The Spider-Man

6 Capitulo 5: Inicio do aprendizado ( Parte 1)


Em frente a um armazém escondido, três figuras conversam.

— Aí, Touro, sabe o que eu queria agora? — Perguntou um homem branco meio baixinho, ele usava um terno cinza escuro, tinha um cabelo preto penteado para trás e estava fumando.

— O quê? — Touro responde com uma pergunta, ele era um homem negro bem alto e forte, usava um moletom vermelho e uma calça jeans.

— Detonar aquela lanchonete.

— Qual? Nova York tem um zilhões delas.

— A que fica na esquina da rua 58 com a 10.

— Jura? — Pergunta o terceiro integrante do grupo que ficava entre os dois, Ele era um homem branco, usava um chapéu de cowboy, uma jaqueta de couro bege, uma calça marrom e um chicote na cintura.

— Você está falando do McDonalds?

— Sim.

— Porque?

— Não me dei muito bem com o palhaço que ficava por lá e teve uma vez que eu tentei trampar lá, mas os safados regularam. Eu fiquei muito puto.

— Quando foi?

— Quando eu estava no colegial.

Os dois camaradas que estavam com ele soltam um sorriso — Qualé?

O cara do meio tira seu cigarro da boca — Isso foi em 1887? Esquece, ô!

— Já esqueci — ele se vira.

— Sério?

— Juro.

— Tanto que quer detonar a bagaça?

— Ah, só de olhar pra lá eu me irrito!

Touro se inclina um pouco para frente — Aí! Tu é mutcho louco mermão!

— Sabe o que o Rei do crime faria se você detonasse um MC sem a benção dele?

— Ele nem liga.

— Ô se liga! E o Ronald então? Ele vai te fritar vivo!

— Ah, vai! O Touro ali môi ele!

— Ô Ronald?

— Não! O Rei!

— Ia ser baba — Responde Touro.

— Moer o Rei?

— É… Eu acho.

— Já viu o cara? — O “cowboy” se vira e começa a abrir a porta atrás dele.

— Não.

— Eu já. E sem chance pra você.

— Agora, pegou! Tu me atiçou, ô!

— E tem mais. O Rei deve ser dono daquele MC.

Touro começa a atravessar a porta — Desde quando ele não encara uma treta? Tipo, sem tiroteio. Só na porrada.

— Nem brinca, Touro. Eu tô te avisando!

— Se liga, ô!

— Dono do MC? Ah é! Esqueci que ele dá uma de gente boa — Diz o cara do terno.

— Para de zoar! Pode ter alguém ouvindo.

Quando os três atravessam a porta, o incrível Homem-Aranha atinge Touro e o “Cowboy” com um chute em suas costas, fazendo eles caírem para frente — Alguém pediu uns “Big chutes”?

Peter logo se gruda na parede em cima da porta e pula para o outro lado da sala. O homem de terno saca uma arma — Quem é esse maluco?

— UUI… Aonde você pensa que vai? — Pergunta "cowboy" com raiva.

— Ih, ninguém aqui lê jornal? Peraí! Ler, vocês? Nem gibi, né?

Peter pousa e lança sua teia na arma do seu inimigo jogando-a para longe.

— IAAU!

— É feio ser ignorante, sabiam? Eu conheço todos os bandidos da sua laia. Vocês são os executores, né? Touro, Montana e “Danny Pomposo” Creenshaw.

Montana se levanta — Ah, você é fã da TV Tribunal?

— Bom, eles tem mais shows que a MTV.

Touro corre na direção do Aranha e tenta acertar um soco, mas erra — RRRAAH!

— Uoopa! — Peter devolve o ataque com um soco em sua barriga, mas n faz nem cosquinhas nele. — Uui!

Logo depois ele leva um soco de Touro e cai em cima de Danny Pomposo. Montana aproveita e, de longe, laça o pescoço do Aranha com seu chicote — GLLKK!

— Vamos sumir com ele!

— Nem! Eu quero brincar um pouco. Preciso de treino.

— Não! Pode ser alguma arapuca dos federais!

— Esse mané? Aí, compadre! Como me saí na rua vestindo collant de balé?

