The Stripper
7 Capítulo 6 – Inferno particular
Notas iniciais
Primeiramente, quero agradecer muitíssimo a TODAS que estão me acompanhando. Agradeço também as meninas que começaram a ler agora, e por todos os comentários. Vocês são demais.
Esse capitulo está uma loucura, espero que vocês gostem.
Boa leitura.
P.O.V. Edward
Tinha chegado à mansão Swan. Até o momento eu não tinha sido expulso, e ainda fui chamado no escritório do Sr. Swan. Isso devia ser um bom sinal.
Ao entrar no jardim pude ver uma movimentação. Tinha uns três rapazes engravatados perto do portão de entrada (logicamente, eram seguranças), fora que hoje eu fui recepcionado por um tipo de porteiro, e ao me identificar, logo chamaram dona Maria para me acompanhar pra dentro de casa.
Ela me deu um breve comprimento, e disse que Johnson estava um pouco ocupado, por isso eu falaria com Sr. Swan sozinho. Nós entramos pela mesma porta de ontem – que com certeza eram os fundos. Percorremos a cozinha onde ocorreu meu desastroso encontro, e saímos pelo mesmo corredor onde as Swans entraram e saíram ontem. Qual foi minha surpresa ao ver que depois do longo corredor com três portas bem distantes uma das outras, entramos na maior, onde havia outra cozinha. E essa cozinha era bem mais bonita e equipada que a outra. Ah, e impecavelmente limpa, é claro. Tinha uma mulher que eu ainda não havia visto, limpando algum armário. Nós seguimos para outra grande porta, que levava a outro corredor. Ainda bem que meu trabalho era apenas o jardim, porque essa casa parecia um labirinto. Chegamos a um ponto onde havia escadas para subir e descer. Subimos, e eu vi mais três mulheres em outro cômodo que tinha a porta semiaberta. Não aguentei de curiosidade, e perguntei:
– Quantos empregados têm nessa casa?
– Apenas eu e Johnson. Nós cuidamos dos afazeres diários da mansão há muitos anos. Mas ultimamente, dona Renée acha que estamos muito velhos, então sempre pede pelo menos uma vez a cada duas semanas que venham alguns diaristas.
– E porque ela não contrata novos empregados. – Algo me dizia que com certeza não era por falta de dinheiro.
– Porque eu e Johnson cuidamos disso aqui desde que essa mansão foi erguida. Fomos contratados pelo pai de Charlie. E eu não quero estranhos bagunçando o que eu levei muito tempo para arrumar. Você tem noção de quantos cômodos têm essa casa?
– Muitos?
– Sim. E eu ajudei a Sra. Swan a decora-los, e quando Renée se casou com Charlie, eu a ajudei a redecorar. Eu arrumei cada canto dessa casa, e eu conheço isso aqui como a palma da minha mão. Não vou deixar que as pessoas estraguem o que eu levei tanto tempo pra fazer. – Eu ri. – Qual a graça? Disse a mulher se virando para mim, um pouco brava.
– É o jeito que você é seu marido agem com essa casa. Vocês sabem que não podem fazer o trabalho por muito tempo, mas mesmo assim, teimam em fazê-lo.
– Teimosia é contagioso nesse ambiente, cuide-se. – Ela disse rindo, e voltou a andar. – É complicado explicar. Provavelmente essa família só teve mais três empregados, fora eu e Johnson, e todos os três tiveram demissões bem… complicadas. O fato, é que não é qualquer um que pode trabalhar nessa casa. Considere-se um sortudo. Chegamos – Ela disse parando e apontando uma porta. Eu espero que ela venha me buscar depois, porque eu não tenho ideia de como eu cheguei aqui. Eu assenti para ela, e ela se virou para sair. Antes de eu bater na porta ela se voltou pra mim e disse: — Olha rapaz, por favor, não estrague tudo. – E ela se virou e voltou a andar.
Eu bati na porta, e logo ouvi um ‘entre’, e então o fiz. O escritório era um ambiente mais sóbrio que o resto das salas onde eu havia passado. Havia muitos livros em uma estante que ocupava uma parede inteira. No outro lado, por sua vez tinha prateleiras, cercadas por um vidro, onde havia muitas bebidas – caras, é claro. O Senhor Swan, estava atrás de uma mesa de mogno, cheia de papéis ocupando ela toda. A frente da mesa tinha duas cadeiras.
Eu estava sem jeito, em pé no batente da porta, enquanto o Sr. Swan mantinha a cabeça baixa, em algum papel. Depois de muito tempo, ele pareceu perceber que eu estava na sala, então finalmente me olhou e disse:
– Ora, o que ainda faz ai de pé? Sente-se. – Disse ele cortês apontando uma cadeira. – Desculpe-me, mas acabo me distraindo no trabalho, quase sempre. Então, você é Edward…?
– Masen. – Eu disse rapidamente. Mesmo ao longo desse ano, ainda era muito estranho usar esse sobrenome.
– Certo, Edward Masen. Bem, confesso que você não é o mais qualificado para a vaga que eu preciso. Entretanto, você conseguiu convencer Johnson. Sabe-se lá Deus o que você fez, mais conseguiu; e por isso já tem mais pontos comigo do qualquer um que tentou essa vaga. – Eu sorri. – Mas antes de assinar qualquer coisa, eu quero ter certeza que você tem os requisitos para a vaga. – Eu assenti. – Primeiramente, você faz faculdade? – Eu hesitei antes de responder.
