The Story Never Ends.

27 Learning To Breathe Again.


Notas iniciais
*Aprendendo A Respirar Novamente. Hey Guys. Bom, chegamos enfim no último capítulo! E eu pensei em tantas coisas para falar pra vocês, meus queridos leitores que acompanharam desde o início de The Story Never Ends, eu sou muito grata a todos que fizeram minha fanfic se tornar real. Eu não esperava chegar no último capítulo assim tão rápido, e confesso até que vou sentir falta de escrever e pôr todas as minhas ideias em prática. Eu sou tão grata a vocês. Quero agradecer por todos os comentários que são mais de 100, em 27 capítulos. Terminamos The Story Never Ends com, 8 favoritos, 11 acompanhamentos, 2 recomendações, 100 reviews e mais de 1.8K de views ♥ Quero agradecer a cada uma de vocês que dedicou um pouco do tempo para prestigiar a fic de maneira direta ou indireta, juntos nós chegamos ao final. Música: Por Que Te Vas - TINI. Boa Leitura ♥

Te prometo no llorar, esperarte y no olvidar.

Regálame un último beso que me haga soñar.

Y este grito de dolor, nunca callará este amor.

Prefiero vivir esperando a aceptar que estas.

Alguns Dias Depois.

Geral.

O dia em Buenos Aires havia amanhecido gélido com uma garoa que caia num barulho relaxante, o céu cinza sem nuvens o diferenciava das outras manhãs de costume, era um dia diferente. Angeles olhava pela janela atentamente a fina garoa, pensativa, bebericava seu café morno sentindo-o descer lentamente pela sua garganta, se indagava em como o tempo havia passado tão rápido tornando sua vida antes estável uma verdadeira reviravolta. Mordeu o lábio inferior com força, embora aparentasse tranquilidade, por dentro tinha em si uma mistura de sensações irritantes a qual não conseguia controlar, não hoje.

Colocou sua xícara repousando na escrivaninha, e analisou seu quarto sob a baixa luz da manhã com algumas caixas arrumadas em um canto do mais importante que levaria consigo de mudança para França, tinha tantas lembranças com German ali. Não poderia esquecê-las tão rapidamente como gostaria, suspirou caminhando até a cama onde algumas poucas peças de roupas esperavam serem guardadas nas duas malas rosês ao lado, cuidadosamente foi as guardando repetindo pra si mesma que possivelmente seria bom mudar, queria veementemente acreditar nisso, que essa mudança a traria paz que sua alma precisava.

Seus olhos bateram no porta-retrato rosa muito especial em cima do criado-mudo, o pegou com carinho e não pôde evitar um pequeno sorriso triste ao ver na foto German, Violetta e ela abraçados logo no primeiro jantar quando chegaram do Qatar. Passou os dedos afagando a foto, só seu coração sabia o quanto almejava que tudo voltasse a ser como antes.

Entretanto depois de hoje, dificilmente tudo voltaria a ser como era. Hoje era o dia de sua partida para França, o dia que pegaria cada um de seus caquinhos e tentaria a força se reconstruir, precisava ficar bem. Agora mais do que nunca pois tinha um filho a caminho que precisaria muito dela.

Balançou a cabeça afugentando tantas nostalgias que insistiam em apoderar-se de si justo hoje, logo tratou de guardar com cuidado a foto em sua mala, agora já terminada, fechou a mesma sentindo um nó em sua garganta. Engoliu em seco, qualquer que choro, estava decidida a não chorar por nada que envolvesse essa situação desgastante. Definitivamente ia esquecer German de uma vez por todas, e colocaria, por fim um ponto final numa história de amor dolorida, mas como poderia se carregava um pedacinho dele dentro de si? Algo que fizeram juntos enquanto se amavam?

Angie seguiu lentamente para o banheiro, parecia processar tudo o que aconteceria hoje, no final do dia já estaria em território europeu onde sua mãe a esperava para ajudar-lhe com tudo que precisasse durante os primeiros meses de adaptação, fechou os olhos apreciando a água morna que caia em seu corpo. Embora não quisesse chorar, aquilo estava sendo uma tarefa árdua só pensar em tudo o que deixaria aqui, não tinha certeza se sentia-se pronta para deixar principalmente sua sobrinha a qual lutou tanto para ficar ao lado. E ali em seu banho, permitiu-se chorar por alguns minutos que fosse, agora não tinha mais certeza de nada.

