Notas iniciais
Eu demorei né pessoal? Vocês sentiram falta de novos capítulos? Bom, os motivos são dois: primeiro porque eu demorei para pensar no que aconteceria, são muitos detalhes, mas é que eu também fui meio preguiçosa, eu sei kkk E segundo por causa de escola e vocês entendem né? Mas voltei! Espero que gostem desse capítulo e não deixem de ler as notas finais! Escutem a música Break do Three Days Grace.

Abri meu olhos lentamente desejando não acordar, desejando a partir daquele momento, poder nunca mais voltar para a vida real, e isso incluia ficar em um mundo repleto de pesadelos, porque isso talvez fosse ser melhor do que o meu dia vai ser.

Nós nunca sabemos até que ponto as consequências podem chegar, até que quando ela chega ao seu ápice, nós estamos fracos demais para suportar o nosso próprio medo. Talvez eu não devesse me sentir desse jeito, talvez isso tudo não passe de uma maldita brincadeira, mas desde quando brincadeiras envolvem a morte? Essa pessoa me mostrou o ponto ápice das consequências das minhas ignorações.

Me levantei cambaleante da cama, com fome. Eu estava me sentindo fisicamente bem, sem nenhum sinal de enjôo, apenas com uma pequena tontura por ainda não ter comigo, já eram 13 horas.

Fui ao banheiro e tomei um banho. Não, nenhum sinal de mudança na minha barriga ainda, era muito cedo, mas enquanto o tempo não passa eu vou ter que pensar em como falar isso para a Megan.

Me enrolei na toalha e voltei para o meu quarto, aquilo precisava de uma arrumação completa. Limpar o chão, aspirar, passar um pano... Eu realmente poderia chamar a Mary, a empregada da Yo, para vir me dar uma ajudinha.

Enquanto pensava na sujeira do apartamento e decidia que roupar usar, meu celular toca fazendo meu coração pular. Bill, tem que ser você.

– Oi.

– Olá Miller! É a Megan. — disse ela com sua voz aveludada.

– Ah sim, é você Megan... — soltei um suspiro de alívio. — Precisa de mim? — perguntei com uma voz mais alegre que antes.

– O mundo precisa de você! Você viu a edição com suas fotos na nova Vanity Fair? — perguntou ela e parecia estar animada.

– Na verdade não, me desculpe.

– Foi uma das mais vendidas de toda a história da Vanity! Agências, jornais e revistas de fofocas nos ligam falando apenas de você... Sem contar o Bill... — ela disse o último nome em um tom baixo.

– Sério? Eu não entendo pra que tanto alvoroço. — disse me lembrando da perseguição de paparazzis e repórteres quando sai do hospital.

– Você é uma das melhores supermodelos de hoje, e eu preciso de você aqui agorinha mesmo para as fotos da edição de verão!

– De... verão? — engoli saliva.

– Sim, te vejo em 10 minutos! Até.

Essa Megan é louca, até me lembra minha prima. E nossa, obrigada por ter desligado na minha cara.

Bem, 10 minutos é muito pouco tempo pra ficar aqui parada pensando na morte da bezerra, se arrumar, buscar um café da manhã no Starbucks e pegar um táxi.

Com uma saia lápis, camisa branca social e scarpin preto eu virei a Mulher-Maravilha e consegui pegar um táxi logo após ter saido do Starbucks, mesmo com o café queimando a minha mão.

Cheguei na Vanity Fair não em precisamente 10 minutos, mas em 15, e a Megan não poderia reclamar.

– Clara, que bom que chegou rápido! — disse Megan logo que me viu entrar no estúdio com o coque do meu cabelo se desmanchando.

– Acredite, isso foi um milagre. Eu tenho pavor de atrasos... — disse jogando o café no lixo.

– Tudo bem. Mas o que aconteceu? Você passou por um furacão antes? — disse ela com humor arrumando meu cabelo.

– Pode-se dizer que eu sou o furacão. — eu ri.

– Certo, então vamos começar logo antes que o estilista vá embora.

Meg me levou até o camarim onde haviam mais 5 modelos se arrumando, e entre elas Brittany não estava, eu dei graças ao bom Deus por isso. Mas o que mais me assustou foi ver todas aquelas garotas magras de biquínis.

