The Story of Evil
3 A Separação.
Notas iniciais
Riliane Povs
Passamos a noite ali. Era bem assustador. A cada 1 hora, um de nós acordava para ver se ainda estávamos seguros.
— Que horas são? Ainda estamos seguros? — Perguntei, acordando.
— Deve estar tarde. Chuto umas três da madrugada. Estamos seguros, pode voltar a dormir.
E dormíamos de novo.
–
Acordei já de manhã. Umas 5 horas. Leny ainda estava dormindo. Era impressionante ver como ele se parecia comigo. Às vezes, penso que os gêmeos nascem porque o Pintor dos Céus está sem ideias.
Havia esquecido o motivo de estarmos ali. Até que. . .lembrei-me; iam me levar para algum lugar desconhecido, longe do meu irmão. Segurei com força as lágrimas que insistiam em querer cair. Não sabia se suportaria alguma coisa sem ele.
— Rinny, o que foi? — Perguntou meu irmão.
— H-Há quanto tempo estava acordado?
— Desde cedo, por que?
Não acredito! Ele me enganou, fingindo estar dormindo. Esse. . .
— Nada, nada...
Eu sou boa em fingimentos, pois ele acreditou.
— Sobre aquilo lá. . .eu não vou deixar ninguém levar você. — Ele disse convencido.
— Eu estou certa disso. — Sorri.
— Já ia me esquecendo! Ainda tenho de lhe contar o segredo, não é?
— Conte! Conte!
— Existe nesse oceano, há muito tempo, uma lenda secreta. Escreva seu desejo em um papel e o coloque em uma garrafa. Deixe-a ser levada pelo mar, e, um dia, esse desejo se tornará realidade.
— Uau. . . podíamos tentar, qualquer dia.
— É...
Ficamos em silêncio, até que ele foi quebrado por. . .nossa mãe!
— Riliane, Alexiel, aí estão vocês! — Gritou ela, correndo em nossa direção.
Como ela havia nos achado? E agora? Tinha um homem do lado dela, ele era loiro e estranhamente parecido com Leny.
— M-Mamãe, quem é ele? — Perguntei.
— Ele... — Ela começou meio receosa. — Ele é o pai de vocês.
Ficamos chocados, totalmente. 100 % chocados. Ele era nosso pai? Aquele que havia morrido?
— Mas você disse...
— Eu sei o que eu disse. Eu menti.
Corrigindo: 200 % chocados.
— P-Papai? — Perguntamos.
— Sim, sou eu. — Respondeu secamente.
Corremos com lágrimas nos olhos para abraçá-lo. Fazia tanto tempo que ansiávamos aquele momento, que havíamos esquecido aquele assunto. Porém, assim que o abraçamos, ele nos afastou com repulsa.
— Não toquem em mim! — Ordenou raivoso.
— M-mas. . .p-por que? — Perguntei.
— Não vim para demonstrações de afeto. Vim para levar você, Riliane! — Ele apontou para mim, com um olhar firme.
— E-Eu?! Mas...
Meu irmão se pôs na minha frente.
— Não interessa se você é nosso pai, ou não! Não vou deixar você levá-la! — Disse meu irmão.
— Saia da frente, Alexiel, ou vou deserdá-lo! — Gritou.
— Não me importo! Você não vai levá-la!
Minha mãe só acompanhava tudo calada e cabisbaixa.
— Pois bem! — Ele me pegou pelo braço e me levantou.
— ME SOLTA! ME SOLTA! — Gritei me debatendo, sem obter nenhum sucesso.
Ele me colocou em seu ombro e saiu me levando. Eu batia em suas costas, gritava e chorava, mas nada adiantava.
— RINNY! — Gritou meu irmão.
— LENY! — Gritei de volta.
Alexiel ia avançar em nosso “pai”, mas a mamãe o segurou. Meu pai me colocou em uma carruagem, trancando a porta. Fiquei olhando meu irmão pela janela, enquanto ele acompanhava a carruagem com os olhos. Ficamos assim, até nos perdermos de vista. Aquele havia sido o pior dia da minha vida. Ou, pelo menos, achava que havia sido.
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