Terminou o banho mais aliviada, um peso imenso havia saído de cima de si, seguiu para o quarto enrolada na toalha branca e vestiu uma lingerie da cor da pele, ficou em frente ao roupeiro observando-o vazio com uma única peça de roupa que havia separado na noite anterior para a ocasião.

Vestiu um vestido azul-escuro liso de mangas que batiam em seu pulso, era gola alta com botões grossos da mesma cor que iam no máximo um pouco acima de sua cintura, também era levemente rodado e ia até acima de seus joelhos, vestiu por baixo um meião preto, calçou botas over na cor preta, e finalizou com um macio cachecol azul para se proteger do frio. Deixou seus cabelos loiros com cachos nas pontas caindo pelos ombros como de costume, e fez uma maquiagem leve dando-lhe um aspecto natural.

Foi para frente do espelho fitando-se, virou de lado com os olhos verdes fixos em sua barriga e a afagou cheia de amor, era perceptível o volume que tinha aos três meses, por sorte com o vestido solto numa cor escura não se percebia tanto, soltou a respiração que nem sabia que prendia e sorriu singela como há alguns dias não fazia.

— Mal posso esperar para te pegar no colo meu amor, sei que não está sendo nada fácil esses últimos dias, mas vamos recomeçar. Apenas eu e você, com uma vida incrível pela frente.

Murmurou ainda fazendo um carinho em seu ventre.

(…)

German havia acordado cedo, entretanto não conseguia se levantar, ficou quieto na cama quentinha ouvindo a chuva fraca que batia contra o vidro de sua janela, fechou os olhos querendo esquecer que dia era hoje, não estava preparado para o que viria a seguir. Sua mente o encheu de dúvidas se tinha feito o certo em agir daquele modo com ela, ou até mesmo se queria deixá-la partir. Balançou a cabeça pensando no quanto Angeles merecia ser feliz com alguém que a amasse de verdade, e seria egoismo da sua parte deixá-la em Buenos Aires só porque não poderia viver sem nem ao menos saber dela, saber que estava em casa a dois quarteirões da sua ou no Studio dando aulas, sentia-se mais seguro assim.

Angeles o dava segurança.

Pegou o caderninho de capa prata que havia dormido ao seu lado, iria guardá-lo até o fim de sua vida, estavam escritos os votos de seu casamento que provavelmente deveria ocorrer próxima semana, sentiu raiva de si mesmo por ser um completo idiota, tinha tomado suas decisões e deveria arcar com a consequência que elas traziam. Optou por um relacionamento estável com Esmeralda, afastando Angie para léguas de si, tinha que lidar com o peso que essa decisão estava o causando. Fitou a hora no seu celular, já era tarde. Precisava levantar para levar Violetta até o aeroporto. Não era nem capaz de descrever o tanto que isso tinha afetado a filha, e ele sabia que era o culpado.

Rumou para o banheiro deixando que a água gelada levasse todas as lembranças que tinha com ela, a mulher da sua vida, a única que amou verdadeiramente. Não pôde evitar um sorriso involuntário ao lembrar do quanto foram felizes aqui, embora que por pouco tempo, tinha guardado lembranças maravilhosas de tudo que viveram.

Após terminar o banho, foi até seu closet optando por uma blusa social preta, um jeans escuro e sapatos sociais, saiu de seu quarto pensando no que faria pra que Violetta ficasse bem depois da partida da tia que tinha como mãe.

Desceu as escadas vagarosamente, indo até a mesa onde encontrou sua filha com um semblante murcho apoiando o rosto nos braços, com seu desejum intacto ainda em seu prato. Suspirou, com a culpa o dilacerando cada mínima parte de seu corpo. Como viveria assim?

— Bom dia, Vilu.

German cumprimentou a filha com um beijo demorado em sua bochecha e sentou-se ao seu lado.

— Bom dia… — Respondeu com a voz arrastada pelo desânimo, já sabia o motivo de sua evidente tristeza.

