The Stripper
6 Capítulo 5 – Triste coincidência
Notas iniciais
Antes de ler, quero agradecer a TODAS as meninas que sempre leem e mandam reviews (principalmente a Katherine Black e a Páh Cullen, porque essas lindas comentaram em todos os capítulos, apesar da demora e da enrolação, rs.), pode não parecer muito pelo tanto que eu escrevi, mas acreditem, se não fosse por vocês, eu teria parado essa fic no terceiro capítulo. Eu sei, que deve se escrever primeiramente pra si, mas tem horas que simplesmente não dá pra escrever, e é os comentários de vocês que me incentivam a ficar na frente do PC, com o arquivo do word aberto digitando até o texto ficar bom.
(Juro que não estou bêbada, foi só um desabafo da madrugada, que eu senti vontade de fazer.) AHSAUHSU
Dito isso, vamos ao capítulo novo. O esperado encontro.
Boa Leitura.
Triste coincidência
P.O.V Bella
Eu me sentia fraca, estava com parte do corpo no chão frio, a outra parte nos braços de alguém que me chacoalhava um pouco. Fui recobrando a consciência aos poucos, e quando abri os olhos, dei de cara com os olhos verdes que me perseguiram o dia inteiro.
- AHHHHHHHHH! – Gritei de novo. – O que você está fazendo aqui?! – Perguntei me levantando rapidamente e sentindo uma forte tontura, então caí, e ele me segurou novamente. – Me solte! – Ele o fez, e por um milagre eu consegui me equilibrar no balcão. – Diz logo, o que você quer aqui?
- Você é sempre assim tão escandalosa e exagerada? – Ele respondeu com as mãos pra cima em sinal de rendição.
- Só quando loucos começam a me perseguir. Agora, saia agora, ou eu vou chamar os seguranças do meu pai. – Eu disse ameaçando ele.
- Ora, faça-me o favor. Eu te conheço tanto quanto você me conhece, porque acha que eu estou te perseguindo?
- Se não está, o que faz aqui?
- Eu trabalho aqui. Desde agora pouco, mas trabalho. – Arregalei meus olhos. Oh céus. Não podia ser. O novo jardineiro que Johnson contratou, não podia ser ele, certo? Johnson rejeitara rapazes e homens que eu aposto que eram bem mais experientes que ele. Afinal, ele era um stripper, não podia saber de jardinagem, certo?
- Então agora que não conseguiu, que tal voltar pra sua “casa de massagem” e sair de minha residência familiar que não tolera esse tipo de imoralidade. – Eu disse encarando ele.
- Só para você saber, eu consegui sim o emprego. E não me chame de imoral. Você não tem noção o que eu passo, e do motivo pra eu ter feito o que fiz. E pior é você, têm uns trinta anos na cara e fica se aproveitando da Sra. Swan. – Ele dizia debochado. – Como foi voltar pra casa da sua irmã, bêbada do jeito que estava? – Eu não acredito que ele acabara de me chamar de velha e bêbada na casa dos meus pais. Se eu não estivesse tão brava, eu teria chorado. Mas ninguém mexe na minha idade sem consequências. Eu tinha uma cara de choque misturado com choro, e ele um sorriso sarcástico. Ao pensar minha próxima fala, dei um sorriso diabólico e disse:
- Eu espero que você ainda não tenha vendido sua fantasia de bombeiro, nem pedido demissão do clube de quinta que você trabalhava, porque aquele é o único emprego que você terá a partir de agora. – Ele tirou o sorriso do rosto e fez uma careta interrogativa. – Você ainda não conheceu meu pai, Charlie Swan certo? Digamos que ele é o total oposto da minha mãe (aquela senhora super simpática que você conheceu). Apesar de que os dois tem uma coisa em comum: eles me amam muito, e com certeza te despediram se eu pedisse. E sem nem se quer ouvir uma palavra sua. – A cara dele foi ao chão quando eu falei. – Por isso, senhor... – eu me dei conta que não sabia o nome dele – Sr. Stripper, foi bom te conhecer; enquanto eu estava bem bêbada. Mas você é desagradável, só me trouxe problemas durante as dezoito horas que nos conhecemos, e ficou bem obvio que mal conseguimos ficar no mesmo espaço; então eu com certeza falo em nome dos Swan’s quando eu digo que você está demitido. – Eu dizia dando um sorriso bem perverso.
