The Stripper

21 Capítulo 20 – Entendendo o mal entendido.


Notas iniciais
Olá olá. Primeiramente, feliz natal atrasadíssimo, rs. Estava viajando com a família, e por isso não postei. Mas, se tudo der certo amanhã posto outro para compensar. :D
Nesse capítulo, como eu prometi, Jacob entra em ação. Ah, temos também a história de Tânya X Bella. Sem mais spoilers...
Boa leitura.

P.O.V. Bella

Eu estava cem por cento perdida. De um lado estava aquele que tinha feito meu coração se despedaçar quando eu era uma garota. Aquele que me fez mudar de uma durona para um marshmallow. Do outro lado estava aquele por quem eu chorava há um mês, mas foi capaz de fazer um estrago igual (ou quem sabe maior) do que o primeiro. Jacob Black e Edward Masen/Cullen se encaravam mortalmente cada um segurando o meu braço. Eu estava tão perplexa que devo ter ficado uns cinco minutos sem reação.

Quando dei por mim, eles já estavam no meio de uma discussão.

- Me desculpe Jacob, é que Bella nunca falou de você. – Disse Edward irônico. – Agora se pode nos dar licença, eu preciso conversar com ela. – Ele disse segurando mais em meu braço.

- Acontece, — começou Jacob apertando meu outro braço – que agora ela está assim, vestida para sair comigo. – Foi muito bom e ruim ouvir aquela voz de novo. Pena que o momento foi o mais inoportuno possível. Depois que a frase dele carregou em minha cabeça, nem sei se tinham se provocado mais, só sei que interferi.

- Olha aqui os dois, — me soltei dos apertos e comecei virando para Edward – Eu. Não. Quero. Falar. Com. Você. Se precisa conversar, vá atrás de Tânya! – E então foi à vez de Jacob. – Não faço a menor idéia do que faz aqui, mas lamento que esteja delirando. Tenho compromissos sérios para hoje, acho que já perdi tempo suficiente com ambos. Adeus. – Falei e me retirei, indo para casa.

Estava irritada, chateada, magoada, queria chorar e não podia fazer absolutamente nada!

Assim que entrei em casa encontrei meu pai, que me perguntou o que meu sócio estava fazendo esperando.

- Como assim sócio? Lá fora só tem Jacob Bla... – comecei com uma interrogação, mas logo eu entendi o que ele estava fazendo. – Eu não acredito Charlie, você não tem esse direito! – Meu pai sofreu quando eu e Jacob terminamos, por achar que ele era perfeito para mim. Mesmo sem não saber ao certo o que aconteceu, ficou por meses interferindo e tentando nos juntar de novo, e só parou porque minha mãe deu uma dura nele.

- Não, eu não tenho direito de se meter na sua vida pessoal, mas se trata de minha empresa, e eu confio que Jacob te auxiliará muito bem enquanto eu não estiver na empresa. Minha condição como chefe, e não como pai. – Ele se defendeu, mas eu sabia que não era isso.

Minha mãe ou Allie devem ter dado com as línguas nos dentes sobre Edward, e agora meu pai devia estar me jogando para Jacob de novo. Bem típico dele, e mais um motivo de eu nunca querer namorados...

No fim das contas me dei por vencida e voltei para fora. Mais tarde Charlie se resolveria com Renée (e eu faria vovó dar um bônus, só para ele parar de ser enxerido).

- Desculpe-me Jacob, não esperava... – Comecei quando cheguei perto dele, mas logo ele me cortou.

- Imagina Bella. Eu devia imaginar que seu pai não tinha te contado. – Ele disse com aquele sorrisinho prepotente. – Também do jeito que nós... – Foi minha vez de cortá-lo.

- Estou aqui única e exclusivamente a negócios Jacob. Não interessa o que meu pai sugeriu. Vamos ao restaurante, tratar sobre a viagem e só. Não venha com gracinhas sobre nós, porque não vai colar. – Fui bem clara. Tinha que mostrar para ele que não era mais a menininha de anos atrás que chorou horrores por ele. Por mais que ainda doesse, e que ele ainda significasse algo para mim, não era de forma alguma minha intenção discutir nosso relacionamento agora. Ele suspirou.