– Er… Eu preciso fazer apenas uma prova para concluir minha faculdade.
– Então você dispõe a manha e tarde inteiramente livres?
– Sim.
– Ótimo. Você tem carteira de motorista?
– Tenho sim. – Eu respondi, mas em duvida do motivo que eu usaria. Acho que ele reparou na minha cara, pois logo explicou:
– Você não é exatamente um jardineiro, então eu pensei que você podia ser um motorista. Bem, não um motorista, já que tanto eu quanto Renée dirigimos, mas alguém para auxiliar Maria. – Eu fiz uma cara pensativa, então o Sr. Swan logo disse – Não se preocupe, seu salário será de acordo com seus serviços. Então, o que você acha? – Ele dizia enquanto pegava uma folha e escrevia alguma coisa.
– Sinceramente? Ótimo. – Eu dizia animado. Era finalmente um emprego. De verdade. Eu não estava levando cachorros pra passear na praia, e nem vendendo coco, muito menos rebolando seminu. Não era o que eu sonhava pra mim, mas já era o começo.
– Então seu horário será das 09:00 AM ás 05:00 PM. E inicialmente seu salário será esse – ele disse passando a folha pra mim. Era um cheque. E quando eu olhei o valor… Porra. Até arregalei os olhos. Quando eu era sustentado por meus pais, aquilo não seria muito. Mais depois desse ano que eu estive por minha conta… Céus, eu precisava me segurar pra não chorar. – por quinzena. Esse primeiro é adiantado. Eu fui com a sua cara. – Eu devia estar com a cara mais surpresa do mundo. Eu estava tão feliz que queria até fazer uma dancinha.
Devo ter passado mais alguns minutos, onde eu assinei algumas coisas e o Sr. Swan me contratou legalmente. Provavelmente não se passavam das 06:40 AM, o Sr. Swan devia trabalhar muito; provavelmente eu nem o visse direito em casa. Tudo que eu teria que fazer era ajudar Johnson e Maria. O horário era bom, o salario era ótimo, e eu tinha a total consciência de que o trabalho poderia ser puxado. Eu não via UM único motivo pra não gostar desse trabalho. Então ouvi uma batida na porta.
– Entre. – O Sr. Swan disse. Então vi que já era hora de minha saída.
– Bom, acho que eu devo ir. – Quando ia me levantando da cadeira, ouço aquela voz de menina dizendo.
– Com licença, papai. – E ela adentrou o cômodo. Ela estava em um jeans, uma camiseta e usava all star; era estranho, meninas como ela não eram pra usar all star, e sim salto alto. Mas mesmo assim, ela estava linda. Não era difícil entender o porquê de já estar noiva…
– Ah, filha. Que bom que você está aqui. – O Sr. Swan se levantou dando a volta na mesa, e abraçou a Bella. Eu fiquei parado em pé, meio sem jeito. Eu não sabia se devia cumprimenta-la, ignora-la, pedir perdão ajoelhado e dizendo que, por favor, de todos os santos ela não pedisse para o pai dela me demitir… Se bem que eu já estava legalmente contratado, então se ele me demitisse… Apesar de que eu… Logo interromperam meus pensamentos. – Filha, esse é Edward Masen. Ele que foi o contratado por Johnson. Edward, essa é Isabella, Bella, minha filha.
– Nós já nos conhecíamos papai. – Disse Isabella (finalmente descobri seu nome. Isabella. Isabella Swan…) com um sorriso perverso nos lábios. Confesso que fiquei um pouco assustado, e arregalei os olhos. Era agora. – Edward tentou matar uma barata ontem, mas não obteve sucesso. – Ele disse rindo. – Mesmo assim é um prazer. – Ela disse estendendo a mão, eu demorei um pouco pra entender, mas graças a Deus eu devolvi o gesto, antes que ela retirasse a mão.
– Igualmente Bella. – Ela deu um sorriso, estranho e virou para o pai.
– Pai, eu precisava ir ao meu apartamento. Allie jura que minhas roupas estão salvas, mas eu duvido muito, e preferi nem olhar pra não chorar… De qualquer jeito, nós estamos com os dois carros, mas nós duas não vamos conseguir carregar tudo sozinhas. Não tem como o senhor me emprestar algum segurança, ou algum empregado pra me ajudar. – Ela disse fazendo um bico. Era muito mimada mesmo…
– Bom, tem Edward. – O Sr. Swan disse se virando pra mim. – Teoricamente ainda não começou seu horário, mas ás nove você acompanharia Bella? – Era a chance para eu pedir desculpas e acabar de vez com o mal entendido com Bella.
– Sem problemas. Na verdade se for melhor, eu não me importo de ir agora. – Eu disse prestativo.
– Perfeito! Então eu te espero lá em baixo na garagem. – Ela disse olhando pra mim. – Até mais papai. – Ela deu um beijo no pai e foi saindo. Quando ela finalmente fechou a porta, eu lembrei que essa casa era um labirinto e eu não conseguiria sair dali sozinho. Por resolvi sair logo e tentar seguir Bella.
– Até mais Sr. Swan. E muito obrigado pela oportunidade. – Eu disse estendendo minha mão, e ele logo apertou. Eu estava quase saindo quando o Sr. Swan me chamou novamente.
– Sim. – Eu respondi e virei pra trás. Ele estava atrás da mesa de novo, mas olhou pra mim na hora de falar.