— GGLLK! — Peter ajoelhado, tenta se soltar do chicote.

— Eu tô farejando encrenca, Touro! Joga ele pra fora!

— Anda logo, Touro! Se ele for federal, a casa caí!

— Federal, o que?! Deixa de paranoia! É só um otário a fim de comprar barulho!

— GGLLUKK!

Vamos curtir um pouco. Como nos velhos tempos — UUUUUGGH… — Touro realiza um soco na direção de Peter, mas ele pula, e seu soco acaba acertando Danny.

— Essa não! — Montana ainda tenta segurar o aranha enquanto ele ainda está no ar, mas Peter não dá mole e logo puxa o chicote de sua mão. Ele se liberta e usa o chicote que está preso na mão de Montana para arremessá-lo em cima de Touro, os dois acabam batendo na parede — GAAA!

— Cai fora, Montana!

Mas antes que pudessem fazer qualquer coisa, o Homem-Aranha os prendê la com muita teia.

— O que é isso? Diz Montana.

— E avisei… Eu disse que farejei encrenca!

— Não enche.

Enquanto os dois discutem, Peter vai até Danny e o ergue no ar.

— AH!

— Agora… Cof! Cof! Pode se juntar aos seus camaradas, o anão pé-no-saco! — em seguida ele o joga e o prende na teia.

— Unf! que diabos de meleca é está? -Diz Touro tentando se soltar.

— Seguinte: Tô pouco me lixando… Cof! Cof! …Pra um bando de maníacos como vocês. Meu alvo é o seu chefe… O Rei do crime. E vocês vão me ajudar.

— O rei? — Surge uma voz atrás de Pete e ele logo se vira. Lá ele avista um homem que estava encostado na parede fumando, ele usava um terno preto com um chapéu que combinava — Por que não falou antes? O que você quer? Que a gente dedure o Rei? Quê te leve até ele? Esse é o teu plano?

— Hã… Mais ou menos.

— É, né?

— E você seria?

— Planinho mixuruca, não acha?

— Quem é você?

— Qual é a tua bronca com rei?

— Isso eu trato com ele!

— E a tua idade?

— Quem é você?

— Aí, ó! Se a tua parada é com o Rei, você tomou o rumo errado. A gente atua no território do homem, mas ninguém aqui vive colado nele. Nem essa boate é dele! Quer levar uma com o graúdo? É bico. Descobre alguma coisa que ele curta… Que ele adore… E tenta tomar do Maluco. Isso é o que ele mais odeia no mundo. Todo mundo sabe que o Wilson Fisk vai promover uma festa beneficente daqui uns dias. Uma balada só para figurão. O que cê não sabe é que essa night é parada que tá quente para ele. Tipo, crucial pro futuro dele. Daí, eu me pergunto: Um cara com seus talentos não ia curtir um evento desses?

— Porque me deu essa dica?

— Bom, a gente só tem que ralar pro Rei… Não somos obrigados a zelar pelos interesses do balofo.

— FBI! Mãos na cabeça! — Peter se vira e vê duas pessoas apontando armas para ele.

— Ninguém se move… Caramba! — Fala o homem na esquerda.

— É... É ele! O tal Homem-Aranha! — A mulher à direita pega seu rádio — Atenção, unidade de apoio! Precisamos de reforço urgente na boate!

— ÊÊÊ... Não confunde as coisas, Scully! — Diz o Homem-Aranha balançando as suas mãos.

“ Eu sou um mané! De todas as bobagens que eu tenha aprontado... esta foi, disparada, a maior!”

— Você… Hã... Mãos na cabeça!

— Eu... Eu…

— Não falei que era arapuca? — Diz Montana.

Peter encara os policiais.

— Não tente… NADA!

A tensão aumenta, todos ficam aflitos esperando o movimento do próximo. Sem esperar nem mais um segundo, Peter pula sobre a cabeça dos federais e tiros ecoam pela sala. POW! POW!

— Ih, tá na minha hora! Vejo vocês na TV!

Peter sai da boate, corre, escala um prédio, pega sua câmera que estava grudada e escapa da visão dos agentes.

— Vamos atrás ou não?

