The Spirit of Sand
8 Capítulo 8
A mente de Akame estava inquieta aquela noite, como um macaco. Ela não ia conseguir dormir tranqüila, não depois daquela missão.
Depois de muito se revirar na cama, se levantou e foi até o hospital. No deserto, a falta de umidade faz com que as noites sejam frias mas mesmo incomodada não deixou de perambular pela vila. Olhava as janelas e pensava o quanto as pessoas ali tinham sorte já que à ela só sobrava o sentimento de que não pertencia a lugar nenhum e que era só uma espécie de animal de caça. Ninguém se importava com uma forasteira. Ninguém iria comprar sua briga, na verdade nem queria, ela estava ali de favor. Estava tão absorta em seus pensamentos que mal percebeu quando chegou ao hospital. Percorreu com a mesma apatia aqueles corredores frios até passar por uma porta que deixava bem claro que só os autorizados poderiam continuar em diante. Ela não ligava para isso.
Ao entrar na sala, viu conectado ao homem misterioso vários aparelhos com aquelas luzes ligadas e seus bipes insistentes. Procurou um canto qualquer para sentar e ficou ali, naquela semi escuridão, a noite toda observando o vai e vem preguiçoso do peito dele.
Nada no mundo poderia ser pior do que aquela sensação de não pertencer. Ela devia sua vida à sunagakure, mas o único em quem realmente confiava era no Gaara. Ela daria a vida para protegê-lo, até mesmo se entregar à Yoshi se fosse preciso. Ela sentia algo diferente por ele e por causa disso seria capaz de qualquer coisa se ele estivesse sob ameaça.
— O que eles fizeram com você? – escapou em um sussurro enquanto olhava para a maca e a única resposta que teve foi a lágrima rolando pelo seu rosto e o ódio crescendo no coração. Não importava quem aquele homem fosse, mas ele havia sofrido tanto ou mais do que Akame e ela sabia que um destino de dor a aguardava.
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Gaara estava exausto. Desde que a equipe de Shikamaru saiu em missão ele não dormia direito. Foram seis dias de noites mal dormidas mais do que o normal, fora o estresse de organizar a porcaria de uma festa de Ano Novo. Por que aqueles velhos inúteis não cuidavam disso, se faziam tanta questão? Engoliu uns três comprimidos de relaxantes de uma vez na tentativa de neutralizar a quantidade cavalar de cafeína que havia ingerido e se jogou entre os lençóis. Mesmo assim, não pôde deixar de pensar em Akame, estava preocupado com ela.
Assim que ela saiu em missão, ele teve certeza de que não saberia lidar com a dor de vê-la morta. Aquela mulher havia se tornado responsável por grande parte da alegria dele. Não sabia definir ao certo o que estava sentindo: era um misto de ansiedade, preocupação com a situação, medo de perde-la mas também de alívio por ter voltado com vida. Ele à queria para si, era só ela e nenhuma outra.
Ficou ali pensando em umas possíveis soluções para tantos problemas mas depois de um tempo brigando com os olhos cansados ele finalmente cedeu ao efeito dos remédios e dormiu.
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Akame amanheceu sentada no chão frio da sala do hospital. O homem ainda estava lá, desacordado. Estranho como a noite havia passado tão rápido e como era desconfortável dormir no chão. Se levantou e ao espreguiçar-se notou que um bilhete havia sido deixado ali do seu lado. Ela olhou para os lados e procurou na sala algum vestígio de quem poderia ter deixado aquilo ali.
Respirou fundo, e abriu o bilhete:
“Enfrente o seu destino, venha para mim e saberá a verdade”
Ela olhava aquele pedaço de papel atônita, o coração batendo forte quase na boca. Como ele conseguiu encontrá-la tão rápido? Engoliu em seco. Ouviu o barulho de alguém vindo pelo corredor, abriu a janela e saiu, deixando para trás o homem naquela sala deprimente.
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— GAARA – Entrou empurrando a porta e chamando a atenção de Gaara — vem comigo! Você precisa ver isso
— Kankuro, calma, o que foi?
— Anda logo..
Akame se aproximava da sala do Kage quando Kankuro e Gaara saíram apressados de lá.
— Você vem também! – Ordenou kankuro
Os três se dirigiram até o hospital naquela tarde e foram levados até uma ala de acesso restrito, era a sala do homem misterioso. Nada havia mudado, eram os mesmos fios e aparelhos ligados aquele corpo deitado na maca. O homem tinha os cabelos brancos apesar de não ser velho, era magro como se alguém tivesse sorvido toda sua energia vital, olhos de um azul escuro incomuns e trazia no tórax um selo imenso tatuado igual ao que Akame também carregava no peito.
Depois do dia batalha, que seus olhos brilharam intensamente numa energia desconhecida, aquele selo não havia mais desaparecido como antes. Ela se aproximou do leito e observou-o pensando se eles eram do mesmo clã e quais perguntas gostaria de fazer.
O homem virou a cabeça em sua direção e quando reconheceu a moça, no mesmo instante o coração dele começou a bater mais rápido...
Mais rápido....
Tão rápido...
.. que a sua respiração ficou ofegante, começou a suar frio. Ele estendeu o braço na direção dela querendo se levantar da cama, seus olhos estavam marejados, mas antes de ser capaz de alcançá-la seu coração parou. Deu seu ultimo suspiro e caiu morto em cima da cama, com os olhos vidrados e a boca aberta enquanto uma lágrima escorria tímida pelo rosto.
Muitas dúvidas surgiram naquele momento, quem afinal era aquele homem? Porque ele ficou tão agitado ao vê-la?
Ninguém pronunciou uma palavra até que Gaara interveio – preparem o corpo e analisem o selo. Eu quero esse relatório na minha mesa o mais rápido possível – Ele sabia que teria que comunicar o conselho e que Akame seria alvejada mais um vez.
— Precisamos conversar... – Akame tocou-lhe o braço antes que ele saísse pela porta. Os dois se afastaram dos outros e ela começou: — No dia que você me viu naquela cela eu tive uma crise e desmaiei. Eu achava que não era nada e ia passar, mas depois que meus pesadelos começaram as crises se tornaram mais freqüentes e eu tive certeza que não ia passar... Gaara – ela respirou fundo e olhou nos olhos dele — ... eu tenho o mesmo selo que esse homem.
Ele ficou um pouco atordoado ao saber, precisava de um momento para por a cabeça em ordem no meio daquele caos. Não tinha palavras para dar a Akame, queria poder dizer que ia ficar tudo bem mas sabia que não ia e não queria mentir. Ele apenas a embalou em um abraço e ficou ali por um momento.
Estavam todos muito apreensivos e preocupados. A situação não era nada boa, a permanência da Akame na vila estava ameaçada, muitas perguntas não tinham sido respondidas ainda, ele não queria pensar sobre o propósito do Ano Novo desse ano e seu futuro depois disso e pior, não entendia bem o que sentia por Akame. Ele preferia lutar outra vez a guerra ninja do que lidar com os problemas do coração...
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— Yoshi, você preparou o corpo?
— Sim, mestre.
— Ótimo. Agora que sabemos que ela está em Sunagakure vamos conseguir eliminar dois coelhos com uma cajadada. – O homem se aproximou de um janela. Seu servo o acompanhou e finalizou com um sorriso perverso sedento por sangue – Gaara, depois do Ano Novo, você finalmente vai entender que a morte é doce como o beijo de uma mulher..
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