The Stripper

26 Capítulo 25 - Término


Notas iniciais
O último! Õ/
Comecei esse projeto em outubro de 2011, e por trancos e barrancos fui persistente até o fim. Ainda não é hora dos agradecimentos, mas desde já tenho que começar a agradecer a todos os lindos leitores que me acompanharam ansiosamente nesses dois anos, sempre atrás de um capítulo, que minha incompetência e falta de criatividade não permitia postar.
Obrigado leitores.
Vamos agora com o último capítulo da fic, (lembrando que ainda falta o epílogo e tem a segunda temporada).
Boa Leitura.

P.S.: Tem música no meio do capítulo, quem quiser já deixar carregando, "Torn" da Natalie Imbruglia (tem o link direto para o YouTube clicando em cima do nome da música no capítulo).

Capítulo 25 – Término

P.O.V. Alice

Eu organizava últimos detalhes. O velório seria ás 18h, aqui na mansão do meu pai, e eu queria o melhor. Meu ultimo adeus e minhas desculpas por tê-los deixado ir embora com uma má impressão de mim.

Eu me sentia mais ansiosa do que tudo. Eu iria ver Rose e... Jazz. Ele estava com Jéssica agora, eu sabia. Mas não era como se ele a amasse. Jasper me pertencia, e eu o faria ver isso, hoje.

Eu entendia toda a raiva que ele nutria por mim. Eu o deixei muitas vezes de lado, para dar prioridade aos outros. Mas é minha natureza, eu preciso ver todos felizes. E eu achava que ele estava feliz...

Sentia-me tola agora. Eu o dei praticamente de bandeja pra Jéssica. Mas as minhas intenções eram as melhores. Lauren e Royce mereciam ser desmascarados, e eu achei que Jazz pensava assim também. Eu só queria a felicidade de Rose, não fazia idéia que ela ficaria tão chateada por descobrir a verdade daquele jeito. Não queria humilhá-la de forma alguma, e sim, queria humilhar aqueles dois.

Mas águas passadas não movem moinho. Espero que eu possa me desculpar...

Quando os caixões chegaram... Foi horrível. Eles estavam meio fechados, só dando para ver o rosto, tanto de Lilian, quanto de John. Prestei minhas homenagens rapidamente, não queria chamar muita atenção.

Após ás 18h varias pessoas foram chegando. Bella chegou com Edward, e a tia Renée fez questão de comparecer. Ela estava numa cadeira de rodas, sendo levada por Marie. Ela chorou quando viu Lilian, elas eram amigas, afinal. Fiquei muito preocupada, e tratei de buscar pelo menos uma água com açúcar (já que remédios seriam impossíveis).

Quando voltei tio Charlie tinha chegado, e estava com ela. E junto a ele estava meu pai e... E Jasper. Não tinha escolha. Não queria enfrentá-lo naquele momento, mas estava com um copo de água com açúcar destinado a tia Renée. Bella e Edward me olhavam, provavelmente entendendo minha situação. Então não tive escolha, a não ser caminhar bravamente, de cabeça erguida até tia Renée e oferecer a água.

- Obrigada, querida. – Disse o tio Charlie, indo me cumprimentar depois. Ai que eu fiquei totalmente sem escolha.

- Olá Jasper. – Disse. Eu sabia que ele me encarava de canto e desviava o olhar, mas nesse instante ele foi obrigado a me olhar, e, é claro, saiu faíscas. – Meus pêsames.

- Obrigado Alice. – Quebramos o contato visual, graças à nojenta que se aproximava e grudava em seu braço.

- Alice. – Ela assentiu.

- Jéssica. – Disse mais cuspindo seu nome. Então me senti desconfortável demais e me afastei.

Todos os funerais são uma droga, e esse não foi diferente. Rosalie estava acompanhada de um cara grandão. Não reparei no seu rosto, já que ela fazia questão de ficar o mais longe possível e me lançar olhares de ressentimento.

Eu estava próxima do meu pai, e hora e outra Bella e Edward vinham ficar conosco. Eles provavelmente foram os que mais rodaram nesse velório.

Bella se dividia entre Rose, eu e sua mãe. Eu evitei chorar, Rose já estava brava comigo, e ela odiaria ver-me sendo “hipócrita” ao chorar por sua família.