No dia seguinte…

Peter, em uma banca, começa a ler o jornal do dia e ver seu título: “HOMEM-ARANHA: Mafioso!

“Não pode ser! Os executores são criminosos! notórios e convictos! E a ameaça sou eu? Eu comando uma gangue… Ah, diabo! GRRR! o pior é que a matéria nem menciona os executores! Nesta recente vida de herói, eu só ajudo os outros... E olha no que dá! Que? e ainda inventaram coisas que eu nunca falei! Eu não vou fazer vista grossa para o crime organizado, como todo mundo na cidade. Principalmente quando um dos seus associados matou meu tio. Mesmo assim, fui um Imbecil de sair dando tiro no escuro. Tenho que usar a cabeça! Eu escapei por sorte. Eu tô cutucando demônios e achando que é cirandinha. Pelo menos eu ganhei um dinheiro pela foto…”

O dono da banca, que já vinha olhando Peter faz um tempo, finalmente fala — Bom dia, garotão. Está com a sua ficha da biblioteca aí?

Peter olha para trás e dá um sorriso — Hã? Não. Por quê?

— Porque aqui não é biblioteca! Pode pagar! — Diz o dono com raiva.

“ Xii… O dinheiro do meu suco já era.”

Escola Midtown, cafeteria.

— …Eu vi na TV! O Aranha partiu para cima da máfia ontem! Foi demais, mano! — Diz Kong — Acho que ele vai entrar numa de apavorar vagabundo, tipo aquele casca- grossa com a caveira no peito... Como é o nome dele, mesmo?

— Saco! — Diz Liz escutando a conversa.

— Então, né, o Aranha invadiu a boate e…

— Chega desse Homem Aranha! — Grita Liz — Já deu, pô!

Peter que estava comendo ao lado tomou um susto, olha em direção ao grito e vê Kong olhando para Liz.

— Ué? O que foi, Liz?

— É que… É só…

— Ô Kong, cê anda exagerando nessas paradas sobre o aranha, tem gente que não tá afim de ouvir… — Diz Flash.

— O que aconteceu, Peter?

— Hein? Oi, Harry. Eu.. Num sei — Peter e Harry olham para Liz sendo confortada por uma de suas amigas e voltam a conversar.

— Credo… Essa daí faz um drama!

— É… Parece.

— E aí? Tudo bem?

— Tá… Tudo certo.

— Sabe... A gente não se falou muito desde que... O seu... O seu tio...

— Eu sei. E tô legal.

— Bom… É… Tá afim de ir ao cinema ver um filme?

— Pode ser, quando?

— Sexta.

Peter começa a se lembrar da conversa que teve com um homem misterioso no dia anterior: “Todo mundo sabe que o Wilson Fisk vai promover uma festa beneficente daqui uns dias (…) Daí, eu me pergunto: Um cara com seus talentos não ia curtir um evento desses?”

— Sábado é melhor.

— Porque não sexta? — Pergunta Harry surpreso.

— Trabalho. Eu… Tenho que ralar para tirar fotos.

— Ah… É mesmo… Você trabalha no jornal agora.

— Sábado, tudo bem?

— Fecho.

Clarim Diário.

Peter entrega mais fotos do Aranha que foram tiradas mais cedo.

— Suas fotos estão um pouco melhores, garoto.

— Obrigado.

— É só pegar o dinheiro com a Brant depois.

— Valeu. Hã… Seu Jonah? Posso fazer uma pergunta?

— Manda.

— Essas reportagens do Aranha… Elas… Sei lá… Elas não são lá muito justas. Tipo, eu sempre escuto que ele tá por aí ajudando as pessoas. Mas, quando leio o que sai aqui… Até parece que ele é o vilão. Não seria melhor pro clarim… Falar do Aranha… De um jeito menos parcial?

— Olha garoto, pra mim o Aranha é um vilão, as pessoas ainda não notaram isso, mas vão… Agora deixa eu te falar uma coisa, mesmo se ele não fosse, a verdadeira natureza das pessoas as incentivam a correr atrás do parcial. Olha, você pode pesquisar nas ruas se as pessoas querem só os fatos. A resposta padrão será: “Sim, e é o que eu exijo!”. Mas não é.

