Notas iniciais
Olá pessoas que estão lendo! Haylley Conant: https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/564x/2f/c5/78/2fc5787958e69532ad08b70e10a02394.jpg (não consegui colocar esse link no nome...kk ) Assim que os outros personagens forem aparecendo eu coloco o link deles nos nomes durante a história :) Música do capítulo: Holding a Heart - Girl Named Toby https://www.youtube.com/watch?v=diWyGA__f2U

“Estou correndo por corredores escuros e estreitos, as paredes sangram e há gotas de sangue que caem em mim, meu longo vestido negro se manchando com todo aquele sangue e a única coisa que quero é sair daqui. Ainda consigo ouvir os gritos da minha mãe, a risada detestável daquele homem detestável, o choro de uma criança inocente corrompida pela tortura infligida pelos homens sem coração, a lamentação de uma garota parada no tempo que não envelhece, não vive apenas imagina o porquê da sua alma ter sido arrancada tão brutalmente... o corredor se abre em uma sala e é ai que eu grito.”

Acordo de súbito, olho para os lados e vejo que meus meios-irmãos ainda dormem. O chalé é bastante escuro para saber, mas penso que daqui a um tempo amanhecerá. Levanto-me silenciosamente de minha cama e me dirijo ao banheiro, acendo as luzes e olho para o espelho, uma garota de olhos arregalados me devolve o olhar, lavo o rosto para melhorar minha expressão e me acalmar. Normalmente, isso funciona quando o faço depois de acordar de mais um pesadelo do qual o final desconheço e não sei se quero conhecer. Olho-me novamente. Já estou com uma expressão melhor.

Minha aparência pode ser considerada normal (pelo menos para mim, uma pessoa nem um pouco normal). Tenho longos cabelos escuros, grandes olhos castanhos claros, lábios rosados, um nariz fino, dentes alinhados, maçãs do rosto altas, pele clara, estatura média e um sorriso sarcástico que aparece nas raras vezes em que sorrio, não dou um sorriso de verdade há muito tempo.

Volto ao “quarto” * em silêncio, e pego no baú em frente a minha cama um conjunto de roupas e retorno ao banheiro. Depois de fazer minha higiene me visto: coloco uma calça jeans preta, um cinto preto de taxas, uma blusa preta, meus dois colares simples que nunca tiro (um fica escondido sob minha blusa), minha jaqueta preta e uma ankle boot preta de salto. Diferente dos outros (até mesmo dos meus meios irmãos, que às vezes resolvem usar) não uso a blusa laranja do acampamento. Ás vezes, até penso que por pirraça já que me disseram para usar a maldita da blusa um milhão de vezes. Quanto ao salto, já me criticaram muito, mas calei a boca de todos quando mostrei ser muito capaz de lutar e ainda vencer de salto, então agora ninguém me fala mais nada quanto a isso (não que eu permita também). Ajeito meu cabelo e volto para o “quarto”, pego minhas armas (que não são poucas) na cômoda ao lado da minha cama e saio do chalé.

Sigo em direção à praia, (já que o sol está nascendo e gosto de assisti-lo de lá e por que também a essa hora quase ninguém está acordado), analiso a lâmina da minha espada de ferro estígio, eu realmente preciso afiar essa lâmina, devolvo-a em seu lugar no meu cinto e me sento em uma duna de areia.

Acho que me esqueci de falar sobre alguns fatos sobre mim, coisas simples como meu nome. Portanto vou começar por ele. Me chamo Arya Blackwell, nem sempre me chamei assim, mas o que importa é o presente e, portanto, ninguém precisa saber como me chamava... Tenho 16 anos aparentemente e morava em uma pequena cidade do Colorado antes de vir para o Acampamento Meio-Sangue há uns 11 meses. Sou uma semideusa filha de Hades, e sou emancipada desde os 14 anos já que meu pai abandonou minha mãe algum tempo depois de eu ter nascido (apesar de que versão contada pela minha mãe dizia que meu pai havia sido morto em batalha, mas isso foi descartado quando descobri que meu pai é um deus, portanto imortal e o mais aceitável passou a ser o abandono mesmo). Já minha mãe foi assassinada quando eu tinha 7 anos, o período entre meus 7 e 14 anos é um segredo meu tão bem guardado que ninguém nunca poderia descobrir. Não acho que alguém mereça saber sobre os piores e mais dolorosos anos da minha vida, os motivos por eu nunca ter um sono tranquilo apenas um mar de pesadelos onde eu me afogo mais e mais toda noite ao cair no sono. Quando nasci? Isso com toda certeza não é relevante. Minha idade já é suficiente (não que ajude a descobrir a data de meu nascimento). Sou inteligente, apesar da dislexia e de ter passado algum tempo sem estudar. Sou boa em lutas também, muito boa na verdade. Falo algumas línguas, já que fiz questão de estudá-las, além da minha língua materna que seria o búlgaro. Bem, talvez isso seja o principal a se saber sobre mim, e se não for, eu certamente não pretendo falar mais nada.

Observo o sol aparecendo no horizonte, sinto a brisa fresca e o cheiro de água do mar batendo contra o meu rosto. Isso não deveria acontecer, mas estar aqui, na praia, de algum modo me acalma, fecho os olhos e deixo a luz do sol banhar minha pele exposta (que não é muita) e me permito um pequeno momento de alegria interna, e até um pequeno sorriso que não chega a ser uma sombra do sorriso que tinha antes mas também não é o sorriso sarcástico que possuo agora.

