The Sun Always Rises
1 Capítulo 1 - Always Rises
Notas iniciais
O som reproduzido por seus passos era metalizado, já que cada movimento de seus pés se encontravam com chão rochoso. O eco produzido por causa do movimento, dava um pouco de vida ao cenário horripilante. Ao seu redor sentia cada momento da luta entre Lunari e Solari, resgatando daquele antigo santuário o resto da antiguidade dos dois povos. Por um momento pensou: "E se nada dessa guerra houvesse acontecido? O que seriamos de nós?".
Fitou sua aparência em uma poça existente – uma daquelas que se formam após um dia chuvoso. Seus cabelos ruivos caíam sobe seus ombros, mesclando com o tom dourado emitido da armadura. Suas bochechas no momento tinha um tom vermelhado, o olhar era brilhoso, assim como sua esperança em descobrir onde estava sua maior inimiga.
Leona observou atentamente onde se encontrava, tentando lembrar de cada canto, gravar em sua memória qual era o significado de ser Solari. Apesar do tempo que já havia passado, assustou-se com a tamanha destruição do local. Maior parte dos antigos pilares eram ruínas, haviam marcas de sangue seco em todas paredes e, até mesmo os restos mortais de alguns Lunari.
Juntou sua espada perto ao seu corpo, segurou firme a parte sem corte, desejando que Diana aparecesse logo. Não eram amigas, muito menos haviam sido um dia. Ela possuía poucas lembranças da menina problemática e pálida. Não lembrava muito dela além das piadas que faziam sobre a cor de pele, costumes e sua obsessão pelo antigo povo da Lua. Particularmente, Leona sempre encarou Diana como um ser extremamente arrogante e sem graça. Também considerava que a moça tinha maus hábitos – como por um exemplo andar a noite ou questionar os anciões. Nos dias atuais, a ruiva carregava uma grande ira sobre a tal escolhida lunar, seu coração apertava toda vez que pensava em matá-la.
Pela primeira vez em sua vida, Leona desejava sentir o sangue de alguém. Imaginava o dia que a respiração da outra parasse, e por fim, ela pudesse saborear a morte trazida por uma espada Solari carregada de raiva, vingança e desprezo. Esses sentimentos tiveram início logo após o massacre, onde seus pais morreram.
Mesmo com esse desejo, não sabia com exatidão sobre detalhes, ou sobre informações do massacre. Suas lembranças estavam embaralhadas com diversos episódios que tinha assistido. Por muitas vezes seu amigo de infância – por quem ela nutria amor platônico, Pantheon tentou conversar e contar com detalhes. Para o do antigo povo, ambos estavam longe quando ocorreu a carnificina.
A culpa de não ter lutado, destruiu Leona por dentro.
Na sua fúria pela falta de memória, Pantheon resolveu levá-la com certa urgência a Piltover, a cidade do futuro. Lá por meios de diversos exames, constatou que de fato o subconsciente da guardiã tinha suprido alguns momentos. O médico tinha informado que era de extrema importância que procurassem documentos, momentos, até mesmo "gatilhos" que pudessem fazer sua mente ligar os fatos.
Foi em alguns dias após a ida a Piltover que ela descobriu um pergaminho sobre o massacre.
Estava escondido entre duas pedras da entrada da cidade, colocado ali para que alguém entendesse a estória e assim pudesse entender a guerra. As folhas amarelas estavam gastas, entretanto, depois da mulher se empenhar em decorar cada palavra, o pergaminho acabou ficando cada vez mais rasgado. Passaram dois dias, então Leona já havia decorado todo conteúdo das letras borradas e escritas com desespero. Em sua mente a voz do pergaminho ressoava como uma música calma:
"Escrevo esse pergaminho com desespero, angústia e um pouco de curiosidade. Antes de começar a história no qual me encontro, deixe-me explicar sobre a protagonista."
"Diana possuí dezesseis primaveras, sua pele é mais pálida que a luz lunar, vinda do nosso amado Sol. Diana possuí cabelos louros claros longos e lisos, assim como uma antiga lenda, ela não é uma Solari. Sei disso agora mesmo porque nunca em suas idas ao nosso santuário, o Sol a iluminou – para você que não entende nada dos santuários, vou explicar-lhe."
