The Story of a Fallen Angel
1 Fallen Angel
Notas iniciais
Deixa eu me apresentar, meu nome é Castiel e eu sou um anjo do senhor, ou costumava ser. Sim, um anjo, você não leu errado. Essas coisas de anjos, demônios, vampiros, lobisomens e tudo de sobrenatural que vier a sua mente... acredite, isso tudo existe. Mas bem, eu não vi aqui para lhes contar isso. Vim contar para vocês a história de como eu virei um anjo caído. Tudo começou a uns anos trás, quando eu recebi a missão de ser um anjo da guarda, o que me pareceu fácil de início. Não é querendo me gabar, mas eu era o melhor soldado do céu, vivi milhares de anos, vi coisas que muitos de vocês jamais acreditariam, então, na minha mente, ser um anjo da guarda seria algo demasiadamente fácil. Nunca estive tão enganado. Mas vamos começar do início. Isso teve início em 24 de janeiro de 1979, em Lawrence, Kansas. Nessa data nascia o primogênito de John e Mary Winchester, Dean, aquele que deveria guardar. E foi o que fiz. Guardei ele desde bebê, o vi crescer, vi em 2 de maio de 1983 ganhar seu primeiro e único irmão, Samuel, ou Sam como gosta de ser chamado. Vi naquele mesmo ano, sua mãe morrer e todo a tormento de sua vida começar. Aquele garoto jamais teve paz. Tudo culpa daquele demônio que causou a morte de sua mãe, caso contrário, seu pai não teria jurado vingança, dedicando os anos seguintes de sua vida para encontrar o causador da morte de sua esposa, levando consigo os dois filhos, e marcando a vida deles para todo sempre. Vi Sam tentar uma vida normal quando foi para a faculdade, e vi a agonia nascer em Dean por não ter mais o irmão ao seu lado, lembro de ve-lo se sentir como se tivesse perdido mais uma parte sua, assim como foi na morte de sua mãe. Vi também quando Sam voltou a acompanha-lo na busca por seu pai, e mesmo depois de achar o mesmo, continuar a seguir os negócios da família, como o próprio Dean gostava de dizer. Algum tempo depois, vi eles perderem seu pai, e tomarem como incentivo o legado dele como caçador e continuarem a proteger as pessoas de todo o cunho sobrenatural que existia por terra. E bom, continuou assim até hoje, Dean e o irmão Sam, de cidade em cidade, caçando e destruindo tudo aquilo de origem sobrenatural que encontrassem. Mas não ache que tudo isso ficou fácil. Não, nada ficou fácil, na verdade, ficou muito mais difícil em varias situações. Eles perderam muitas pessoas queridas pelo caminho, deixaram muitas outras pra trás, e isso marcou demais aqueles dois garotos, mas principalmente, Dean. Tudo isso, desde a morte de Mary, teve um efeito maior em Dean, fazendo ele se transformar em um homem tão quebrado, que qualquer anjo que o visse por dentro, jamais acreditaria que todos os pedaços em que se resumiam Dean Winchester poderiam ser remendados. Era algo difícil até para mim de se ver, o quanto um homem pode ser tornar em alguém quebrado com o tempo. Muitas vezes me perguntei qual era o real motivo de eu ter que guarda-lo, se não pude fazer nada quanto a isso. Foi quando comecei a perceber que minha missão estava longe de ser fácil.