– Bella está me visitando, e ela quase nunca faz isso. Então se não for pedir muito, queria que a tratasse especialmente bem. – Eu hesitei um pouco, me perguntando do que ele estava falando. Ele percebeu então concluiu. — Apenas a mime o quanto ela quiser. Ela com certeza dará trabalho, vai querer parar em um shopping ou coisa assim. Apenas faça a vontade dela, por favor. Se ela pedir algo muito ridículo eu juro que eu pago por fora. – Ele disse com certa careta.
– Não se preocupe Sr. Swan. Considere Bella mimada. – E quando eu reparei no que falei eu arregalei os olhos. Dessa vez foi total e completamente sem querer. Pra minha sorte o Sr. Swan apenas riu. Eu dei um sorriso sem graça e me retirei da sala.
Nessa hora, provavelmente Bella já estaria na garagem. Eu estava num lugar que tinha um corredor enorme que virava pra os dois lados, apesar da sala ser mais próxima do lado esquerdo (que era claro, mas parecia ser mais escuro que o lado direito. Era como se a luz fosse diminuindo gradativamente.). Para minha total surpresa, quando eu estava fazendo uni duni tê pra decidir pra qual lado ia, eu vejo a baixinha de ontem aparecendo sei lá da onde, no meio do lado direito do corredor. Então eu corri até onde ela estava, e vi que aquela parte do corredor virava um grande degrau de uma escada… Nossa, que estranho. Então eu chamei-a.
– Hei, baixinha. – Que jeito legal de chamar alguém, Edward. Ironia. Ela nem olhou pra trás, e continuou descendo as escadas. Tinha quase certeza que falaram o nome dela ontem… Era com A. Ana, Alana, Amanda, Andressa, Alicia… Isso, Alice. – Alice! – Eu chamei degraus acima, e ela olhou pra trás.
– Sr. Stripper? Digo, Edward? – Ela falou, e depois se corrigiu sem graça. –Er, o que você faz por aqui?
– Eu estou perdido. Não tem como você me levar a garagem? – Eu supliquei.
– Ah, claro. Vem. – Ela me pegou pelo braço e me puxou escada abaixo. Conforme eu ia passando pela casa, eu vi o quanto ela era enorme. Passamos por outro corredor imenso, e descemos outro lance de escadas. Depois disso, chegamos a uma escadaria incrível. A escada ficava do lado direito, e eu via que do outro lado também tinha um corrimão, logo, provavelmente teria outro lance de escadas. Pra onde ele ia, eu não sei, essa casa mais parece um castelo.
Assim que terminamos a escada, Alice me puxou pela sala, e ia abrir outra porta. Cacete, não acaba nunca essa casa? Mas assim que ela abriu a porta, demos de cara com Bella.
– Eu já estava indo te buscar Allie… O que ele faz aqui? – Ela disse quando me viu, fazendo uma cara de reprovação para Alice, que fazia uma cara de desculpas. Como eu não queria encrencar à baixinha eu logo falei.
– Er, eu fiquei meio perdido, então ela estava me ajudando a encontrar a garagem. – Eu disse e sorri amistoso.
– Ah, que fofo, Mary Alice. – Bella disse olhando feio pra amiga, que depois de chama-la também olhou feio pra ela. – Acontece, Edward, que funcionários não podem frequentar a salas principais. Regras da casa. Por isso que criamos os corredores para funcionários, as salas para funcionários, e a cozinha para funcionários. Custa você cumprir as regras? – Ah, estava explicado. Então provavelmente o corredor da esquerda, devia ser o dos funcionários…
– Eu não sabia das regras. Eu sinto se foi um incomodo. – Ok, eu fui um pouco sarcástico, mas ela sabia que eu não sabia das regras; não precisava exagerar daquele jeito.
– Tanto faz. – Ela disse com desdém. – Então, eu te encontro na garagem, em cinco minutos. Seja minimamente competente, e esteja lá no horário. – Ela disse seguindo na sala e puxando Alice.
– Espera, você quer que eu encontre a saída sozinho? – Não tinha chance de eu fazer isso em cinco minutos. Dois dias, com muitíssima sorte.
– Claro que não Edward. – Ela disse soltando Alice e se aproximando de mim, até colocar a palma da mão em meu ombro. –Antes de encontrar a saída, você precisa achar o corredor de funcionários. E seguir para o lado certo, se não vai acabar na lavanderia. Boa sorte. – Disse ela batendo em meu ombro, se virando e saindo com Alice. Eu estava petrificado de raiva. Respirei fundo três vezes. No fim decidi que ela só estava esperando minhas desculpas, logo, daqui a pouco tudo iria melhorar.
– Ah, muito obrigada por ter me dado à honra de sua presença. – Disse Bella quando eu finalmente cheguei. Eu nem tinha demorado tanto (certo, eu demorei uns vinte minutos), por sorte eu consegui achar uma mulher que estava fazendo a limpeza de um dos quartos. Ela me ensinou como sair dali, mas eu fiquei perdido em outro corredor; enfim, foi um sufoco, mas eu consegui.
– Me desculpe, a casa é um pouco grande… — Eu disse ainda irônico. “Ela só está esperando desculpas”, repeti pra mim mesmo.
– Tanto faz. Eu vou com Allie, e você vai dirigindo o carro dela. – Bella disse.
– NÃO! Ninguém dirige meu bebê; nada pessoal Edward. – Alice disse olhando pra mim e se desculpando.
