Notas iniciais
Song-fic: Cage the Elephant - Come a little closer https://www.youtube.com/watch?v=8xtg-ntDZGk Na parte que a song-fic começar tem um avisinho para dar o play. Escutem mais de uma vez se for necessário ♥

Chegou a noite do Ano Novo, toda vila estava festiva. O salão de cerimônias arrumado para a Gala e para receber os membros das famílias mais nobres.

Gaara havia se arrumado, estava com uma calça justa que lembrava o jeans, um sapato social preto, uma camisa azul escura de botão e o terno. Aquele look lhe caía muito bem.

No corredor à caminho do salão encontrou com seu irmão do meio:

— Gaara! – E envolveu-o pelo ombro com um dos braços – Meu irmãozinho, hoje será um grande dia. – estava sorrindo.

— É, vai sim. – Gaara estava sério, desanimado, sem cabeça para aquilo. Kankuro se aproximou mais dele e perguntou discretamente

— Você leu o que eu te dei?

— Li sim – E tirou uma cópia do Icha Icha Paradise do bolso que o irmão havia emprestado. Era um livro de dicas de romance e conquista.

— Ótimo, então sabe o que fazer. As dicas são boas, não as desperdice...

— Kankuro, são remotas as chances de eu usar isso, você sabe como eu sou. Bem capaz de eu ficar no canto observando, como os outros anos.

O mais velho revirou os olhos — Mas esse ano é diferente, Gaara. Você sabe que se não arrumar nenhuma garota essa noite os conselheiros é que vão te arrumar uma noiva. É melhor que você escolha, antes que façam isso por você. Ah... e vá no banheiro e vista isso – Tirou do bolso um preservativo e entregou escondido.

— Um preservativo? – pegou o pacotinho na mão e olhou para o irmão com deboche.

— Shhhh!! Fala baixo. É, é um preservativo. E se eu fosse você ia pra essa festa preparado. Ah, e se precisar de mais um é só me avisar – Kankuro sorriu malicioso. Gaara bufou, mas sabia que o irmão era mais experiente nessas coisas e aceitou os conselhos. Ele nunca havia dormido assim com ninguém antes e sabia que as moças da Gala vieram especialmente para serem “escolhidas”. Aquilo para ele era repugnante, um casamento arranjado, mas era mais uma obrigação que ele teria que cumprir contra a vontade. Ele foi ao banheiro e se preparou.

(dá o play)

Chegando no salão de cerimônias, já estavam todos presentes. As famílias mais nobres vieram de longe para esse evento. Os ninjas de Konoha também estavam ali. Gaara passou entre os diferentes grupos cumprimentando os líderes, a atenção dele estava sendo disputada pelas damas até que uma delas furtivamente se aproximou.

Things aren’t always what they seem to be

(As coisas nem sempre são o que parecem ser)

— Kazekage sama – pegou um das mãos dele e colocou em cima do peito, escorregando-a por dentro da gola do kimono quase por cima do seio. – Estou muito feliz com o convite de hoje... – Gaara corou e tirou a mão dali enquanto kankuro observava tudo com Temari, os demais ninjas de Konoha e rindo da situação. – Senhorita, por favor, isso é muito embaraçoso – e se afastou na tentativa de fugir dela, mas logo em seguida outra o chamou para dançar – vamos Gaara sama, é só uma dança...- colou seu corpo no dele e posicionou o braço forte do kage muito abaixo da cintura. Aquilo com certeza era pior do que a Guerra ninja.

Depois de muito se divertir às custas do irmão e Temari ameaçá-lo, Kankuro interveio tirando o mais novo daquele suplício. –Desculpem senhoritas, mas meu irmãozinho precisa de um ar – ao dizer isso tentou segurar a risada e puxou o coitado do meio daquelas predadoras. Gaara estava irritado, todo vermelho e constrangido. O mais velho se aproximou com um copo de água e quando viu que a insatisfação do mais novo não era mentirosa, tentou se desculpar, apesar de ainda achar aquilo tudo muito engraçado.

— Gaara, eu..

— Não diga nada. – Tomou a água e saiu do salão deixando todos para trás.

~

Ele precisava respirar, precisava de liberdade.

Foi andar pela vila para ver como tudo estava indo. As ruas estavam enfeitadas com muitas lâmpadas e fitas coloridas. Os bares e restaurantes estavam cheios e algumas pessoas estavam sentadas nas ruas comendo e cantarolando cantigas, todos muito bem vestidos. Havia barracas com jogos também, que as crianças podiam se divertir. Aquilo tudo era muito melhor do que a Gala da liderança.

Do you understand the things that you’ve been dreaming

(Você entende as coisas que você tem sonhado)

Foi quando então ele à viu, deslumbrante vindo em sua direção. Ela estava com um vestido de alça longo, florido e rosa claro com um decote sexy. Os cabelos cor de ônix estavam presos em um coque bagunçado e usava uma sandália de salto alto que deixava os dedos e o colo do pé à mostra. Tudo ornava muito bem naquela mulher que era a razão das suas maiores preocupações

— Você está linda – Estava um pouco sem jeito na frente de Akame

—Você também, está muito elegante – Ela deu um leve sorriso

—Eu achei que você fosse na Gala..

