The Strenght Of Love
26 A Descoberta
Notas iniciais
"- Porque... Porque você está fazendo isso? — disse ele atrás de mim com a sua voz falhando.
– Sabe quando você já cansou de fingir ser alguém que você não é, cansou de ser obrigada a fazer coisas na qual não quer? Eu cansei de ser controlada, há muito tempo.
– Isso é bobagem, você tem uma vida que qualquer garota deseja ter... Você tem a mim. — disse ele colocando sua mão em meu ombro.
– Não, você não sabe de nada e também não liga pra nada... Você só sabe ver a sua vida perfeita.
– 2 anos é muita coisa pra eu não ter me importado com nada.
– Porque você nunca percebeu... É graças a minha mãe que isso durou, mas você não é a pessoa certa pra mim. — continuei meu raciocínio sem mudar de assunto.
– Você sabe, Clarinha, que por mais que você tente você não vai ficar longe de mim. Nunca. — ele disse calmamente com um risada escondida.
– Você é doente.
– Por você.
– Não... Por alguém que você acredita que eu seja."
Todo mundo volta às lembranças, a um momento no passado quando vê uma pessoa ou ao sentir um certo cheiro e até mesmo de estar em um lugar. Mas essas lembranças podem ser boas ou ruins e eu não tive umas tão boas assim. Eu tive que viver bons momentos agora para poder criar verdadeiras lembranças nas quais eu me orgulhasse de lembrar, e eu consegui, mas houve momentos que criaram más lembranças também, ao menos não tanto quanto as boas.
No exato momento em que ele se revelou para mim eu soube que esse acontecimento iria, no futuro, ser uma má lembrança, mais uma para a minha coleção e o mínimo que eu poderia desejar é que tudo acabasse bem mesmo tendo um começo violento.
Eu devia ter acreditado nas palavras dele, ele iria voltar e a prova estava logo ali, na minha frente, estávamos novamente olho a olho como a muito tempo não fazíamos, desde quando eu o deixei sozinho na sala de aula do colégio ao terminarmos. Eu estava decidida a mudar tudo, porque ele era e ainda é doentio.
Eu continuei em meu estado de transe, totalmente fora da realidade, e sim mergulhada em uma fonte de memórias, tudo fazia sentido agora. Sim, ele voltou, ele nunca foi de brincar com fogo. Mas algo me agoniava... Ele não chegou até mim assim tão facilmente, não sem ajuda.
Levantei minha cabeça cansada que estava abaixada tentando encontrar forças. Meu rosto, minhas expressões estavam deploráveis. Minha barriga e costas estavam doloridas por causa das cordas, e era insuportável saber que havia uma vida em meu ventre sendo torturada sem dó.
Tomei outro choque ao olhar naqueles olhos verdes, literalmente. Ele se aproximou de mim, passou as mãos em meus cabelos enquanto eu apertava meus olhos de tanta agonia.
O local em que eu estava presa era o estúdio da LA Model em que eu costumava tirar fotos para os editoriais. As luzes estavam apagadas, apenas a fraca luz da noite vinda da janela iluminava aquele lugar.
Pelo que parecia estávamos apenas eu e ele, nenhum outro sinal de vida por ali. Eu nem cogitei a ideia de falar algo, nada iria sair da minha garganta, até ele quebrar o clima tenso entre nós.
– Quem eu sou, Clara? — ele perguntou agachado em minha frente.
Eu não respondi. Eu estava concentrada demais em tentar desviar meu olhar daqueles olhos verdes penetrantes, daquele cabelo levemente castanho. Ele não havia mudado muito, ele era bonito, mas apenas por fora.
– Diga, quem eu sou! — ele gritou e fechou os olhos tentando controlar seus nervos.
Meu coração estava a mil por hora, eu estava assustada, mas teria que falar algo, qualquer coisa.
– Eu sei quem você é. — disse nervosa e soltei um suspiro inaudível.
– Diga meu nome. — ele disse calmo dessa vez.
Eu não conseguia dizer aquele nome novamente depois de tanto tempo, isso me fazia arrepiar. Minutos se passaram e eu continuei em silêncio.
– Diga, Clara.
– Você é...
– Eu sou?
– Orlando. — disse e depois engoli saliva.
Ao pronunciar seu nome muitas lembranças vieram a minha mente. Ele sempre foi aquele típico garoto riquinho e esnobe na qual a minha mãe sempre sonhou que eu tivesse como primeiro namorado, mas as coisas eram totalmente diferentes. Ele nunca foi uma boa pessoa como ela imaginava mas eu sempre fui forçada a ficar com ele. Nossas palavras não tinham sentimentos, era tudo automático e eu nunca quis ter um primeiro namoro assim, cheio de egoísmo e falsidade. E com o tempo isso tudo se tornou doentio e o pior de tudo é que além de eu já saber o gênio mal que ele possuia é ter conhecimento de todas as coisas que ele fez comigo.