– Ora, eu não vou dar uma Ferrari na mão dele. Eu nem o conheço. – Ah se eu não estivesse muito necessitado desse emprego… Acho que agora ela ouviria alguma coisa como “Não me conhece, mais deu pra mim, né?”. “Calma!”, repeti pra mim de novo. – Pode ir com a Alice então.
– Quer saber Bella? Não, ele não vai comigo. Ele vai com você. Agora para de idiotice e vamos logo, porque eu quero os vestidos que estão no seu guarda-roupa. – Alice disse entrando no que parecia ser seu carro, um Porsche amarelo-canário. Que discreto. Mas apesar dos pesares, eu estava gostando da baixinha. Ela parecia ser bem mais pé no chão do que Bella. Alice deu partida e eu e Bella ficamos parados em pé, Bella com uma cara meio irritada, e eu segurando um risinho.
– Que seja. Vem logo. – Ela disse entrando em uma Ferrari vermelha. Porsche, Ferrari… São carros normais onde eu vivia; entretanto desde que me mudei, nunca tinha visto carros assim. Claro, eu estava teoricamente no bairro errado. – Pode ser pra hoje? – Ela disse apontando para o carro. Eu dei uma risada e calmamente entrei no banco de carona. Ela deu partida, e, eu juro, que mesmo quando eu tinha meu próprio carro esporte eu não corria daquele jeito. Principalmente considerando que ela nem havia saído pra propriedade.
– Bella, está tentando nos matar? Eu sou gato, mas não tenho sete vidas. – Eu disse sorrindo pra ela. Ela continuou dirigindo rápido, e quando saímos da propriedade e andamos alguns metros ela brecou o carro com tudo, olhou para mim e disse.
– Primeiro, para você é Isabella. Ou melhor, é Senhorita Swan. Nós nos conhecemos ontem, então não faça gracinhas pra mim, entendeu? – Ela disse, depois voltou a olhar pra frente e acelerou novamente.
– Nossa, pra que esse mau humor todo? – Eu disse baixo, mas ela ouviu.
– Esse mau humor, está destinado a pessoas que aparecem na sua casa pra fazer você lembrar-se de coisas desagradáveis todos os dias.
– Desculpe-me, ok? E mais uma vez, eu volto a lembrar de que eu também estava bêbado. – Eu disse me exaltando um pouco.
– Hã? Ai, eu já tinha me esquecido disso! Droga, agora eu lembrei. – Ela disse abaixando a cabeça.
– Você não estava falando disso?
– Não! Eu estava falando do “fútil, mimada e mesquinha”. Mas você é muito superior para lembrar-se de conversas patéticas com menininhas mimadas. – Ela disse sarcástica. Mas logo depois ela mordeu o lábio, como se estivesse segurando o choro. Era agora ou nunca.
– Realmente peço perdão por isso. – Eu disse, bem na hora de um semáforo, então ela me olhou como se eu fosse eu E.T. – Eu fiquei nervoso com a possibilidade de perder esse emprego. Ele é exatamente o que eu preciso, e na hora eu não pensei em mais nada. – Ela fez uma careta, deu partida no carro e não falou mais nada.
O carro permaneceu silencioso, e não um silêncio confortável. Parecia àqueles silêncios de enterro, que todos querem falar, e ninguém sabe o que, então todo mundo fica com cara de taxo. Então em algum momento eu olhei para seu dedo. Ela não tinha a aliança. Eu fiquei curioso, por que não tinha reparado isso nem ontem, nem anteontem. Será que eu tinha acabado com o relacionamento dela? Afinal, ela estava morando com o pai, e agora ia a um apartamento pra tirar suas coisas. Isso explicaria o mau humor, e a raiva de mim. Senti-me culpado, então perguntei.
– O que aconteceu com seu noivado?
– Meu o quê? – Disse ela confusa. Dã.
– Seu noivado. Você está sem aliança… — Eu disse como se fosse obvio.
– Quem disse que eu estava noiva? – Ela disse fazendo uma cara sarcástica. Eu revirei os olhos e decidi revidar na mesma moeda.
– É porque quando as amigas costumam dar uma festa de despedida de solteira, a pessoa que é dona da festa costuma estar se despedindo da solteirice. Entendeu? – Sim, com ênfase em solteirice e despedida de solteira.
– Acontece que aquela merda de festa não era pra mim. – Ela disse me olhando. Como assim?
– Então era pra quem?
– O que adianta te falar, você não vai lembrar-se dela. – Ela disse, e eu dei de ombros, ela estava certa, eu não lembraria. – Mas só para você não se sentir especial, ela também transou com um stripper.
– Sério??? – Eu estava surpreso. Então na verdade outro cara tinha transado a noiva, e sem saber. Seria cômico, se não fosse trágico.
– Você não sabe? É realmente uma zona esse lugar que você trabalha hein…
– Pois o único lugar que eu trabalho é na casa dos Swan’s, e em respeito à maioria dos moradores, devo dizer que aquilo é um lar de família. – Eu disse provocando-a. Ela fez uma cara feia, e só faltou espumar. Eu ia me desculpar, mas ela logo disse:
– Chegamos. – Ela estacionou atrás do Porsche de Alice e desceu, sem falar mais nada comigo. Eu apenas desci, e fui atrás dela.
