, decidi não arriscar.
—Obrigada tio.
As palavras saíram carregadas. O imbecil era um dos vampiros mais fortes que eu já tinha encontrado. E sim, eu estava nessa missão suicida de limpar o mundo dos monstros. Não que fosse possível, até porque eles voltavam mais rápido do que eu conseguia mata-los. Mas eu não podia ficar no acampamento, recebendo ordens, muito menos tentar ter uma vida ‘normal’. Não que eu tivesse tentado. Porque eu tinha. E tinha sido um total desastre.
Não foi exatamente fácil fugir de um acampamento vigiado por Deuses olimpianos e seus fiéis discípulos, o que resultou em nada de dinheiro para seguir em frente. Eu não era estupida de sequer pensar que eles teriam me deixado realmente ir. Ninguém deixaria sua galinha dos ovos de ouro fugir. Eu era seu fantoche favorito.
A casa abandonada onde eu estava era realmente um lugar perigoso para se ficar. Praticamente todas as tabuas estavam soltas, e o chão balançava mais que as folhas das antigas arvores ao redor da casa. Incrivelmente, sempre tinha comida na geladeira velha e enferrujada que não estava funcionando quando a encontrei. A água do encanamento era sempre limpa e potável. Não que eu estivesse reclamando, mas era só mais um pequeno lembrete de que, o único motivo por eu estar ‘livre’, era pela boa vontade dos Deuses. Eu teria de voltar quando esse jogo chegasse ao fim.
O frágil e antigo sofá no meio da casa gemeu quando meu peso baixou sobre ele. Matar vampiros não era uma mera diversão. Minha nova meta era encontrar os responsáveis que estavam envolvidos em venda de crianças, mulheres e até homens para a prostituição. Em geral, eu ignoro a maioria dos vampiros, desde que consigam controlar-se o suficiente para não matar. Porém, eu me perco um pouco quando crianças são envolvidas, isso vale tanto para vampiros, quanto para humanos.
O jornal deixado misteriosamente em minha porta na última noite descansava sobre o velho chão. A manchete não deixava dúvidas sobre a minha próxima parada.
“Número de desaparecidos aumenta Seattle e região. Até agora são trinta e sete crianças desaparecidas, todas com idade entre cinco e quinze. A polícia suspeita de um Serial Killer. Segundo o delegado responsável, não há provas de nenhum dos crimes. Mais informações serão liberadas em breve. ”
Serial Killer? A polícia precisava ser mais criativa e parar de assistir “C.S. I”. Não havia provas porque mortos não possuíam digitais. A primeira coisa a ser feita era diminuir as áreas de busca, depois pegar qualquer vampiro jovem e faze-lo falar. Nenhum vampiro mestre realmente conseguia se esconder, uma vez que essa tentativa era feita usando os mais novos. E nenhum recém desperto aguentava mais que dois beliscões antes de começar a falar.
Eu iria para Seattle. E iria incendiar a cidade se fosse preciso até achar o mestre responsável pela área. Eu não era conhecida à toa como Shadow. Eu iria ser a maldita sombra que os levaria ao chão.
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