- Você não faria isso. – Ele disse de maneira desafiadora, mas uma cara assustada.
- Já fiz. Agora tchauzinho, addio, bye, au revoir, até nunca mais. – Eu dizia enquanto me despedia com um sorriso vencedor no rosto e dava as costas pra ele. Ele havia feito uma bagunça no meu psicológico, tinha me feito ficar ocupada à noite, e por isso perder tudo que estava em meu apartamento, e ainda me chamou de velha. Agora pelo menos, eu estava vingada.
- Espere. – Ele disse com certa relutância. Eu esperei um pouco, e como ele não disse nada eu me virei. Ele estava parado perto do balcão parecendo travado, como se estivesse em um palco com um milhão de pessoas na sua frente e simplesmente não conseguisse dizer o texto (como eu entendia essa sensação…). – Olha, eu também me arrependo por ontem a noite. E eu peço desculpas por todos os problemas que eu provavelmente causei pra você. Mas eu realmente não posso perder esse emprego. Será que não dá pra relevar? – Ele soltou o ar depois que disse isso.
Eu fiquei parada olhando para ele. Estava em duvida, sem nem saber do quê. Não seria mais fácil colocar ele na rua? Não só por nossa convivência na mesma casa durante duas semanas, mas também por meus pais. O cara era stripper, provavelmente trabalharia de manha na casa de meus pais e a noite num puteiro feminino. Isso não pegaria bem para minha família...
- Hum… Eu não sei. Seria muito ruim te ter por perto, fora que a reputação da minha família está em jogo. – Eu disse o que pensava, e ele logo deu um sorriso irônico.
- Quer saber, acho que não vai dar certo, pois minhas palavras só servem pra falar com alguém que não seja fútil nem mimado. – Ele disse saindo de perto do balcão e andando em minha direção. – Você se preocupa com a reputação da sua família? Pois deixa eu te avisar, princesa: quando você tiver que se sustentar sozinha, eu espero que tenha muita sorte, porque o mundo não é fácil como você pensa. E quando você tiver precisando de comida, ou pagar contas e descobrir que o único jeito de conseguir isso e fazendo algo humilhante, você vai estar se lixando pra “reputação de família”. – Ele disse imitando minha voz na ultima frase. – E só para você saber, demitir alguém como você está me demitindo, é mesquinho. Fútil, mimada e mesquinha. Você tem razão, eu fui imoral. Porque só alguém imoral dormiria com alguém como você, que claramente só consegue sexo se for pago. – Essas palavras doeram. Doeram muito. Eu mal conseguia pensar em alguma coisa.
- Filha está tudo bem?
- É ouvimos você gritando. Duas vezes. Mas achamos que era só uma barata. – Eu vi minha mãe e Allie chegarem ali caminhando, e me tirando do transe que eu estava. Tudo o que eu consegui fazer foi sair correndo e chorando pela casa e desejar que aquele ser sumisse para sempre de minha vida.
P.O.V. Edward
Quando ela saiu correndo foi quando eu realmente medi minhas palavras. Não era certo ela ameaçar me demitir como estava fazendo. Mas eu realmente tinha pegado pesado com ela.
Ela estava noiva, e eu transei com ela enquanto ela estava bêbada. Eram motivos mais do que justificáveis para querer distancia de mim. Acontece que na hora da raiva eu apenas falei. Idiota. Agora, com certeza eu seria demitido, e por justa causa.
- Edward, certo? – A Sra. Swan me chamou depois de um tempo sem dizer nada. Ela e uma baixinha com os cabelos bem pretos de corte Chanel me olhavam, as duas com olhos azuis interrogativos. – Hãn… Você sabe o que aconteceu com a Bella?