Subimos de escada, e entramos em um apartamento, todo molhado. Uau…
– Olha tem uma praia a alguns quilômetros daqui… Não precisava fazer isso.
– HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ… Cala a boca. – Ela disse brava, depois de rir sarcástica.
– Bella… Você vem cá? – Alice disse em outro cômodo.
– Fique ai. – ela disse olhando feio pra mim, e se dirigiu para onde Alice estava.
Então eu dei uma volta pela sala encharcada. O carpete branco, agora estava sujo e com algumas pegadas marcadas nele; os sofás estavam com os assentos molhados, o vidro de uma mesinha de centro estava com poças de agua. Apesar disso, o lugar parecia ser bem bonito, e não tinha nada fora do lugar. Fui até uma parede que tinha algumas fotos. Em uma tinham cinco meninas, duas eu reconheci como sendo Bella e Alice, mas um pouco mais novas. Na outra foto, Bella estava com um diploma, e seus pais estavam a abraçando de um lado, enquanto um cara estava do outro lado. E a ultima foto ela, Alice, o rapaz que estava com ela na foto da formatura, uma menina loira que estava na primeira foto, mais dois caras, estavam fazendo careta.
– Aqui. Essas foram salvas. – Bella disse voltando a sala, com roupas dentro de sacos próprios para guardar roupas. Ela colocou apenas três dentro de uma caixa e disse – Aqui. Pode leva-las para o carro. – Ela disse e deu um sorriso perverso. Eu não entendi o motivo, então fui levar as coisas para o carro.
Eu cheguei em casa morto de cansaço. Eu juro que a “Sra. Swan” me paga…
– E ai, cara? – Disse Emm, quando chegou em casa. Eu devia estar tão cansado que mal notei que cochilei no sofá. – Como foi hoje? Resolveu com a mina?
– Se eu pedi desculpas pra ela? Sim. Se ela aceitou? Provavelmente não, ou ela não sabe demonstrar perdão. Foi horrível Emmett. Eu tive que subir e descer escadas o dia todo, comi uma comida nojenta, tive que mover plantas, e mais plantas…
– Espera ai, cara. Eu não estou entendendo nada, explica direito.
– Certo. Recapitulando:
– Flashback –
Eu deixei a caixa de roupa que ela pediu no carro, e resolvi voltar a subir, caso houvesse mais coisas a serem salvas (se ela era maníaca o suficiente para ter um saco plástico para cada roupa que ela tinha no guarda-roupa, provavelmente tudo seria salvo. E eu duvidava que ela tivesse poucas roupas). Assim que eu cheguei ela foi logo falando.
– Aqui, mais roupas Edward. – Ela disse me entregando mais uns três sacos plásticos, com cabides nas pontas. – Coloque dentro da caixa. – E então ela se virou pra voltar para o quarto. Eu vi que em cima do sofá tinha mais alguns sacos, então resolvi pega-los. Nisso ela se virou, e foi logo gritando.
– O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?
– Pegando as roupas? – Disse mais como se fosse uma pergunta, então logo emendei. – É que vai bem mais rápido se eu não levar de pouco em pouco…
– Quem disse que eu quero que vá rápido? – Ela disse dando uma risadinha.
– Bella, eu não estou te entendendo.
– Primeiro, já disse que pra você é Srta. Swan. Segundo, você não é pago pra entender, e sim pra trabalhar. – Ela disse me dando as costas.
O trabalho durou bem mais que o necessário, até porque só eu que colocava as coisas no carro. Alice até tentou me ajudar, mais a “Srta. Swan” a chamava no quarto, ou pedia ‘ajuda’ dela em outro lugar.
Depois disso passei a manhã inteira no jardim, junto com Johnson. Quando eu ia para o horário de almoço, ninguém mais, ninguém menos do que a ‘Srta. Swan’ chegou cantarolando.
– Olha o almoço… — Ela sorria. Nem parecia a doente que me fizera descer e subir o prédio dela, de escadas, umas sessenta vezes seguidas.
– Vamos, Maria cozinhou para gente… — Disse Johnson, me encaminhando para a cozinha de funcionários, (como nomeou a Bella).
– Na verdade, — Disse Bella do nosso lado. – Fui eu quem fez. – Sorriso. Ih…
– Você ajudou Maria? – Johnson perguntou.
– Não, eu fiz sozinha. Andei frequentando umas aulas de culinária, vocês vão adorar. – E depois disso ela saiu na frente. Assim que ela entrou em casa, Johnson me segurou e advertiu.
– Não coma nada.
– Hã? Olha, ela não vai com a minha cara, mais eu acho que ela não vai me envenenar… — Eu disse rindo.
— Olha, é serio. Bella é a pior cozinheira que existe. A menina vive de indo em restaurantes. No primeiro mês que ela se mudou, ela vinha comer aqui. Ela é péssima. Muito, muito ruim. Nem ela come a própria comida.
- E o que eu devo fazer? Não comer?
- O que? Não! Assim ela descobriria o quão ruim é, e isso não pode acontecer nunca. Apenas pegue um pouco de comida, eu vou colocar um lixo em baixo da mesa, e enquanto ela não olha você joga o máximo que puder.
- Isso vai dar certo?
- Até hoje sempre deu. Nem Charlie e Renée comeram a comida de Bella. Nem as amigas de Bella comeram sua comida. A única pessoa que comeu, não está mais entre nós.
- Ela morreu?
- Não, era um namorado dela, mas eles terminaram. Agora, vamos logo.