Ficamos um longo tempo em silêncio, eu tentava ao máximo olhar para qualquer coisa que não fosse aquele monstro. Eu não sabia o que fazer. Passaram-se mais ou menos 5 minutos e palmas fizeram com que nossos olhares saissem da tensão e se direcionassem para a pessoa que estava vindo, aplaudindo.
Novamente eu entrei em pânico. Quantas péssimas surpresas eu ainda teria que aguardar? Não era possível... O que ela estava fazendo aqui, envolvida em toda essa emboscada? Já era de se imaginar, não seria tanta conhecidência vindo dela afinal.
– Ora, ora... Mas que belo teatrinho de merda. Deixe-me fazer a minha cena... Hm, quem eu sou? — ela perguntou abrindo ao máximo seus olhos azuis e depois deu um risada altamente escandalosa e maligna.
– Cai fora... Você já fez o que devia. — disse Orlando olhando rancorosamente para ela.
– Não, espera... Vamos ver se ela se lembra de quem é a melhor. — disse ela olhando para mim com um sorriso irônico.
Ninguém me tira tanto do sério quanto aquela infeliz, aquela ironia dela era capaz de me fazer engoli-la viva!
– Vamos cachorra raivosa, quem eu sou? Valendo um passaporte de volta para a LA Model como faxineira, não vai perder né? — perguntou ela rindo.
– Loira Brittany Oxigênada. — disse olhando-a com raiva.
– Ha-ha... Você errou vadia, que peninha não? Vai continuar aqui, na fossa. Eu sou e sempre serei Brittany McDowell, a que está acima de você, sempre.
A cobrinha loira saiu desfilando após terminar seu show comigo. Foi até a porta do estúdio e antes de sair deu um tchauzinho de princesa. Eu fiquei me corroendo de ódio por dentro, se eu pudesse me soltar dessas cordas ela já estaria morta, com direito a caixão de ouro e um velório cheio das suas amigas cobras.
Após um tempo fui tentando me acalmar, mas era impossível. Havia tantas coisas na qual eu queria fazer e saber. Orlando me dava medo, eu nunca imaginei que ele seria capaz de tudo isso e as perguntas que rondavam a minha cabeça estavam me torturando. Eu precisava ao menos saber o porque.
– Como você soube que eu estava em LA? — perguntei com toda a coragem que havia em mim.
– Pela sua mãe. — ele disse friamente.
Minha mãe?
Não... Poderia ser qualquer pessoa, menos ela. Depois de tudo o que ela me fez sentir ela ainda teria coragem de fazer isso? Eu me negava a acreditar, com todas as minhas forças.
– Isso não é possível. — disse expirando o ar para fora dos meus pulmões.
– No começo ela mandou que eu te seguisse, porque ela tinha medo de você sozinha em uma lugar tão grande como Los Angeles. Mas... Ela foi a ajuda que eu mais queria, eu queria você de volta. Depois que você desapareceu da minha vida, eu fiquei louco. Tem ideia do quanto você me fez sofrer?! Eu te amei Clara. — ele disse e seus olhos estavam vermelhos de raiva.
– Eu não te amo e nunca amarei... — disse mostrando o nojo em minhas palavras ao mesmo tempo em que eu olhava para o chão vendo o passado.
Orlando ficou calado. Eu percebi que ele estava me olhando, mas eu não tinha coragem de vê-lo. Ele saiu de perto de mim e foi para outro lugar. Fiquei ali sozinha, me odiando. Eu queria que um raio caísse sobre minha cabeça pois eu nunca desejei tanto a morte. A morte faria com que a angústia e o desprezo da minha própria mãe, na qual eu sempre amei mesmo com todo o seu desafeto por mim, desaparecesse.
Minutos depois afundando na minha tristeza, Orlando voltou com um copo de água na mão. E eu ansiava muito por aquilo, nem que fosse uma gota, eu precisava me salvar para salvar meu filho.
– Você quer água? — ele perguntou.
– Sim, muito. — disse passando a lingua em meus lábios secos.
Ele veio para mais perto de mim e colocou o copo em minha boca me fazendo beber. A aguá escorria para fora, ele não estava sendo nada calmo.
– Porfavor, tire as cordas de mim. Isso me machuca muito. — implorei.
– Tudo bem... Mas se tentar sair por aquele porta, vai se dar muito mal. — ele disse apontando para ela.
Orlando desamarrou as cordas da cadeira e foi ficando cada vez mais frouxo até que eu pude respirar aliviadamente, sem nada apertando minhas costelas e meu ventre.