"Monte Targgon é o monte mais elevado de toda Runeterra, onde o Sol se aproxima no Verão e a Lua no Inverno. O que muitos sabem é apenas do povo dominante, Solari, que por sua vez tiverem culpa no primeiro massacre dos Lunari. Antes de explicar sobre o primeiro Massacre dos Lunari, você precisa entender o porquê de tudo acontecer assim. Continuando sobre o Monte Targgon; quando souberam sobre o tal local, ambos povos subiram em busca de energia e novos defensores. Com a sede de mil guerreiros, o primeiro a chegar e derramar sangue por isso foi um Solari. Sem piedade alguma, o guerreiro andava com uma trilha de sangue ao seu lado, evitando poupar mulheres Lunari e seus filhos indefesos. Com a mensagem de sou o escolhido do Sol, o tal guerreiro caminhava em busca de uma forma de transformar seus semelhantes em defensores daquela religião."
"Após duas semanas, ambos povos já haviam se instalados nas cidades. Solari tinham dominado a maior parte das terras habitáveis, deixando um pedaço miserável ao vizinho. Lunari sem reclamar, criaram um santuário que apenas com a luz da Lua era possível achar a trilha. Dia a dia ergueram diversas colunas, transformando o buraco ao meio da floresta em um belíssimo local."
"Ano depois de ano, os Solari eram cada dia mais fortes e em maior número. Com a grande variedade de pessoas, os Solaris acabaram formando uma sociedade forte e protegida, que evitava mudanças. Por outro lado, os Lunari sempre queriam mudar a vida, em busca de um poder maior. Das diversas mulheres que tinham as chances de engravidarem, maioria perdia quando o feto começava a se formar. Solari plantavam alimentos enriquecidos com o poder do sol, enquanto os Lunari – com suas terras medíocres – passavam fome por evitarem comer frutos do Sol."
"Passaram dez anos desde do começo, foi nessa data de aniversário que o representante ancião Solari mandou a ordem de ataque aos Lunari. Sem escapatória, sem piedade, sem graças ao meus olhos, somente me tragam os corpos mortos para enterrar naquele santuário maldito, brajejou o comandante. Todos jovens com armaduras enfrentaram os tolos, que sem armas renderam-se esperando a morte em um ato corajoso."
"Um dos anciões mais influente dos Solari foi fazer a ronda, queria ter certeza que não restavam um vivo, porém em uma das casas, o homem jovem encontrou um pequeno bebê. Tão frágil quanto um pequeno vaso de barro. A pele pálida cobria o bebê que já tinha alguns fios de cabelos loiros. O soldado em um acesso de terror, pegou a cria Lunari em suas mãos, era pequeno igual à sua filha. Não merecia morrer, não tinha feito nada de mal."
"Em um momento, o guerreiro cobriu o bebê com seu manto laranjado. Deu um beijo na testa e decidiu lhe poupar a vida. Correndo com o pequeno embrulho, o jovem pai levou a criança até a lagoa da Lua. Naquela noite de lua cheia, as águas possuíam uma coloração azul escuro. "
"Perto das rochas, ele deixou a pequena criança embrulhada. Mais tarde lhe daria uma chance de viver novamente, e quem sabe tornar-se uma Solari."
"Essa linda remete ao passado de Diana, que até hoje para mim, era segredo. Os anciões guardavam, temendo que um dia ela pudesse venerar a Lua."
"Mas hoje, Diana colocou sua armadura preta refletindo a luz da Lua. O fio da lâmina curvada agora mancha as paredes da nossa cidade. Nossa esperança está longe, Leona e Pantheon, por favor vinguem nossas vidas."
Quando Leona chegou ao lago, fitou as costas de Diana.
Cabelos louros, quase brancos desciam seu corpo grudados em sua armadura. A espada estava fincada no chão, apenas fitar o fio de corte da arma Leona sentiu arrepios. Ambas tinham a mesma idade, quase mesma altura – mesmo que a ruiva fosse cinco centímetros mais alta. Em diversos pontos eram parecidas. Suas vidas foram diferentes, por uma infelicidade.
Sem delongas, a Solari se aproximou da mulher. Arrancou sua espada da bainha, empunhou à sua frente e tomada por sua raiva, bravejou:
– Diana, Lunari culpada pelo massacre Solari – forçou sua voz a permanecer firme – Sua punição chegou.
– Em toda minha vida – começou a loira levantando da beirada. Seu rosto estava cada vez mais pálido e ainda carregava a marca lunari na testa – Nunca acreditei que Leona, a protetora, seria minha executora.