Eu estava nervoso. Eu fui uma criança gordinha, do tipo que não escondia comida. Fazer isso depois de grande era patético, mais eu que não iria comer aquilo.
Acho que era pra ser uma macarronada. Tinha alguma coisa preta no meio, e estava bem pegajoso. Que delicia…
- E então Edward? – Bella disse se aproximando de mim.
- Er… Parece ótimo. – Eu disse tentando ser simpático, tanto quanto ela. Na mesa estavam também Johnson e Maria, mas ela olhava diretamente pra mim.
- Então prove. Tenho certeza que você vai gostar. — E ela continuava a me encarar. Que merda. Não tive outro jeito…
Vou pular o gosto de bunda que a comida tinha, até porque não devem existir palavras ruins o suficiente para descrever aquele gosto. Eu me segurei, e com muitíssima força de vontade, e pensando o quanto eu amava aquele emprego e Bella iria embora rápido, consegui engoli a comida, sem regurgitar.
- E então? – Bella perguntou, diretamente pra mim fazendo aquela cara diabólica.
- Está ótimo. – Eu sorri.
- Então coma mais. – Ela disse.
Sim, ela ficou olhando eu comer até eu acabar, e Johnson e Maria, em vez de me ajudarem, ficaram segurando as risadas.
Faltava uma hora para eu finalmente acabar com esse dia. Eu não suportava mais Isabella Swan, mas é claro que ela tinha que vir me importunar.
- O que é isso Johnson? – Perguntou Bella.
- Estou preparando a terra. Amanhã quero pegar algumas mudas de flores.
- Mas você vai plantar ai?
- O plano é esse… Por quê?
- Porque eu acho que ficaria melhor se fossem em outros lugares.
- Bom, se você prefere, acho que pode escolher. – Ele sorriu pra ela.
- AH! Obrigada Johnson! – Ela o abraçou. – A proposito, Maria está te chamando na lavanderia.
- Certo. Você consegue fazer isso sozinho Edward? – Perguntou Johnson pra mim.
- Considere feito.
- Ótimo. Terminando isso, o trabalho acabou por hoje.
- Ah, tudo bem, então.
- Até amanhã Edward. – Johnson deu tapinhas no meu ombro, e saiu. Em compensação, Bella ficou parada do meu lado. Eu só queria ir embora, então decidi ignora-la completamente, e terminar meu trabalho.
- O que vocês vão plantar? – Ela puxou assunto.
- Não sei; nada especifico, apenas flores.
- Ora. E vocês vão planta-las assim, em qualquer lugar? – Ela disse. Eu suspirei.
E aonde você quer que seja plantado, Srta. Swan? – Ela deu um risinho ao me ouvir falar assim, e logo apontou para o outro lado do jardim.
- Ali.
E você pensa que acabou ali? Não!
Toda hora que eu estava acabando um canteiro, ela apontava outro, e mais outro, e mais outro…
Enfim, graças a Alice que chegou e levou Bella pra dentro de casa, ela parou, se não provavelmente eu estaria até agora arando canteiros.
– Flashback –
- Cara, que doideira. – Emm disse, quando eu terminei de contar.
- Eu sei. Mas e você?
- Eu tive a ideia do século amiguinho…
- Ai o que você vai aprontar dessa vez Emmett?
- Espere, e verá.
P.O.V Bella
- Fale logo Alice. Eu estava fazendo o Edward de idiota, e você me interrompeu. – Eu disse quando enfim chegamos ao quarto. Eu estava no jardim, e Alice chegou me interrompendo falando que tinha um assunto urgente pra me contar.
- Ai Bella, acho que já deu não? Ele já te pediu desculpas, e você o fez trabalhar tanto que até eu fiquei com dó.
- Alice, você tem dó de todo mundo… Menos da conta bancaria do seu pai. Agora fala logo o que é tão urgente.
- É sobre Rose. Ela nos chamou para ir pra casa dela.
- Pra quê, Allie? – Eu disse preocupada.
- Com certeza pra falar sobre Royce. Ela deve ter conversado com ele.
- E ai?
- Eu não sei, ela não quis falar. Ela quer esperar todas nós.
- Tipo, todas, todas?
- Sim. É por isso que eu te chamei aqui. Na verdade o primeiro motivo é tirar esse tênis Isabella. – Ela disse fazendo careta. Nem maior de idade eu podia usar meu all star. – E o outro motivo e que essa seria o primeiro momento pra sondar Lauren.
- Como assim Allie?
- Rose vai falar muito de Royce, então vamos prestar muita atenção na Lauren enquanto ela estiver falando. Ah, e você vai sondar Jessica.
- Porque eu?
- Por que só você consegue suportar quando ela resolve tagarelar. – É que mamãe também gostava de falar muito, então eu meio que aprendi a ficar em modo stand-by.
- Certo. Vamos então. – Eu disse pra Allie, me levantando.
- Vamos. Mas antes, eu estava falando sério do tênis. – E então ela me mostrou um par de sandálias, lindas, mas nunca antes vistas. Alice…
- Ai, vocês acreditam que nós estamos reunidas de novo? AHHHH – Jessica foi à única que gritou de fato, todas nós estávamos tensas demais, para futilidades dessas.
- É que na verdade, o assunto é sério demais pra uma reunião das garotas. Hoje todas estão aqui como minhas damas de honra, e organizadoras do meu casamento.