Pra ser sincero, também sentia-se igual com a ida dela pra França. A casa não seria a mesma sem Angeles rindo, cantando, conversando ou simplesmente estando quieta na cama o fazendo companhia. Tudo mudaria depois de hoje.

— É hoje, pai.

Violetta comentou tristonha o olhando brevemente, tirando o pai de seu devaneio. German confirmou em silêncio.

— Sim, é hoje.

Repetiu sentindo seu coração apertar, aquilo estava o machucando por dentro tanto quanto a Violetta. Era uma situação complicada para os três, só que evidentemente não falaria nada para não deixá-los pior. Sim, ele se incluía, não queria que a realidade fosse tão dura.

Te quiero tanto amor.

No sabes o cuanto amor.

Por qué te vas?

Angeles Saramego.

— Por que você fez isso?

Questionei recuperando minha respiração ainda em seus braços.

— É a sua última noite aqui, e eu queria te fazer algo especial. Quando disse que ia te fazer a mulher mais feliz do mundo, não estava brincando. — Nós rimos.

Lhe dei um selinho.

— Além de que, uma vez você me disse que daria tudo para dormir olhando pras estrelas, sei que não é bem isso que você queria mas temos uma vista linda do céu aqui no terraço. — Murmurou.

Olhei para o céu me surpreendendo ao vê-lo todo estrelado, era perfeito demais.

Voltei minha atenção para ele, encostando nossas testas novamente.

— Era exatamente isso que eu queria meu amor. — Sussurrei compassada. – Obrigada.

— Obrigado você por ter trazido cor a minha vida novamente, eu te amo demais Angeles. — Sussurrou contra meus lábios. Sorri o mordiscando.

— Também te amo.

…..

Fechei meus olhos numa tentativa falha de conter as lágrimas quentes que desciam pelo meu rosto com essa última recordação, estava quebrada de tantos modos diferentes que não sabia se seria possível me consertar. Eram demasiadas lembranças me engolfando de uma vez só, por que partir estava sendo tão dolorido? Apesar disso, procurava as respostas dentro de mim para entender como tudo tinha mudado tão repentinamente da água para o vinho.

O relógio marcava nove quando eu já esperava o táxi na calçada que me levaria para o aeroporto internacional, olhava minuciosamente minha casa me questionando pela milésima vez se isso era o certo a se fazer, poderia ficar aqui em Buenos Aires para meu bebê ficar perto do pai e da irmã ou poderia ocultar tudo e ir para a França tentar começar de novo, esquecer tudo que vivi ao lado de German, haviam lembranças nossas por cada esquina. De qualquer forma as duas hipóteses por mais tentadoras que sejam me fariam arriscar.

Não eram mais só meus sentimentos que estavam em jogo.

Minha cabeça latejava com tantas dúvidas incessantes, não poderia recuar agora, depois de tudo o que houve entre nós, a única certeza que tinha era que não poderia viver no mesmo lugar que German. O táxi buzinou e um homem aparentando seus trinta e poucos anos saiu de dentro com um sorriso amigável, se aproximou de mim segurando minhas malas.

— Bom dia, moça. Onde quer ir?

Questionou me olhando.

Ponderei por um segundo hesitando em falar, a partir do momento que pisasse na aeroporto não teria mais volta. Passei os olhos novamente pela minha casa.

Um vento gélido bateu contra mim, arrepiando-me. Sabia o que teria de fazer.

— Aeroporto Ezeiza, por favor. — Afirmei com um sorriso.

Ele me ajudou a colocar minhas malas no carro e entrou.

Após uma última olhada, entrei no carro sem entender o motivo de tanta hesitação quando tinha tomado essa decisão há muito tempo.

Encostei meu rosto no vidro da janela, observando a paisagem urbanista durante todo o trajeto que passava rapidamente diante de mim. Uma lágrima solitária rolou sobre meu rosto, e tratei de secá-la, lá no fundo eu sabia que estava perdendo uma parte importantíssima de mim.

Por que olvidaste las razones para estar aqui?

Por que olvidaste las palabras que queria decirte?

Ya me dijeron que te olvide, que el tiempo te cure y sigue.

Pero tú sigues aqui.

Ezeiza’s Airport.