—Não seria tão prudente, devido às circunstâncias... – Eles começaram a caminhar pela vila observando a alegria e simplicidade das pessoas -... Além do mais, eu prefiro as pessoas comuns – ela sorriu. – Vem, vamos nos divertir um pouco – ela pegou ele pela mão e o levou na parte que ficavam os apostadores. Gaara passava tanto tempo entretido com o governo que se esqueceu como era estar entre as pessoas comuns e como a vila tinha mudado depois da guerra. Aquele era um novo lugar e Akame foi responsável por mostrar-lhe que aquela simplicidade apesar do progresso era um grande presente.

Eles passaram boa parte do tempo deles perambulando pela vila, jogando, participando de pequenas competições e apostando, usando como moeda de troca os ursinhos que ele havia conquistado para ela. Naquele dia Gaara pode ser ele mesmo, e não o kazekage. Se esqueceu de tudo o que o incomodava e Akame também, ele não queria que aquilo acabasse então fez questão de guardar da memória o brilho no olhar das pessoas e principalmente o de Akame. Naquela noite ela estava deslumbrante e era assim que ele sempre iria se lembrar dela, feliz. Independente do que acontecesse.

Depois de perder uma aposta e sem dinheiro ou outro urso para pagar a divida, Gaara e Akame tiveram que sair correndo da sala de apostas para fugir daquele bêbado. Ela pegou uma garrafa de saquê que estava fechada dando bobeira em cima da mesa e os dois correram até se verem livres da vista dele. Eles subiram num telhado qualquer para descansar e olhar a lua, hoje estava especialmente bela, cheia e iluminada e riram daquilo até doer a barriga.

—Olha o que eu trouxe – estendeu a garrafa – abre ai. — Tirou aquelas sandálias apertadas

Ficaram por ali vendo a queima de fogos, conversando sobre tudo e sobre nada, rindo de bobeira ao se olharem e tomando saquê até a garrafa chegar ao terço final. Eles já estavam com as bochechas vermelhas denunciando o inicio da embriaguez. Ficaram em silêncio por alguns minutos, ela apertou os braços depois que um vento súbito os atingiu. Ele tirou o terno e deu para que ela vestisse, estava quente e com um perfume muito bom.

—Eu acho melhor te levar de volta – Gaara a pegou no colo e a levou para os dormitórios. As comemorações já haviam acabado, o salão da Gala tinha apenas os funcionários limpando, as crianças já haviam ido para casa, os restaurantes estavam fechando. Ele a colou no chão, na porta do quarto.

This weather toss will blind you

(Este clima vai te cegar)

Os dois ficaram se olhando como se quisessem adivinhar o que o outro queria, apesar de já saberem o que era. Eles se desejavam, estavam sedentos um pelo outro. O coração de ambos batia forte na iminência do que podia acontecer. Aquilo poderia agravar mais os muitos problemas que já tinham, mas quem se importava? Naquele instante só aquele ímpeto que crescia dentro deles.

— Boa noite – ela beijou o canto da boca dele, entrou no quarto e o deixou ali na porta, do lado de fora. Gaara sabia que era melhor ir embora mas ele não conseguia, não queria. Ele apoiou os braços no batente lateral da porta, abaixou a cabeça e respirou fundo, ela seria sua. Tomou coragem e bateu na porta forte. Quando ela abriu, ele a puxou pela cintura e deu-lhe o beijo que devia desde o dia da loja de fogos.

Come a little closer than you seem, come on, come on, come on

(Chegue um pouco mais perto , vamos lá, vamos lá, vamos lá)

Ela pôde sentir os lábios macios e quentes daquele homem sobre os seus e o volume rígido sob as calças. Ele pediu passagem com a língua e não encontrou obstáculos. Pousou os braços em torno do pescoço dele e ele a trouxe mais perto, os dois estavam ofegantes. Ela empurrou a porta com os pés e entraram no quarto.

Ela desabotoou rápido a camisa e a calça dele, logo estaria sem nada. Ele abriu o zíper do vestido dela e, como se as alças já desejassem por aquilo, o vestido caiu ao chão revelando os seios médios, o selo antes oculto e a calcinha pequena. Ele nunca havia feito aquilo, e nem precisava, foi tudo muito instintivo.

O corpo dela era a imagem mais linda que já havia visto, os dedos dele percorreram os contornos da pele dela apreciando cada detalhe como se tivesse memória. Ela era macia, delicada e cheirava a pêssego, mesmo depois da noite de diversão. Ele a deitou na cama e mordiscava o lobo da orelha a deixando ainda mais sedenta.

Depois de todos os toques voluptuosos, os olhares, os beijos, ele queria mais. Desejava sentir o interior úmido daquela que sempre foi alvo dos seus desejos.

—Akame... eu quero muito isso mas só vou continuar se você consentir. – estava ofegante e segurando o ímpeto de atacá-la.

— Gaara... – ela sussurrou no ouvido dele – ...Eu sou sua.

Aquelas palavras soaram como um bálsamo para ele que, com carinho, concretizou seu desejo e ambos se tornaram um aquela noite, na extasiante dança dos amantes.

~

Na manhã seguinte, Gaara acordou bem disposto e aliviado. No fim das contas, aquela idéia de preservativo do Kankuro veio à calhar. Estava observando ela dormindo enquanto acariciava seus cabelos. Ele a amava e estava convicto. Faria dela sua noiva. Estava ciente de todas as dificuldades que enfrentaria mas estava disposto a enfrentar todas elas pela mulher que havia feito dele um homem...