Com Edward era ainda pior. Ele estava acompanhando Bella, mas ai chegou uma surpresa nada agradável: sua família. Na verdade, sua mãe estava inconsolável, e ele até abraçou-a e a acalmou. A mãe de Edward passou o velório inteiro ao lado de Rose. O problema foi o pai. Era nítido o quanto eles não se suportavam, os olhares que se lançavam deixava isso bem obvio. Não era uma briga familiar. Era até pior que Rose para comigo. Dava até calafrios. Dado momento Edward e Bella sumiram. Não sei se ficava aliviada por não ter que ver mais a tensão entre pai e filho, ou se eu ficava enjoada de pensar que aqueles dois iriam batizar algum cômodo da minha casa em pleno velório de duas pessoas. Era mórbido. Iria ter uma conversa com aqueles dois mais tarde, sobre respeito (de pessoas e propriedades).

Era bom reparar nas pequenas coisas, porque assim eu não focava em Jasper. Jéssica se manteve ao lado dele o tempo todo. Então porque ele não parava de me olhar? E ainda por cima o fazia com aquela cara de cão que caiu da mudança. Eu é que deveria estar daquele jeito! Porque ele fazia aquilo comigo?

No momento de prestar as homenagens... Uau. Todos choravam. Foi horrível. Mesmo assim não quis chorar em publico, então fui correndo pelas escadas até chegar a meu quarto.

Em um primeiro momento, chorei encostada na porta mesmo. Chorei com muito, com a intenção de lavar minha alma. Eu precisava daquilo. Anos sendo forte, e tudo caí de uma vez em minha cabeça. E quando eu estou superando, as coisas voltam a desmoronar. Por quê?

Arrastei-me até minha cama, e chorei ainda mais. Dado momento nem sabia por que exatamente estava chorando. Quer dizer, perder pessoas para a morte é ruim; mas pode algo doer mais do que perder uma pessoa que continua viva? Saber que ela está por aí, respirando, andando, vivendo, sorrindo, e mesmo assim, vocês jamais ficarão juntos de novo?

Alguém bateu na porta, e pela familiaridade eu sabia que era Bella. Então gritei um “entra”. Para minha total surpresa (e felicidade) eu estava errada.

Lá estava ele parado na soleira, me encarando, em duvida. O sentimento entre nós era palpável. Será que ele não percebia que ainda nos amávamos? Eu me sentei na cama e fiquei o encarando também. Não sabia o que dizer. Não havia o que dizer. Mas ele encontrou as palavras, mesmo que não fossem certas para mim:

- Qual o problema Alice? – Ele não disse em tom de raiva nem duvida, mas sim como uma suplica. – Você... Não deveria. E eu também não. Mas... – Ele pareceu hesitar, e eu o encarei com mais intensidade, esperançosa pelas próximas palavras. – Mas nada. Esqueça. – Ele disse se virando, mas antes de sair eu chamei sua atenção.

- Esquecer? Como eu posso Jasper? – Falei chorosa, e ele voltou-se para olhar para mim. – O momento é difícil pra você, eu sei, mas você tem que entender que não é fácil esquecer todos os beijos, as caricias, os anos que passamos juntos. E te ver com a Jéssica... Fico devastada. – Então me dei conta do que estava falando e me calei. Não era culpa dele nosso término, e ele não precisava se sentir mais confuso.

Ouvi a porta bater, mas diferente do que eu imaginava, quando levantei meu olhar Jazz estava ali em minha frente.

- E você acha que eu me esqueci do seu toque? – Ele disse se aproximando de mim. – Do seu jeito? Acha que um dia eu poderei superar sua perda, Alice?

Estávamos tão próximos, que em segundos nossas bocas se encaixaram e nossos lábios se entrelaçaram em um beijo carregado de paixão, saudade e sedução. Eu me entreguei totalmente a esse beijo, mostrando a ele o quanto eu o amava, mas ele interrompeu, afastando nossas bocas, mas colando nossos rostos.

- Eu... Não posso. – Ele disse, mas continuava com o rosto colado no meu, e agora fazia carinho em meus cabelos.

- Por que não? Por que fingir que nada aconteceu? – Eu disse passando meus braços por seus ombros. – Deixe-me, cuidar de você Jazz, me deixa fazer você esquecer-se do que deu errado. Uma ultima chance de fazer dar certo... – Eu pedi me aproximando minha boca da dele, um pouco receosa, dado ao nosso ultimo encontro. No entanto ele aceitou de muito bom grado, como se precisasse daquele beijo mais do que qualquer coisa.