Um frio veio em minha barriga me lembrando de que agora eu carregava alguém dentro de mim. Ninguém iria perceber, mas eu não ficaria tranquila nas fotos sabendo disso. As coisas ainda estavam tomando seu lugar.

– Acorda honey, eles me pagam 100 reais por minuto, não vai querer dar prejuízo a eles certo? Vamos, vamos, tome o seu biquíne lindinha. — disse um cara que batia na altura dos meus seios, com uma voz tão fina que parecia que havia uma mão invisível segurando seu nariz apertado, sem contar que ele bateu palminhas me apressando.

Oh Gosh, isso é um anão gay, só pode.

Me apressei como o mandado e vesti um biquíne azul com estampas muito bonitas e decoradas com glitter, além de um salto enorme. O Bill me mataria por isso, mas é meu trabalho, ele queira ou não.

Voltei para o estúdio e as outras modelos estavam se posicionando em um fundo praiano, mas era estranho Brittany não estar lá, eu pensei que a rainha da Inglaterra fosse prestigiar sua coroa.

Inocentemente eu tirei fotos ao lado de coqueiros artificiais, agora sim eu tinha certeza de que o Bill iria me matar. Uma mulher grávida fazendo ensaios sensuais. Mas eu insisto, é o meu trabalho.

Após mais ou menos 2 horas, eu já havia tirado fotos suficientes e tinha colocado minhas roupas novamente, eu senti falta delas. Eu nunca fiz muito ensaios com biquínis.

– Você foi esplêndida, como sempre, Clara. Não é mesmo, Pether? — disse Meg ao lado do estilista estranho enquanto eu colocava meus saltos no camarim.

– Sim, eu tenho que admitir, você é ótima! — disse ele com um sorriso de aprovação.

– Obrigada. — agradeci.

– Você pode ir embora agora Clara. Até a nossa próxima sessão. — disse Meg saindo com Pether.

– Até.

Terminei de me arrumar e fui procurar minha bolsa, que eu nunca lembro aonde eu a deixo.

– Clara, essa deve ser a bolsa que você está procurando. — disse Janeth docemente.

– Obrigada Jane, eu sou uma cabeça dura. — disse rindo me levantando de baixo da penteadeira.

– Magina.

Peguei de volta minha bolsa e meu celular. Querendo ou não eu estava evitando ao máximo ver meu celular, mas eu teria que acabar com tudo isso hoje.

Como previsto, havia uma mensagem, mas também uma ligação perdida do Bill. Optei pela mensagem primeiro.

"Me encontre na LA Model, essa é a sua última chance. E se você trouxer polícia ou qualquer outra pessoa junto, eu não terei misericórdia."

Novamente senti aqueles tremores e o mesmo medo de sempre invadindo o meu corpo. Mas eu iria, dessa vez eu vou descobrir quem está por trás disso, quem está brincando com a minha vida e pondo em risco a de outras pessoas também.

Eu pensei nos meus pais, pensei na Yo, no Bill, nos meus amigos, eu precisava estar certa do que iria fazer, porque eu não pediria ajuda, eu nem ao menos esclareci essa história para eles direito. Mas eu tinha evidências o bastante para achar essa situação séria. Ryan foi a gota d'água.

A música do meu celular atrapalhou os meus pensamentos me tirando do transe.

– Oi.

– Oi meu amor.

– Oi, Bill...

– Onde você está? Eu te liguei, mas você não atendeu. — disse ele com aquela voz preocupada, mas que ao mesmo tempo era carinhosa.

– Eu estou na Vanity Fair para um ensaio de fotos.

– Ah sim, desculpe ter atrapalhado.

– Não, você não atrapalha. Na verdade, eu já terminei.

– Isso quer dizer que eu posso te buscar pra gente sair? — sua voz parecia mais animada agora.

– Hm... Não vai dar. — menti segurando minha língua para não dizer a verdade.

– Porque? — ele perguntou desconfiado.

– Porque... Porque eu já marquei de sair com a Hannah. — disse a primeira ideia que veio na minha cabeça para que ele acreditasse.

– De novo? Sabe, eu gosto quando você me avisa aonde vai.