— Não é? Cof! Cof! — A fumaça soltada pelo charuto irradia a sala.

— Não. Tudo que eles querem é ler sobre heróis e vilões. Aclamar o mocinho e vaiar o bandido. São uns cordeiros. O que você quiser, eles lêem.

Peter começa a sair da sala e se depara com uma placa: “Por favor não fumar. Respeite a lei.”.

Mais tarde… Torre Fisk.

— Damas e cavalheiros… Se me concederem alguns minutos de sua atenção… É meu dever aproveitar o ensejo para agradecer ao nosso anfitrião por esse evento — Um senhor mais velho, usando terno, se vira para um homem grande e careca que usava um terno branco — Afinal, os Fundos angariados nesta recepção vão impedir o fechamento do albergue municipal para desempregados. É nesses momentos de extrema carência que se descobre quem são os verdadeiros amigos da cidade... E, hoje, todos sabemos o quanto o Wilson Fisk ama Nova York!

Milhares de flashes e aplausos ecoam da multidão, mas uma figura que está escalando o prédio por fora, não concorda muito com isso.

“Ah, dá um tempo! Esse mamute só infesta a cidade com drogas, roubos e assassinatos. Tudo quanto é sujeira desta região tem a pata dele no meio. Um monte de gente ligada a ele sumiu... Mas é só o balofo assinar um cheques e tchans! Tá aqui o nosso herói! Ele é o salvador da pátria... E eu, a ameaça! IN-CRÍ-VEL! Eu li todas as armações que o Clarim Já publicou sobre o Wilson Fisk. Por isso, sei que o “gabinete presidencial” de Fisk fica no 34º andar. ”

Quando Peter volta a escalar, o telefone que estava em seu bolso começa a tocar — Oi, tia May… Tá… Ovos?... Orgânicos, tá… Certo, vou tentar não me atrasar, eu tenho que ir… Tchau — Peter guarda seu celular no bolso — Tia May, tia May…

O Homem-Aranha chega no topo do edifício, abre a janela da sala do Rei e entra — “Falou. O gordão também fuma. Cof! Cof! Sorte. Assim ele mantém a janela aberta.”

Peter começa a andar pela sala, chega na cadeira enorme em sua frente e começa a pensar no que ele deve procurar, ele dá mais alguns passos pela sala e instintivamente olha para o teto, lá ele encontra uma câmera. Ele sente mais alguma coisa e começa a olhar para os lados.

“ Opa! Tô com aquela sensação estranha de novo! Tipo, como se não fosse boa ideia invadir aqui.”

Levou um século, mas Peter finalmente descobriu o que é este comichão que dá nele às vezes. Seus formigamentos vêm e vão desde que ele foi picado pela Aranha radioativa que o transformou no super herói mais gente fina de Nova York. Aparentemente, esse piripaque significa que alguma coisa terrível está para acontecer...

Vindo das sombras, uma figura enorme usando um terno branco surge atrás do Aranha — Em que posso ajudá-lo?

Peter imediatamente se vira e o acerta um soco em seu peito — Em nada que eu não possa me virar sozi.. — Não causa nenhum dano.

Um grupo de pessoas surge pela porta do escritório — Chefe, quer que a gente…

— Não! Eu cuido disto — Fisk agarra o braço do aranha e acerta um soco em seu rosto.

— ARRGH!

— Quem te enviou aqui?

— Aí… Em que… Sentido?

— O que? — Ele acerta outro soco.

— AAGH… Cê quer saber quem me enviou no sentido bíblico, cósmico ou…

“ AURRGH! Ele esmagou meu lança teias!”

— Quem enviou você?

— Hâ… Ai… Carson Daly.

— Nunca ouvi esse nome — O Rei começa a tirar a máscara dele.

— Tava na cara, sabe porque? — Peter acerta um chute na cabeça do rei do crime e pula para trás — Porque o cara não é vendedor de guloseimas! Se fosse, aposto que você ia ser amigo íntimo dele, né, montanha rotunda de banha?

— Acabe com ele, Elektra. Eu tenho convidados.