Veja, com toda a tragédia, Dean se tornou quebrado, sem convicção, sem fé, um homem descrente da própria felicidade, um homem de vícios, o vi chegar ao ponto de pensar em desistir varias vezes, única coisa que o fazia repensar sobre isso era o irmão, o maior ponto fraco dele, jamais deixaria o irmão, mesmo sabendo que esse já era crescido, e poderia se virar sem ele. Ele não podia, havia prometido ao seu pai que cuidaria do irmão, mesmo que isso lhe custasse a própria vida. Esse é o motivo de nunca ter desistido, caso contrário, já o teria feito. Mas sobre tudo isso, eu sempre estive presente na vida de Dean Winchester, sempre o protegi, o guardei, como me foi mandado. Algumas vezes me fiz visível pra ele, na pele de outros dos meus receptáculos. Eu não precisava fazer isso, mas depois de um tempo, me senti tão inútil o ajudando assim de longe, que precisei tomar essa atitude, mas também por causa do fato de querer com todas as minhas forças que ele soubesse que existia alguém zelando por ele, o protegendo, o vigiando, que ele jamais esteve sozinho, como o vi pensar em muitas situações. Me sentia cada vez mais ligado a aquele humano. Sempre tive um fascino pelos humanos, seus hábitos, sentimentos, defeitos, mas naquele humano era tudo mais, o fascino nele era maior, seus defeitos, seus vícios, mesmo que alguns me incomodassem, como o hábito de levar alguém para cama a cada cidade que passava. Esse seu desejo carnal insaciável, sempre me incomodou, mas também tinha o jeito altruísta, o sentimento protetor em relação ao irmão, tudo nele, ruim ou bom, me encantava de uma forma que nenhum outro humano que pude acompanhar de perto, mesmo que não fosse na condição de anjo da guarda, me encantou. Isso me assustou, era tudo intenso demais, mas eu não me deixei abalar, o continuei guardando, mas isso não diminuía, só aumentava, tanto que cheguei a questionar coisas que jamais achei que questionaria, como sentimentos. Fui criado ouvindo que anjos não podiam sentir, que anjos jamais poderiam provar de sentimentos, como amor, ódio, fome, tristeza, alegria, que isso era errado. Mas eu me perguntava, por que? O que havia de tão mal em sentir? Os humanos pareciam tão felizes em sentirem, mesmo que nem sempre fossem sentimentos bons, que nem sempre lhes traziam alegrias, ele jamais se faziam de rogados por poderem "sentir" e por que nós anjos não podíamos? Por que algo criado por Deus, era privado de nós, uma de suas principais criações, seus filhos?
Essas eram as perguntas que rondavam minha mente, e tudo piorou quando vi Dean começar a se privar de sentir, ou pelo menos tentar. Naquele momento foi a primeira vez que senti raiva daquele humano. Nós anjos privados de sentir, por ser algo considerado errado, e ele, tendo essa dádiva, queria se privar disso. Que humano mais egoísta, pensei comigo, e um tempo depois me arrependi, pois foi quando entendi os motivos dele. Ele não queria sentir para não sofrer mais, o dor dele era tamanha que ele só queria poder desligar os sentimentos e não precisar mais chorar, sentir o coração doer, chorar, sangrar a cada perda dele, a cada decepção, a cada pessoa que ele era obrigado a abandonar e foi a primeira vez que eu senti que queria abraça-lo, envolve-lo em meus braços e o dizer que tudo ficaria bem, que ele jamais teria que sofrer novamente, pois eu não deixaria. Que ele poderia dormir em paz, livre de pesadelos e angústias, e que poderia acordar tranquilo na manhã seguinte, pois ele sempre encontraria seu amado irmão são e salvo, livre de qualquer perigo. Nessa também foi a primeira vez que fui alertado, pelo meu irmão Gabriel, para que eu tomasse cuidado, pois estava me envolvendo demais. E eu fiz pouco caso, dizendo para não se preocupar, pois eu sabia o que estava fazendo. Lá estava eu me enganando mais uma vez. Eu não sabia o que estava fazendo, eu apenas fiz, acho que é como os humanos costumam dizer, eu apenas segui meu instinto. E segui, e quando vi já era tarde demais. Porque foi em uma dessas situações em que se segue o instinto, em que entrei em um bar que não me lembro qual em Michigan, onde Dean estava bebendo, depois de uma caçada, sentei ao seu lado, me apresentei assim como eu sabia que os humanos faziam, e me vi condenado.
Desde então, jamais consegui ficar longe daquele humano. Sempre estava por perto, o ajudava como o podia, sem entregar minha condição real, a de anjo. Até que passado um tempo, já amigos, ele me convidou, com o consentimento do irmão mais novo, de acompanha-los em suas caçadas. Era esperado que eu recusasse, já estava me expondo, me arriscando demais, porém eu fiz o contrário. E como consequência, fui me sentindo cada vez mais ligado a aquele humano. Até que um dia, depois de meses em companhia do meu protegido e de seu irmão, eu resolvi me revelar pra ele. Lembro-me bem do dia, e de como aquele dia me marcou. Era uma noite como qualquer outra, havíamos voltado de uma caçada contra um casal de vampiros que estava tentando formar um ninho, quase tendo êxito, com o Winchester mais novo como vítima, que entramos em um bar, perto do hotel aonde estávamos hospedados, que contei a verdade a ele.