Não tinha sentido mentir, eu iria ser demitido de qualquer forma. Mas não era justo difama-la pra família, quando eu já tinha a ofendido mais que o suficiente. Então decidi usar da historia que a baixinha tinha falado.
- Eu não sei direito. – Eu disse fazendo uma cara sem expressar emoção. – Eu a vi gritar uma vez, e então eu vim aqui. Era uma barata. Ela gritou de novo, mas dessa vez acho que de susto, por eu ter entrado. Eu não consegui pegar a barata, e eu acho que ela ficou com nojo e saiu correndo. – Expliquei tudo com o mesmo tom de voz. – Sra. Swan, se não for muito incomodo, eu preciso pegar as minhas roupas para poder ir embora. – Eu disse apontando para mim. Uma coisa ela estava certa: tivemos emoções de mais para as dezoito horas que nos conhecemos.
- Ah, claro. MAAAAARIAAAA! – A mulher gritou. Nossa, estava explicado os pulmões que ela tinha. Mesmo depois de tudo, eu reparei que não sabia o nome dela. A Sra. Swan a chamou de Bella… Talvez fosse de Isabella. Não, sua mãe se chamava Renée, então provavelmente fosse uma coisa mais europeia. Harabella, quem sabe…
- Sim, dona Renée. – Disse a empregada chegando.
- Pegue as roupas do rapaz, para ele ir. O primeiro dia, e já vamos ter eu pagar hora extra… — Ela disse dando uma risada. Realmente, ela era bem simpática.
- Desculpa perguntar, mas, eu te conheço de algum lugar? – Perguntou à baixinha dos cabelos pretos. Olhei bem para ela, mas eu não lembrava.
- Alice, se vai dar em cima do meu jardineiro, primeiro me peça para sair… — Disse a Sra. Swan, saindo do ambiente. Isso foi constrangedor. Eu fiquei desconfortável e a baixinha notou.
- Não ligue para a Tia Renée. Ela é muito legal, mas de vez em quando MUITO INCONVENIENTE. – Ela disse mais alto, e ouvi uma risada da porta por onde ela havia saído. – Mas falando sério, eu não te vi por ai?
- Acho que não. – Eu disse depois de pensar um pouco. – Se você é sobrinha dos Swan’s – eu disse apontando para a porta por onde a Sra. Swan tinha saído – não acho que frequentemos os mesmos lugares. – Disse colocando um sorriso no rosto. Eu já tinha atingido minha quota de maldade hoje, e eu realmente me sentia mal. Fora, que não custava ser simpático com o resto dos Swan’s, quem sabe assim alguém falaria a meu favor. A dona Maria chegou com minhas roupas e me entregou, e depois saiu de novo. – Bem, eu tenho que ir. – Eu disse apontando para minhas roupas.
- Ah, certo então. Até mais. – Ela disse dando um sorriso e saindo saltitando.
Antes de sair da mansão dos Swan’s, eu fui falar com Johnson. Ele tinha me dado uma chance, então fui pelo menos agradecer a oportunidade.
- Johnson. – Eu o chamei. Ele estava guardando algum equipamento. – Eu me aproximei, dei um aperto na sua mão e disse: – Obrigado. Foi muito bom trabalhar aqui. Er… Caso você não necessite mais dos meus serviços, pode me ligar? Aqui é meio longe, de minha casa e seria ruim perder uma viagem. – Eu disse de uma vez. Existia uma ínfima esperança que eu não seria demitido. Mas ela era tão pequena que eu resolvi avisar logo a ele que eu não conseguira cativar os Swans, como ele pensava ser capaz.
- Ora, não gostou do emprego rapaz? – Ele disse batendo as mãos com luvas na calça para tirar o excesso de terra.
- Não, imagine. Eu gostei do serviço, era algo que minha mãe gostava de fazer, então não é muita novidade pra mim. O problema mesmo aconteceu com… Bella? Acho que esse é seu nome. – O Johnson deu uma risada.