— Electro. Já falei que meu nome é “ Electro”, chefão. Como no verbo eletrocutar.

— “Electro”? — Pergunta Peter.

— Dane-se. Maximize logo sua carga e dê cabo dele.

— “Carga”? — Ele sente um faniquito. Pouco tempo depois, uma rajada de eletricidade cruza a sala em sua direção, mas ele desvia com sucesso — Caceta! Aí! Não me leva a mal, mas o médico me mandou evitar fritu… IAAU! — Ele desvia de mais uma rajada — Pô, cara! Dá pra me deixar pelo menos terminar a piada antes de me matar?

— Electro… É pra hoje? Esta é a minha sala.

— Desculpa, chefe. Esse mané é bem liso!

— Ah, não! Pode me eletrocutar à vontade — Desvia de outro — Mas ninguém… — Mais um — Me chama de… ARRHH!

Ele finalmente é acertado por um raio que o joga pela janela.

— Ele caiu? — Todos os capangas vão até a janela.

Peter, que estava inconsciente, começa a acordar com o vento batendo em seu rosto — AARGH — Ele abre os olhos e se depara caindo do prédio. Ele tenta chegar mais perto da torre e sai deslizando pelas paredes até grudar.

No topo da torre, o pessoal vê o Aranha indo embora.

— Ele correu, chefe. Lamento pela sala — Ele olha em volta e vê algumas partes pegando fogo — Meu poder não é nenhuma ciência exata.

Fisk chega perto da janela e vê uma máscara vermelha, ele a pega e fala para seus capangas — Agendem uma reunião com o Mr. Big.

— Algo mais, chefe?

Fisk começa a encarar a máscara — Sim, localizem e arrasem esse Carlon Daly.

Alguns metros da residência dos Parkers.

Um jovem de cabelo castanho anda meio cabisbaixo com o capuz de sua blusa cobrindo o seu rosto.

“Caro Peter, você é... Um otário. Atenciosamente, Peter Parker. Hora de rever tudo. Eles me deram um cacete, arruinaram meu lança teias, eu perdi a minha máscara durante a luta e fui jogado da janela de um arranha-céu. E só estive lá por uns 30 segundos... Putz! eu fui eletrocutado e arremessado de um prédio! Porra... Como sou retardado! Eu não tinha nada que me meter nessa! Não fazia ideia de quem eu ia encarar, nem o que eles podiam fazer comigo. Claro que eu já devia estar mais esperto depois de quebrar como estais executores, mas se acha? E lá fui eu... Só para me ferrar de novo. Pô, eu perdi a minha máscara! Deve ser a pior coisa que pode acontecer com herói. E meu corpo inteiro tá quebrado. Sorte que não tem aula amanhã. Com que voltagem aquele careca me acertou? Será que meus poderes me salvaram ou a descarga não foi tão devastadora assim? “Voltagem”? Pera aí, caramba! Um cara com poderes elétricos?! Como alguém consegue isso? GRRUNF! Nunca fiquei tão puto comigo mesmo.”

Peter chega em sua casa e tenta entrar de fininho pela porta dos fundos, mas em seguida ele entra normalmente e vai até a geladeira, já que percebe que sua tia estava o esperando na sala ao lado. Peter fica vendo o que tem na geladeira e fala — Não precisa me esperar acordada.

— Sim, preciso.

— Não precisa, não.

— Sim, preciso! — May se levanta e vai até ele. Em seu rosto há olhos fundos e meio inchados — Onde é que esteve?

— Dei uma saída.

— Você trouxe os ovos?

Peter para, e um tempo depois tira o seu rosto da geladeira e a fecha — Não, eu esqueci — Logo ele se vira, sem olhar para May, e vai em direção da porta — Vou comprar agora.

May corre atrás dele e impede que ele abra a porta — Não, você não vai de jeito nenhum. Não há essa hora.

Peter se vira rápido e segue para a pia.

— Olha para mim, Peter… Tira essa porcaria de capuz e olha pra mim — Ela deixa passar raiva em sua voz.

Peter balança um pouco a cabeça, em seguida ele tira seu capuz e se vira mostrando hematomas em seu rosto.

