Era uma noite fria no deserto, o céu claro e estrelado. O vento forte prenunciava que uma tempestade de areia se aproximava em breve. Gaara observava a lua pela janela do escritório, sentado em sua cadeira confortável, lembrando de como Shukaku o fazia sofrer com sua instabilidade durante este período e da agonia de trazer dentro si um monstro. Agora, com o cotovelo posto sobre o braço da cadeira, acariciava os lábios pensando que embora tivesse sido libertado daquele tormento não se sentia livre e nem feliz. As pessoas e os demais oficiais da vila passaram a respeitá-lo depois da grande guerra, mas ainda se sentia solitário e com a impressão de a qualquer momento seria passado para trás. O peso da responsabilidade de ser um kage era algo que o incomodava às vezes.

Alguém bate na porta e abre-a, interrompendo sua paz. Era kankuro, seu irmão do meio:

— mandou me chamar?

— Sim, uma tempestade de areia está se formando. Prepare um grupo de shinobis médicos para recepcionar a comitiva – Disse em tom sério, voltando a olhar para a lua. Ele não era do tipo que sorria muito.

— Eles ainda não chegaram? — Perguntou seu onii-chan – Gaara, e se eles tiverem sido alcançados?

— Por enquanto, com esta tempestade, não podemos fazer nada mais a não ser esperar – respondeu sem olhar para kankuro.

— Certo, vou deixar o esquadrão em alerta.

E saiu da sala, deixando Gaara à sós com seus próprios pensamentos. Uma das coisas que mais incomodavam o kazekage com relação ao seu cargo, era que mesmo que o expediente tivesse acabado ele não deixava de ser o kage e eram raras as vezes que conseguia ficar sozinho, sem ser interrompido. Mal sabia ele, que sua vida mudaria drasticamente depois daquela madrugada.

~

Já era madrugada quando a tempestade passou, os jounins estavam reunidos do lado de dentro do muro da vila. O vento carregava ainda um pouco de areia, dificultando a visão

— Tem alguém vindo pela passagem, se preparem! – gritou um deles

Os jounins se separaram, os médicos para trás e os da frente em posição de luta, caso algum espertinho tentasse algum ataque estúpido. Quando o vento dispersou a areia e a luz da lua incididiu sobre o corredor de entrada, eles notaram que havia uma jovem desmaiada no meio do caminho e em péssimo estado.

— Capitão, ela precisa de cuidados emergenciais, está quase morta — Disse um dos médicos, após sentir seu pulso fraco. O capitão, sabendo que era imprudente levar uma estranha ao hospital da vila e desumano se a deixasse ali, ordenou que fosse levada para a prisão da vila e recebesse os cuidados lá. Na pior das hipóteses, depois que ela acordasse aquela desconhecida não poderia tentar nada, pois estaria sob vigilância ininterrupta e contenção.

~

Na manhã seguinte, Gaara fazia o caminho de sempre em direção ao seu escritório, para mais um dia normal de trabalho. Caminhava um pouco de contragosto sabendo da quantidade de papel que o aguardava, quando encontrou com o capitão do esquadrão médico no meio do caminho. O homem, após a reverência disse:

— Kazekage sama, ontem à noite encontramos uma jovem forasteira caída na passagem de entrada da vila. Ela estava muito machucada e por pouco não morreu. Suspeitamos que ela tivesse sido pega pela tempestade. Ela foi levada até uma cela e tratamos dela lá. Por favor, me acompanhe.

— O restante da comitiva ainda não apareceu?

— Não, senhor – Disse o capitão abaixando o olhar até o chão

— Certo, vamos.

Chegando na antiga prisão, da qual as celas eram velhas e as instalações nada confortáveis, se dirigiram ao corredor da cela em questão. Ficava ao fundo, no centro. Além do Kazekage, estavam presentes o capitão e mais dois ninjas carregando uma jarra grande com água e o outro com comida. Aquele lugar era sombrio e solitário, a luz do sol mal incidia pela janela pequena, isso fazia com que o fundo da cela ficasse escuro e quase não dava para perceber alguém ali.

Ao se aproximarem, o colchão fino estendido no chão estava vazio e não havia sinal de presença humana ali.

— Senpai, ela sumiu! – Gritou um dos ninjas, que era do tipo sensitivo.

— Impossível. Mantiveram vigilância a noite inteira aqui e as grades ainda estão integras. Disse o capitão atônito.

— Esperem! Abram a cela. Ela está ali no canto — Apesar de não ser do tipo sensitivo, Gaara conseguia sentir perfeitamente o chakra da garota ali. A presença daquela força, era diferente, era suave, era encantador. Entrando na cela e se aproximando do canto até onde a luz parava de incidir, abaixou-se e perguntou pelo nome da moça, mesmo sem conseguir ver seu rosto naquela escuridão. Não obteve resposta. Agora, virando-se para os ninjas, ordenou que a água e a comida fossem colocadas em cima do colchão.

De sobressalto, a garota se levantou e correu em direção à jarra de água. Se jogou de joelhos de frente para a grade e comia com desespero, como um animal faminto, o que fez Gaara sentir pena dela. Ele se levantou e caminhou até ficar de frente com a moça, abaixando novamente para conversar.

— Há quanto tempo você está sem comer e sem beber nada?

— 12 dias sem comida e 3 dias sem água – Disse com uma voz baixa mas firme. E sem deixar escapar nem mesmo as migalhas da comida.

— Qual é o seu nome? – Insistiu Gaara

— É Akame, senh-...? – Disse olhando para aqueles olhos verdes e aquele cabelo vermelho

— É kazekage sama para você! – Disse Kankuro se aproximando da grade.

Nesse momento enquanto ela olhava para kankuro, Gaara observava as feições da jovem Akame. Ela estava toda suja, o cabelo empoeirado, seus lábios estavam descascando desidratados, seu rosto era harmonioso, seus olhos eram desafiadores, negros e seu cabelo que ia até a cintura também era. Negros como ônix. Gaara estava intrigado com aquela mulher, havia muitas perguntas a serem respondidas ainda, mas também percebeu que talvez tivesse se interessado por ela. E pediu:

— akame san, me conte sua história...

Notas finais
Por enquanto é isso galere, em breve posto o próximo cap!