- Ah, já entendi tudo. Sim, seu nome é Bella. Mas não querendo te desanimar, mas posso contar nos dedos os namorados de Bella, então…
- Não! – Eu o cortei assim que entendi. – Eu não estou sentindo nada por ela. O que acontece é que nós tivemos uma briga. Ela me irritou com umas atitudes fúteis, e eu acabei dizendo grosserias pra ela. – Eu disse envergonhado. – Provavelmente ela falará com seu pai, e ele não vai querer me contratar.
- Ah rapaz, se foi só isso não se preocupe. A menina parece ser ruim, mais é um doce. Você só precisa conhecê-la um pouco. Ela tem uma personalidade forte, e é muito desbocada. Mas não se preocupe, ela te prejudicaria; ela não faz mal nem a um inseto. Entretanto, acho que você deve se desculpar. Não por ela ser filha do chefe, mas por ela ser mulher. Regra número um do manual dos homens: sua mulher está sempre certa. Caso você diga o contrário, corrija-se rapidamente. – Com essa eu tive que rir.
- Eu não sabia desse manual. Qual é a regra numero dois?
- Nunca deixar que a sua mulher número um descubra a segunda. – Eu ri novamente. Era impressionante, eu estava tendo com um estranho uma conversa que eu deveria ter tido com meu pai.
Mas era passado. Eu não tinha mais pai. E infelizmente, nem mãe. Só podia seguir em frente.
- Até que enfim cara! Já ia ligar para policia. Achei que você tinha sido sequestrado… — Disse Emm, quando eu finalmente cheguei em nosso apartamento.
- Que exagero Emmett. Eu que devia achar isso, porque você simplesmente desapareceu ontem. – A proposito, muito obrigado. Graças a você e sua ideia ridícula eu acabei transando com a noiva. – Eu disse me jogando no sofá.
- O quê??? Como assim cara? – Disse Emm se sentando em outra poltrona.
E então eu contei tudo pra ele. Desde como eu acordei com Bella, e ressaltando que nós dois estávamos bêbados; falei sobre meu ataque de coragem, e como eu consegui o emprego na casa dos Swans. Expliquei também como tinha o perdido.
- Nada bom, Edward, nada bom. Além de perder o emprego, perdeu oportunidade de ser o amante oficial.
- Amante oficial, Emmett? A menina deu um ataque só por eu ter aparecido na casa dela, e você acha que ela vai me querer como Amante oficial?
- O que eu posso fazer se você leva jeito? Eu devia ter te gravado ontem a noite, você estava pegando geral. Inclusive vi você conversando com uma mulher mais velha, e depois ela te deu um super abraço e foi embora com um sorriso no rosto. Você está na profissão certa, cara.
- Não estou não. Eu não volto naquela ‘agência’ nunca mais. E você não disse que era proibido dormir com a noiva?
- Era. Mas só se descobrirem… E eu que estava bem sóbrio, não me lembro de ter te visto sumido.
- Sim, mas do pouco que me lembro, tinha uns rapazes dançando para umas garotas, nas mesas mesmo. E teve um loirinho que me encarou com a maior cara de bunda.
- Hum… Ai muda tudo. Eu vou ver como fica sua situação…
- Não precisa. Eu já falei que não volto pra lá.
- E o que vai fazer então? Pelo que eu entendi você vai ser demitido, não vai?
- Bom, o Sr. Johnson jurou que não. Mas eu no lugar de Bella me demitiria.
- Então cara, só há uma coisa a fazer. Se desculpar com a menina, e torcer pra ela aceitar.
- É eu sei. É o que vou fazer. – Eu disse levantando e indo para meu quarto. Não devia ser difícil pedir desculpas pra ela, principalmente sabendo que eu estava errado. Mas era. Antigamente, eu não pedia desculpas nunca; isso era para subordinados. Mas os tempos mudaram pra mim. Eu precisei mudar; por escolha própria. Então eu iria aceitar isso, engolir meu orgulho, e implorar para Bella Swan me deixar com meu emprego.