Flashback on
Os dois irmãos, mais Castiel, haviam acabado de chegar de mais uma caçada. Foi um pouco mais complicada do que as anteriores, se tratando de vampiros, levando em consideração a experiência que os irmão tinham com essas criaturas, pois o plano inicial havia fracassado quando Sam havia virado vitima deles. Mas no final tudo acabou bem. Os três rapazes estacionaram o Impala no estacionamento do hotel aonde estava passando a noite e foram para o quarto. Naquela vez haviam tido sorte de estar disponível um quarto com três camas de solteiro. O Winchester mais novo se encontrava exausto, e não via a hora de poder se jogar na cama, porém seu irmão não estava assim, apesar do cansaço, queria apenas beber um pouco antes de ter que partir daquela cidade. Nem se incomodou de pedir que seu irmão o acompanhasse, pois sabia que ele não o faria. Optou pela presença de Castiel. Já era rotina que o moreno o acompanhasse nas suas idas ao bar, mesmo que não bebesse tanto como ele. O presença do moreno era agradável, um pouco vaga as vezes, mas ainda sim agradável. Se sentia muito bem perto dele, mesmo que as vezes apenas ficassem na companhia um do outro sem conversar. Tinha uma sensação de paz perto do moreno, que desde que o conhecerá, não sabia explicar. Achava estranho, mas não se incomodava com isso.
–Cass, vamos beber alguma coisa! -Dean convidou o moreno, já em pé perto da porta do quarto.
Castiel apenas concordou e acompanhou o loiro para fora do quarto, e depois para fora do hotel. Tinha um bar a poucos metros dali, então não precisavam se preocupar em pegar o Impala. O bar era como qualquer outro bar de beira de estrada, cheio de homens, a maioria deles bêbados, conversando sobre banalidades, e bebendo ainda mais. Sentaram-se nas cadeiras perto do balcão e já pediram suas bebidas. Dean pediu dois copos de uísque. Castiel gostava da bebida, mesmo que não sentisse totalmente o gosto da mesma. Gostava dos efeitos que a bebida tinha sobre seu receptáculo. E quando Castiel começava seu terceiro copo, Dean já se encontrava na metade de seu quinto copo, mas ainda estava sóbrio. Era preciso muito mais do cinco copos de uísque barato para embriagar Dean Winchester. Castiel, levando o restante de seu terceiro copo a boca, começou a sentir o efeitos da bebida em seu receptáculo. E se agarrou ao instante de coragem que a bebida proporcionou para se revelar para Dean.
–Dean!- Castiel se virou para encarar o loiro. Queria que o loiro lhe olhasse nos olhos quando fosse contar-lhe a verdade. Ele havia aprendido com os humanos que era mais fácil de acreditar no que alguém estava lhe dizendo, quando se olhava em seus olhos, diziam que dava para se ver a sinceridade nos olhos da pessoa se ela estivesse realmente falando a verdade.
–Sim Cass, algum problema?
–Eu quero lhe contar uma coisa!
–Sou todo ouvidos, amigo. Aproveita agora que vou poder me lembrar disso amanhã- Dean brincou e logo em seguida se pôs a encarar o moreno para ouvir o que ele tinha a lhe dizer. Se perdeu por um instante nos olhos muito azuis de Castiel. Olhos tão azuis que pareciam capaz de vasculhar cada canto de sua alma, pensava Dean.
–Eu sei que vai soar loucura, mas você já lidou com vampiros, demônios e até coisa pior, acho que não vai ser tão difícil de acreditar- Castiel fez uma pausa, para tentar ver algum vestígio na expressão de Dean que o fizesse calar a boca.
–Se soar loucura demais, eu faço um esforço pra acreditar, agora desembucha.
Castiel respirou fundo, parecia que a tal coragem havia simplesmente se esvaído de dentro dele. Se sentiu receoso. Não sabia se era o certo a fazer, mas viu a coragem voltar correndo quando encarou Dean, e esse o olhava como se o incentivasse a falar o que tinha para falar, que ele estava ali para ouvi-lo.
–Olha Dean, vai aparecer um pouco difícil de acreditar no que estou para te dizer, mas peço que faça um esforço para acreditar em mim. Naquela noite que te conheci, a um ano trás, não foi por acaso. Não verdade, eu não te conheci, você me conheceu, eu já te conhecia muito antes daquele dia.
–Como assim, Cass? Você precisa ser mais claro, cara.
–Eu vou ser, Dean. Como eu estava dizendo, eu já te conhecia a muito antes, desde que você nasceu para ser mais claro.
–O que? Como diabos você me conhece desde que nasci? Cara, você não está fazendo nem um pouco de sentido.- Dean olhou confuso para o moreno, e tentou encontrar algo vestígio do mesmo sentimento nos olhos do moreno, mas apenas encontrou algo que dizia convicção e... aquela bendita sensação de paz.