- Certo.

A noite foi boa e produtiva. Achei que minhas palavras tivessem surtido efeito, já que Jacob não tentou mais nenhuma gracinha. O jantar inteiro discutimos sobre os objetivos da viagem, e ficou marcado que sairíamos dali a uma semana. O meu tormento começou assim que a sobremesa foi pedida.

- Que tal um petit gateau? Vamos lá Bella, eu sei que você gosta. – Ele disse quando eu fiz uma cara hesitante.

- A questão não é se eu gosto, e sim se devo. – Esclareci.

- Uma sobremesa não faz mal Bells.

- De fato, a sobremesa não faz mal, mas as suas intenções me deixam preocupada. E eu já disse e repito: apenas negócios, portanto, já que eu sei que não me chamará de Isabella, aceito Bella e não menos que isso. – Ele revirou os olhos e deu aquele sorrisinho. Porque mesmo eu amava aquele sorriso? Ah, porque era lindo, atraente e quando ele vinha sabia que era todo pra mim. Mas agora aquilo era irrelevante. Não ia mais cair nos encantos de Jacob e ponto final.

- Se você voltar a me chamar de Jake posso voltar a te chamar de Bells? – Ele disse me olhando profundamente e quando eu percebi minhas mãos estavam na dele. Respira, inspira, se prepara e não se deixe enganar Isabella!

- Não! – Disse por fim sucinta, puxando minhas mãos da dele e me levantado da mesa.

- Espera. Poxa Bella, você parece aquela coisa teimosa e grossa do ensino médio...

- Isso é porque eu jamais deveria ter deixado de ser daquele jeito Jacob. Ter me dobrado a suas vontades não me fez melhor e sim mais fraca. Hoje enxergo isso, e o bom é que não me deixei enganar mais por manipuladores que nem você – “com uma exceção”, pensei. – E pra mim chega. Decidimos tudo por hoje, e não vou mudar de idéia quanto ao fato de conversarmos sobre qualquer tipo de relacionamento que um dia tivemos. Por isso até mais. – Disse já de pé e me virando.

- Bella, eu te levo. – Ele disse me alcançando e segurando meu braço.

- Eu sei pegar um taxi Jacob. – E então eu me soltei. Ele não foi mais atrás de mim e eu fiquei feliz, porque não sabia até onde aquela onda de coragem podia chegar.

No fim da noite, depois de pensar em tudo me senti orgulhosa. Eu evitei Jacob por tantos anos, não sem razão. Eu morria só de pensar que horrível foi quando ele disse que não me queria mais. Que depois de anos achando que teríamos um felizes para sempre ele não me quis mais. Depois de anos sendo enganada, mentira após mentira perdoada, saber que eu não signifiquei nada mais do que um passatempo.

Todas as palavras dele por anos a fio, eram uma espiral de dor em minha cabeça. No entanto, não doíam mais. Nada mais significava, além de eu estar curada. Eu sabia que precisaria enfrentá-lo para poder cicatrizar de vez (Jacob significou muito para mim, e infelizmente era impossível apagá-lo), mas ele agora só significava isso: lembranças.

Com esses pensamentos fui dormir segura. Segura que sim, eu o superaria totalmente e essa viagem só me ajudaria com isso. E por fim segura que um dia eu poderia fazer o mesmo com Edward.

~ Uma semana depois ~

P.O.V. Rosalie

Eu estava muito feliz! Era tanta coisa boa acontecendo comigo, que eu tinha até esquecido as coisas ruins que me ocorreram para chegar aqui. Infelizmente a felicidade não girava em torno de todos a minha volta.

Edward esse tempo todo ainda não tinha recuperado Bella, e olha que ele já tinha mudado muitas coisas.

Ele voltou para Nova York e terminou a bendita faculdade. Agora, com um diploma ele facilmente se sustentaria sozinho mantendo o estilo de vida que seus pais davam pra ele. Mas ele não quis isso. Ao invés decidiu ajudar Emm e eu na galeria.