P.O.V. Bella
Fútil, mimada e mesquinha. – Repetia a mesma voz na minha cabeça. Eu estava no meu quarto chorando. Aquele definitivamente era o PIOR DIA DA MINHA VIDA. Quando tudo estava ruim, simplesmente piorava.
Não era justo ele falar aquelas coisas horríveis pra mim. Eu tinha sido injusta, eu sabia disso, mas até parece que eu poderia contestar a decisão de Johnson. Papai procura há tanto tempo um jardineiro, que se ele precisasse escolher entre mim e ele, com certeza ele o escolheria.
E eu acho que o que mais doía era a verdade. Por todo esse tempo eu busco independência, mas a grande verdade é que quem me bancava era meu pai. Meu pai que comprara meu apartamento, ele pagava as contas e o debito do meu cartão de credito. Quando eu estagiei durante dois anos – antes de começar meu MBA. – ele que me arranjou um estagio, e claro, eu recebia muito mais que um estagiário de administração receberia. Quando eu terminasse meu Mestrado, eu passaria a gerir os negócios de família, e seria assim; sempre dependendo do meu pai.
E então eu fiquei muito puta. Eu não queria lembrar o quanto eu era uma inútil e submissa à vontade da minha família. E aquele idiota tinha estava tocando nas minhas feridas. Aliás, tudo o que ele fez o dia inteiro foi me lembrar. Lembrar-me de tudo que eu queria esquecer.
Isso não ia ficar assim. Se for guerra que ele quer, era guerra que ele teria.
Então me lembrei de quando eu tinha dez anos, minha mãe finalmente começou a trabalhar e eu ficava em casa, com Maria. Mas um dia Maria ficou doente, e não pôde cuidar de mim. Então mamãe chamou uma baby sitter. Era uma velha chata, que não dava doces, nem deixava assistir TV, nem brincar lá fora, nem fazer nada. Eu aguentei o primeiro dia, mas a noite mamãe falou que ela voltaria à semana inteira, até Maria estar boa. Eu não suportei a ideia de ter aquela velha comigo por uma semana; e então no outro dia, eu fiz a maior zona. Quebrei coisas, pulei na piscina e entrei em casa molhando tudo, me sujei de terra, joguei minha comida no chão, obrigando-a fazer outra… enfim, toquei o terror. A mulher nunca mais voltou. Na verdade, quando minha mãe chegou, ela falou que “– Essa menina é um inferno, não volto mais pra cuidar dessa diabinha.”.
E foi ai que eu aprendi como demitir as pessoas. Claro, esse lance de demitir pessoas, só me seria útil quando eu tivesse dirigindo minha empresa.
Por hora, eu não demitiria ninguém, mas o Senhor Stripper teria uma surpresa amanhã. Se a vida dele é ruim, é melhor se preparar, pois a partir de amanhã, ele teria um novo inferno particular.
Rapidamente me levantei da cama e enxuguei minhas lágrimas. Fui ao banheiro para me recompor, e vi que ainda tinha minhas coisas nessa casa. Como seria péssimo ter que partir daqui de novo em duas semanas…
- Hum… Bells? – Alice disse entrando no quarto. – Você está bem?
- Estou sim amiga. Estou no banheiro. – Ela entrou no banheiro, saltitante como sempre. Logo olhou para bancada e viu o que eu estava olhando.
- Aiiin que fofo! Hoje vai ter noite de beleza, né? – Ela dizia com os olhos brilhando para todos os cremes que estavam na bancada. Eu tinha um na mão, e olhei a data. Eram novos. Mesmo assim, eram os cremes, perfumes, maquiagens e todo tipo de produtos de higiene pessoal que eu usava.
- Acho que sim. – Eu respondi sorrindo pra Allie.
- Pra mim já está mais que decidido. – Dizia meu pai teimosamente. – Você não vai voltar pra lá. O prédio não tem estrutura, e você podia ter morrido afogada. Eu posso achar outro lugar.