- Por que você faz isso comigo Alice? – Ele disse parando novamente nosso beijo, e colocando a cabeça no alto da minha. – Por que você não me deixa? Por que eu tenho que te amar? – Essa confissão me emocionou. Eu sabia que ele ainda me amava, mas não esperava que ele admitisse. Por um momento senti então esperança.

- Porque sim. Porque somos um do outro Jazz. – Eu disse olhando em seus olhos. – Eu entendo o quanto você está sofrendo, mas eu posso mudar tudo.

- E as conseqüências disso? E da próxima vez... – Ele começou a falar, mas eu logo o cortei.

- Não importa. Eu não me importo com Jéssica, Rosalie ou quem mais quiser impedir a gente de ficar junto. Eu te amo Jasper. – Ele não me respondeu. Ao invés do que eu esperava, ele me beijou, e dessa vez da forma mais intensa possível.

Dado momento, me senti caindo na minha cama macia, enquanto ele vinha por cima de mim. O beijo não foi interrompido, pelo contrário, ele se intensificou ainda mais, esquentando o clima. Nossos corpos se envolviam, enroscando-se um no outro, e tudo que eu queria, era mais dele.

Jasper teve alguma dificuldade na hora de abrir o vestido que eu usava, graças às mãos tremulas e ansiosas pelo que estava vindo. No fundo eu sabia que não era certo, ele provavelmente já não me amava tanto, e se estava comigo naquele momento, era pelo misto de emoções e sentimentos. Mas meu corpo clamava pelo prazer que eu sabia que só poderia ter com ele.

Nossas mãos estavam por todos os lados, retirando as roupas restantes e acariciando as peles nuas. Ele desceu os beijos, da minha boca, para meu pescoço e depois clavícula. Reparei então na lua, que se mostrava no céu límpido, pela janela do meu quarto. As cortinas tremulavam pelo vento, diferente de mim, que tremia por uma razão bem diferente. O cheiro dele intoxicava minhas vias, era másculo, cítrico e almiscarado. Eu adorava aquele cheiro, e só agora percebia o quanto sentia falta dele, principalmente nessas noites quentes onde tudo que eu mais queria era acordar com esse aroma na minha pele.

Senti então suas mãos descendo, indo de encontro a minha intimidade e acariciando ali. Senti que era minha hora de comandar, então rolei pela cama, até ficar por cima, e subi em cima dele. Comecei então a distribuir beijos pelo sei peitoral, enquanto passava minhas unhas por seus braços. Subi meus beijos até chegar ao glóbulo de sua orelha, onde depositei uma mordida, e logo depois gemi, ao sentir minhas costas novamente em encontro com a cama.

Ele subiu diretamente em cima de mim, e quando eu olhei para seu rosto, não vi hesitação, insegurança ou qualquer outro sentimento se não o desejo, puro e selvagem, de estar dentro de mim naquele momento.

E então quando ele encaixou nossos corpos, eu pude sentir o prazer latente e as faíscas que saiam dessa junção. Era excitante ouvir o chocar dos corpos suados, e os gemidos que ecoavam pelo quarto. Eu estava em êxtase pela sensação de prazer que só tinha sentido com ele. Tudo que eu sabia era gemer, principalmente enquanto ele acelerava os movimentos, ou me beijava, ou gemia meu nome...

Senti meu corpo flutuar e logo depois eu estava com as costas presas na parede gelada, com ele me imprensando. Minhas pernas circundavam sua cintura, e ele continuou os movimentos, agora ainda mais fundos e fortes dentro de mim. Eu sentia cada vez mais prazer, principalmente pela diferença de temperatura rondando meu corpo. Os movimentos ficaram cada vez mais rápidos, e eu comecei a auxiliá-lo, em busca de fricção.

Chegamos ao ápice com um gemido uníssono. Aquela era a prova final, pertencíamo-nos. Jasper era meu, e mesmo que o mundo fosse contra, não havia nada nem ninguém que poderia tirá-lo de mim. Era carnal, era sentimento, era corpo, alma.