Andei compassada pelo hall do aeroporto movimentado, desviando de pessoas apressadas, cada passo que eu dava um pedacinho meu se desfazia com o vento, como se estivesse deixando uma parte de mim aqui, e de fato estava. Perto da loja de conveniência, vi um rosto conhecido, sorri grande ao ver que Pablo tinha vindo se despedir de mim. Aproximei-me dele, que ao me ver abriu um sorriso triste.

— Achei que não ia vir!

Brinquei sorrindo de lado, Pablo passou a mão pelo rosto como se tivesse limpando algum vestígio de lágrima.

— Ah minha linda, como eu poderia não vir me despedir de você? — Indagou me puxando para um abraço forte.

— Você vai fazer muita falta por aqui…

Murmurou baixo afagando meus cabelos, mordi o lábio com força contendo as lágrimas, como eu sou sensível. Não pude evitar um soluço, Pablo sempre ia ser meu melhor amigo, meu irmão que nunca tive, era muito importante pra mim que tivesse vindo me apoiar. Nos separamos com sorrisos chorosos.

— Eu trouxe isso pra você.

Afirmou baixo retirando do bolso um lindo relógio de pulso dourado, arregalei os olhos reconhecendo o objeto.

— É lindo, mas não posso aceitar Pablo. — Neguei colocando minha mão em seu ombro.

Pablo segurou as lágrimas com um sorriso triste, me cortava o coração saber que eu era o motivo para que estivesse assim.

— Pode sim, quero que ele fique com você. Esse relógio era do meu avô, ele me deu dizendo que eu tinha que dar para uma mulher muito especial, a mulher que eu amasse. — Explicou com a voz embargada, e eu sorri carinhosamente com os olhos marejados.

— Essa mulher é você Angie, ele está com os ponteiros quebrados. — Fez uma pausa e riu sem graça, limpando as lágrimas que caiam em seu rosto.

— Mas é assim que meu coração vai ficar enquanto você não estiver aqui. Parado no tempo até meu último dia, te esperando.

Senti uma lágrima quente descer pelo meu rosto, não demorei a secá-la. Tinha prometido a mim mesma que seria forte.

— Não posso ficar com ele. É muito importante para você. — Comentei.

Pablo segurou minha mão e o colocou ali a fechando novamente, ele beijou a palma da minha mão.

— Por isso mesmo, você é muito importante pra mim. É seu. — Pablo me abraçou mais uma vez, rodeei meus braços envolta do seu pescoço.

— Obrigada por tudo. É muito importante pra mim. — Murmurei com a voz embargada pelo choro contido.

— Te amo, meu amigo.

— Também te amo.

Ao nos separamos, Pablo levou suas mãos ate meu rosto afagando com a ponta de seu polegar e o segurou firme, depositando um beijo demorado na minha bochecha e eu fechei meus olhos por breves segundos aproveitando seu carinho, nos separamos com sorrisos tristes. Ele olhou para o lado e eu o acompanhei ficando surpresa ao ver German nos observando sério, com minha sobrinha que tinha uma carinha desanimada.

Meu coração palpitou forte como se fosse sair do peito. Por um minuto imaginei que talvez fosse minha mente brincando cruelmente comigo, mas ao ver que não senti que nossa história nunca tinha acabado realmente. Ou talvez eu não quisesse que acabasse aqui.

Violetta tentou sorrir segurando as lágrimas e veio ate mim, me abraçando forte. A envolvi nos meus braços afagando seus cabelos macios, sem acreditar que nos separaríamos porque eu tinha escolhido esse fim. O fim que me levaria pra longe de todas as mentiras, mágoas, brigas, de tudo que achei ter superado.

Mas que principalmente, me levaria pra longe de Violetta, a quem eu prometi a Maria que cuidaria como minha filha.

— Não acredito que você vai mesmo, não queria que tudo fosse dessa forma.

Sussurrou chorosa contra mim.

Ter Violetta chorando em meus braços, me fazia mais uma vez duvidar que tomei a decisão correta. Dilacerava-me em milhões de pedaços.

Minha mente continuava me questionando se eu fazia o certo, a verdade era que até agora não encontrei respostas para o que ia fazer. Mesmo tendo pensado durante semanas. O que eu menos queria era vê-la sofrendo.