–Dean, eu te conheço desde que você nasceu porque eu sou seu anjo da guarda.
Nisso Dean arregalou os olhos e pareceu se engasgar com a bebida. Castiel ficou um pouco preocupado, mas viu o loiro se recuperar instantes depois. Dean o ficou encarando como se tivesse esperando que aquilo fosse uma brincadeira do moreno, mas ele ficou com a mesma expressão séria. Ele não podia estar falando sério, não é? Ele não podia ser um anjo? Até onde ele sabia anjos não existiam, ou existiam, e Castiel era mesmo um anjo, e ainda por cima seu anjo da guarda, e isso queria dizer que jamais esteve sozinho, que aquela sensação de ter alguém com ele o tempo todo mesmo que fisicamente ele estivesse sozinho era verdade? Não pode ser.
–O QUE? VOCÊ? UM ANJO? TÁ BRINCANDO COM MINHA CARA?
–Jamais faria isso Dean, e se estiver tão descrente assim, eu posso te provar.
–Que? Como?
–Qual a primeira palavra que vem a sua cabeça com anjos?
–Asas...?
Castiel apenas balançou a cabeça afirmativamente e Dean arregalou os olhos mais uma vez. O loiro ficou com receio, poderia muito bem ser uma brincadeira do moreno, e não estava afim de brincar, mas o sentimento de curiosidade era tão grande dentro de si, que apenas concordou em acompanha-lo. Os dois saíram juntos e em silêncio do bar. Dean estava se sentindo meio tonto, tanto pela bebida, tanto por causa do que Castiel havia o dito. Se sentia confuso, apesar de lidar com coisas sobrenaturais desde criança, a existência de anjos era demais pra si. Passou a vida toda não crendo em Deus, anjos ou algo de bom, para ele era demais ter que acreditar no contrário de uma hora pra outra, ainda mais acreditar que seu amigo era um anjo. Começou a se sentir nervoso quando foram chegando a um galpão abandonado a alguns metros dali. O local estava escuro e parecia que alguma coisa havia morrido ali. Dean ficou parado no inicio do galpão e ouviu o moreno se distanciar dele, e parar mais ou menos no final do galpão.
–Agora Dean, preste bem atenção. E não se assuste.
Nisso, um raio cruzou o céu, e logo depois se ouviu um trovão, o que assustou um pouco Dean, mas ele continuou fixando em sua frente. E mais um raio, e tudo se iluminou dentro do galpão. E continuou raios cruzando o céu, e os trovões faziam barulhos ensurdecedores, os poucos vidros ainda inteiros das janelas se quebraram, a pequena mesa que tinha um pouco a frente de Dean começou a vibrar, assim como o galpão inteiro parecia vibrar. Até que Dean enxergou Castiel, e arregalou os olhos de tal forma, que parecia que eles pulariam para fora a qualquer momento. Atrás dele... eram asas, sombra de asas mais precisamente, eram enormes, o dobro do seu tamanho, tanto que a sombra tomava toda a parede atrás dele. E Castiel ficou um tempo assim, com as asas abertas para que Dean pudesse ver, e acreditar nele. O loiro ficou estático e maravilhado, mesmo que não podia ver as asas fisicamente, apenas sua sombra, podia sentir a imponência delas. Até que Castiel começou a fechar as asas, os raios e trovões cessaram, o galpão parou de vibrar, e tudo se tornou escuro novamente. Dean saiu do galpão e esperou o moreno do lado de fora. Se sentia tão confuso, mas uma coisa era certa: Castiel era um anjo, seu anjo da guarda. Os dois começaram a caminhar de volta pro bar. Metade do caminho foi feito em silêncio, pois Dean ainda estava tentando digerir tudo e Castiel não queria assustar mais ainda o loiro. Mas ai o loiro começou a perguntar, e Castiel se pôs a responder. Contou que o acompanhava desde seu nascimento, e sabia tudo o que havia acontecido na vida dele. Dean perguntou porque o moreno não tinha feito nada, porque havia deixado tudo de ruim acontecer em sua vida, e Castiel explicou que ele era apenas um anjo da guarda, podia apenas protege-lo, e que não podia interferir, nenhum anjo podia, e mesmo que ele tentasse impedir, aquilo aconteceria de uma forma ou de outra, que era inevitável, pois era seu destino.
–Que destino de merda esse o meu em!- Dean sorriu tristemente ao se lembrar de tudo que havia acontecido em sua vida.