- Mas…
- Não Bella. Charlie está certo. O prédio inundou uma vez, tudo leva a crer que inundará de novo. Você acha que eu e seu pai vamos conseguir dormir sabendo que nossa filha corre risco de vida? Nada disso! – Disse minha mãe. Como era dramática…
Estávamos na mesa de jantar discutindo minha situação. Meu pai não se opôs a eu morar lá por uns dias, é claro. No entanto, não queria que eu voltasse pra meu apartamento. E pior, ele queria comprar um novo pra mim. Chegou a falar em uma casa em Malibu. O grande problema? Toda vez que ele falava em comprar algo pra mim, eu só ouvia “–Fútil, mimada, mesquinha.”. Maldito moralista hipócrita…
- Mudando de assunto, Charlie, finalmente teremos um jardineiro. – Disse mamãe sorrindo.
- Sério? Johnson achou alguém. E quem é o santo? – Acho que eu fiz uma careta quando papai falou santo. Era o capeta na minha vida, isso sim.
- É Edward. Um rapaz, não tinha referencias, mas falei com Johnson e ele jurou que ele ere perfeito para a vaga. – Fiz outra careta. Perfeito? Eu esperava que ele e sua perfeição fossem afogados em ácido sulfúrico.
- Algum problema, Bells? – Meu pai me perguntou. Droga, eu devia ter deixado na cara que eu não gostava do Sr. Stripper. Mas nesse momento, com o tanto de ideias que eu tinha na minha cabeça tudo que eu queria era ele bem empregado.
- Nada não pai…
- Aposto que ela estava se lembrando das baratas. – Disse Allie rindo, acompanhada por minha mãe.
- Como assim, baratas? – Meu pai perguntou. Eu também não tinha entendido, então dei de ombros. Allie então contou
- Hoje à tarde. O jardineiro novo ouviu Bella gritando e fui ver o que aconteceu. O pobrezinho ficou correndo atrás de uma barata pra ela, e ela ainda saiu correndo dele sem nem agradecer. – Espera aí. Então ele tinha dito que o lance a tarde foi eu me assustando com baratas? Esperto. E plausível. Mas não diminuiu minha raiva, nem aumentou minha compaixão. Resolvi confirmar a historia dele o máximo que eu podia – com certeza ela era melhor do que falar que eu gritei, pois me assustei com ele, o stripper que eu tinha transado na noite anterior.
- Vocês sabem como eu sou com baratas. E eu não pensei, só saí correndo. Agora chega de falar de mim de novo.
- Se você viesse sempre visitar seus pais não seria tão comentada quando viesse. – Ralhou papai.
– E você também Alice. Praticamente da família, e só vem nos visitar uma vez por ano, se tivermos sorte. As duas deviam ter vergonha. – Disse a mamãe, enquanto papai concordava com a cabeça.
- Papai, acabei de entrar de férias. Infelizmente não posso vir aqui com mais frequência da que eu vinha. Mas não se preocupe, serei presença nessa casa pelas próximas duas semanas.
- E não se preocupem, eu estava apenas esperando acabar os preparativos do casamento de Rose, para começar as bodas de vocês. Mas se vocês querem Alice, Alice estará aqui pelos próximos meses. – Disse Allie se gabando. Como era metida…
Estava eu, Allie e mamãe no meu quarto. Tínhamos creme na cara, enquanto pitávamos nossas unhas e fofocávamos… muito.
Quando eu perguntei pra minha mãe porque tinha cremes novos em meu banheiro, ela disse que foi ideia de papai. Hoje especificamente, eu não queria ser mimada (graças a minha consciência com uma voz irritante), mas não tinha como não me sentir culpada por não querer ser mimada por meu pai. Eu era filha única, e papai sempre quis uma grande família. Acho que eles não tiveram mais filhos por falta de tempo – segundo minha mãe a idade para ter outro filho era quando eu tivesse dez anos (pois já entenderia algumas coisas, ela já teria visto minha infância, eu não tentaria colocar o dedo do bebê na tomada, etc.). No entanto, nessa época meu pai estava trabalhando a todo vapor (sua empresa tinha aberto filiais por todo o país, e ele estava montando uma nova diretoria). Por sua vez, minha mãe começou a trabalhar (mamãe tinha feito design de joias, e ela desenhava para Tiffany & Co. Depois de algum tempo, ela decidiu que queria também desenhar roupas, e então foi cursar moda).