Ouço a concha soar ao longe. Abro os olhos e me levanto, espanando a areia das minhas roupas e seguindo em direção ao refeitório pensativamente, fazendo o caminho de modo automático, mas, como não possuo muita sorte, esbarro em alguém.

Olho para cima irritada, e quando vejo quem é me irrito mais ainda. Tyler Armstrong, o filho de Zeus mais idiota do acampamento (o único filho de Zeus idiota na verdade, não tenho nada contra seus irmãos), e infelizmente o mais lindo: ele possui olhos azuis, cabelos escuros, pele bronzeada...

— Olha por onde anda – Tyler diz para mim.

— Olhe você por onde anda – digo, pousando minha mão, na espada. – E saia da minha frente que você não é de vento, apesar de eu não poder dizer o mesmo do seu cérebro.

— Tá com pressa, caveirinha, passa por cima – ele me encara com um sorrisinho idiota me desafiando a fazer algo como passar mesmo por cima, sorrio sarcasticamente, fervendo por dentro por causa do apelido incomodo.

— Foi você quem pediu – Antes que ele pudesse reagir já havia retirado minha espada e feito um corte em seu rosto. Novamente, antes da sua reação dou uma rasteira por trás fazendo com que ele caia no chão – não me desafie quando estou com raiva – digo, e “passo por cima” dele, depois disso sigo para a mesa de Hades sem me importar com os olhares em minha direção. Nenhum deles é amigo meu então pouco me importa, às vezes eu me importo. Na verdade, converso mais com meus meios-irmãos do que com qualquer um aqui neste acampamento.

Sento-me ao lado de Haylley e ela me cumprimenta:

— Bom dia Arya... Saiu cedo do chalé hoje...

— Novamente – Dylan interrompe, o que faz com que Haylley olhe irritada pra ele, e ele se cale logo em seguida.

— Aconteceu alguma coisa? – Ela termina olhando para mim.

— Não, só queria ver o sol nascendo – digo colocando algumas torradas no meu prato. Estou mentindo miseravelmente.

— De novo? – pergunta Nico e, quando olho para ele sem entender, ele continua – você já acordou cedo tantas vezes para “ver o sol nascendo” que já deve ter gravado a imagem, quer dizer, já é a milésima vez que você nos dá essa mesma desculpa, tem certeza que foi só por isso que acordou cedo? – Mordo o lábio inferior, olho para os três e paro de colocar coisas no meu prato e no meu copo.

— Sim, eu só... gosto está bem? Eu gosto de ver o sol nascendo e não me importo se é a milésima vez que faço isso ou não – Volto minha atenção para o meu café, resolvo não fazer a oferenda aos deuses hoje, enquanto tomo meu café ouço meus irmãos conversando até que:

— E o que foi aquilo com o Tyler, hein Arya? – Haylley pergunta fazendo Nico e Dylan olharem para mim e para ela.

— Não foi nada. Ele disse “tá com pressa, passa por cima” então eu dei uma rasteira nele e passei por cima, mas foi ele quem disse – digo inocentemente e os garotos riem, mas Haylley revira os olhos e continua:

— Vocês se amam – ela diz, o que faz com que eu paralise com a mão segurando a torrada a caminho da boca.

— O que disse? – digo entre dentes, coloco a torrada intacta de volta no prato.

— Vocês se amam – Ela cantarola enquanto Dylan faz barulho de beijos. Isso é muito nojento, e Nico que estava apenas observando agora está rindo.

— Não fale bobagens Haylley e Dylan isso é nojento. Vocês são loucos – digo me levantando sem terminar o café da manhã – Estou indo treinar, vocês vêm? – olho para os três, mas apenas Nico se levanta, Haylley e Dylan balançam negativamente a cabeça.

Haylley não tem a aparência esperada de um filho de Hades, quero dizer, se alguém me visse com Dylan e Nico diria que somos irmãos já que nossos cabelos tem a mesma cor, apenas nossos olhos têm cores diferentes: os de Nico são bem mais escuros que os meus, na verdade os dele são negros e os meus castanhos claros (mas já mencionei isso) e os olhos de Dylan são dourados eu tenho inveja disso. Já Haylley, se eu a visse antes que fosse reclamada nunca diria que ela é uma filha de Hades, ela possui cabelos loiros e olhos castanhos chocolate, mas é uma boa irmã apesar de tudo e não tenho nada a reclamar quanto a isso.

— Você não devia ligar para as brincadeiras deles – diz Nico enquanto saímos do refeitório.

— Eu sei... Mas eles sabem que não gosto disso – olho para Nico – Eles sabem que eu o odeio.

— Você sabe que nós não a conhecemos tão bem, sabemos muito pouco sobre você. Nunca nos conta nada e tudo o que sabemos diz ser o necessário. Você precisa confiar mais em nós e quanto ao ódio, alguém já me disse que não é bom para um filho de Hades guardar rancor ou ódio de alguém.

— Me desculpe Nico. Eu sei que eu não conto nada para vocês, mas isso não é por que não confio em vocês é por que não me sinto preparada para falar sobre mim.

— Certo, eu entendo. – ele sorri e vejo que já chegamos à arena – vamos treinar!

Notas finais
PS: Na roupa da Arya o colar de coração é o que fica escondido. "quarto" * = seria a parte do chalé onde ficam as camas, não pensei em um nome melhor pra definir, já que se eu colocasse chalé ia ficar estranho, pois em nenhum momento a Arya sai dele (pelo menos não antes de se vestir). Espero que tenham gostado, perdoem qualquer erro e até o próximo cap. bjs de morango :D