–Um destino nem sempre se resume em coisas boas, Dean. Você passou por muitas coisas, teve mais momentos triste do que felizes, mas é questão de tempo para você ter momentos felizes.
–Como você tem tanta certeza, Cass? Talvez eu não mereça ser fe...
–Dean, por favor, não termine essa frase. Todos merecem ser feliz, você principalmente. E eu tenho certeza pois sou seu anjo da guarda, eu quero e desejo o melhor pra você.
Dean sorriu como não se recordava fazer a muito tempo, foi um sorriso genuíno, não dos mais felizes, mas dos mais sinceros. A paz que sentia perto de Castiel era enorme, e agora entendia o porque se sentia tão bem perto do moreno.
–Agora eu entendo.
–O que Dean?
–Essa sensação boa, sinto ela desde o primeiro dia que te conheci. Você me traz uma paz indescritível Cass, você me dizendo que é um anjo faz todo sentido. Meu anjo da guarda. Agora vejo que quando minha mãe dizia que anjos olhavam por mim, ela estava certa. Você olhava por mim, sempre. E Cass...- Castiel passou a encarar o loiro, quando este pousou uma das mãos em seu ombro e o encarou ainda sorrindo.- Fique sempre comigo, cara!
Flashback off
Se antes, já era difícil ficar longe dele, depois desse dia, havia se tornado simplesmente impossível. Eu sempre estava junto dele, mesmo que algumas vezes não era visível ao seus olhos, mas eu estava lá, e ele parecia perceber. Um tempo depois ele contou ao irmão o que eu era, este demorou um pouco mais para acreditar, mas depois que acreditou pareceu lidar bem com isso. Continuei a acompanha-los em suas caçadas, com minha condição revelada aos irmãos, tive mais utilidade devido aos meus poderes. Sempre que Dean me chamava, lá estava eu, não conseguia fazer o contrário, ele só precisava me chamar, mal conseguia pensar em ignorar, eu já estava do seu lado, e o sorriso que dançava em seus lábios sempre que eu aparecia ajudava muito em me fazer voltar sempre que chamasse sem nem hesitar.
Lembro-me que ocorreu uma situação em que tive que voltar as presas para o céu, me ausentando por um tempo das caçadas com os Winchester. Me vi obrigado a ignorar a todos os chamados de meu protegido durante aquela época, e nunca imaginei que me sentiria tão mal por isso. Mas eu não podia simplesmente ir correndo até ele, não naquele momento, as coisas no céu estavam um caos, alguns de meus irmão estavam em pé de guerra, e outros não estavam gostando da intensidade do meu contado com os Winchester. Até que um dia, quase um mês depois do dia que voltei pro céu e não entrei mais em contato com Dean, eu o ouvi. Ele estava rezando... por mim. Enquanto meus irmãos brigavam diante de mim, eu não conseguia fazer outra coisa a não ser em focar na voz daquele humano.
"Cass, cara, o que aconteceu com você? Faz quase um mês que a gente não se vê, não atendeu meus chamados. Aconteceu algo grave cara? Porra, eu estou preocupado pra caralho com você, além de estar sentindo uma puta falta de você, anjo filho da mãe. Com exceção do Sam, você é o mais perto que eu já tive de um amigo. Cara, por Deus, entra em contato, manda uma coruja, sinal de fumaça, qualquer merda, só me avise se está tudo bem, nunca achei que poderia ficar louco de preocupação, estou parecendo meu pai. Enfim cara, mande notícias, estou sentindo sua falta, não tenho ninguém para me acompanha em algumas cervejas, já que o Sam sempre está cansado demais pra beber comigo e ser pior que uma garota para bebidas.''
O esforço que fiz para não desaparecer dali e aparecer ao lado dele foi tamanha, nem imaginava que tinha tanto autocontrole. Fiz o máximo para resolver os problemas de meus irmão e voltar a acompanhar meu protegido. Um dia antes de eu voltar, meu irmão Gabriel me chamou para conversar mais uma vez. Ele estava preocupado com a minha aproximação com o humano, dizendo que estava me envolvendo demais, que eu devia voltar a me fazer invisível para Dean, e eu simplesmente disse que não, pois agora era tarde, e que ele precisava de mim por perto, e falei para que não se preocupasse que estava tudo sobre controle. Ai ele andou até mim, parando em minha frente, pousou uma de suas mãos em meu rosto e me encarou profundamente, e aos poucos um pequeno sorriso nasceu em seus lábios. Eu não entendi e perguntei o porque dele estar sorrindo. Foi quando ele me disse com todas as palavras o mais convicto possível: Que eu estava tendo sentimentos pelo o humano. Talvez eu estava mesmo, pois eu ri da cara do meu irmão, uma risada carregada de ironia, coisa que já havia visto os Winchester, principalmente o Dean fazer varias vezes, o que aumentou o sorriso do meu irmão, e desapareceu com o meu em instantes. Sempre odiei admitir quando meu irmão estava certo em algo. E mesmo a contragosto eu admito: Ele estava certo, como eu nunca imaginava antes. Eu estava tendo sentimentos pelo humano, sentimentos intensos, confusos, mas acima de tudo, bons.