— AH… — Tia May leva uma de suas mãos à boca. O silêncio se instaura por poucos segundos — Peter… Aonde você foi? Quem fez isso com você?

— Por favor, vai dormir tia May — Responde Peter com um rosto choroso.

— Por favor, me fala.

— Tia May, por favor, por favor, por favor, vai dormir.

— Eu não consigo dormir! Você não entende?! Eu não consigo dormir! — O silêncio novamente se instaura na sala — Você gosta de mim, Peter?

— Se eu gosto? — Peter se aproxima de sua tia e segura uma de suas mãos. Ela vira o rosto — Claro! Por quê? Isso é pergunta que se faça?

— Não como a tia que praticamente te criou. Somente… — Ela volta a encarar Peter — … Como ser humano. Você gosta de mim como pessoa?

— Lógico que gosto!

— Nunca está em casa, sempre chega tarde. É óbvio que prefere ficar em outros lugares. Que tem outras coisas pra se preocupar…

— Aah, tia… A gente anda super ocupado. A senhora trabalhando e… Bom, eu estou tentando…

— Eu sei que o destino nos confinou juntos nesta casa, Peter.

— Como é?

— Tudo bem. Pode admitir. Agora, somos só nós dois — Começa a escorrer lágrimas dos seus olhos — Esta não é a vida que nenhum de nós queria. Não é a vida que nenhum de nós idealizava. É apenas a vida a que fomos relegados.

— Mas eu te adoro, tia!

May abaixa a cabeça e limpa suas lágrimas, Peter logo a abraça — Sinto tanta falta dele, Peter.

— Eu também — Peter solta uma lágrima.

Manhã de sábado…

— Uui! Ai… Que dor — Peter acaba de se levantar e começa a massagear seu braço que foi quase esmagado no dia anterior.

“ Bem-feito! Quem mandou ser otário?”

Pouco depois ele pega seu celular na mesinha e liga para Harry — Oi

— E aí?.

— Harry?

— Quem mais poderia ser? Haha.

— Podemos marcar o cinema para outro dia?

— Podemos, mas porque?

— Eu… Hum… Cai da escada.

— É sério?

— Sim, me machuquei inteiro, você vai ver o resultado segunda, hahaha.

— Desejo melhoras. Nos vemos na escola, Tchau.

— Tchau — Ele desliga o telefone e o joga na cama.

“Sinto muito, Harry. Hoje eu seria uma péssima companhia. Preciso sarar. E ainda tenho que fazer a droga duma máscara nova.”

Torre Fisk.

Na sala de Fisk há várias pessoas, Touro, Montana, Danny Pomposo, Elektro, Mr. Big, alguns capangas e o próprio Rei do crime

— O que você tem aí, graúdo? — Pergunta Mr. Big

Fisk levanta uma máscara vermelha — Um troféu. De um cavalheiro que me visitou ontem.

— Vê se pode! Qual será a desses malucos fantasiados que andam proliferando pela cidade, né? Pra mim, é algum modismo. Tipo a discoteca dos anos 70, lembra?

— Hunf… O problema é que esse sujeito invadiu meu escritório e lutou comigo. Quase arruinou minha recepção.

— “Quase arruinou minha recepção”? Credo, ô! cê falou que nem aquela perua que cozinha na tevê e bate papo com fantoche — Todos na sala se espantam com o tom de sua voz, mas Fisk fica com raiva — Acho que você se plantou no pedestal muita cima da malandragem de rua. É até incrível que ainda se incomode com a gente. Dizem que já nem suporta mais sujar as mãozinhas.

— Aah! Uma postura atrevida! — Fisk solta um sorriso — E estava me indagando quando e se você teria essa coragem. Touro e Montana… Por gentileza, segurem com firmeza o seu pretenso chefe — Touro e Montana se entre olham — É hora de escolher seu time, rapazes.

— Aí, chefe! Tu entende a parada, né? — Pergunta Touro.

— Não!

— Você tem razão. Eu adotei uma rígida conduta restritiva no que concerne a sujar minhas mãos com as mazelas do dia a dia. É um fato.