Encarávamos-nos, ainda alvoroçados pelo que havia acabado de acontecer. Mas eu pude ver os olhos claros irem se escurecendo aos poucos. Mas não em sinal de desejo, e sim com tudo aquilo que eu não queria ver. Culpa e arrependimento.

Eu torcia para ser apenas impressão minha, mas ao ver sua hesitação com as palavras, eu obtive certeza que eu absolutamente estaria devastada no momento que ele partisse.

- Alice... – Ele começou, passando a mão por meu rosto, como se fosse um carinho, mas eu podia sentir que era a prévia da rejeição.

(Torn – Natalie Imbruglia)

- Não. Não diz mais nada. – Pedi, colocando meu dedo em sua boca e me jogando novamente em seus braços. – Qualquer coisa que for dita agora pode estragar tudo, e eu não quero perder você de novo...

- Me perder de novo? – Ele disse me cortando, enquanto me afastava de seus braços. – Não Alice, você só me teve uma vez. E quando me perdeu, foi pra sempre. Eu... Eu tenho Jéssica. – E então ele se virou e começou a recolher suas roupas do chão. Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo. Como um sonho tão bom passou a ser um pesadelo tão rapidamente?

- Do que você está falando Jasper? Você me ama! – Eu disse magoada também. Era pra ser nossa reconciliação, porque ele não dizia que estava tudo bem e me aceitava de volta? Ele então se voltou para mim, e eu continuei a falar, enquanto me aproximava. – Você falou que me amava há menos de cinco minutos. E eu tenho certeza que foi verdade, então não me venha com “Jéssica”. Para de mentir para si mesmo...

- Não estou me enganando. Não confio que posso contar com você, não conseguiríamos mais ser um casal. – Ele disse, agora vestindo suas roupas. Aquilo era ridículo. Quem estava falando ali? Sua mãe? Sua irmã? Era o que elas achavam, ele nunca fora egoísta daquele jeito, ele sabia que poderia sempre confiar em mim. Ele sabia que eu o amava! Eu estava desesperada, e quando o vi colocando sua ultima peça de roupa, falei a primeira coisa que pensei, por mais estúpida que soasse, (principalmente para alguém que queria reatar o relacionamento):

- Se você sair por essa porta será o fim. – E então me aproximei novamente, até segurar seus ombros. – Não quero que seja, mas... Não posso ficar correndo atrás de você. Eu te amo e você sabe disso, como também sabe que me ama. Mas se você sair daqui hoje, agora, sem dizer que me ama e me quer de volta, acabou tudo. – Eu disse olhando em seus olhos, enquanto lágrimas já escorriam pelo meu rosto, antes mesmo que eu notasse para impedi-las.

- Alice... – Ele disse, tocando minhas lágrimas e limpando-as. – Eu te amo. – Sorri. Ele iria me aceitar de volta... – Mas... Mas não significa nada. Não agora. Já nos ferimos de mais, e duvido que tenhamos futuro. Por isso, eu digo que não deveria ter acontecido, e não irá acontecer de novo. – Não, não podia ser! Ele deixou a mão cair do meu rosto, mas antes que ele fosse embora eu o agarrei e beijei. O beijo mais carregado de paixão que eu podia dar. E ele me correspondeu prontamente, descarregando também toda sua paixão. Não era possível que nesse beijo ele não me perdoasse. Não era possível que ele ainda não acreditasse no nosso amor!

Mas essa era a verdade. E ele me afastou gentilmente quando o beijo acabou olhando arrependido. Mais uma vez. Meus braços cederam ao redor do meu corpo. Era o fim. Naquele momento eu vi que não tinha mais jeito. Tinha acabado. Pra sempre.

- Adeus Alice. – Ele disse uma ultima vez, olhando para mim. Depois se virou e abandonou o quarto, me deixando ali, pela metade.

I'm torn

I'm all out of faith

This is how I feel

I'm cold and I am shamed

Lying naked on the floor

Eu estou despedaçada

Eu estou totalmente sem fé

É assim como eu me sinto

Eu estou com frio e envergonhada

Deitada nua no chão

- Allie? – Ouvi alguém me chamar. Eu estava chorando, despedaçada, sentada no chão. Eu sei que deveria chacoalhar a poeira, levantar e ser forte. Sei que estava fazendo um papel ridículo. Mas eu não conseguia superar. Doía mais que tudo pensar em como ele me abandonou aqui, depois de tudo. Eu tinha feito tudo e mais um pouco, e ele não me queria. Era o fim, de verdade.