– Ora, não fale bobagens – Falou Leona alterando seu tom de voz, o choro já era presente. As memórias perdidas por fim tinham uma leve camada de poeira, era como se esse momento fosse um terrível sonho – Você matou meu povo, destruiu minha vida, além de colocar um fardo pesado em cima de Pantheon e de mim.
Diana caminhou carregando um sorriso malicioso no rosto. Colocou suas mãos na cintura, respirou fundo e, por fim disse com calma:
– Bem, seu povo matou o meu antes. É uma forma justa de pagamento, Leona.
A ira dominou o corpo de Leona. Como ela ousou ser tão horrível ao ponto de colocar valores em vidas.
Vidas não possuem preço, pensou Leona revoltada.
A partir daquela frase, a moça de cabelos ruivos acastanhado não conseguiu mais controlar sua ira. Seus dedos apertaram na espada, trouxe o escudo perto ao corpo. Tentou controlar sua respiração como o antigo ancião havia lhe ensinado, no entanto, agora era tarde.
Empunhou seu braço saltando em um golpe no pescoço da rival. Com um reflexo sobrenatural, a loira estendeu a espada parando o golpe fatal. Através das lâminas, Leona pode ver seu ódio refletido na palidez da mulher. Voltou seu braço para a cintura, girou seu corpo jogando o escudo contra o abdômen da outra. Acertando em cheio, ouviu a mulher tossir.
Como uma resposta Diana acertou um soco na no rosto da ruiva. Quando andou para trás, Diana pode fitar o sangue que manchava o chão.
A bochecha esquerda da ruiva estava com a marca da manopla. O sangue escorria pelo queixo, caindo sobre o peitoral dourado. Ambas encararam o resultado do pequeno combate, que era apenas o começo.
Diana não tardou a começar, correu na direção da guerreira. Quando chegou com a espada, sentiu uma força parar seu corpo. O escudo de Leona tinha acertado seu peitoral, emitindo uma luz forte. Sentiu calor sendo espalhado pelo seu corpo, o poder do Sol invadiu seu organismo. Apenas conseguia mover seus olhos.
Não demorou a perceber que no momento o corpo inteiro de Leona brilhava como o Sol. Gerando um calor insuportável ao ponto de explodir, empurrando Diana para longe.
Caída sobre as pedras, Diana sentiu todo seu corpo doer.
Então era assim uma luta de verdade contra um Solari? Será difícil, pensou com raiva.
Quando se levantou tremendo, não conseguiu encontrar a mulher a sua frente. Leona estava atrás dela, e com golpes rápidos usando o escudo. Sentiu toda sua armadura ser perfurada pela energia solar.
Em um momento desesperado, Diana puxou a espada forçando a aparecer as esferas lunares que lhe concederam um brilho branco. Desferiu golpes em sua oponente, não se importando se fosse matá-la. No final, esse era o principal desejo de Diana. Matar a criar perfeita dos Solari.
Leona recuou jogando seu corpo atrás do escudo, mesmo que fosse difícil. Sua espada não conseguia parar os golpes, muito menos golpear algo. Enquanto seu escudo era esmurrado em uma insanidade inexplicável, seu braço falhou.
O som do escudo caindo nas rochas ecoou por todo santuário.
De joelhos, a cabeleira expressa da ruiva caiu sobre sua face, cobrindo suas lagrimas. Esse era o momento. A sua morte, o seu fim.
Eu falhei. Desculpe mãe e pai, pensou a mulher ao ceder a tensão dos seus ombros, apoiando seus braços no chão.
O fio gelado do corte encostou em seu pescoço. Diana estava ali, a sua frente com um sorriso insano. Seus olhos estavam com um brilho mortal, sua marcada Lunari tinha uma sombra preta diferente.
– Esse é o tipo perfeito para cortar pescoços – falou calmamente – Não sangra de mais, e a dor é reduzida. Sei disso porque seu pai me contou antes de morrer.
Leona encarou a oponente. Agora o brilho havia sumido, ali era Diana, a menina que sempre era excluída. A loira que foi motivos de piadas e punições.
– É uma pena, terei de tirar sua vida.
Seu braço deslizou, a espada feio junto. O momento de execução de Leona, seus últimos segundos.
Rezou para o Sol lhe salvasse mais uma vez.
Rezou a procura de um milagre.
Rezou para que alguém viesse salvar sua vida.
Nos instantes seguintes, não sentiu dor. Fechou os olhos e no momento seguinte, desmaiou.
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