The Story of Evil
5 A Cadeia(Rin).
Notas iniciais
Riliane Povs
Perdi meu irmão de vista. Virei para frente, mas logo olhei para a janela, evitando contato visual com meu pai. Nunca o perdoaria depois daquilo. E eu ainda não sei por que ele me separou de meu irmão.
Notei que tínhamos entrado na vila e rumávamos a um castelo. Ele era lindo! Não acredito que vou morar ali! Talvez eu... Não, não. Foco, Riliane, foco. Nada vai me fazer mudar de ideia.
— E então, filha? O que está achando da vista? — Perguntou meu pai, mudando de postura imediatamente.
Eu o ignorei e continuei prestando atenção à janela.
— Olhe para mim quando eu estiver falando com você! — Ordenou, pegando meu braço e apertando.
— Está... Machucando... — Gemi.
Ele me soltou e virou a cabeça para o outro lado. Meu braço havia ficado vermelho e estava doendo muito.
Finalmente, chegamos. O cocheiro logo desceu e abriu a porta para meu pai, e depois para mim. Estava frente a frente ao castelo. Ele era maior de perto. Nós dois entramos e parecia uma sala do trono.
Ela tinha o chão todo dourado, as paredes eram creme, as cortinas eram vermelhas, haviam cadeiras cuidadosamente posicionadas por todo o cômodo, um tapete vermelho que cruzava o salão e dava ao trono. No trono, tinham alguns degraus vermelhos e duas grandes poltronas. Para completar esta beleza, ainda tinha um lustre branco de cristal pendurado ao teto, com várias velas. E ainda tinha alguns detalhes em ouro nas paredes. Era a coisa mais linda que eu já havia visto na vida! O teto era a melhor parte. Era oco e feito de mármore. Era decorado por finas tiras de ouro puro. Assim, descrevendo, não parece tão legal. Mas, pessoalmente... Este castelo devia ser adicionado às Sete Maravilhas do Mundo. Se bem que, se fosse adicionado, seriam Oito Maravilhas. Haviam três empregadas de cada lado do longo tapete vermelho, e elas estavam fazendo uma reverência. Tinham, também, homens que pareciam soldados tocando cornetas. Provavelmente, estavam anunciando a nossa chegada.
— Kasane, — Chamou meu pai. — Leve Riliane para o quarto.
— Sim, senhor. — Disse uma garota, se aproximando. — Venha comigo, senhorita.
— C-Claro.
Eu a segui por um corredor extenso, com milhares de salas. Móveis luxuosos por todos os lados, tudo muito sofisticado.
A Kasane era bem bonita. Tinha a pele clara, cabelos ruivos presos em marias-chiquinhas incomuns e olhos rubros. Os cabelos presos eram enrolados, formando dois parafusos. Ela também tinha uma franja, mas era mais “rebelde”. Usava um uniforme branco que mais parecia um de uma enfermeira e tinha uma tatuagem no braço. Estava escrito 04, em vermelho. Ela me levou até um quarto, no final do corredor.
— Sou Kasane Teto, senhorita. — Apresentou-se.
— Riliane Lucifen d'Autriche.
— Você deve ser a filha do senhor Lucifen.
— Sim, sou. — Concordei.
Silêncio.
— Este é seu quarto. — Ela me deixou dentro e já ia saindo.
— Espere!
Ela parou imediatamente, como se estivesse esquecido uma coisa muito importante. Rapidamente, reverenciou-se a mim.
— Perdoe-me, senhorita! — Pediu. — Prometo que nunca mais irá acontecer.
Ela saiu, me deixando sozinha no enorme cômodo. Olhei em volta e também era bonito.
Suas paredes eram brancas, havia quadros de flores pendurados, uma penteadeira feita de madeira frente à porta, e uma cama dossel creme, com dois criados-mudos ao redor, também de madeira. Caminhei até a penteadeira e observei-a.
Ela tinha um espelho simples, várias gavetas na mesa, plantas exóticas em vasos, algumas frutas em potes e uma cadeira confortável. A mesa e a cadeira eram de madeira, mas, ainda assim, muito bonitas. Corri até a cama e me joguei. Ela também era muito confortável. Tinha quatro travesseiros creme na cama — um por cima do outro —, a colcha era creme com uma faixa no meio e era macia.
O quarto era iluminado por abajures posicionados nas paredes e nos criados-mudos. Talvez eu pudesse reconsiderar ficar aqui... Não! Não! Não vou!
— Por que estou aqui? Eu não entendo. Quando vou voltar para casa? Quando... — Meus pensamentos foram interrompidos pela porta se abrindo. Era meu pai.
— Riliane, você vai ser princesa. — Disse, de repente.
— E-eu? Princesa? — Quê?
— Isso.
Isso só podia ser brincadeira. Ainda estava tentando digerir tudo.
— Q-Quando eu vou ver o Alexiel? — Perguntei. Essa era a única coisa com que eu me importava no momento.
— Você nunca mais verá aquele menino.
Choque, raiva, tristeza. Era o misto de sentimentos que eu estava sentindo. Nunca mais veria o Alexiel? Que história é essa?! Impossível!
— O-O quê?