Bella tinha entrado do meu quarto, e de alguma forma me carregou para a cama, e me deitou debaixo das cobertas.

- O que aconteceu? – Ela perguntou segurando algumas lágrimas, enquanto me fazia cafuné.

There's nothing where he used to lie

My inspiration has run dry

That's what's goin' on

Nothing's right I'm torn

Nao há nada onde ele costumava se deitar

Minha inspiração se esgotou

Isso é o que está acontecendo

Nada está bem, eu estou despedaçada

- Acabou Bella. – Eu disse apenas, e virei de bruços, chorando mais no travesseiro.

- Não... Vocês estavam bem até agora. Eu ouvi... – Bella começou a falar, então virei apenas minha cabeça e supliquei.

- Eu não agüento isso Bella. Pelo menos não agora. Por favor, me deixa sozinha? – Ela apenas assentiu e se retirou do quarto.

Não sei como foi o fim do velório. Depois que Bella saiu do quarto acho que dormi. Ou apenas caí na inconsciência, já que sono necessita de descanso, e eu estava tão perturbada que era incomodada até em pesadelos.

Todos eles tinham Jasper e eu. Mas neles, como na vida real, nós jamais ficaríamos juntos. Fixei então meus olhos na janela do quarto, e ali pude ver o fim da madrugada até o amanhecer.

I'm wide awake and I can see Eu estou bem acordada e eu posso ver

The perfect sky is torn O céu perfeito está despedaçado

Já era passado do meio-dia, considerando o sol lá fora e o tempo que eu tinha ficado de molho em meu quarto. Decidi levantar, tomar um banho e... E só. Não tinha mais o que fazer. Mas eu precisava sair daquele quarto, porque ali dentro não nada me faria bem. Não o lugar infestado de Jasper. Presentes, cheiros, memórias.

Chorar debaixo do chuveiro deveria ser considerado terapia. Não cura, mas a lava a alma. Tentei colocar tudo que ainda houvesse em mim ali. Eu não podia me lamentar pra sempre. Não iria doer pra sempre. E quanto mais eu remoesse, mais profundo ficaria, e mais doeria depois. Então aquela era a hora de terminar tudo. Talvez ao fim, eu conseguisse catar meus cacos e me reconstruir.

Quando sai do banheiro e fui para meu closet, tive a maior duvida da minha vida. Pela primeira vez, tudo que eu queria era ter um moletom velho e rasgado. Coloquei então um jeans surrado, uma regata e um agasalho qualquer por cima, apenas quando sai do quarto reparei que pela primeira vez na minha vida estava usando um Crocs. Entretanto, eu não ligava. Não ligava pra nada mais disso, tudo me parecia supérfluo de mais, e quanto mais eu caminhava por minha casa, mais a vontade de voltar para o quarto aumentava.

Quando cheguei à sala estava tudo vazio. Como meu interior. Notei que fora tudo recolocado no lugar, e as flores antes postas na sala, foram retiradas. Na mesa de centro havia dois bilhetes, e um envelope pequeno fechado. Li o primeiro, que era de meu pai e dizia:

“Fui ao enterro dos Hale. Bella te ficou para te fazer companhia, procure-a pela casa. Papai.”

Que bom. Meu pai ficou tão preocupado que voltou a me tratar igual quando eu tinha dez anos. Li então o outro bilhete (apesar de já saber o que se tratava).

“Allie, quando estava guiando a equipe de limpeza para fora de sua casa, Rose me ligou. Desculpa amiga, eu sei quanto é difícil; fiquei com o coração na mão hoje de madrugada quando te vi chorar. Mas estou totalmente divida. Rose precisa muito de mim, e é só por isso que vou te deixar aqui. Provavelmente você estará dormindo e nem lerá esse bilhete, mas queria deixar bem claro que não te abandonei. E logo que puder estarei ai, sem falta.
P.S.: No envelope uma foto do acontecimento mais interessante de ontem a noite. Queria que você estivesse acordada para ver. :) Bells”

Abri o envelope super curiosa. Que diabo seria “interessante” em um velório tão horroroso quanto o de ontem? Então dei de cara com uma fotografia. Fiquei meio sem expressão no começo, mas até esbocei o sorriso depois. Bella era maluca, e jamais esqueceria tudo o que ela fez por mim até hoje.