- O que aconteceu? – Jessica se precipitou. Lauren também tinha uma cara curiosa no rosto. Graças a Deus Rose não tinha contado nada pra essa bisca (sim, bisca até que se prove o contrário).
- Aconteceram umas coisas… E eu descobri uma coisa sobre Royce… – Nessa hora todas arregalaram os olhos. TODAS. Hã… Eu ia falar com Jessica, com certeza ela sabia de algo. O grande problema é que pelo que parece, Rose já descobriu tudo.
- Er… O que você descobriu? – Perguntou Allie com jeitinho.
- Que eu não o amo. – Eu ouvi Jessica dando um suspiro aliviado. Então essa vadia também sabia, e deixava? Ah, eu ia tirar isso a limpo.
- E… O que você vai fazer a respeito do casamento? – Lauren perguntou. Piranha. Vadia. Puta. Fazendo isso justo com Rose…
- Eu quero cancelar, ele. – Yes! – Por uns dois meses… — Hã?
- O que??? Porque por dois meses? Você não disse que não o ama? Então porque você não cancela pra sempre??? – Eu perguntei.
- É complicado… Eu tentei conversar com Royce, mas ele gosta de mim. Não consegui partir o coração dele… — Juro que vi Lauren revirar os olhos. Vagabunda. Mas ela tinha razão. Como se Royce só não tivesse a enganando.
- E pra que você quer esse tempo Rose? – Allie perguntou.
- É tipo, tudo isso é meio confuso, sabe? Até ontem na sua despedida você sabia exatamente o que queria, e agora você de repente desistiu da ideia de casar? O que aconteceu garota? – Jessica perguntou; por favor, que ela não contasse…
- Er… Eu parei pra pensar e vi que talvez Royce não fosse o homem que eu quisesse passar toda vida. E esses meses seriam pra eu mudar tudo. Eu não quero o mesmo casamento. Eu decidi que eu vou querer uma coisa fora da igreja, nada muito tradicional. Não queria desconvidar ninguém, mas confesso que eu não queria que todas as pessoas convidadas fossem… — Rose continuava falando o que queria do novo casamento, e Allie apenas assentiu pra mim. Foi ali que eu entendi o porquê dela não reclamar. Dois meses era o tempo necessário para que descobríssemos o lance entre Lauren e Royce.
Confesso que fiquei preocupada se estávamos mesmo fazendo a coisa certa; afinal, Rose queria casar com ele, mesmo sabendo que não o amava e tendo a confirmação. E céus, ela o havia traído também. Certamente ela não contou pra ele, então talvez – e só talvez – eles só precisassem de um pouco de sinceridade. Um erro por outro. Vai que eles curtem poligamia…
- Eu só não faço ideia de onde vou avisar minha família. Quer dizer, meus pais eu vou comunicar por telefone mesmo. Mas a família dele, e algumas pessoas mais importantes tem que ficar sabendo por minha boca.
- Pode ser na casa da Bella. – Allie gritou. Ela tinha um olhar de expectativa no rosto. O quê? Porque na minha casa?
- Er… Alice, a casa é na verdade de Charlie e Renée. Eu seria uma folgada de pedir isso pra eles. – Allie então me olhou feio. Então eu entendi.
- Hã… Não Rose. Minha mãe não vai se opor. Principalmente sabendo que Lilian e John não estarão aqui. É só marcar a data para um... Jantar? – Eu disse olhando para Allie, e ala assentiu. – Jantar. Minha mãe vai adorar ser a anfitriã.
- Sério Bells? Ai, obrigada amiga! – Ela disse me abraçando.
- E você vai precisar de ajuda, amiga? – Lauren disse. Falsa. – Você sabe que sempre pode contar comigo, né?
- Sim Law. – Ela disse dando um abraço triplo entre eu, ela e a falsa. Bleargh. Mas eu fingi bem. Em pouco tempo eu ia desmascara-la.
- Ai, eu estou muito ansiosa com esse jantar. É estranho, eu ainda não engoli essa historia da Rose de repente querer mudar a data do casamento, mas fazer o quê? Ai eu estou preocupada, preciso fazer compras, faz tempo que eu não vou num jantar assim… — E Jessica continuou tagarelando. Ela dirigia muito mal (quase se matou três vezes em acidentes que ela mesma causou), então nós sempre dávamos carona pra ela. Allie, claro tinha dado um jeito de fugir da tagarelice dela, e disse que amanhã cedo iria lá pra casa.
- Hum… Jessica, você notou alguma coisa estranha em Lauren? – Eu perguntei quando ela falou sobre a mesma. Ela parou abruptamente, e começou a gaguejar.
- La... Lauren? Não… Que — quer dizer… Nã… Não. Não. – Ia ser muito fácil.
- Ah Jess, você não sabe mentir. Fique sabendo de uma coisa, que envolve Lauren e outra pessoa comprometida, e eu tenho certeza que você também sabe, mas eu não posso te contar se você não me contar. – Jessica gostava de fofocar, então com certeza ia me dar à confirmação agora.
- Como assim você sabe? Lauren não pode ter de contado do caso dela com Royce, ela nem gosta de você! – E assim que ela falou, ela tampou a boca. Bingo.
- Rá. Sabia… Ei, ela não gosta de mim? – Nós não éramos melhores amigas, como era com Rose e com Allie, e até, antigamente (antes disso, principalmente) com Jess. Mas eu não ficava falando que não gostava dela.
