The Story of Evil
1 O Demônio da Gula.
Notas iniciais
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Olá, sou Riliane Lucifen d’Autriche, tenho sete anos e moro com a minha mãe e meu irmão. Segundo a mamãe, papai morreu.
Eu sou clara, possuo lindos olhos azuis-claros, tenho cabelos loiros, lisos e curtos, levemente inclinados nas pontas. Tenho uma franja que sempre prendo em elásticos brancos.
Uso, praticamente, todo dia um grande laço branco em minha cabeça. Juntamente com o laço, uso um vestido amarelo rodado que bate em meus joelhos, que tem mangas um pouco longas com as pontas pretas e uma fita preta amarrada à cintura. As bordas do vestido são feitas de renda, com o fundo preto. Às vezes, coloco um laço preto grosso próximo ao meu pescoço.
Eu tenho um irmão gêmeo — que já citei anteriormente — Alexiel Lucifen d’Autriche. Como gêmeo, ele tem o cabelo do mesmo tamanho que o meu, por isso, o prende em um rabo-de-cavalo pequenino. Tem lindos olhos azuis, iguais aos meus e cabelos loiros. Também tem uma franja, mas o mesmo não a prende. Ele usa, na maioria das vezes, uma blusa cinza-escuro grande, com mangas que iam até suas mãos, com calças longas cinza-escuro e sapatos da mesma cor. Pelas longas peças, dava a impressão de todas serem uma só. Ele também usa um laço preto, só que o dele era fino. Ele gostava de me chamar de Rinny e eu o chamava de Leny.
Morávamos em uma casa modesta com nossa mãe, Anne Swee. A nossa casa ficava perto de um porto. Mamãe, que tinha cabelos loiros, assim como nós, sempre nos deixava brincar no quintal na hora do pôr do Sol. Sempre dizíamos que íamos ficar ali, mas, na verdade, íamos para o nosso lugar secreto perto da praia.
— Vamos! Vamos, Rinny! — Gritava meu irmão, apressando-me, enquanto corria.
— Vá mais devagar, Leny! — Pedia para ele. Não corria muito bem.
— Se não, não vamos chegar a tempo de ver o pôr do Sol!
Eu tentei correr mais rápido.
— Estou correndo o mais rápido que posso! — Gritei, enquanto corria.
— Rinny,cuidado com a pedra! — Alertou Alexiel.
Não vi uma pedra e tropecei, fazendo um estrondo.
— Ai! — Gemi, enquanto ia ao chão.
— Rinny! — Gritou meu irmão, correndo para me ajudar.
Eu desabei em lágrimas, havia machucado meu joelho. Ele sangrava.
— Rinny, você está bem? — Preocupou-se o loiro, já ajoelhado.
— Dói...dói muito! — Realmente, estava ardendo demais. E a areia em cima do machucado não estava ajudando.
— Está tudo bem,com certeza é apenas uma brincadeira do perverso pôr do Sol. — Disse, tentando me consolar.
Limitei-me apenas a sorrir e a parar de chorar um pouco.
— Como vou parar o sangue? — Perguntou meu irmão a si mesmo.
Ele, de repente, fitou meu laço com os olhos azuis brilhando.
— Sim... — Disse ele, desamarrando o laço.
Eu cessei meu choro totalmente e o observei.
— O que você está fazendo, Leny?
— Vou usar seu laço para estancar o sangue. — Explicou. — Agora, você vai ter que me deixar amarrar em seu joelho.
— V...vai doer? — Perguntei, com medo.
— Não vai, confia em mim!
— T...tudo bem...
Ele começou a amarrar a fita em meu joelho — que já havia parado de sangrar —. Eu fechei meus olhos com força, e, na verdade, nem doeu muito.
— Pronto! — Disse Alexiel.
Eu sorri.
— Nós devemos voltar pra casa logo, antes que escureça. — Eu disse.
— Está certa... — Disse pensativo. — Mas, talvez ainda possamos ver o pôr do Sol! — Sorriu.
— Então, vamos! — Falei, já me levantando.
— Cuidado com esse joelho, Rinny. — Alertou meu irmão.
— Eu estou bem, sério.
— Mesmo assim! — Alexiel brincou.
Olhei para um lago, no qual estávamos próximos e avistei, ao longe, um ser esquisito. Aparentava ter uns dois metros de altura, era vermelho e usava uma longa capa.
— Alexiel... — Apontei para o outro lado do lago, onde se encontrava o ser.
— Mas o quê?
O ser aproximava-se, agora, dava para ver que ele usava uma cartola — também vermelha — e longas roupas. Pelo visto, era um Demônio e ria sarcasticamente.
— Deixe-me engolir vocês para dentro da minha negra barriga, então nós poderemos brincar juntos! — Disse o Demônio.
— Nós devemos voltar pra casa logo, antes que sejamos comidos. — Alertou Leny, então, saímos correndo.
Corremos, corremos, até que encontramos uma caixa de areia, na qual nos escondemos. Mas, infelizmente, já era noite, e a nossa caixa foi envolvida pela escuridão. Fechamos sua tampa e acendemos uma vela que Leny sempre carregava.
— Leny, eu estou com medo! — Disse tremendo.
— Não tenha medo, mana. — Ele me envolveu em seus braços. — O Demônio não vai encontrar-nos.
— Mas e a mamãe? Ela deve estar preocupada conosco.
— Explicaremos para ela, acredite, vai ficar tudo bem! — Ele parecia bem mais desacreditado que eu.
— Ok...
Ficamos em silêncio, até que uma voz assustadora e grave o quebrou:
— Crianças, onde estão? — Gritou o Demônio, do lado de fora da caixa.
— O que faremos? O que faremos? — Perguntei, assustada e lacrimejando.
— Eu...não sei... — Gaguejou meu irmão.
Continua...
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