Eu me sentia realizado com aqueles sentimentos, mal pensei nas consequência que poderiam vir. Eu, um anjo tendo sentimentos, era a única coisa que importava para mim. Lembro que antes de eu voltar para o lado dos Winchester, meu irmão me disse que Dean seria minha ruina, assim como o protegido dele ameaçava ser para ele. E lá estava ele, tendo razão mais uma vez. Eu não sabia naquele instante, mas Dean seria minha ruina e meu maior feito. Depois da minha conversa com ele, comecei a tomar entendimento dos meus próprios sentimentos, meus anos observando os humanos me ajudaram muito. Via muitas das sensações que eu sentia em outros humanos. A sensação do coração acelerar, das pernas vacilarem, das mãos suarem, da boca secar, tudo isso acontecia quando estava com Dean, sempre que ele estava por perto, sempre que ele sorria, sempre que seus dedos roçavam nos meus sem intenção, sempre que me convidavam para beber, sempre que o via perto demais a ponto de sentir seu hálito quente bater no meu rosto. Tudo isso era causado por Dean, ele me fazia ter aquela famosa sensação de borboletas no estômago que os humanos diziam ter. Foi quando eu me dei conta. Eu, um anjo, estava perdidamente apaixonado por um humano. Posso dizer que meu mundo caiu quando me dei conta. Já tinha ouvido sobre histórias de anjos que havia se apaixonado, o que acontecia com eles, e o medo de acontecer o mesmo comigo me dominou. Foi quando decidi me afastar dele. E o fiz. Não atendia seus chamados, ignorava suas orações, não aparecia para ele, nem que fosse invisível. E aquilo foi doloroso para mim, mas foi o certo a fazer. Voltei a minha rotina antiga de anjo, aparecendo algumas vez quando ele já estava dormindo, para ver se estava tudo bem com ele.
Até que um dia, em meio uma caçada, Dean se feriu gravemente, um corte fundo no peito, causado pela faca usada por um demônio, o fazendo perde muito sangue, perdendo a consciência e indo parar no hospital. E sabe o que ele disse antes de perder a consciência? Castiel. Sim, ele disse meu nome antes de apagar, e aquilo foi demais pra mim. Vi Sam me chamar agoniado, com o irmão desacordado em seus braços, para que eu não o abandonasse, e aquilo me deixou sem chão, um sentimento de desespero tomou conta de mim, que se eu fosse humano eu teria me desfeito em lágrimas naquele mesmo instante. Mas não, eu era um anjo e tinha que fazer alguma coisa. Foi então que no outro dia, apareci ao lado da cama de Dean. Sam estava dormindo em uma pequena poltrona no canto e acordou logo que eu apareci. Ele me contou que Dean não havia acordado desde que deu entrada no hospital, e que o estado dele era instável, havia perdido muito sangue, então não acordaria tão cedo. Foi então que ele pediu para que eu curasse o irmão e eu disse que o faria, mas que queria ficar a sós com ele, pois devia desculpas por meu sumiço.
Fiquei olhando aquele humano desacordado, a expressão serena, ressonando suavemente, quem o olhasse assim, jamais imaginaria a desgraça que era sua vida. Toquei sua testa suavemente e em poucos instantes o vi acordar. Primeiro ele tentou imaginar onde estava, depois focou em mim. O misto de decepção e raiva em sua expressão quando colocou os olhos em mim, doeu em minha alma. Ele tinha sim, todo o direito de estar com raiva, decepcionado comigo, mas ver isso refletido em seu rosto não foi nada fácil.
Flashback on
Dean foi acordando aos poucos, se sentindo totalmente confuso. Não se lembrava de onde estava ou do que havia acontecido. Parecia que ele tinha dormido por anos. O local onde estava era muito claro, o que fez seus olhos doerem quando os abriu. Tentou ter uma noção de onde estava, até que notou estar num hospital. Caçada. Demônio. Faca. Peito. Sangue. Castiel.
–Castiel?
–Olá Dean.