— Não! Eu só te dei um toque do que dizem por aí! É assim que você agradece quem foi honesto contigo? — Fisk tira o chapéu da cabeça dele — Hã?! — Fisk coloca máscara do Homem-Aranha nele — Qualé, Rei? Sem essa! Você não tá com ideia de fazer o que eu acho, né?

Fisk o encara usando a máscara e coloca suas mãos em sua cabeça — eu sujo as mãos apenas e tão somente quando uma querela exige minha atenção pessoal.

— N-NÃO… — O Rei do crime começa a espremer sua cabeça — UUURCK! UAARGH! ARRGGH! U-UURGH! P-Pá…ARRGGHH!

Manhã de Domingo.

Peter está comendo cereal na cozinha e vê uma reportagem na tevê.

— Um minuto de sua atenção e lhe daremos um mundo! Nossa manchete de hoje: Frederick Foswell, um suspeito de envolvimento com o crime organizado, onde era conhecido como Mr. Big, foi encontrado morto no Rio Leste. Como se apenas o crime já não fosse chocante... Há rumores não confirmados pelo legista que examinou o cadáver, de que o crânio da vítima foi esmagado. Além disso, Foswell estava usando a máscara do misterioso Homem-Aranha. Será que o cadáver foi desovado em outra região? Qual o propósito da máscara neste caso? São essas dúvidas que atormentam os agentes da lei neste momento. E, como o FBI aguçou o mistério ao relatar um confronto envolvendo o Homem-Aranha e o finado Mister Big há pouco as noites... É impossível negar que tipo de conspiração ameaça a cidade — A repórter faz uma pergunta ao capitão da polícia — Por favor, o Aranha pode ser o assassino?

— Se o legista confirmar que houve homicídio, sem dúvidas que esse elemento... Acunhado de homem-aranha... Será enquadrado na curta lista de suspeitos do caso.

— Então, o senhor vai…

— É um momento prematuro para declarações, minha senhora.

— Obrigada. É isso, senhores. O suspeito membro da facção criminosa apareceu morto com a máscara do homem-aranha. Voltaremos a informar assim que obtivermos novos detalhes da investigação policial.

“Outra mancada. Perder a máscara não era a pior coisa que podia acontecer com um super-herói. ISTO, sim, é a pior coisa... A pior desgraça que herói pode encarar.”

Manhã de segunda. Escola Midtown.

— Vamos debater as fitas do caso Nixon. Quem leu a matéria? Todo mundo? Ótimo. Vocês têm sorte, porque a maioria das gravações só foi liberada à opinião pública há poucos anos. Antes, raras eram as pessoas que tinham acesso a esses segredos. Como viram, a intenção inicial do presidente era destruir as fitas antes que alguém as descobrisse. Provavelmente, essa decisão teria salvado o seu mandato. Mas ele não destruiu. Agora, abram os livros na página 323.

Enquanto Peter abre seu livro, ele olha Liz meio triste no banco e se lembra da crise que ela teve um dia desses na escola.

— Eu quero saber o que essas fitas valeram para nós. Alguém pode descrever... O que sentiu a respeito de tudo que ouviu nas gravações? Como é? Vamos!

— Ele era o maior boca suja, ô! — Grita Kongo no fundo da sala.

Peter e Harry se encaram, em seguida, Harry começa a escrever em seu caderno e o mostra a Peter: “Que foi.”

Peter escreve em seu caderno e o mostra: “Sinto muito pela mancada de sábado.”

“ Relaxa, e eu gostei do olho roxo, te deixa mais bonito haha.”

“ Papo sério!"

Harry olha para Pete e dá uma piscada.

— … Ele estava com raiva.

— Mais alguém?

— Mandão?

— Isso!

— Paranóico?

— Certo. Muito bom — Diz a professora — Nixon era um paranóico. Não sem motivo, é claro... Sem dúvida, aquele homem tinha seus inimigos. Mas aí é que está a grande questão! Porque alguém paranóico, que tanto temia inimigos, que estava tão envolvido em atividades polêmicas, gravaria cada um de seus passos? Alguém sabe?

Peter se lembra da câmera que viu no escritório do Rei do crime — Porque se achava intocável.

– Exato! Excelente. Peter.