The Story (of Us)
16 Capítulo 16
Notas iniciais
E por facor, deixe review :)
Quando saímos de minha casa tínhamos um táxi à nossa espera. Antes de entrarmos puxei a mão de Diana para que ela parasse.
- Agora a sério. O que tens planeado? – Tento que a minha voz soasse firme e séria mas estou a tremer, creio que de nervosismo. Algo em mim me diz que está prestes a acontecer alguma coisa.
Diana olha para mim com alguma indecisão. – O que interessa agora Angelina? Queres ficar mais um dai fechada no teu quarto a lamentares o facto de não estares com o Jared? É que por mim chega. – Fico surpreendida ao ouvir Diana. A voz dela, essa sim, soou séria. Já era tempo de ouvir isto.
- Por isso é assim, ou vens comigo e divertes-te. Ou então vais passar o teu Verão sozinha nesta casa e deprimires porque eu não vou ficar para assistir à tua queda. O que escolhes?
Largo o pulso de Di e desvio o olhar. As lágrimas queriam vir mas o meu peito está demasiado apertado para isso. As minhas mãos tremem assim como o meu quarto. Percebo que a minha amiga está certa. Eu estou a cair. Sinto-me uma fraca e não quero aperceber-me da realidade: perdi Jared.
- Já percebi. Tenho de ultrapassar os meus dilemas e continuar com a minha vida. Já o fiz antes e consegui. Esta vez vai ser igual.
É a verdade. Já ultrapassei o abandono do meu pai, da noite com o Afonso … Por muito que custe vou ter se superar também.
- Vamos divertir-nos Diana.
Ela ri e abraça-me. Sussurra-me ao ouvido – Ainda bem amiga. Agora vamos!
Num ápice, já estamos a caminhar novamente para o táxi. Diana está literalmente aos pulinhos de felicidade.
- Não te vais arrepender. – Um sorriso triunfante aparece no seu rosto.
- Eu sei que não. – Digo depois de um longo suspiro. Espero ter tomado a decisão certa.
****
Após termos pago ao senhor saímos do carro e apercebi-me onde estávamos.
É uma discoteca na Baixa. O sítio está tão apinhado que a fila cá fora chega a ultrapassar a esquina.
- Está cheio, não pudemos ir a este.
- Nã nã. Espera aqui que já vais ver.
Assim fiquei. Diana dirige-se até à entrada. Desvio o olhar por segundos e a multidão espalha-se por aqui. Alguém ou alguma coisa chamou-lhes a atenção e estão agora aos gritinhos e aos pulos em volta disso. Sou empurrada para trás pelas pessoas. Acabo por me afastar dali. Deixei de ver Diana.
Mas que porra! Só me faltava mais isto! Penso furiosa.
- Boa-noite. – murmuram-me. Antes de conseguir virar-me e perceber de quem se trata sou fortemente agarrada e puxada dali para fora. Tapam-me a boca com a mãe. Rodeiam-me os braços trás das minhas costas, pelo que, não me consigo libertar apesar da resistência. Quando sou solta já avançamos o suficiente para deixar de ouvir os gritos da multidão e de ver o letreiro vermelho do bar.
Estamos num beco preto sem nada nem ninguém. Apenas um candeeiro ilumina pobremente o sítio. A luz é tão fraca que não percebo onde está a pessoa que me arrastou até aqui.
Se antes tremia, agora estou apoderada com o medo.
- Parabéns. – Um vulto preto toma agora lugar à minha frente. Os seus olhos brilham de raiva e talvez de brincadeira. Reconheço-os. O meu corpo gela e a forma do rapaz já me é completamente visível. – Vamos lá fazer desta uma noite inesquecível.
Angelina Off – Jared On
Algum tempo antes
O comboio parara finalmente. Após alguma espera podemos sair do comboio.
Não foi preciso muito para saber onde estava. À minha frente estava uma placa a dizer: BEM-VINDO A PORTUGAL
- Mas que raio Shannon!? – Gritei a alto e bom som, furioso com a surpresa do meu irmão. – Trouxeste-me a Portugal!
Pela cara dele pude perceber que já estava à espera desta reacção. – Uau! Sabes ler português. Quem diria.
- Estou com cara de quem está a gozar?
- Tem lá calma Jared. – É Jenna. – Não te passes já. Deixa o teu irmão explicar.
Viro-me para Shannon de braços cruzados. – Já avançavas sabes…
- Não faças birra. Só viemos aqui para te divertires um bocado e talvez espaireceres. Esquece tudo por um momento. Já tinha dito antes.
- És burro ou quê? Estamos em Lisboa – Tinha acabado de reparar na ponte vermelha sobre o rio – e ela vive aqui. Porque é que fizeste isto?
Ponho as mãos atrás da cabeça. Sinto-me aflito e inexplicavelmente com o peito apertado. Angelina ocupa novamente os meus sentimentos.
E é bom, muito mesmo. Mas estar aqui faz realçar a dor, o nó que tenho no coração e que me impede conscientemente de voltar a Lisboa, encontrá-la e nunca mais me separar. Agora já estou em Lisboa, meio caminho andado não é?
Pus as minhas mãos atrás da cabeça e comecei a dar voltinhas desorientado. Metade de mim estava eufórico a outra metade estava pronto a ter um ataque de fúria.
- Tem calma bro’. Eu vou fazer de DJ num bar, podes ficar no backstage se quiseres.