- Não é que ela não goste de você, mas você sabe que ela é amiga da Rose e tal… E vocês são muito ciumentas. Mas ela disse que ninguém mais sabia do Royce, porque ela contou justamente pra você?
- Er… Na verdade foi o Royce que me contou. – Sim foi a melhor desculpa que eu consegui inventar.
- OMG você também transa com o Royce?
- NÃO! – Eu gritei, mas logo depois me corrigi. – Não. É que eu e ele ficamos amigos. – Dei um sorriso amarelo.
- É? E quando? – Ela disse me questionando.
- No… Jogo. É, no jogo os Bolts.
- Bella, o Super Bowl só começa em setembro.
- É, mas eu fui a um amistoso, e ele estava lá; daí a gente conversou. – Ela me olhava desconfiada. Logico, essa não colava nem para uma criança de três anos. – Se você contar pra Lauren que ele me contou, eu conto pro Royce que a Lauren contou pra você. – Eu a ameacei, não é a melhor ideia, mas era o suficiente para segurar Jessica por enquanto.
- Tudo bem, Bella. Eu não vou estragar o lance dos dois. Tanto tempo juntos, e Royce estraga tudo contando pra você… — Jess tagarelava brava, com os braços cruzados. Tanto tempo. A confirmação que eu precisava.
- Em momento nenhum a sua amiga pensou na BFF dela? – Eu disse, sem pensar.
- Rá, é o noivo dela, não pensou nela também? – Droga. Por enquanto eu era tão traíra quanto Jess.
O resto do caminho foi silencioso. Em meios, foi bom, porque ela finalmente calou a boca. O lado ruim é que agora, a qualquer momento tudo podia ser descoberto; mas de uma forma toda errada.
Quando eu cheguei em casa estava com a cabeça muito cheia. Céus, em três dias tanta coisa aconteceu.
Tudo que eu queria era chegar em casa, e tomar um banho relaxante de banheira, com muita espuma e ouvindo musicas calmas, pra esquecer de tudo mesmo. E foi isso que eu fiz.
Enquanto eu estava na banheira, em meu ritual de banho, eu comecei a sentir saudades de tudo: da faculdade, do meu apartamento, da minha vida que se resumia a estudo, amigas e shopping. Mas parecia que isso não ia acabar nunca. Hoje, vinte e nove de junho, as férias de verão tinham mal haviam começado. Era impressionante como isso significava pra mim, mesmo com vinte e quatro anos e uma faculdade na cara. Eu sei que era de se esperar que eu fosse mais madura, mas eu não podia evitar agir como uma menininha mimada, às vezes.
Imediatamente lembrei-me de Edward, e do modo como eu o tratei. Eu sei que não foi legal, mas ele também não foi nada legal comigo. Eu podia ter aceitado as desculpas dele, mas era mais forte que eu. Eu queria algum tipo de vingança pela confusão que ele vem causando em minha vida, desde que apareceu nela. Em três dias, ninguém me fez mudar tanto de humor e pensamentos em tão pouco espaço de tempo. Parecia até que eu era bipolar. Argh. Chega de Edward por hoje.
Eu iria apenas relaxar.
Eu estava na minha casa de praia, aqui em Malibu. Seria normal se eu não estivesse beijando um homem de cabelos bronze.
Não era um beijo normal, ele estava carregado de paixão e excitação. Enquanto nos beijávamos fui percebendo que já estávamos nus, e as mãos dele estavam por todas as partes, desesperadas, iguais as minhas.
De repente estávamos no sofá, eu me sentei por cima dele, e até então nosso beijo que não tinha sido separado, foi interrompido, e sua boca foi direto para meu pescoço, descendo até minha clavícula e depositando um beijo ali, e depois mais embaixo no vale entre meus seios. Ele começou a acariciar um com as mãos enquanto sugava o outro.
Eu estava impaciente, não queria mais jogar, então o empurrei, fazendo encostar as costas no sofá enquanto eu me encaixava nele. Comecei a me mexer, primeiro devagar, só pra provoca-lo um pouco. Não demorou muito pra eu querer mais, e começar a quicar sobre ele.
Eu estava alucinada, queria mais e…
- “Near, far, wherever you are” – Mas que porra é essa, porque a Celine Dion está gritando no meu ouvido?!
Foi então que eu percebi que eu ainda estava na banheira, e começou a tocar a ultima musica do meu CD. Era uma coletânea de filmes de sucesso, com trilhas sonoras marcantes. Essa era a pior musica do CD. Depois de me acordar desse jeito principalmente…
Foi então que eu percebi o que realmente aconteceu. Eu tinha tido um sonho erótico com Edward. NÃO. Não era isso. Tem outra explicação bem plausível, deixe-me ver…
Ah, claro. Era um flashback. Eu tinha tido alguma lembrança do incidente na casa de Rose, e eu misturei com o meu cansaço e minha vontade de ir pra casa em Malibu. É isso.
Eu e Edward? Sóbrios? Até parece…
Notas finais
Mereço comentários?(pelo menos um (y) pelo sonho pervo da Bella).
P.S. - Sobre meu pequeno spoiler. Sim, vocês acertaram, é uma gravidez. Mas com certeza a surpresa não para por ai. ;P
Gente, não posso prometer um capitulo até Terça. Na verdade eu queria mesmo postar na sexta que vem...
Mas se os comentários estiverem carinhosos, quem sabe eu não adianto? *---*
Fale com o autor