— Eu te amo Angie, você sempre foi e continuará sendo minha pessoa, minha mãe que sempre cuidou de mim. A pessoa mais forte que já conheci até hoje, eu quero que seja muito feliz na França, só por favor não se esqueça de mim.

Pediu ainda chorando. Meu coração se apertou, Violetta era tudo que eu mais amava na vida. Como poderia deixá-la? Permiti que as lágrimas rolassem fortes por toda a extensão de meu rosto, não adiantava lutar contra.

— Eu nunca, nunca mesmo vou esquecer de você meu amor. Vamos nos falar sempre está bem? Não fique triste, eu vou ser uma tia super chata e vou te ligar todos os dias. — Brinquei chorosa, ela riu triste confirmando com a cabeça.

— Te amo, minha bonequinha.

Nos separamos e eu notei seu rostinho vermelho por conta das lágrimas. Com certeza o meu não deveria está diferente. Me aproximei dela, e com a pontinha dos dedos sequei seu rosto perfeito.

— Não chore. Isso não é um adeus Vilu. — Afirmei afagando seus braços.

— Eu vou está sempre com você, quando precisar de qualquer coisa vai poder me ligar não importa a hora. Te prometo.

Tentei sorrir para tranquilizá-la, depois de tantos desencontros, esse foi o pior. Me separar de Vilu me doía de mil formas inexplicáveis.

Violetta assentiu me abraçando novamente, a envolvi como uma criança pequena fortemente, céus como eu ia sentir falta dela. Beijei o topo de sua testa demoradamente e nos separamos. Fitei German incerta, o que faríamos agora? Meu coração implorava por um abraço, meu corpo todo almejava está envolvida em seus braços fortes novamente, enquanto minha mente gritava em alto e bom som para que eu só saísse dali direto para o portão de embarque.

Nós vivemos tantas coisas lindas que eu simplesmente não conseguia sair assim, precisava dele, o amava como se meu peito fosse explodir com tantas emoções fervendo. Nossos olhares se encontraram pela primeira vez em muito tempo, arfei puxando ar, um tanto perdida. Ignorei tudo o que minha mente dizia, todas as barreiras que existiam entre nós, e as mágoas. Todo meu corpo pareceu criar vida própria e caminhei até ele lentamente sem desviar meu olhar do seu.

Por um minuto, parecia que existia apenas eu e ele naquele imenso aeroporto barulhento. O mundo lá fora, as pessoas, os ruídos, nada mais importava nesse momento. Eu não estava pronta para dizer adeus. Não ainda.

Ya me dijeron que el amor no mata.

Pero sí te duele, y es que duele tanto.

Que por dentro mueres, no me importa nada se tu no me quieres.

Y aunque ya te fuíste, quiero que te quede.

Geral.

Te prometo no llorar, esperarte y no olvidar.

Regálame un último beso que me haga soñar.

Y este grito de dolor, nunca callará este amor.

Prefiero vivir esperando a aceptar que no estas.

Angeles mantinha o olhar fixo em German, outra vez sentiram seus corações baterem num mesmo ritmo embora estando longe, ele por hora decidiu esquecer-se e tudo que havia passado nas últimas semanas entre eles e de como só se distanciaram assemelhando-se a desconhecidos. Ela era tudo o que ele tinha, não poderia deixá-la ir pra outro continente, entretanto também não poderia exigir que ela ficasse na Argentina só porque ele queria. Angie procurava em seus olhos algum arrependimento, ou algum motivo que a fizesse ficar.

Inesperadamente ele a abraçou pela cintura, mesmo conhecendo o corpo de Angie de cima a baixo, cada centímetro, não percebeu que agora ela se encontrava diferente, que carregava um filho dos dois. Angie envolveu os braços no pescoço de German como costumava fazer, aquele gesto tão simples que sempre a trazia paz, unindo seus corpos que ansiavam por aquele contato tanto quanto eles próprios. Naquele momento foi como se a bagunça de sentimentos que existissem dentro dos dois se acalmasse, era ali onde deveriam estar. Angeles aspirou profundamente o cheiro amadeirado de German se inebriando, o mesmo passou a ele que aproveitou o doce perfume de morango que vinha dela o máximo que pôde.