Isso mesmo, tínhamos conseguido abrir a galeria, e era um sucesso! Além de expor eu vendia meus quadros, que estavam bem procurados por apreciadores de arte de toda Califórnia. Edward cuidava dos tramites legais – sim, tem muita coisa envolvida em expor quadros. Ele disse que se expuséssemos algo sem os devidos direitos autorais, era possível até irmos presos.

Ele não estava ganhando muito dinheiro conosco, mas mesmo assim dia e noite estava ali, ajudando aquela galeria a se popularizar.

Ele ainda morava com Emmett e comigo. Sim, Emm e eu estávamos oficialmente juntos! Enfim, Edward não quis morar com a tia Esme, porque a mesma tinha voltado para Nova York quando ele foi tirar seu diploma, e não quis mais voltar para cá. Edward achava que ela tinha voltado com tio Carlisle. Não voltei a falar com ela, então, não sabia de nada.

Aliás, eu não voltei a falar com ninguém da minha família. Mesmo assim não me senti mal. Sentia-me a renegada livre, como Edward. Tinham que ver: nós estávamos nos apoiando muito. Acho que por hora, ele era a família que eu precisava.

Cheguei em casa numa sexta-feira a noite. A galeria me deixou exausta. Eu subia e descia escadas, explicando algumas obras, negociando outras. Emm não era um administrador, mas até sabia bastante, e estava se virando (inclusive, nesse instante o pobrezinho estava na galeria terminando de fechá-la). Quando olhei para sala encontrei o que não esperava.

- Edward, posso saber o que está fazendo aqui? – Ali estava meu priminho, de terno e gravata e com o rosto enterrado em papéis. Ele sorriu torto.

- Culpado. Estou trabalhando. Caso extra. – Ele disse, balançando alguns papéis na minha frente. Suspirei alto.

- O combinado não era folga? – Disse arqueando uma sobrancelha. – Você está trabalhando demais, já percebeu?

- Estou apenas colocando em prática as coisas que eu já sabia há tempos e não podia exercer. – Disse ele fazendo graça.

- Edward... – Comecei delicadamente – A galeria ainda não está bem, mas vamos te dar um aument...

- NÃO! Rose, o problema não é dinheiro ok? – E então eu entendi o que estava acontecendo.

- Deixe-me ver. O nome do seu problema é Isabella Swan? – Disse por fim, mas afirmando que perguntando. Ele suspirou alto.

- Rose, você era muito amiga dela, não é? – Ele perguntou e eu apenas assenti. – Não tem algo que eu possa fazer? Quer dizer, eu sei que eu menti, foi horrível e só Deus sabe o quanto estou arrependido. E céus, eu estou me sentindo no mínimo péssimo pelo que aconteceu com Renée. Sei que foi minha culpa. Mas, apesar disso... Só preciso que ela me escute. Eu quero só isso Rosalie, você sabe como? – Ele me implorou.

- Edward, primeiro, duvido muito que Bella te culpe pelo que aconteceu com a mãe dela. A gravidez é de risco desde sempre, e todos estavam preparados para o que emoções fortes poderiam acarretar. – O acalmei. – Agora, sobre mentir, sinceramente eu não entendo. Bella tinha o namorado mais cachorro do mundo, uma mentira por dia, e até hoje, se bobear ela cai de amores por ele. – Nessa hora ele fez uma careta. Ops. – Você já tentou falar com ela?

- Ah Rose, você não viu? – Ok, era uma expressão, ele tinha ido inúmeras vezes na casa dela, mas nunca era atendido. – É claro que eu tentei! Mas eu sempre recebo um portão trancado. Ou uma agressão verbal. Ou os dois. Ah, teve uma vez que eu fui lá na hora que Bella ia sair, e por isso consegui vê-la. Sabe o que ela fez? – Neguei com a cabeça. – Me deu um tapa e disse “Vai procurar a Tânya”. Ora, porque Tânya? – Ele perguntou e nessa hora me deu um estalo.

- CÉUS! É isso! – Eu disse me levantando do sofá e ganhando uma careta assustada do Edward. – Edward, você conhece Tânya Denali?

- Er... Sim. – Ele disse sem graça. OMG

- Espera não me diz que vocês tinham alguma ligação tipo...

- Ela era minha namorada. – Ele suspirou revirando os olhos. – Certo inferno, o que a merda da Tânya Denali tem a ver com Bella e eu? Eu nem sabia que elas se conheciam!