Ele se virou e estava indo embora. Naquele momento, a raiva tomou conta de mim e, agindo por impulso, dei um merecido soco na cara dele. Pareceu doer, pois ele colocou a mão no lugar. Não sabia que era assim tão forte. Ele olhou para mim com raiva e agarrou meu braço.
— VAI SE ARREPENDER! — Gritou, me puxando pelo longo corredor. Ele começou a apertar mais e mais. Eu estava chorando. Quando passamos por algumas empregadas, elas olharam para mim com pena e abaixaram a cabeça.
Ele me levou até uma escada ao lado do trono. Empurrou-me às escadas e entrou também, fechando a porta. Acendeu um lampião que estava no local e me puxou até o final da longa escada. Quando finalmente chegamos, ele me levou a uma série de salas. Agora havia entendido. Era um calabouço. Arth me jogou em uma sela qualquer e trancou a porta. Levantei-me rapidamente e tentei, em vão, abrir a porta.
— Não adianta. Vai ficar aqui por três dias. E então, vai se comportar. — Disse, saindo.
O lampião era a única fonte de luz, fora as tochas presas às paredes ameaçando apagar.
Quando fora embora, meu pai levara o lampião, e tudo ficou escuro novamente. Com a fraca luz das tochas, pude ver o olhar de deboche dos outros prisioneiros. Afastei-me das barras de ferro e me encostei-me à parede. Alexiel... O que será que você está fazendo?
— Vamos! Vamos, Rinny! — Gritava meu irmão, apressando-me, enquanto corria.
–-
Não vi uma pedra e tropecei, fazendo um estrondo.
— Ai! — Gemi, enquanto ia ao chão.
— Rinny! — Gritou meu irmão, correndo para me ajudar.
Eu desabei em lágrimas, havia machucado meu joelho. Ele sangrava.
— Rinny, você está bem? — Preocupou-se o loiro, já ajoelhado.
— Dói... Dói muito! — Realmente, estava ardendo demais. E a areia em cima do machucado não estava ajudando.
— Está tudo bem, com certeza é apenas uma brincadeira do perverso pôr do Sol. — Disse, tentando me consolar.
–-
— Leny, eu estou com medo! — Disse tremendo.
— Não tenha medo, mana. — Ele me envolveu em seus braços. — O Demônio não vai encontrar-nos.
— Mas e a mamãe? Ela deve estar preocupada conosco.
— Explicaremos para ela, acredite, vai ficar tudo bem! — Ele parecia bem mais desacreditado que eu.
— Ok...
–-
— Vamos dividir o crepúsculo entre nós dois. — Falamos juntos.
— Eu serei o dia — Falei.
— Eu serei a noite — Leny falou.
— Quando nós dermos as mãos, formaremos um lindo céu alaranjado.
Ah, Alexiel. A essa altura, muitas lágrimas haviam escorrido. Meus olhos viraram cachoeiras.
— Riliane, Alexiel, aí estão vocês! — Gritou nossa mãe, correndo em nossa direção.
Como ela havia nos achado? E agora? Tinha um homem do lado dela, ele era loiro e estranhamente parecido com Leny.
— M-Mamãe, quem é ele? — Perguntei.
— Ele... — Ela começou meio receosa. — Ele é o pai de vocês.
Ficamos chocados, totalmente. 100 % chocados. Ele era nosso pai? Aquele que havia morrido?
— Mas você disse...
— Eu sei o que eu disse. Eu menti.
Corrigindo: 200 % chocados.
— P-Papai? — Perguntamos.
— Sim, sou eu. — Respondeu secamente.
Corremos com lágrimas nos olhos para abraçá-lo. Havíamos esquecido aquele assunto. Porém, assim que o abraçamos, ele nos afastou com repulsa.
— Não toquem em mim! — Ordenou raivoso.
— M-mas... P-Por quê? — Perguntei.
— Não vim para demonstrações de afeto. Vim para levar você, Riliane! — Ele apontou para mim, com um olhar firme.
— E-Eu?! Mas...
Meu irmão se pôs na minha frente.
— Não interessa se você é nosso pai, ou não! Não vou deixar você levá-la! — Disse meu irmão.
— Saia da frente, Alexiel, ou vou deserdá-lo! — Gritou.
— Não me importo! Você não vai levá-la!
Minha mãe só acompanhava tudo calada e cabisbaixa.
— Pois bem! — Ele me pegou pelo braço e me levantou.
— ME SOLTA! ME SOLTA! — Gritei me debatendo, sem obter nenhum sucesso.
Ele me colocou em seu ombro e saiu me levando. Eu batia em suas costas, gritava e chorava, mas nada adiantava.
— RINNY! — Gritou meu irmão.
— LENY! — Gritei de volta.
Alexiel ia avançar em nosso “pai”, mas a mamãe o segurou. Meu pai me colocou em uma carruagem, trancando a porta. Fiquei olhando meu irmão pela janela, enquanto ele acompanhava a carruagem com os olhos. Ficamos assim, até nos perdermos de vista.
Este havia sido o pior dia de minha vida. Havia anoitecido. A sela era muito fria. Sem muitas opções, me encolhi em um canto e dormi, chorando.
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