Tinha que confessar que sentiu saudades de tê-la em seus braços, só ela era capaz de acalmar seu coração conturbado. Por ser teimoso não poderia admitir em voz alta, mas ver o amor da sua vida indo embora desse jeito, abria uma enorme cratera dentro de si. German sentia que sempre ia faltar algo para que sua vida estivesse completa. Era como se Angeles tivesse arrancado seu coração com suas mãos e fosse levá-lo com ela. Doía tanto ao ponto de ser essa sensação desesperadora.

Ambos não queriam se soltar, sabiam que aquele seria o último contato que teriam. Aceitar essa separação exigia muito custo dos dois.

Angie tentou controlar sua respiração descompassada, de modo que seu coração fosse fugir do seu peito a qualquer momento, se aproximou um pouco mais diminuindo a pouca distância cruel que os separava, encostou sua testa na dele sentindo suas respirações mesclarem virando uma só. German observava atentamente cada movimento de Angie, retirou as mãos de sua cintura levando até seus braços e os segurando delicadamente por cima do tecido, temendo que não pudesse manter o autocontrole ali mesmo e a beijasse como queria fazer desde que a viu abraçada com Pablo. Uma despedida nunca tinha doído tanto.

Primeira chamada aos passageiros com destino a França, por favor se direcionem ao portão de embarque 56”

A voz da emissária soou tranquila por todo o aeroporto, mas nesse exato momento Angeles não se importava com nada disso. Mordeu o lábio inferior com força escolhendo outra opção, sendo recriminada duramente pela sua razão, queria ficar.

Estaria disposta a esquecer tudo e começar de novo. Iria tentar algo que a fizesse ficar, correria esse risco. Pelo amor que sentia por Violetta e por German, arriscaria tudo.

— Se tem algo que você possa me falar…

Sussurrou quase inaudível para que apenas ele a escutasse, contra seus lábios macios e convidativos. Sentiu diversas correntes elétricas passeando livremente por seu corpo, com o breve sentimento de tê-lo novamente, a sensação que só German conseguia a causar.

— Algo que você me diga, que me faça ficar de vez em Buenos Aires… Por favor, diga.

Angeles suplicou contra seus lábios torcendo para que ele falasse qualquer coisa que a fizesse ficar, analisou-o vendo sua expressão implacável. German fechou os olhos durante uns segundos rápidos que aparentavam ser horas para Angeles, entrando numa batalha interna consigo mesmo, tinha tanto a dizer.

Queria dizer tantas coisas para ela, entretanto ficou quieto ao perceber que as palavras pareciam presas em sua garganta o impendido de decidir.

Angeles sentiu-se esmagada, ele realmente não queria que ela ficasse. Nunca imaginou que amar pudesse doer tanto lhe levando ao inferno, era isso que sentia, que seria um inferno sem ele. Sua respiração antes compassada, mal saia, de modo que tivesse desaprendido a respirar. Não era possível que o amasse tanto assim, de forma que um mundo desmoronasse dentro de si ao entender que esse era o fim. Era definitivamente o fim para eles.

Acabou, não tinha mais nada que pudesse ser feito. Se afastou dele com muito custo, a visão turva por conta das lágrimas pesadas que mareavam seus olhos, vê-la tão frágil e cheia de dor fez German perceber o quanto havia se equivocado, o quanto ia ser um erro deixá-la partir.

— Eu te amo. — Angie murmurou com embargo na voz, deixando-o em silêncio.

Aproximou seus lábios quentes da bochecha dele, beijando rapidamente o local e se afastando.

Caminhou até sua sobrinha que estava boquiaberta com o que tinha visto entre eles, sentia-se magoada com seu pai por não ter falado nada para que Angie ficasse onde realmente era seu lugar.

Abraçou Violetta fortemente, que retribuiu.

— Se cuida, meu amor. — Disse baixo, beijou-a mais uma vez.

Pegou suas malas e saiu caminhando em direção ao portão de embarque para ir até o lugar onde teria a chance de recomeçar, onde aprenderia a respirar outra vez longe de todos os danos que German a causou, finalmente poderia ir sem quaisquer culpas, era livre. Poderia reescrever sua história de forma diferente. Deu uma última olhada para trás acenando rapidamente pra sua sobrinha.

Ela não queria, porém, mais uma vez o destino a forçava seguir e frente.