- Mas se conhecem Edward. É uma longa história, e eu aposto que é a razão da Bella estar te evitando! – Eu disse com um sorriso. – Se você esclarecer isso, aposto que vocês voltam.

- Então me ajuda Rose, qual é o problema entre as duas?

- Bem, vou contar. Mas preste atenção porque é bem confuso: — ele apenas assentiu – “Tudo começou no primeiro ano do ensino médio. Bella e eu já éramos amigas, e andávamos juntas a Jessica e Lauren – franzi com nojo ao dizer o ultimo nome – Jasper, estudava na mesma escola e tinha um amigo, Jacob. Lauren tinha o seu namorado que se chamava Tyler, e andávamos todos juntos.”

- Espera, mas a Alice não era amiga de vocês? – Edward me interrompeu. Revirei os olhos

- Já chego ai! Bem, aonde estava? Ah... “Jacob e Bella eram namorados – foi a vez de Edward franzir a cara em nojo – Igual à Lauren e Tyler. Eu gostava de pensar que ia casar com o Leonardo DiCaprio ou o Johnny Depp, e Jessica era super amarrada em Jazz. Diferente de mim, entretanto, como Jazz não a queria, Jessica ficava por ai e tinha fama de ser...”

- Mais rodada que bandeja de coxinha em festa? – Completou Edward.

- É uma boa expressão. – Eu ri. – Enfim... “Graças a isso, uma menina que era do grupo achava que era palhaçada Jasper e Jessica naquele ‘chove não molha’ e decidiu se jogar para Jasper. Sim, essa menina era Tânya, e ela furou bonito o olho de Jess. Jessica, não era a mente do mal que você conhece agora, e chorou por dias. Eu e Lauren tentávamos consolar, mas isso não era do feitio de Bella. Bella armou um plano que pelo bem do universo, não passarei para frente, tudo o que você precisa saber é que Tânya não pode ir para escola por uma semana graças a uma intoxicação.

A partir dali, a guerra estava declarada. Swan/Stanley X Denali, permaneceu por muito tempo. Até que um dia chegou uma novata na escola.

Mary Alice Brandon era o tipo fashionista simpática que cativava todos. Ela e Bella viraram amigas quase que instantaneamente, e não foi difícil para ela se ajustar ao grupo. Alice era muito fácil de lidar, e adorava ajudar a todos. Ela ajudou Bella e Jesica em vários trambiques contra a Denali. Um dia, eu a encontrei desolada chorando pelos corredores. Foi o dia em que Jasper se declarou para ela. Ela disse que não queria magoar Jessica, e que não queria perder nossa amizade... E até fez uma graça com o medo de ter Bella como inimiga.

Eu me compadeci dela, e com muito jeitinho, graças a “flexibilidade emocional” de Jessica, conseguimos fazer com que os dois ficassem juntos sem machucar ninguém. Quer dizer, quase ninguém.

Tânya ficou possessa. Quer dizer, duvido que ela sentisse algo por Jasper, mas o fato de Alice ter conseguido tão fácil o que ela lutou por anos deve tê-la deixado louca.

Ela resolveu fazer uma brincadeira bem pesada: uma montagem de Alice pelada. O que era uma coisa super assustadora para qualquer adolescente. Allie seria mal falada até não poder mais – principalmente por ser novata e por ter pais separados e viver com o pai.

Bella interceptou o “material” antes dele ser solto. Mas sabíamos que Tânya não ia parar. Então ela resolveu dar uma cartada final, a pior coisa que pode acontecer com uma adolescente: ser humilhada publicamente pelo garoto que gosta.

Foi fácil para Bella: ela convenceu a Alice e o Jasper a participarem (e foi fácil convencê-los, já que eles estavam bem bravos pelas montagens). Depois disso, Jasper mandou um bilhete falando que queria conversar com Tânya. Era época dos dias dos namorados, iríamos ter um baile, e no bilhete dizia que ele queria ir com ela.

