The Strenght Of Love
16 Culpa
Notas iniciais
(Bill)
Estúpido. Após três cigarros e lágrimas é só isso o que eu sinto. Eu não devia ter feito isso com ela, muito menos ter deixado ela ir embora desse jeito. Ciúmes, ciúmes, ciúmes... maldito. Eu nunca senti tanto ciúmes na minha vida como eu sinto dela, mas isso é idiotice. Eu preciso confiar nela, não preciso nem ao menos sentir isso. Mas porque ela não me disse sobre essas mensagens? Ela podia ter confiado em mim também, mas tudo vai ficar bem, precisa ficar. Eu não aguentaria nem pensar se ela não me perdoasse, minha vida não tem mais sentido sem ela. Sem a minha Clara.
Após quase uma hora ali parado e sentado no sofá olhando para o nada e me auto culpando ouço a porta se abrir.
– E aí Bill? Está pronto? — perguntou Tom andando em direção ao sofá junto com Georg e Gustav.
Eu não respondi. Na verdade isso não faria sentido, Tom já iria saber se eu estava bem ou não só pela minha expressão acabada.
– Bill? Você está morto? — perguntou Tom rindo.
Ele passou ao lado do sofá até ficar de frente para mim. Continuei com a cabeça abaixada olhando para o chão, tentando ver além daquilo.
– Bill! É sério. O que aconteceu? Nós estamos atrasados pra entrevista, ou você se esqueceu? É claro que sim, você nem se arrumou... — Tom se sentou ao meu lado e ficou me observando.
– Cara, quantos cigarros você fumou? 200? — Georg perguntou em um tom de indignação.
– Foram só 3... — disse sem vontade alguma.
– Longe disso... — Gustav entrou na conversa.
– Agora diz logo o que aconteceu... Foi com a Clara, só pode ser, vocês sairam o dia todo. — disse Tom com certeza.
– Eu me esqueci da... entrevista. Vou me arrumar e já volto.
Eu tinha me esquecido mesmo. Pensei que iriamos ao estúdio e agora então, do que eu iria lembrar? Minha vontade era de dormir por mil anos, não encontro vontade para mais nada hoje, tudo está muito confuso.
Subi para o meu quarto e não fiz muita questão de me arrumar direito. Só uma calça jeans preta e uma camisa qualquer foi suficiente. Lavei meu rosto para tirar todo e qualquer rastro de tristeza e arrumei o cabelo bagunçado. Quando estava saindo ouço meu celular tocar no bolso da minha calça.
– Bill?! — disse uma mulher.
– Sim, quem é?
–É a Yollanda... Eu preciso que você me diga se quando a Clara estava ai ela estava passando mal? — perguntou ela rapidamente.
– Hmm...Não. Porque? — comecei a andar de um lado pra o outro.
– Porque ela está no hospital, ela desmaiou no meio da rua! A sorte foi Hannah estar passando pela mesma rua e viu ela na calçada.
Após a notícia senti meu coração se apertar como se estivesse prestes a explodir. A culpa e a dor consumiram meu corpo por completo. Eu não acredito que fiz isso. Susurrei para mim mesmo.
– O que Bill? — perguntou Yollanda me acordando dos pensamentos.
– Yollanda, me diz que ela está bem...? — perguntei apertando minha mão prendendo o sangue.
– Não se preocupe, ela vai ficar bem... Nós não sabemos direito o que aconteceu, só que a imunidade dela estava muito baixa, então ela vai ficar aqui até melhorar totalmente. Você quer o endereço?
– Droga, eu não... não posso ir agora, tenho uma entrevista. Mas me faz um favor? — perguntei tentando fazer o máximo que eu pude.
– Claro...
– Você pode comprar rosas pra ela e no cartão colocar meu nome? Eu sei que não vai ser a mesma coisa mas... Ela precisa saber que está tudo bem entre nós, diz que eu amo ela mais que tudo porfavor.
– Eu vou fazer isso, pode deixar... Mas aconteceu alguma coisa entre vocês?
– Bill! Temos que ir! — Tom entrou no quarto atrapalhando minha ligação.
– Yollanda, me desculpe mais eu preciso ir... Até mais.
Guardei o celular no bolso novamente e desci com Tom correndo as escadas. Ele me puxou para fora e entramos no carro preto com um motorista.