- E o que é que te garante que ela não vá estar lá. – Depois repensei. Angelina não me deve querer ver. E provavelmente foi esperta e avançou com a sua vida.
Shannon demorou um bocadinho a responder — Primeiro, ninguém sabe que vou a este bar. Sou um convidado mistério. Segundo, esta cidade é enorme, achas que ela não tinha outro sítio onde estar?
- Agora vamos ou chegamos atrasados. – Jenna e Shannon seguraram nos meus abraços e empurraram-me até ao Jipe preto que estava à nossa espera.
Era suposto entrarmos pelas traseiras mas para isso tínhamos de passar de carro pela entrada. Era suposto. Mas não deu. Havia imensa gente. Ouviam-se gritos. Olhei pelo vidro e vi imensos cartazes. “WE ♥ SHANNON” e “BE MY SHANNIMAL”
- Com que então convidado mistério, hun?
Percebi pela expressão dele que estava tão surpreso como eu. – Isto não era suposto. Alguém deve ter descoberto, sei lá.
- Estás a pensar fazer o quê? – Pergunta Jenna.
- Bem, talvez se avisar o segurança possamos sair já aqui.
- Boa ideia. Mas como? Ah… Espera aí, já sei. Eu vou lá. Falo com o segurança e digo que estás aqui. Abre-se um espaço por entre a multidão e vocês entram depois de uns autógrafos.
Jenna já se preparava para sair do carro quando Shannon lhe agarra o braço e fá-la recuar.
- Não gosto dessa ideia. Já viste a quantidade de pessoas pelas quais tens de passar? Ainda te agarram ou magoam, é muito arriscado.
Vi os olhos dele brilhar e os dela também.
- Oh por amor de deus. Beijem-se logo que perdem menos tempo! – atirei. Os dois pareceram incomodados e apenas em uníssono disseram
- JARED!
Revirei os olhos e tentei encontrar uma solução para sair dali. Maldita a hora em que me enfiei no comboio com estes dois apaixonados.
Jared Off — Shannon On
Tentei ignorar o comentário do meu irmão. No entanto acho que corei ligeiramente mas consegui disfarçar. Já Jenna estava mais vermelha do que sei lá o quê. Fica adorável assim… Mas isto é assunto para outra hora.
- Tenho uma ideia.
Saco do telemóvel e marco o número.
- Estou Diana? É o Shannon… — Falei-lhe da nossa situação. Para que isto funcionasse tinha de desvendar a Jared algumas coisas. – Okay, até já. – Desligo o telemóvel.
- Resolveste? – Pergunta Jared já irritado.
- Sim. Daqui a alguns minutos já estará um corredor pronto para nós passarmos mas até lá tenho que te dizer uma coisa.
Jared posicionou-se mais para a frente, para perto de nós. – Estou a ouvir.
- Então é assim, já sabes que quero que resolvas este teu problema.
- Eu não tenho problema nenhum! – Reclama ele.
- Não sejas cabeça dura! Sabes muito bem que estás com problemas em ultrapassar esta coisa da Angelina. Estás apaixonado. Não tentes desmentir. – O meu tom perde toda a paciência. É altura de fazer o meu irmão ouvir. – Pelo que eu sei ela está a sofrer com isto tudo.
- E achas que eu não? Acordo todos os dias a pensar que perdi a única cosia boa que entrou na minha vida. Eu nunca senti aquilo antes Shan, e era tão bom. – Jared luta para se controlar. Sinto pena dele, está mesmo abatido. — Mas por causa da minha vida, de tudo o que está à minha volta, tive de largar uma coisa única. Eu não a mereço e Angelina não merece as complicações da minha vida. Não a iria arrastar para esta vida sem paz.
Não sabia o que lhe dizer. A dor de Jared é mais profunda do que imaginava. Ele acha que evitou o sofrimento da Angie, mas em vez disso está a causa-lo a ele e sem saber também a ela.
- Escuta Jared – Jenna interviu. Apesar de ele não estar virado para nós e de parecer não ligar, ela continuou. – Não podes martirizar-te. Existem formas de resolver isto porque não à nada que o amor não possa ultrapassar.
Ele manteve silêncio.
- Irmão, tenho que te dizer uma coisa. Há uma razão para estarmos aqui hoje, em Lisboa, em Portugal. Quero que resolvas a tua vida e deixes de pensar que não podes ser amado. Porque podes. Angelina também sofre por não estar contigo. A vossa dor é mutua, assim como o vosso amor.
Sinto a atenção dele. – O que queres dizer Shannon?!
- Vocês podem estar juntos, podem resolver isto. Esta noite. Eu e a melhor amiga dela, a Diana, combinamos – Sou interrompido pelo meu irmão que sai do carro sem dar explicações. A multidão não dá por ele que já se esgueirou pela escuridão da noite.
Jenna põe a sua mão no meu ombro – Deixa o ir Shannon. Ela vão voltar, vais ver.
- Espero que sim. Se ele não voltar não conseguiremos juntá-los.
Pois, o plano era este. Diana trazia Angelina e eu encarregava-me de Jared. Juntava-mo-los de novo e desta vez eles rendiam-se. Acabavam-se os dias deprimidos, os olhares vazios. Tudo ficava bem. Mas agora, o que vou fazer?
- Olha Shannon. A multidão afastou-se e já podemos sair.
- Está bem. – Digo ainda preocupado com o meu irmão. Ele já é crescidinho mas sabe se lá o que lhe vai na mente.
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