Bella foi mais longe, comprou o vestido, o sapato e tudo para a Tânya, e mandou entregar dizendo ser presentes de Jasper. Todos nós entramos no joguinho de Bella, e no dia antes do baile, dávamos sorrisinhos e piscadinhas para Tânya (que sorria de pensar que finalmente estava sendo aceita). Alice e Jasper eram os melhores: fingiam nem se falar enquanto estavam perto dela, e assim que ela virava as costas depois de se jogar para Jazz eles começavam a rir. Uau, éramos realmente malvados...

A noite do baile foi a ruína de Tânya Denali. Lá estava ela, vestida do jeito que Bella imaginou. Com a ajuda de Jacob, Tyler, Lauren e eu, Bella conseguiu apoio dos jogadores de futebol e as lideres de torcida. Assim que Tânya chegou ao meio do salão, tinha pôsteres gigantes do vestido e os sapatos que ela estava usando escritos coisas como “vestida para dar” e “como se veste uma vagabunda”. Bem, lembrando agora, só me recordo que foi horrível. Tacaram coisas nela, a xingaram, e a cereja do bolo foi Jasper falando que nunca teria nada com ela. Mas não com palavras tão delicadas quanto essas. Tudo foi devidamente gravado, e foram tiradas várias fotos (Bella foi tão maldosa que distribuiu uma semana depois as fotos e os vídeos que foram intitulados “anuário da galinha”).

Enfim, Tânya foi embora, mas não antes de jurar vingança para Bella. Ela disse que um dia ela iria fazer a Bella se sentir um lixo que nem ela se sentiu.” – Conclui a história.

- Bella acha que eu sou a vingança de Tânya?! – Edward disse surpreso se levantando exasperado do sofá. – É claro! Minha mãe disse que ela viu fotos de nós juntos...

- Então está explicado! Espera! Edward, você não fez isso só para...

- NÃO! Tânya jamais contou o motivo de ter se mudado para NY. O que não me admira, pobrezinha vocês acabaram com ela...

- Epa epa, ela mereceu. Você quer Bella de volta? – Ele assentiu fervorosamente. – Então sem pena de Tânya. Agora, você tem que provar que não tem nenhum envolvimento com Tânya...

- E como Rose? Eu não vejo Tânya desde que sai de Nova York.

- Bem, então acho que você vai ter que ir com a cara e na coragem, e torcer para Bella ouvir você.

- Tem razão! É o que eu vou fazer. – Ele disse já pegando as chaves.

- Hey, você vai agora? – Eu perguntei assustada. Afinal já era noite, e vai saber se Bella falaria ou não com ele...

- Sim Rose. Eu preciso resolver isso pra ontem. – E então ele passou por mim, me beijou e saiu pela porta.

- Boa sorte. – Desejei quando ele já estava longe.

P.O.V. Edward

Eu estava aliviado. Agora eu entendia o receio de Bella. Apesar de Tânya nunca ter comentado nada sobre Bella, eu sabia que ela podia ser tão perversa quanto à mesma. As duas eram patricinhas mimadas que tinham tempo, dinheiro e pessoas dispostas a fazer tudo o que elas quisessem. A diferença é que Bella era minha patricinha e eu não faria mal a ela.

Se fosse antes, talvez eu até já tivesse desistido dela, mas agora, era impossível. Eu precisava fazer com que aquela cabeça oca me ouvisse e me desse uma chance. Se fosse preciso ligaria para Tânya. Nós terminamos amigavelmente, e então quem sabe ela não me faria um favor?

Ao chegar a mansão a Ferrari dela estava entrando. Era minha chance. Me joguei na frente do carro e torci para ela não me atropelar.

- BELLA, EU ENTENDI TUDO, MAS EU JURO QUE NUNCA, JAMAIS TÂNYA ME FALOU DE NADA SOBRE VOCÊ. EU NEM SABIA QUE VOCÊS SE CONHECIAM! QUEM ME CONTOU TODA A HISTÓRIA FOI ROSE, ELA PODE CONFIRMAR, E SE FOR PRECISO, TRAREI TÂNYA, SÓ POR FAVOR, ME ESCUTA! – Gritei para o carro que estava com os faróis acesos na minha cara. Para minha felicidade o carro foi desligado. Para minha tristeza e total surpresa, quem saía do carro não era Bella, e sim uma mulher mais velha que ela. Talvez até mais velha que sua mãe. Fiquei olhando muito, mas eu não reconheci a mulher. Com o tempo percebi traços parecidos com os de Renée (como os olhos e o formato da boca). Fiquei muito tempo a encarando, então em um certo momento ela disse:

- Estou esperando sua explicação. Edward, certo? – Fiquei bem surpreso, ela me conhecia. – Sou Marie, a avó de Bella e gosto de você pelo simples fato que Charlie não gosta. – Sorri com isso. – Agora, me explique tudo.