Durante o caminho pude raciocinar direito sobre a notícia que eu tinha acabado de receber e não havia nada pior do que sentir o peso enorme de culpa. Se eu não tivesse deixado ela sair correndo, naquela chuva forte, nada disso teria acontecido. E é tudo culpa minha. Fiquei o trajeto todo segurando minhas lágrimas. Você consegue Bill, é só não piscar.
Eu não sabia ao menos aonde estávamos indo e nem em qual programa era nossa entrevista. Depois de meia hora chegamos ao tal programa. Descemos do carro e fomos a uma sala que mais parecia um camarim mais sem o espelho com as luzes, guiado por uma mulher.
Havia algumas frutas ali, inclusive maçãs, mas eu sou alérgico, então peguei um morango. Faltavam 5 minutos para entrarmos no programa e eu fiquei sentado sem dizer nada, apenas afundado em minha própria dor.
– Vai me dizer o que aconteceu com vocês? — Tom chegou perto de mim enquanto os outros dois estavam fazendo guerra de frutas.
– Nós brigamos. E foi tudo culpa minha... Feliz agora Tom? — disse com ódio em ter que lembrar de tudo de novo.
– Não, eu não gosto de te ver triste. Eu sou seu irmão e você sabe que...
– Vocês vão entrar agora, venham! — a mesma mulher que tinha nos guiado até aqui nos interrompeu ás pressas abrindo a porta.
Todos nos preparamos e ficamos esperando atrás da abertura por onde entraríamos no palco do programa. Ouvimos uma outra mulher dizer o nome da banda e eu fiz o meu melhor sorriso e então entramos.
Ouvimos berros altos vindo da plateia cheia de fãs com cartazes e nos sentamos no sofá em frente a apresentadora.
– Bem vindos! Sintam-se a vontade. — disse ela com um grande sorriso.
– Obrigado. — dissemos todos em uníssono.
– Bem... Como podem ver vocês tem aqui hoje uma plateia furiosa de fãs querendo saber de novidades com todo esse tempo longe dos palcos! — ela sorriu. — Então vamos para a primeira pergunta... Como está o andamento do álbum? — disse ela lendo uma resposta do seu notbook sobre seu colo.
– A única coisa que podemos dizer é que nós estamos trabalhando muito duro e em breve vocês vão ter ele em mãos! — disse sorrindo falsamente.
– Sim, mas o Georg ainda não sabe tocar baixo bem... eu sou melhor. — disse Tom rindo e depois deu uma piscadela para a apresentadora.
– Ótimo! E sobre a pergunta que não quer calar... Bill, é verdade que você está namorando a ex-supermodelo da LA Model Clara Miller?
Já era de se esperar que um dia ou outro eu teria que responder essa pergunta.... Fiquei meio consfuso por tudo o que aconteceu, mas eu a amo, e ela ainda é minha namorada.
– Hmm, sim. — disse com um pequeno riso enquanto ouvia os "Ahhhh" da platéia.
– É uma pena, não é meninas? — ela olhou para a platéia entortando a boca. — Mas e enquanto aos outros? — desviou o olhar parar Tom e os G's sorrindo.
– Eu estou namorando. — disse Georg levatando a mão direita.
– Solteiro. — disse Gustav rapidamente.
– Bom, vocês sabem, eu não sou muito de relacionamentos, mas admito que mudei, não sou mais como antes. — disse Tom.
A apresentadora continuou com uma série de perguntas e eu dei meu máximo para responde-las sem demonstrar nada de estranho ou diferente comigo. E assim eu consegui.
O programa terminou e estávamos cansados. Tiramos algumas fotos com a apresentadora e ao sairmos do programa havia uma multidão de fãs atrás de barras ansiosas para nossos autógrafos. Demos apenas para algumas e finalmente entramos de volta no carro.
– Wow! Quantas fãs! — disse Tom levantando os braços. — Não é Bill?
– É. — respondi com os braços cruzados afundado em meus pensamentos.
– O que você pretende fazer Bill? — perguntou Georg sentado inclinando-se para frente cruzando os dedos.
É isso, o que eu pretendo fazer...?
– Eu vou acabar com isso, amanhã eu vou provar para a Clara que eu me sinto culpado e agi de forma errada. E que eu a amo.
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