(…)

Ver Angeles se afastar da sua vida havia o quebrado por dentro e por fora de tantas maneiras inimagináveis, evidentemente queria dizer o quanto a amava, queria pedir que ficasse com ele e Violetta em Buenos Aires, contudo sua mente o traiu. Sua razão não permitiu que fizesse isso, não depois de tudo que tinha acontecido entre eles. Não poderiam se magoar mais do que já fizeram mesmo que inconsequentemente.

Colocou as mãos no bolso da calça cerrando os punhos, esforçava-se ao máximo para controlar os ímpetos de sair correndo pelo aeroporto e pedir para que ficasse. Ela era a razão de ainda estar de pé. Era sua maior razão de querer ser uma pessoa melhor.

— Vilu…

Chamou a filha.

Violetta permanecia estática fitando Angeles se distanciando e se perdendo no meio de tantas pessoas apressadas, ela fechou os olhos procurando conter o pranto contido que viria a qualquer segundo.

— Para pai. Minha tia se foi por culpa sua e você não conseguiu tomar nenhuma atitude. — Começou magoada. — Não sei se vou lhe perdoar por isso.

Violetta secou o rosto e saiu apressada em direção ao carro afim de ir pra casa, deixando German abalado com suas palavras. Violetta tinha razão, não poderia deixar a mulher da sua vida escapar pra sempre.

German abriu os olhos sobressaltando, despertando de um transe, parecia que suas pernas tinham vida própria porque saiu apressadamente em direção ao portão de embarque, esbarrava em algumas pessoas que o praguejavam mas ele não ligava, tinha que fazer algo muito mais importante. Chegou no portão de embarque cinquenta e seis, parou inerte observando a movimentação junto com a pequena aglomeração de pessoas, levantou a cabeça tentando enxergar qualquer coisa que o fizesse crer que Angie não tinha viajado, pediu incessantemente a Deus que o avião em que Angie estava ainda não tivesse decolado.

Talvez poderia ter restado quaisquer esperanças entre os dois, queria poder consertar toda a bagunça que tinha causado. Escolheu tentar de novo. Embora um pouco tarde.

— Com licença, o avião com destino a França no horário de onze horas já decolou?

Indagou cheio de esperanças a um dos guardas, encostado na porta trajando-se todo de preto, que o observou de cima a baixo.

— Lamento senhor, acabou de embarcar.

(…)

Angeles entrou no avião procurando se acalmar, foi até sua poltrona e sentou-se relaxando por alguns minutos que fosse, nada mais a prendia em Buenos Aires, não poderia se lamentar ou se culpar pela ideia do quase. Pelo que poderia ter sido e não foi, pela covardia de German. As vezes o amor é bom, e dura quando é verdadeiro, mas este não era o caso, nesse momento o amor verdadeiro só a feriu de muitas formas.

Era momento de viver novamente, aquele finalmente tinha sido o ponto final que precisavam para acabar com aquela história de amor inacabada.

A sua história de amor inacabada.

(…)

Ao chegarem na mansão, tudo estava no mais absoluto silêncio, Violetta subiu para seu quarto sem querer nenhum tipo de conversa com seu pai, que preferiu deixá-la a vontade, desejou que tudo isso não passasse de um terrível pesadelo.

German caminhou em direção ao seu escritório, trancafiando-se lá, jogou-se contra a poltrona confortável, sentia raiva de si mesmo por ter sido tão covarde ao ponto de ter deixado Angeles viajar. O mais irritante de tudo era que estava tarde demais para tomar uma decisão, Angie e tampouco Violetta o perdoariam por isso.

Definitivamente tinha perdido o amor da sua vida, e não havia nada que pudesse fazer para mudar isso. German respirou fundo massageando as têmporas, com um sentimento de impotência. Como pôde ser tão idiota?

— Parece que te perdi pra sempre Angie, mas desejo que você seja a mulher mais feliz desse mundo meu amor…

Te quiero tanto, amor.

No sabes o cuanto, amor.

Por qué te vas?

The End.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Isso não é um adeus, vamos ter a segunda temporada sim! Espero por vocês na segunda temporada, que sairá em breve. Um grande beijo à todos meus leitores queridos. Fiquem com Deus ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!