Coloquei as mãos em minha barriga e lágrimas sairam dos meus olhos. O alívio foi tanto que senti um pontinha de felicidade, tudo tinha que estar bem com a vida que eu estava carregando, eu não suportaria a ideia de isso ter afetado qualquer coisa.
– O que foi Clara? — perguntou ele arquejando rapidamente, parecia estar nervoso como um touro.
– Meu corpo está muito dolorido. — disse enxugando meus olhos.
– O seu corpo ou a sua barriga? — ele perguntou olhando fixamente para ela.
– O que você quer dizer com isso? — perguntei me afastando dele enquanto ele andava aceleradamente contra mim.
– Você está grávida sua vadia? — ele gritou andando mais rápido até me encostar na parede gelada.
Eu não respondi. Eu nunca estive com tanto medo de falar. Minhas pernas estavam tremendo tanto que eu seria capaz de cair no chão a qualquer minuto.
– Responde... Agora! — ele gritou perto do meu rosto.
– Sim. — gritei chorando desesperadamente.
– Não pode ser...
Orlando forçou seu corpo contra o meu e passou sua mão por baixo da minha blusa apertando minha barriga. Eu tentava com todas as minhas forças me desprender dele, mais ele era muito forte. Ele havia se transformado em um monstro bem na minha frente.
Comecei a gritar de dor e chamar por socorro com toda a voz que ainda me restava. Então ele colocou uma de suas mãos em meus pescoço, me impossibilitando de respirar. Minha visão já estava ficando turva e eu não estava mais conseguindo aguentar meu corpo quando ouvi um estrondo muito alto vindo da porta.
Orlando se afastou de mim e logo me puxou de volta me postando em sua frente e envolvendo meu corpo. Pegou a arma que estava em sua calça e colocou em minha cabeça me fazendo fechar os olhos pelo susto.
Outro estrondo forte veio da porta fazendo-a cair no chão e logo apareceram Bill, Yollanda, Hannah e meus pais. Eu fiquei inquieta quando os vi a salvo, eu queria muito poder me soltar, mas ele forçou mais a sua arma em minha cabeça me fazendo ficar parada com o suor escorrendo em meu rosto.
Todos estavam com as expressões sérias. Eles estavam parados diante da porta no chão, sem ação. Bill estava pior, ele parecia estar em total choque, seus olhos estavam vermelhos e rasos d'água, isso me deu uma dor enorme no coração, mas ao mesmo tempo a esperança de que tudo iria acabar bem ressurgiu dentro de mim.
– Orlando, já chega! Eu lhe imploro! — disse minha mãe ajoelhada no chão chorando desesperada.
– Não.
Ver a minha mãe na minha frente daquele jeito foi como um estaca em meu coração. Eu nem sabia como estava aguentando tudo, porque eu poderia morrer de desgosto a qualquer momento.
– Eu tenho um acordo, porfavor vamos conversar... — disse Bill com um olhar nervoso.
– Não tem acordo nenhum, tudo o que eu preciso está bem aqui. — disse Orlando apontando sua arma para mim.
– Então porque está fazendo isso? Isso não faz sentindo. — disse Bill.
– É claro que faz. Se eu não fizer isso vocês vão roubá-la de mim.
– Você é um louco! Você não manda em ninguém. — disse Esther se recompondo.
– Olha só quem fala... Não era isso o que você queria? Que eu cuidasse da sua filha? Pois bem, é o que eu estou fazendo.
– Não desse jeito! Você é um doente mental, eu devia saber desde o começo... Me desculpe Clara. — disse Esther me olhando e começando a chorar de novo.
Os olhos da minha mãe cheios de lágrimas direcionados para mim eram cheios de dor. Eu a olhei e balancei a minha cabeça negativamente e depois apertei meus olhos sentindo meu coração doer tanto que parecia estar explodindo.
– Eu não vou deixar você fazer nada com a Clara, você vai ter que passar por mim primeiro! — gritou Bill.
Após o grito de Bill, 4 policiais apareceram entrando no estúdio e foram para cima de Orlando e eu com suas armas. Orlando olhou para todos os lados com sua respiração rápida, mas estava cercado e se viu sem saída. Ele me soltou e tentou sair correndo mais um dos policiais o pegou e algemou suas mãos.
Eu continuei em pé sem saber ao certo o que estava acontecendo dentro de mim interiormente, mas tudo estava doendo. Minhas costas, minha barriga, meu coração... Minha visão ficou embaçada e eu não sentia minhas pernas. Fui transportada para uma escuridão sem fim. Ao mesmo tempo que a luz me chamava, a morte tentava apagá-la.
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