The Strenght Of Love
28 A Verdade e Um Pedido
Notas iniciais
Todos temos nosso próprio mundo, mesmo que estejamos vivendo em apenas um. Cada um faz da sua realidade o que bem quiser, na sua cabeça. E por mais que o meu mundo estivesse sendo esmagado, a esperança sempre estava ali, comigo. Ela era minha aliada.
Eu provei a mim mesma que finais felizes só existiam em contos de fadas e eu realmente nunca vivi um, pois por mais que nós queiramos que tudo fique bem nada está 100% como nós desejamos. E as coisas ficaram subitamente tensas entre mim e ele, entre mim e o meu mundo. Confiança nunca foi nosso forte, mas a força do nosso amor sempre foi o suficiente para nos manter vivos.
Ao chegarmos do restaurante, deixei minha bolsa sobre o criado-mudo, como de costume. Ele se sentou na cama, que estava com lençóis azuis, e eu pude perceber os músculos de seu rosto enrijecidos, ele estava sufocado com alguma coisa e ele tinha que me dizer. Chega de fingimentos.
– Nada nunca está bem, não é? — perguntei me sentando ao seu lado apenas a alguns centímetros longe.
– Porque você está dizendo isso? Agora vai ficar tudo bem. — ele disfarçou o nervosismo de seus olhos.
– Eu sei que tem alguma coisa errada, eu vejo isso nos seus olhos. — disse evitando olhar para ele.
– Porque Clara? Porque você não me disse o que estava acontecendo? — ele perguntou olhando para mim mas eu continuava encarando o chão. Se eu o olhasse eu sentiria toda a repulsa novamente, mas eu precisava me manter forte.
– Porque eu fui a culpa de tudo, a minha própria existência causou isso e eu não queria criar mais problemas. Eu queria salvá-los. — olhei de volta para Bill mesmo sabendo que meus olhos já estavam cheios de lágrimas.
– Você não teve culpa em absolutamente nada. Você lembra da nossa promessa? Clara... Você a quebrou. — ele voltou seu olhar ao chão ao mesmo tempo que seu tronco se relaxou mostrando fraqueza.
– Eu sei disso, me desculpe, mas eu não podia te contar, o que eu menos queria nesse mundo era criar problemas e eu já estava criando muitos. Você não sabe o que é odiar a própria existência pois por causa dela as pessoas sentem dor... — parei para colocar ar em meus pulmões e sentindo uma forte dor em minhas costelas por conta dos hematomas.
– Eu to tentando fazer com que você mude esses seus pensamentos, eu odeio te ver desse jeito, odiando a si mesma... Tudo o que aconteceu foi muito difícil pra mim, eu passei noites acordado pensando em onde você estaria, mas eu não te encontrei. — disse ele chegando perto de mim e me envolvendo.
– Eu também só pensava em você e se você estaria a salvo, foi por isso que eu não contei. Eu mantive segredo em troca da sua vida, ele é um louco Bill...
– Se você voltasse ao tempo, você faria o contrário? Você me contaria? — ele perguntou levantando meu rosto para encará-lo.
– Não. Eu passaria por aquilo mil vezes se fosse preciso pra você ficar bem, ele me queria e eu era a culpa. — disse com toda a verdade em minhas palavras.
– E eu não aguentaria saber que você estava sofrendo. Se eu soubesse eu faria de tudo pra te proteger, tudo. Promete que você nunca mais, nunca mais mesmo, vai esconder alguma coisa de mim? Só assim eu vou te proteger. — disee segurando meu queixo.
– Dessa vez eu prometo, de verdade. E você promete ficar bem?
– Só se você estiver bem. Temos um acordo? — ele perguntou sorrindo fazendo com que eu automaticamente sorrisse também.
– Feito.
Encostei levemente meus lábios nos dele como uma forma diferente de se fechar um contrato. Ele forçou mais sua boca sobre a minha em um beijo forte e verdadeiro me envolvendo em seus braços. Me deitou em sua cama deixando seu corpo sobre mim mas ele estava apertando minha barriga, me machucando.
– Ainda está doendo. — disse parando o beijo rapidamente e passando a mão em minha barriga.
– Eu tenho tanta raiva... Eu queria ter feito alguma coisa e isso fica na minha cabeça o tempo todo! — levantou-se rapidamente de mim e se sentou com os punhos fortemente cerrados.
– Bill não fica assim, você vai quebrar a promessa... Já passou, eu vou ficar bem. Não é você que tem que sentir culpa. — fui até ele e coloquei minha mão direita sobre um de seus ombros.
– Muito menos você... Posso ver? — perguntou virando-se para mim e olhando para minha barriga.
Hesitei em mostrar por uns segundos, mas acabei cedendo pois sabia que ele iria insistir. Tirei minha blusa e mostrei as marcas das cordas em meu ventre. Os hematomas haviam melhorado, mas ainda estavam doendo. A única coisa boa perceptível ali era o pequeno volume em minha barriga, ela finalmente estava começando a crescer, já havia 1 mês.
Bill me deitou novamente e passou as mãos sobre minha barriga e eu sentia pelo seu toque o seu arrependimento e frustração. Coloquei minha blusa novamente e fiquei deitada esperando a sua reação.
– Eu sinto muito Clara. — disse ele por fim.
– Você não tem que sentir, está tudo bem. Você percebeu? Minha barriga está crescendo. — disse sorrindo.
– Sim, isso é ótimo. Tomara que seja um menino. — brincou Bill para descontrais.
– Não, tomara que seja uma menina! — o olhei de soslaio.
Bill parou de sorrir e ficou sério. Aproximou seu rosto do meu e ficou me olhando até sorrir novamente. Me envolveu novamente em seus braços fortes e me beijou docemente. Ambos estávamos com saudades, e isso parecia não acabar nunca.
Ele parou o beijo sorrindo de uma forma maliciosa e isso significava que ele estava aprontando alguma coisa e eu queria saber o que era. Saiu de cima de mim sorrindo largamente e me encarou de longe.
– O que foi Billi? — perguntei sorrindo desconfiadamente.
– Billi? — ele riu.
– Sim! Eu não sou essa tal de "Pequena"? Pois então você é meu Billi. — disse rindo junto.
– Tudo bem, minha Pequena... E eu acabei de lembrar que eu tenho um surpresa, mas só vai ser boa se você aceitar. — ele chegou mais perto de mim ficando de joelhos sobre a cama.
– Uma surpresa? Eu quero saber... — disse ficando de joelhos também e envolvendo seu pescoço.
– Isso vai ser difícil... — ele ficou tímido desviando o olhar.
– Fala logo o que é! — exigi ansiosa.
– Clara... Eu te amo e você sabe que estamos juntos há um bom tempo e agora que você está grávida... — ele fez uma pausa para respirar.
– Sim?
Bill não respondeu minha pergunta, apenas colocou a mão em um dos bolsos de sua calça e retirou uma caixinha preta. Aquilo me deixou arrepiada quando vi, o que ele disse era verdade, ele sempre cumpre o que diz.
– Quer ser minha para sempre? — perguntou abrindo a caixinha e me mostrando um lindo anel.
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