–O que você faz aqui?
–Vim como estava e te curar!
–Me curar? Só agora você resolveu me ajudar? Não precisa mais- Dean falou seco e virou o rosto para encarar a janela, se bem conhecia o anjo, agora ele estaria com o rosto inexpressivo, porém os olhos, eles estaria tristes, e o que mais odiava era ver aqueles lindos olhos que Castiel tinha tristes.
–Peço desculpas por ter deixado você e seu irmão na mão, eu tive problemas a resolver, não podia atender seus chamados antes que tivesse resolvido.
–Porra cara, poderia ter avisado, pensei que havia acontecido alguma merda com você. Tá tudo bem? Resolveu o problema?
–Não, não resolvi.
–E por que está aqui?
–Porque precisava te ajudar, não podia deixar nada de mal te acontecer, sou seu anjo da guarda, o que faço é te proteger.
Castiel deu um longo suspiro e virou pra encarar a janela. Estava difícil ficar na presença do loiro com a confusão que sua mente se encontrava e a intensidade dos sentimentos que estava nutrindo pelo outro.
–Cass? Qual o problema?
–Não é nada, Dean. Eu vou resolver, não se preocupe.
–Por que será que sinto que devo me preocupar? Porra, me diz o,que está acontecendo? Que merda de problema é esse cara?
–Não é nada, Dean.
–Que inferno, Cass! O mínimo que você podia fazer depois de ter me deixado é me contar que merda está acontecendo? É tão difícil assim?
–Na verdade é, Dean, é muito difícil.- Castiel virou para encarar o loiro, com certa raiva. Estava tão confuso e Dean o questionando dessa forma, não estava ajudando.
–Por que é difícil cara?
Castiel suspirou mais uma vez. Não iria aguentar por muito tempo, e uma hora ou outra Dean iria perceber.
–Porque isso tem a ver com você!
–Comigo? Por que comigo?
–É...
–É o que? Fala Castiel.
–Que droga, Dean. É porque eu amo você, droga. Satisfeito agora?
Dean ficou sem fala. Castiel tinha tido que o amava e ele não sabia o que falava disso. O moreno ficou encarando Dean durante um tempo, e quando viu que o loiro não diria nada sobre, decidiu ir embora, já havia curado o loiro mesmo.
–Bom, já que não vai dizer nada, eu vou embora. Tchau Dean!
Dean abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Castiel já havia sumido.
Flashback off
Fiquei semanas sem aparecer. Voltei para o céu, e acabei tendo sérios problemas por revelar meus sentimentos ao Dean. Fui ameaçado de perder minhas asas por isso, e de revogarem a decisão sobre eu ser o anjo da guarda dele. Foi um custo conseguir a confiança de todos novamente, mas com a condição que se acontecesse algo entre eu e Dean, eu cairia. E pela primeira vez, cair não me pareceu tão ruim.
Nas primeiras semana, Dean pareceu não estar se importando com meu sumiço. Teve alta do hospital, e dois dias depois já estava a ativa novamente. Ele ficou ocupado com casos durante duas semanas inteiras. Mas ai ele começou a se preocupar com isso, começou a se perguntar se havia acontecido algo comigo, porque eu não tinha aparecido mais nenhuma vez, deixando até o irmão mais novo preocupado com meu sumiço. Eu ainda observava Dean algumas vezes, e notei que desde aquele dia no hospital, seus sentimentos haviam ficado cada vez mais confusos, e curiosamente eram sobre mim esses sentimentos. Eu sabia que com o tempo, Dean havia criado um vinculo comigo, ele se importava comigo assim como se importava com o irmão, sabia que os sentimentos dele por mim era totalmente fraternal, jamais imaginaria que isso o deixaria confuso. Mas deixou. E meu sumiço só piorou.
Com o passar das semanas sua vontade de caçar ia diminuindo, estava bebendo mais que o normal, se entregava a qualquer uma mais facilmente, começando a preocupar o irmão que com o tempo, não sabia o que fazer. Mas com tudo isso, algo que aumentou inesperadamente foi as orações de Dean pra mim. Eram todas as noites, com ele sóbrio ou não. Todas as noites, lá estava ele, tentando se comunicar comigo por meio de orações, se dizendo preocupado comigo, se havia acontecido alguma coisa, que sentia minha falta, que não se importava com o modo que eu gostava dele, que ainda me queria por perto. Mas uma noite em especial, Dean fez uma oração que, sinceramente, eu não esperava dele.