Quando finalmente eles revolveram tirar férias juntos, eu já estava na faculdade; eles então resolveram que eram velhos demais para novos filhos. Por isso, papai me mima muito. Ele não tem alguém pra ‘corrigir’ o que ele errou comigo – palavras dele quando eu saí de casa. Eu não tenho nada a reclamar de nenhum dos dois. Não acho que eles foram ausentes, ou falharam comigo. Mas acho que só entenderia a sensação de “não fui boa o suficiente” quando fosse mãe.
O assunto da noite foi algo bem bombástico. Allie me contou que o mequetrefe do Royce estava traindo Rose. E pasmem, com a vadia da Lauren. Eu confesso que fiquei surpresa quando ele citou Lauren, (eu sabia que ela era uma saidinha, mas eu preferia achar que ela não seria vagabunda o suficiente pra transar com o noivo da amiga de infância, adolescência, colégio e faculdade dela); agora, eu sabia que Royce era um coisa ruim, ele nunca me enganou.
Eu sempre dizia para Rosinha, e ela nunca me escutava; então eu concordei com Allie e mamãe: só íamos falar pra ela, quando tivéssemos certeza. E tinha que ser rápido; primeiro porque minha amiga estava com a maior dor na consciência, achando que tinha traído o calhorda; enquanto o FDP a traía e nem se incomodava. Segundo, porque ela ia se casar em duas semanas; eu não iria deixa-la se casar com um traste daquele, se pudesse provar que estava certa.
Quando deu meia-noite e meia, mais ou menos, minha mãe decidiu ir se deitar. Disse que estava cansada. Era estranho ouvir isso de minha mãe, ela sempre fora muito agitada. Na primeira vez que as meninas vieram dormir aqui, ela pintou nosso rosto, (segundo ela, nos nós cansávamos rápido demais). Assim que ela saiu, Allie olhou pra mim e disparou:
- De onde eu conheço o jardineiro Bella? – Droga, ela tinha o reconhecido. Quer saber, eu iria contar pra ela. Até porque, eu iria ajuda-la com Royce, então ela me ajudaria com o Senhor Stripper.
- Você não estava bêbada ontem? – Eu disse cedendo…
- Há, eu sabia. Você não sabe disfarçar… E o que eu posso fazer se mesmo bêbada minha memoria é incrível? – Era muito metida mesmo… Mas eu tinha que inveja-la em um aspecto: Allie não tinha uma ressaca. Nunca. Fora que sabia quando estava bêbada, e sempre conseguia voltar pra casa, mesmo nesse estado. Como eu queria isso…
- Bom, agora que você conheceu o Senhor Stripper, você vai me ajudar.
- Senhor Stripper seria Edward?
- Tanto faz Allie, tanto faz. O que interessa, é que eu quero vingança.
- Por quê?
- Longa historia… — Eu contei tudo, com detalhes para ela.
- Nossa, que babaca… Os DOIS foram. – Ela disse assim que eu terminei.
- Olha Allie, eu não quero saber de nada. Se não concorda, finja que sou eu e passe a concordar, porque você vai me ajudar.
- Ai, ai Bella… O que você vai fazer?
- Lembra quando eu queria que Rose fosse a rainha do Baile de Primavera, e então eu coloquei laxante na bebida da concorrente? – Allie riu… Ah o colégio e minhas maldades. – Bom, será bem pior do que aquilo.
Notas finais
Essa Bella me mata. As vezes é madura, as vezes parece uma menininha do colegial.
Para entende-la, só mais pra frente. xD
Ah, como eu nunca consigo deixar vocês curiosas no texto (eu fico muito brava quando autoras fazem isso), eu vou falar um spoiler muito legal.
- Quando Bella for buscar o resultado de seus exames médicos (o que deve acontecer no Capitulo 7), ela vai ter uma GRANDE surpresa. Alguém chuta?
Até Sexta-feira. :D
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