- Olha Marie, eu... Bella acha que eu fiz algo muito errado, mas é só um mal entendido. Eu amo muito a sua neta e eu preciso falar com ela.

- Deixe-me entender. – Ela disse se aproximando. – Você não tem nada em comum com a tal da Denali, certo?

- Bem, na verdade eu tive. – Ela me olhou dura. – Não, mas eu não sabia de absolutamente nada. Juro! – Ela pareceu acreditar.

- Então o que fez Bella achar que você é culpado?

- Eu menti para ela. Mas eu não queria enganá-la, só queria fugir do meu passado. Não era para Bella se chatear com isso nunca, porque pra mim não interessava o que eu vivi, e sim o futuro que eu teria com ela. – Soltei tudo de uma vez. Sei que teria que repetia para Bella, mas senti que se tinha alguém que podia me ajudar naquela casa, esse alguém era Marie.

- Eu entendo. – Fiquei um pouco mais aliviado. – Se eu tivesse tido algo com a horrorosa da Tânya Denali eu também quereria fugir do meu passado. – Ela falou isso tão séria que eu tive que rir. – Infelizmente, Bella não está. – Nessa hora todo meu bom humor se dissipou. Onde ela estaria? Essa hora na noite? Com quem? Ou pior, sozinha? Eu estava morrendo de ciúmes e preocupação, até que Marie esclareceu.

- Ela viajou hoje para Nova York. Foi a trabalho. – Fiquei um pouco chateado, mas fazer o que. Era melhor esperar ela voltar, e ai então, quem sabe...

- Bem, sabe quando ela volta? – Falei com esperança.

- Não, não e não. Se você esperar, corre chances dela não estar disponível quando voltar.

- Como assim?! – Falei alarmado.

- Jacob Black, um ex-namorado detestável dela foi junto. Ideia do idiota do meu genro é claro. Vamos lá, você tem que ir até Nova York hoje! – Ela não precisou falar mais nada para me convencer.

- Você me dá carona? – Ela deu um sorriso e mandou-me entrar no carro.

O caminho foi ótimo, contei mais sobre meu passado para Marie. Foi o treinamento do que eu contaria para Bella. Confesso que me sentia apreensivo, estando tão perto de Carlisle. Não queria que Bella tivesse o desprazer de conhecê-lo, muito menos eu queria reencontrá-lo. Mas se fosse preciso, eu o faria. Faria muito mais por ela.

Assim que cheguei ao aeroporto, tive que usar uns três cartões, mas finalmente consegui pagar uma cadeira no vôo de desistência para Nova York. Não levei mala nenhuma, mas eu falaria com minha mãe. Afinal ela ainda era minha mãe, e já que tinha de novo preferido sofrer aturando o Carlisle, acho que não se negaria em mandar alguma coisa da minha antiga residência.

Quando ia para o portão de embarque Marie se despediu de mim dizendo: “Fale exatamente o que você me disse, e eu tenho certeza que Bella irá te perdoar. Ah, e não faça mais merdas, porque já me basta um genro mongolóide!”. Sorri e então parti. Fora Charlie que provavelmente estava no time “mate o Edward”, a família de Bella era cativante.

Segui a caminho de Nova York então com as esperanças renovadas. Eu iria resolver todo esse mal entendido, e Bella seria minha novamente.

Notas finais
Gostaram? Mereço reviews? Recomendações? Carinhas felizes pela vovó Marie salvadora da pátria? HSAUHSUA.
No próximo, temos mais de Jacob (e é melhor o Ed chegar a tempo hein...). Ah, também vai entrar nossa vadia número um: Tanya Denali. Até mais.