"Ei Cass, já faz um tempo né cara? Porra, eu sinto sua falta, anjo filha da puta, você não consegui entender isso? Eu sei que você está me ouvindo, só queria saber o porque de não me dar uma resposta, se aconteceu algo com você, ou se está simplesmente me ignorando. Acho a segunda opção mais viável. Cara, desde aquele dia no hospital, não paro de pensar no que você me disse, não paro de pensar em você, e não faço a mínima idéia de que porra está acontecendo comigo. Sei que penso em você o tempo todo, e nem sempre são pensamentos bons. Não que não sejam bons, porque ultimamente, pensar em você tirando a roupa na minha frente é algo ótimo e muito satisfatório. Só estou dizendo que não é bom porque, primeiro, eu nunca pensei isso de um homem, segundo, porque você é meu amigo, e terceiro, que isso sempre me leva algum lugar, ao banheiro com minha mão dentro da calça sendo mais claro, e cara, eu me sinto envergonhado pra caralho com isso. Não sei o que está acontecendo comigo, só sei que desde aquele dia, criei uma vontade filha da puta de você, eu quero você, das melhores e piores formas possíveis, e porra, está sendo ruim pra caralho admitir pra mim mesmo e você estar sumido. Eu só queria poder dizer isso tudo na sua cara, porque eu sei que você está morrendo de medo de ser rejeitado por mim, mas não, eu não vou te rejeitar. Ainda não consigo entender muito bem o que estou sentido por você, porque eu sou um fracasso com sentimentos, mas cara, eu sei que isso está ficando ruim pra porra com você longe. Então, anjo filho da mãe, apareça, não aguento mais, não tenha medo de mim, acho que eu me espancaria se fizesse algo pra te magoar."
Quando ele parou de falar, eu não conseguia parar de sorrir. Um ato muito humano de minha parte, mas eu não me importava, Dean tinha me feito ficar assim, mais humano, então eu jamais me importaria. Aquilo ficou na minha cabeça por dias, e nada ajudou o Dean continuar falando coisas daquele tipo nas orações seguintes a aquele dia. Até que um dia eu simplesmente não aguentei, tudo o que ele dizia, os meus sentimentos por ele e o quanto me fazia falta o contanto com ele. Foi ai que eu apareci no meio do quarto de hotel onde ele estava hospedado. Ele estava sozinho, e ficou feliz quando me viu dentro do quarto
"Eu sabia que você estava me ouvindo, anjo!"
E como ele tinha dito na oração, ele falou tudo aquilo que queria na minha cara, e um pouco mais de outras coisas. E ele fez isso tudo se aproximando de mim, e continuo a falar quando já se encontrava a centímetros de mim. Falou como se dependesse daquelas palavras para viver, e no final do seu longo monólogo, ele fez algo inesperado, mas que a tempos já era ansiado por mim. Ele me beijou. Ele me beijou, como se tivesse a vida dele em meus lábios e estava fazendo de tudo para se agarrar a eles. E depois disso não tive mais duvidas do que sentia por ele, e percebi que ele também não. E essa certeza fez com que ele se entregasse a mim, e eu fizesse o mesmo quanto a ele. As coisas que senti quando me vi sendo tomado por Dean da forma como ele disse que queria, são inexplicáveis até o presente momento. Por um momento pensei que aquela expressão "morrer de tanto prazer" fosse no sentido literal.
Tudo naquela noite foi intenso, o modo como ele me beijou, como me prensou na parede logo em segui, como me jogou na cama e me fez dele pela noite toda, o modo como seu corpo se chocava contra o meu, e o modo como disse que me amava no mesmo instante que seu corpo estremecia com o forte orgasmo. Mas a maior das coisas daquela noite foi minha constatação logo que atingi meu ápice. Eu havia caído. Caído por ter me apaixonado. Caído por causa de um humano que retribuía meus sentimentos. Caído por causa de Dean.
Me dei conta que meu irmão estava certo desde o início. Dean seria e foi minha ruína. E hoje, do lado dele, vivendo com ele, enfrentando tudo, de demônios a anjos, junto com ele, posso dizer que não poderia estar mais feliz por ter caído. Não poderia estar mais feliz por ter feito de Dean meu maior pecado. E é isso que Dean era pra mim, um pecado. Eu era perdidamente viciado naquele humano, tudo nele me embriagava, tudo nele era inebriante, tudo nele me trazia sensações maravilhosas, tudo nele me fazia imensamente feliz. E por isso que digo a todos que me perguntam o que Dean é pra mim, que ele é minha ruína, meu pecado, minha maior dadiva e minha verdadeira Graça.
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