– E eu preciso avisar? — disse friamente. — Eu não costumo ser fria com as pessoas, eu sou ingênua demais. Mas quando as coisas parecem estar indo para um mal caminho, eu não posso controlar a minha raiva. — Eu só vou a um restaurante.

– É, eu acho que você precisa avisar sim! Eu me preocupo com você muito mais agora e você sabe porque. — ele aumentou o tom de voz.

– Bill, eu só vou almoçar com a minha melhor amiga, eu posso?

– Eu não disse que você não pode e você não tem que achar que eu mando em você, isso é óbviu. Mas custava ligar e dizer isso ou dizer que você está bem? Eu sempre ligo pra você, eu sinto como se você não se importasse comigo. — perguntou ele em um tom de reconciliação.

– Tudo bem, me desculpe. Mas é que esse seu ciúmes me deixa irritada ás vezes.

– Não é ciúmes, é que eu me preocupo com você, só isso. — disse ele docemente.

– Mas é ciúmes também. — disse me derretendo pela fofura dele.

– É, um pouco. — ele deu uma pequena risada.

– Eu... tenho que ir. — disse sentindo tristeza.

– Ok, se alimente bem. E me ligue depois ou se precisar de qualquer coisa.

– Eu vou ligar. — menti novamente.

– Eu te amo, Clara.

– Eu também te amo Bill. — disse com meu olhos rasos d'água sentindo um mal pressentimento em meu coração.

Desliguei o celular e não havia mais ninguém no camarim ou no estúdio, pelo o que parecia eu era a única ali. Peguei minhas coisas e sai daquele lugar correndo. Fui de táxi até a LA Model ainda nervosa com o que poderia acontecer e quando eu estou nervosa, todos os pensamentos negativos invadem minha cabeça. Mas se eu estou fazendo isso, se eu estou mentindo para todas as pessoas que eu amo, se eu estou descumprindo tudo o que prometi é porque eu tenho coragem suficiente para salvá-los.

Avistei o grandioso painel da agência em que eu trabalha e apenas pensamentos ruins vieram em minha mente. Todo aquele mísero pressentimento voltou e isso não era bom. Me senti uma louca desvairada por estar fazendo isso, mas a questão é: Eu estou fazendo isso por conta de consequências ou evidências? Espero que sejam ambos.

Sai do táxi e fiquei ali parada olhando o grandioso edifício. Não havia muitas pessoas passando por ali, e também não havia ninguém me esperando.

– Ótimo! Eu sou uma idiota por ter vindo aqui, ter acreditado nessa brincadeira infantil e mentido para o meu namorado. Isso é o que dá acreditar em um papel. — disse levantando as mãos ao céu e depois me virei para ir embora.

– Não, na verdade, você fez a escolha certa para todos! — ouvi de uma voz feminina.

Antes que eu pudesse me virar alguém colocar um pano preto em meu rosto me impossibilitando de ver e algemas nas minhas mãos. Eu fazia movementos fortes para tentar escapar mais era impossível, aquela pessoa me empurrava para frente me fazendo andar atropelando meus próprios pés.

Eu estava nervosa, com medo, suando frio. Mas mais do que isso, eu estava assustada. Eu me meti em uma tremenda enrascada. Eu senti ódio de mim mesma e daquela pessoa. Perguntas e dúvidas encheram a minha cabeça junto a pensamentos macabros. Eu comecei a chorar por estar com tanto medo e por querer fugir disso e não poder, pois parecia que o amanhã não chegaria, que aquilo significava o fim. Talvez a vida tivesse me escolhido para jogar as suas mágoas, porque eu não via mais esperança em nada.



Notas finais
O que acharam? Espero que eu tenha deixado vocês roendo as unhas de curiosidade e ansiedade porque eu resolvi não desvendar o mistério da pessoa anônima kkk Pois é, vão ter que esperar pelo próximo e também deixar reviews... Falando mais sério agora eu queria que os leitores fantasmas que leem e postam comentários só em alguns capítulos, postassem em todos porque não está sendo fácil fazer esses últimos caps recebendo tão poucos reviews, eu creio que 3 por cap eu recebo! Isso porque eu não tenho nenhuma recomendação, mas tudo bem, eu sou orgulhosa demais pra ficar pedindo, mas chega uma hora que precisa né :/ Enfim, até o próximo e espero receber mais reviews!