Independente de brigas ou discussões, os melhores momentos da minha vida se deram graças a ela (direta ou indiretamente). É claro, que graças a ela eu também estava vivendo o pior momento da minha vida (afinal, se fiquei com Jasper um dia foi graças a ela); mas não a culpo por minha infelicidade. Algumas coisas fazem parte do destino, outras, cabem somente a nós.

Coloquei a fotografia de uma Jéssica amarrada no meu armário de limpeza, desmaiada, com chantilly no cabelo e uma cereja no topo em meu bolso e fui para o jardim da minha casa. Queria dar uma volta por ai.

Andei por minha propriedade, até não ser suficiente e eu precisar de um pouco mais de ar. Tranquei as entradas principais e fui para a praça próxima ao meu condomínio. O lugar estava deserto, e aquilo não me surpreendia. Provavelmente todos que ali moravam estavam no sepultamento dos Hale, e até alguns que trabalhavam pediram para comparecer no evento. Assim seria melhor, tudo que eu menos queria era uma praça lotada.

Sentei em um banco e puxei o ar fresco. O clima estava como o esperado na Califórnia: calorento e escaldante. Eu também achava areento, mas diziam que era coisa da minha cabeça apenas pela proximidade das praias. Porem, meu agasalho não foi inútil, principalmente quando uma chuva de verão apareceu do nada.

Dei-me conta que estávamos em agosto, e no meio do verão, nada mais comum que essas chuvas. Estava sentada no banco branco da praça, e não me mexi. Fiquei me molhando ali, com a cabeça levantada para o céu e os olhos fechados. Tentei manter meus pensamentos em nada especifico, apenas aproveitando a sensação da chuva. Quando fui atacada.

Foi totalmente inesperado, me imobilizaram em questão de segundos, e nem tive tempo de aplicar algo que havia aprendido em defesa pessoal. Colocaram um saco em minha cabeça, e eu fiquei totalmente apavorada. Não consegui ver nada de meus agressores, só sabia que eram dois, pois senti quatro mãos em mim, me carregando.

Eu gritei. Gritei alto, com a esperança de ter pelo menos uma alma viva naquele condomínio. Mas no fundo eu sabia que não havia ninguém, e caso houvesse, meu grito estrangulado jamais chegaria aos ouvidos de qualquer um.

Fui colocada em um lugar estofado e macio, e comecei a me locomover. Um carro, ou algo parecido. Já não gritava mais, seria inútil e poderia irritar meus agressores. Provavelmente estava sendo seqüestrada, e o melhor a fazer em minha situação, era não reagir e esperar que eles se comunicassem com meu pai.

Passado um tempo, que me parecia milênios, algum agressor veio, e retirou o saco preto do meu rosto, me revelando um carro preto, com o a película de vidro mais escura que eu já havia visto e á minha frente, uma ruiva exuberante. Não sabia se olhava para ela, para os lados ou para baixo. Optei pelo ultimo, pois nenhum bandido gosta que você saiba como é o rosto dele, tampouco, para onde ele está te levando.

- Srta. Brandon? – A ruiva me chamou, então levantei meu rosto para olhá-la. – Queremos deixar claro que a Srta. não corre perigo. – Ela explanou, mas me deixou mais confusa.

- O que vocês querem? – Perguntei com a voz embargada. Nem me dei conta que estava segurando o choro.

- Muito cedo para dizer, apenas esclareço que nós somos os bonzinhos. – Ela me disse, dando um sorriso que só poderia ser classificado como sedutor (alias qualquer coisa vinda daquela mulher seria considerada sedutora). Mesmo assim, eu ainda estava confusa. Do que ela estava falando?

- Como assim os bonzinhos? Vocês não estão me seqüestrando? Aliás, quem são vocês? – Despejei as perguntas, torcendo por respostas.

- É cedo de mais para dizer, Srta. Brandon. Mas como já disse e afirmo: somos os bonzinhos. E não vou dizer o nome de nós, mas pode chamar a mim de Vermelho Um.

Notas finais
Sim, sim. Ainda não descobriremos sobre os "vermelhos". Mas eles não sumiram, e vem com tudo na próxima temporada. ;)
Aliás, muitos mistérios para a próxima temporada...
Não deixem de comentar, e não esqueçam-se do epílogo.
;**

Annye.